2016: Guia de sobrevivência para este ano | Judão

Sete resoluções de ano novo pra você e eu e todo mundo fazer junto

Ok, o ano começou há mais de uma semana, mas nunca é tarde para as tais resoluções que fazem a cabeça de cada ser que caminha sobre esta Terra, não importa quão hipster, blasé ou outra palavra escrota qualquer que defina o estilo do indivíduo. Já dizia MV Bill, o bonde não para, todo mundo quer alguma coisa e algumas vezes, até, muita gente quer a mesma coisa. Bom mesmo, creio eu, é quando a geral em questão quer o mesmo pra todo mundo.

2016 e a brisa é essa aí mesmo: a responsa de chegar garante o seu retornex. Essa é do Criolo, já a responsabilidade pelo andar da carruagem, ah, essa é nossa mesmo, tem outro jeito? Sendo assim, tomo aqui a liberdade de desejar uns negócio bom para todos nós.

Sete resoluções como se sete ondas pra gente pular ao longo de 12 meses fossem.

1 Esquecer o complexo de vira-lata

A gente podia começar por nunca mais falar frases que começam ou terminam com “só no Brasil”, a não ser que seja para falar de cordel, Cartola, cachaça, bloco pé na jaca de Carnaval, baile de favela, enfim, de coisa nossa. Agora, se é pra fazer regaço com este pedaço de Terra cheio de cicatrizes tão profundas quanto as ideias ruins que a gente tem sobre ele, bora virar a página.

Negra Li deu a letra: se os outros viram os olhos, vamos virar também.

Esse trecho aqui onde Will McAvoy, personagem de Jeff Daniels em Newsroom, fala dos idolatrados EUA, é um lembrete digno dos vacilos onipresentes nas mais variadas nações desta bola azul muito louca que flutua no espaço.

Como o complexo de vira-lata dos que nos mandam ir para Cuba sobrevive a essa pérola?Créditos: Nossa Época

Publicado por Jean Wyllys em Quarta, 6 de janeiro de 2016

2 Ouvir muito mais música

O massacre é pesado. A avalanche de duplas sertanejas aguadas, extremamente parecidas entre si, está aí para não nos deixar mentir. Os cantores(as) gringos que cantam e dançam pra caralho também se proliferam, cada vez com um factóide pra gente esquecer que as músicas deles são quase as mesmas. No entanto, isso é um desmembramento de um comportamento repetitivo que todos temos tendência a seguir quando o assunto é música. Se eu não me manco, passo semanas ouvindo o mesmo disco no Spotify.

Tem muita coisa legal pra gente curtir. Um artista que a gente gosta pode facilmente levar a outro, seja uma referência que ele citou em entrevista ou alguém que faça um trabalho que tem a ver com o dele.

Esse set do DJ Nuts é um exemplo classe, começa com D2 e vai por um caminho sensacional de referências.

3 Respeitar as minas

Não seja um abusador, não crie meninos abusadores, não crie meninas que vão considerar abuso prova de afeto, converse com a sua mãe, com as suas irmãs, com as suas amigas e, se você é mina, segue a luta. Feminismo não é opção, é instrumento.

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4 Ver muito mais filmes

Blockbuster são daora, rendem longas conversas sobre caminhos narrativos e oscaray, mas sabe o que também rende isso? Cinema além dos arrasa-quarteirões.

Existem listas all over la internê de filmes franceses (são o inverso do arroubo narrativo dos blockbusters, mas igualmente divertidos), documentários (Netflix e YouTube têm acervos incríveis em HD), cinema asiático (do Irã ao Japão, tem muita coisa legal), argentino (nossos vizinhos são bons de película pra caralho), brasileiro (há coisa fina muito além da GloboFilmes – e nela também, eventualmente, procure saber) e por aí vai.

Essa entrevista da Anna Muylaert, diretora da “Que Horas Ela Volta?”, ao canal Curta! (outra boa dica pra quem quer ver cinema que inspira a gente a querer fazer cinema), deixa claro porque é importante a gente se abrir a outros jeitos de contar histórias.

5 Usar camisinha

Sério, manos e minas, na boa e por favor, usem camisinha.

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6 Ter causas

Ajudar uma iniciativa no Catarse, no Kickstarter, na rua, em escolas, comunidades, família, asilos, orfanatos, hospitais, presídios, aldeias, quilombos ou o que vier a surgir na sua frente e te tocar é um jeito de viver uma vida maior do que a que você vive agora, pode acreditar.

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7 Opinar menos e se informar mais

A sensação de que a gente sempre têm algo a dizer e, se não têm, precisa arrumar, é instantânea assim que a gente abre ou mesmo lembra que Facebook, Snapchat, Twitter ou Whatsapp (entre tantos outros) existem.

Lemos apenas os títulos das notícias e as compartilhamos, escrevemos textões baseados em jotapegues, infográficos, artigos opinativos (a entropia da opinião, o textão baseado em outro textão), enfim, em informações incompletas, e não pensamos duas vezes antes de fazê-lo.

Depois, a gente simplesmente se sente mal, fala que na rede social só querem brigar e tal e cousa e lousa, mas a verdade é que todos demos certa contribuição naquela colossal apimentada que deixou intragável a tarde de todo mundo.

A treta chegou a tal ponto que, em meados do ano passado, o Facebook lançou uma série de spots de TV pelo mundo promovendo o lado legal de ter uma amizade, um caso preocupante onde A PUBLICIDADE foi mais sensível que a gente. Pense nisso. E feliz ano novo (até fevereiro é liberado falar isso)!

https://www.youtube.com/watch?v=bOWRQfo-RGk&list=PLWcA1X_0fRr-LjPvRB3sl7NKkNYoK0bOO