É chegada a hora de Bill & Ted enfrentarem a Música! | Judão

27 anos depois, Keanu Reeves e Alex Winter voltam aos papéis dos amigos que, de novo, vão viajar no tempo pra salvar a humanidade — só que agora acompanhados de suas filhas, veja você

Xô contar um causo: quando eu estive do OUTRO LADO, como assessor de imprensa, cheguei a atender o Cartoon Network e um dos trampos que fiz foi acompanhar por telefone uma série de entrevistas com o Alex Winter, que dirigiu uns filmes do Ben 10 pra TV. Ao final da última entrevista, já sem nenhum outro jornalista na linha, eu mandei um “Alex, você me permite perguntar uma coisa?”. E ele: “certeza que você vai falar de Bill & Ted, né?”. E caiu na gargalhada. “Não, por enquanto, sem novidades sobre um novo filme”.

Apesar de não terem sido nada nem perto de grandes sucessos de bilheteria, Bill & Ted – Uma Aventura Fantástica (1989) e Bill e Ted – Dois Loucos no Tempo (1991) se tornaram filmes cult com o passar do tempo, estrelados por Winter e por um certo Keanu Reeves, que acabou ficando famosinho em Hollywood, coisa e tal, talvez você já tenha ouvido falar. não foram poucas as vezes em que ambos foram questionados sobre o tal terceiro filme, que virou lenda nos bastidores cinematográficos.

Até agora.

Porque, senhoras e senhores, que rufem os tambores: Bill S. Preston, Esq. e Ted “Theodore” Logan, os estudantes favoritos de San Dimas, vão viajar no tempo mais uma vez. Porque sim, Bill & Ted 3 enfim vai acontecer. Aliás, já está até em pré-produção. E já tem até título oficial: Bill & Ted Face the Music.

“Nós não poderíamos estar mais empolgados em ter a galera toda reunida de novo”, afirmaram, em comunicado oficial conjunto, Reeves e Winter, de volta aos papéis originais. “Chris e Ed escreveram um roteiro incrível — e com Dean no comando, temos um time dos sonhos”.

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Chris e Ed são, no caso, a dupla Chris Matheson (Imagine Só, aquele com o Eddie Murphy) e Ed Solomon (Homens de Preto, aquele com o Will Smith), criadores da franquia original. E o Dean, vejam vocês, é Dean Parisot, com uma carreira sólida na TV mas conhecido principalmente pela ótima comédia (e sátira definitiva de Star Trek) Heróis Fora de Órbita, de 1999.

Embora Winter esteja desenvolvendo uma sólida carreira como diretor, não apenas de produtos infantis mas também de documentários como Downloaded (sobre o Napster e a música digital), Deep Web e The Story of Blockchain — além de estar rodando um sobre Frank Zappa, o primeiro oficialmente autorizado pela família do músico — aqui ele preferiu se manter apenas como ator mesmo.

Na produção, além de Scott Kroopf, que esteve nos dois primeiros filmes, eles tão contando com o apoio de ninguém menos do que Steven Soderbergh.

Na trama original, os dois eram adolescentes e colegas de escola vivendo em San Dimas, na Califórnia. Fãs de metaaaal, chegaram até a formar a sua própria banda, os Wyld Stallyns. No primeiro filme, Bill & Ted estão tentando escrever um relatório para a aula de história, daqueles que tão difíceis de sair. Mas eis que surge em sua vida um tal Rufus (George Carlin), representante dos líderes da Terra no futuro. Sim, sim, um cara que viajou no tempo usando uma máquina que convenientemente se parece com uma cabine telefônica. Ele precisa garantir que o mundo se desenvolva do jeito correto porque, graças à música dos dois rapazes, nosso planeta se torna uma linda e perfeita utopia.

Mas se Ted não passar no teste, seu pai vai transferi-lo para uma academia militar no Alasca. Ou seja: nada de banda e nada de futuro iluminado para os seres humanos. Então Rufus leva Bill & Ted para viajar pelo tempo, experimentando na pele alguns dos principais acontecimentos históricos da humanidade e encontrando com figuras históricas como Napoleão, Sócrates, Freud, Genghis Khan e Billy The Kid, entre outros.

Já o segundo filme é ainda mais louco, porque mostra os amigos sendo mortos por duplicatas-robôs do futuro, que capturam suas namoradas. Então, Bill & Ted tentam voltar à vida desafiando a Morte para uma série de jogos que podem determinar o seu retorno a tempo de participar da Batalha das Bandas local. Definitivamente, o melhor momento é quando a dupla consegue convencer o senhor dos mortos a jogar Batalha Naval. Quando os dois ganham, não apenas a Morte os libera mas segue com eles em sua jornada através do tempo e, eventualmente, até vai tocar baixo na banda dos caras. Se isso te lembrou de O Sétimo Selo (1957), filme sueco escrito e dirigido por Ingmar Bergman, aquele da disputa de xadrez do cavaleiro medieval com a personificação da morte, você sacou a homenagem de imediato.

Bill & Ted ainda seriam protagonistas de uma série animada da CBS em 1990, entre o lançamento do primeiro e do segundo filme, produzida pela Hanna-Barbera e com Carlin, Winter e Reeves dublando seus respectivos personagens. Mas o negócio saiu de linha na segunda temporada, com apenas oito episódios que foram ao ar via Fox Kids e tiveram a DIC Entertainment (de programas como Pole Position e Dinosaucers, repare) no comando da produção, sem ninguém do elenco original. Christopher Kennedy (Bill) e Evan Richards (Ted), os novos dubladores, ainda chegaram a estrelar uma versão live-action em 1992, que foi ao ar pela Fox mas durou apenas e tão somente sete episódios. AINDA BEM.

Bill & Ted Face the Music vai mostrar os dois sujeitos nos dias de hoje, não mais estudantes cabeludos mas sim homens quarentões que, apesar de manterem a amizade, têm que encarar as responsabilidades da vida adulta. O ponto é que eles não se tornaram nem um pouco bem-sucedidos, seus casamentos estão indo pro buraco, suas filhas estão meio loucas da vida com os paizões... Mas continuaram sonhando com o rock e escrevendo músicas. Só que nunca AQUELA música especial. A tal que mudaria o mundo, os rumos da humanidade no futuro.

Então, eis que surge alguém viajando pelo tempo mais uma vez pra dizer que o tecido do espaço-tempo está ameaçado e que eles precisam desovar este diacho desta canção o quanto antes ou o universo pode ir pra casa do chapéu. Sem muita inspiração, então, eles voltam a viajar no tempo, agora ao lado das herdeiras, conhecendo não apenas novas figuras históricas mas também algumas lendas do mundo da música.

“Disseram pra estes caras que eles salvariam o mundo”, explica Matheson pra EW. “E agora eles tão mais velhos e ainda não fizeram isso. Tão casados e isso afeta seus casamentos, seus relacionamentos com seus filhos, afeta tudo ao seu redor”. Winter explica que é fácil traçar alguns paralelos aqui. “Uma banda de rock que todo mundo pensava que ia estourar e nunca aconteceu. Chega aquele momento na vida de pensar: nós continuamos ou desistimos do sonho?”. Para Reeves, a história pode ser condensada como “espíritos indomáveis confrontados com a pergunta definitiva: este é o fim?”.

O que se sabe até o momento é que Carlin, morto em 2008, não será substituído — portanto, talvez tenhamos um novo emissário futurista. Além dos retornos de Sócrates e Billy The Kid, a intenção é que se consiga espaço pra William Sadler, que viveu a Morte no segundo filme, já que o ator está disposto e a galera da produção também. E rolam boatos de que caras como Eddie Van Halen, o guitarrista que mais amigos têm na indústria do cinema, também possa aparecer.

“Toda a trajetória do filme até agora tem sido exatamente como foi a experiência de fazer o original acontecer”, explica Winter pra Rolling Stone. “A coisa de bater na porta de cada estúdio e ouvir um ‘o que diabos é isso?’. É tipo um espírito independente mesmo — e os filmes têm esta qualidade meio anacrônica neles, que é parte fundamental do que a história é de verdade. Fico muito feliz que o terceiro siga esta linha”.

Nos EUA, o filme será distribuído pela MGM, sob o selo Orion Pictures. A ideia é que os direitos internacionais de distribuição sejam negociados durante o mercado da edição 2018 do festival de Cannes, que começou esta semana.