2007 foi ontem: quatro dicas de pancadaria que faz pensar | Judão

Um ano marcante nas telas dessa vida

O ano de 2007 foi inesquecível para mim. Eu tinha 27 aninhos e, em nível pessoal, rolou uma aceitação do que era ser eu e adulto ao mesmo tempo. Afinal de contas, ninguém recebe um roteiro para estudar assim que nasce. A gente só recebe uns tapas na bunda e um banho forçado, na real. Sem mais delongas, sou muito agradecido ao que rolou nesse período específico de 365 dias.

Não bastasse isso, 2007 foi marcante também nas telas dessa vida, algo que eu considero pacas. E nessa onda temática desse nosso JUDÃO de meu deuso, vou indicar algumas produções sangrentas e badass às quais assisti no SUPRACITADO ano.

Para começar, vamos direto ao tema, e lá se vão dez anos de Grindhouse, a aguardada junção de Tarantino com Robert Rodriguez que homenageia filmes de ação quase amadores e muito sangrentos, nos quais mamilos não eram nem um pouco polêmicos, direto dos idos das mágico-trágicas décadas de 60 e 70.

A ideia de exibir as produções na sequência, aliás, era sensacional. Seria tipo o corujão do Cine Belas Artes, só que numa versão na qual a gente conseguiria ficar acordado. Enfim, não rolou. Os picaretas brasileños preferiram exibir os filmes separados (por meses, inclusive) e ganhar com duas bilheterias ao invés de uma.

Seja como for, a bagaceira dobradinha, que tinha heroínas como protagonistas e não barbados armados até os dentes, foi marcante também por essa opção. Aliás, as mulheres em questão ganharam o corazón das plateias mundo adentro. Como não amar uma mina com uma metralhadora no lugar de uma das pernas e três outras também boas de treta, que detonaram um Kurt Russell psicão que aterrorizava geral com seu opalão preto?

No entanto, não foi só Grindhouse que marcou meu imaginário audiovisual e emocional no sentido sangrento da coisa uma década atrás. Uma das minhas séries favoritas se despediu de sua audiência naquele ano: The Sopranos.

A trama é a história de Tony Soprano, um dos maiores personagens já criados para este veículo arcaico que chamamos de televisão, um chefe de meia idade de uma famiglia de mafiosos que, após ataques de pânico, decide procurar os serviços de uma terapeuta. A partir daí, vemos o choque de dois mundos: um marido e pai que precisa conciliar suas tarefas familiares às de chefão que administra contrabandos e encomenda assassinatos.

A série é muito icônica e muitas vezes a gente se vê apoiando Tony em decisões questionáveis, que esfregam na nossa cara a duplicidade humana entre o saber que fazer uma determinada coisa pode dar em merda e a urgente necessidade de fazê-la.

No entanto, cenas chutadoras de bundas como essa aí embaixo facilitam que a gente, sem sentir tanta culpa, apoie toda a violência gratuita de um mafioso à beira de um ataque de nervos. Indico fuerte dar uma chance à série.

Muita gente lembra, com justiça, do embaço que foi para Leonardo DiCaprio ganhar um Oscar, mas tem um cara que muitas vezes na carreira bateu com a cara na trave e não levou o careca dourado, apesar de atuações antológicas: Denzel Washington, vulgo “rei da porra toda”.

Isso rolou com ele de um jeito histórico com Hurricane, mas em O Gângster a injustiça também foi grande. Na pele de Frank Lucas, o cara estraçalha a tela do cinema, sedutor até o último fio de cabelo e, ao mesmo tempo, violento de meter medo em quem está assistindo, do naipe “já pensou trombar sem querer com um cara assim na rua e acabar levando um balaço na moleira?”.

Baseado em uma história real, é um dos melhores filmes de – obviamente – gângster que já foi feito. A atuação magistral de Denzel, aliada à direção na unha de Ridley Scott, devidamente assessorados por bons momentos de Ruby Dee, que faz a mãe do protagonista (ela sim levou um justíssimo Oscar de atriz coadjuvante), e Russell Crowe, o policial gordola que prende Frank Lucas, tornam a película um clássico dos anos 2000.

Para encerrar, nessa vibe de violência estatelada na tela no ano de 2007, nunca deixaria de fora a conclusão de Bourne, minha trilogia de ação preferida. Pois é, eu falei mesmo TRI-LO-GI-A. Legado Bourne é qualquer nota e esse filme mais recente, Jason Bourne, apesar da presença sagrada de Alicia Vikander, não dá pra levar a sério porque é picareta demais.

Ultimato Bourne carimba a partida do personagem lapidado por Matt Damon ao longo dos primeiros cinco anos da franquia. Todo luto e luta daquele cara que mal tinha pista de quem era ou tinha sido acabaram forjando um nômade que quase não via sentido em matar seu criador e algoz porque ali, à beira de consumar sua vingança, ele já era outro, apesar de toda a bagagem pelas sacanagens sofridas e da pancadaria já praticada ao redor do globo.

Incrível é constatar que, mesmo em uma história tão cheia de ação quanto essa, o diretor Paul Greengrass conseguiu que a gente se visse em Bourne e isso é um golaço arrebatador que me marcou. Aliás, esse filme rolou justamente num momento que EU precisava saber quem EU era (caros pasquales das internets, a repetição da palavra eu, aqui, é proposital) e descobri, em parte por causa de Ultimato Bourne, que parte dessa descoberta dependia de uma decisão que cabia única e exclusivamente a mim sobre qual apito eu ia tocar a partir dali.

Bonito, né? É tudo verdade, mas pensa que eu tô falando isso de um filme que tem ESSA sequência.