2018, o ano tóxico | JUDAO.com.br

Universidade de Oxford elegeu o termo como definidor das discussões em 2018. Mas o que isso significa, mesmo?

A Universidade de Oxford, que é responsável pelos dicionários Oxford, elege uma “palavra do ano” desde 2004. Sempre definidos entre Novembro e Dezembro, esses termos são escolhidos como os que mais foram repetidos e definiram grandes acontecimentos dos 12 meses anteriores. Em 2007, por exemplo, o ganhador foi pegada de carbono. Em 2013, selfie. No ano passado, o termo youthquake (algo como “terremoto jovem”) levou. Deu pra sentir qual é, né? É pra ser algo que defina minimamente o nosso clima, pensamentos da época.

O processo é assim: eles fazem uma pesquisa das palavras em inglês mais utilizadas usando o Oxford Corpus, seu sistema de coleta de dados. Depois de outros processos de refinamento, editores do dicionário escolhem algumas baseando-se também no momento cultural em que vivemos. Um time final composto por outros integrantes da equipe dos dicionários bate o martelo final e voilá!

Em 2018, a palavra “tóxico” foi usada DEMAIS. Fandom tóxico. Comunidade gamer tóxica. Masculinidade tóxica. Ambiente de trabalho tóxico. Toxicidade em relacionamentos. Aposto que você leu, ouviu e falou disso PRA CACETE nesse ano. A gente aqui no JUDAO.com.br, pelo menos, lascou de tanto comentar sobre isso aqui no site e no ASTERISCO, nosso podcast. E não foi só na nossa bolha, viu.

De acordo com a publicação oficial, o termo teve uma alta de 45% em buscas e foi utilizado ao lado de coisas como “relacionamento”, “masculinidade”, “ambiente” e “cultura”, além dos mais óbvios e técnicos “gás”, “substância”, “lixo”, “químico”, “ar” e “algas”. Por isso, foi eleita a palavra desse último ano.

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A gente tá enfrentando uma polarização muito estranha e CHEIA de efeitos colaterais sérios. Um ano em que acompanhamos o fortalecimento da crescente onda de denúncias contra assédio sexual. Muita violência contra LGBTQs. Muito racismo. Muito machismo. E isso tudo sempre foi aos montes, é verdade, mas agora essas pessoas saíram da toca, perderam a vergonha.

Isso porque grandes ícones começaram a validar esse pensamento. De YouTubers que cativam adolescentes até líderes políticos o presidente dos EUA e o presidente eleito do Brasil. E assim, lidamos com as consequências em TODO lugar, online e off, na partida de Lolzinho e na mesa de bar. Com aquele seu colega que diz que precisamos do “Dia da Consciência Branca”. Com um outro que agride mulheres trans e travestis, mas que consome pornografia protagonizada por elas. Com o pai de família que se diz “de bem”, mas que afirma preferir ver o filho morto do que descobrir que ele é gay. Com o rapaz que é super bonzinho pros amigos, mas que bate na namorada porque “ela provocou”.

2018 foi venenoso, sim. E os que se aproximam serão complicadíssimos. E eu não sei sobre a decisão da Oxford sobre a palavra oficial do ano que vem, mas pra mim será resistência.