Agora que o Conan voltou pra Marvel, ele vai fazer parte dos Vingadores. Porque ÓBVIO. | JUDAO.com.br

E não só ele: o bárbaro cimério integrará um time de “heróis” com alguns dos mais sanguinários personagens da editora, num clima mais porradeiro e anos 90 impossível

Os filmes da Marvel fazem com que a gente tenha uma visão bastante firme de qual deve ser uma formação dos Vingadores — que ela deve ter sempre Capitão América, Thor, Homem de Ferro, Hulk... E aí que Visão, Viúva Negra, Gavião Arqueiro, Feiticeira Escarlate, Falcão e demais integrantes são, digamos, acessórios. O caso é que, nos gibis, desde que a equipe foi criada em 1963, praticamente todo o Universo Marvel já fez parte de suas fileiras em algum momento.

Da mesma forma que os X-Men com seus X-Force, X-Factor, Novos Mutantes e a porra toda, os Vingadores também já tiveram uma cacetada de extensões da equipe principal e algumas, aliás, existindo ao mesmo tempo em que os Vingadores principais. Vingadores da Costa Oeste, Novos Vingadores, Jovens Vingadores, Poderosos Vingadores, Vingadores Secretos, Vingadores I.A., Vingadores Sombrios, Fabulosos Vingadores (misturando Vingadores e X-Men), Vingadores Pré-Históricos... Escolha a sua.

Pois eis que, em Maio, a Casa das Ideias vai dar mais um dos seus golpes de marketing fatais e lançar um novo título: Savage Avengers — os Vingadores Selvagens, cujo título é bem autoexplicativo. No gibi, escrito por Gerry Duggan e com arte do nosso Mike Deodato Jr., teremos uma equipe não sancionada de Vingadores, o que significa portanto que eles vão usar o miserável do nome quer os Vingadores originais e o governo dos EUA queiram ou não. E quando falamos “eles”, nos referimos ao Wolverine, ao Justiceiro, ao Venom, à Eletra, ao Irmão Vodu e... ao Conan.

Se você é um leitor ou leitora de gibis das antigas, na certa deve estar aí se perguntando o que caralhos eles tão fazendo agora. Tão sendo a Marvel de sempre, ora ora.

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Criação do escritor Robert E. Howard em suas histórias de fantasia na revista Weird Tales, lá no comecinho da década de 1930, o Conan começou a servir sua espada em nome de Crom no universo dos quadrinhos na década de 1970, nas páginas da Marvel. A trinca Roy Thomas, Barry Windsor-Smith e, mais tarde, John Buscema, fez história com publicações ininterruptas do personagem, primeiro na revista que carregava apenas seu nome, Conan the Barbarian, e depois numa publicação ainda mais brutal e violenta, em P&B, Savage Sword of Conan — a mesma que aqui no Brasil se tornou a histórica e cultuada A Espada Selvagem de Conan, lançada pela Abril em 1984.

A Casa das Ideias foi aos poucos colocando o cimério na geladeira até que, por volta dos anos 2000, abriu mão de vez. Aí, a Dark Horse Comics assumiu a missão e trouxe a afiadíssima dupla formada por Kurt Busiek e Cary Nord pra dar conta do recado. A passagem, totalmente focada na obra original de Howard e sem conexão cronológica com o que tinha sido publicado pela Marvel ao longo das décadas anteriores, foi elogiada pelos fãs — não só pelas republicações do período marvete em formato graphic novel, mas também pelo material inédito que se espalhou ao longo de sete títulos diferentes (incluindo a versão deles para Conan Rei) durante belos 15 anos.

Mas, em 2018, a Marvel Comics foi buscar seu filhote de espada em punho de volta e anunciou que, a partir de Janeiro de 2019, Conan voltaria a ser publicado por eles. “Estamos empolgados em trabalhar com a Marvel e olhar adiante para descobrir que novas aventuras teremos preparadas para o Conan”, afirmou, em comunicado oficial, Fredrik Malmberg, o presidente da Conan Properties International, empresa que detém os direitos da obra relacionada de Howard. “Como eles são a mais famosa e criativa editora da indústria, acho que eles se encaixam muito bem para contar nossas histórias”.

No mês passado, a Marvel cumpriu sua palavra e colocou nas bancas não um, mas DOIS títulos diferentes, com equipes criativas bem empolgantes: Conan The Barbarian, com roteiro do novo queridinho da editora, Jason Aaron, e arte de Mahmud Asrar; e o clássico Savage Sword of Conan, escrito por Gerry Duggan e desenhado por Ron Garney. E expandindo o universo, eis que a partir de março Tini Howard e Kate Niemczyk vão colocar na rua a série em cinco edições Age of Conan: Belit, Queen of The Black Coast, protagonizada pela rainha pirata que veio direto das páginas de Howard e tornou-se icônica para os leitores do personagem no arco A Rainha da Costa Negra.

E aí que então veio esta ideia maluca de misturar EFETIVAMENTE o Conan com o restante dos personagens Marvel.

Quem explica como diabos tudo vai acontecer, em entrevista ao EW, é Duggan, um homem selvagem em dobro, já que está cuidando dos roteiros da Espada Selvagem e também dos Vingadores Selvagens. “Os magos maléficos do mundo de Conan encontram um jeito de trocar feitiçaria com os representantes do Tentáculo, no Japão”, diz. “Conan está em mais uma de suas missões bem Conan, atrás de um amuleto que ouviu falar e aí descobre que os feiticeiros de posse daquilo estão fazendo algo que pode afetar nosso mundo e seria um problema para os Vingadores resolverem. Parece que encontramos um terreno fértil que serve de intersecção entre estes dois mundos”.

Como estamos falando de um guerreiro que, por definição, confia muito mais em sua espada do que nas palavras mágicas de um bruxo, digamos que Conan é bastante cético no que diz respeito à magia. “E sua interpretação do simbionte do Venom, na primeira vez que o vê, é de que aquela deve ser uma entidade maléfica. Tem muita diversão a partir daí”, conta o roteirista. “Em outro ponto, Conan encontra com o Logan e acredita que ele vem de um lugar chamado chamado Pabst, e aí rola uma falta de comunicação entre os dois”, entrega, já deixando claro que o pau vai comer solto entre o selvagem mutante, cujas garras de adamantium vão se cruzar com a lâmina da espada do devoto de Crom. “Conan é um peixe fora d’água, mas todos vão passar a respeitar as habilidades que os outros trarão para a briga”.

O escritor sabe que, da mesma forma que é o Conan diante da magia, deve rolar um ceticismo também quanto a este encontro, tanto os novos fãs de super-heróis da Marvel que não fazem ideia de quem é o Conan quanto o séquito fiel da vida e obra de Robert E. Howard. “Para esta galera, eu digo, nos deem apenas uma edição”, diz ele, confiante. “Uma edição e nós vamos converter você”.

Tá bom, então. Vamos te dar esta colher de chá. ;)