Agora vai: The Irishman começa a ser gravado em Agosto | JUDAO.com.br

Mas sobre que caralhos será essa promessa de FILMÃO do Scorsese que já tem Robert De Niro confirmado no elenco?

A chance é bem grande que, nos últimos tempos, você tenha visto o título The Irishman pipocando bastante nos noticiários da cultura pop desde o seu anúncio, láááá em 2008. Projeto do coração de Martin Scorsese que o reunirá com seu outrora MUSO, Robert De Niro, podendo ainda promover OUTROS reencontros, o filme foi comprado pelo Netflix no início deste ano e, nesta terça-feira (9), recebeu carta verde pra começar a ser rodado.

Mas, pera. Sobre o que, exatamente, será essa promessa de FILMÃO? Bom pra começar, o roteiro, escrito por Steven Zaillian (responsável por A Lista de Schindler e, mais recentemente, a igualmente excelente minissérie The Night Of), adaptará o livro “I Heard You Paint Houses”: Frank “The Irishman” Sheeran and the Inside Story of the Mafia, the Teamsters, and the Last Ride of Jimmy Hoffa (espera, respira, e vamos à tradução PT-BR: O Irlandês: os Crimes de Frank Sheeran a Serviço da Máfia), do autor de Donnie Brasco, Charles Brandt

Esse título, de tamanho modesto, é uma brincadeira com uma gíria supostamente popular entre os gângsteres dos EUA, usada para saber se uma pessoa ganhava a vida acabando com a de OUTREM. “Pintar casas”, veja só, seria um eufemismo AND trocadalho para assassinatos por encomenda, com a tinta sendo… bem… SANGUE. :)

O livro constrói sua narrativa com base numa série de entrevistas concedidas a Brandt por Frank Sheeran, um associado da Máfia que trabalhou para os maiores chefões do crime norte-americano nos anos 60 e 70. Nelas, ele confessa ter matado ao menos 25 pessoas durante seu tempo de ~serviço — incluindo o sindicalista estadunidense Jimmy Hoffa, protagonista de um dos mais icônicos casos de desaparecimento da história dos EUA, resultado duma complicada história de interesses políticos e financeiros conflitantes digníssima de filme.

Nascido na Pensilvânia, em 1920, Sheeran (que partilha apenas de sua ascendência e sobrenome com o Ed) ingressou nas Forças Armadas dos EUA aos 21 anos. Serviu por 411 dias (mais que quatro vezes o período médio de serviços dos alistados americanos) e lutou na Itália, França e Alemanha. Nesse período, ele mesmo conta no livro, cometeu diversos crimes de guerra, matando por vingança e tomando parte em massacres contra prisioneiros rendidos.

De volta aos States em 1945, Sheeran trampou por um breve período de tempo como caminhoneiro, mas logo fez contato com a Máfia, que viu potencial em sua disposição a PRESUNTAR pessoas. O Irlandês tornou-se um matador por aluguel da Cosa Nostra, fazendo contato com reis do crime como Angelo Bruno, por 20 anos líder do crime organizado da Filadélfia, e especialmente Russell Bufalino, o cabeça da máfia da Pensilvânia, que se tornou um tutor para o matador.

Foi Bufalino que, em meados dos anos 60, incentivou o Irlandês a aproximar-se de Jimmy Hoffa, sindicalista fundador e então presidente da Irmandade Internacional dos Teamsters (ou só Teamsters), criada em 1957 e descrita, hoje, em seu site oficial como “o mais forte e diverso sindicato dos EUA”.

Nascido em Indiana, no ano de 1913, Hoffa ASCENDEU na luta por direitos trabalhistas de forma meteórica a partir dos anos 30. Era um líder nato, porém inescrupuloso, tendo sido condenado repetidamente por casos de suborno e fraude durante os anos 60, em investigações conduzidas pelo FBI e fortalecidas pelo ímpeto do então procurador-geral dos EUA, Robert Kennedy.

A partir de seu encontro com Sheeran, Hoffa teria empregado o Irlandês em diversos serviços — desde a intimidação e assassinato de rivais dos Teamsters, aos assassinatos de membros da própria irmandade. A aliança teria rolado até 1975, quando tomou as manchetes estadunidenses o desaparecimento do sindicalista, após um encontro nunca comprovado com dois chefões da Máfia. Hoffa nunca foi encontrado, entrando pros ANAIS da história norte-americana e inspirando piadas em todo tipo de produção cultural – do SNL a Todo Poderoso.

Só que, segundo o Irlandês, nada disso foi um mistério para ele. 29 anos após o sumiço de Hoffa, Brandt lançou seu livro prometendo trazer a tona novos acontecimentos sobre o caso, todos embasados no depoimento de Sheeran, na forma de horas e mais horas de confissões transcritas, sobre seu passado de crimes. Nelas, o matador detalhou como meteu duas balas atrás da orelha do então sequestrado Hoffa, dentro dum casebre isolado em Detroit, depois tratando de acabar com as evidências.

Claro, Sheeran não foi o único a clamar responsabilidade pelo crime. Richard Kuklinski (vivido nas telonas pelo genial Michael Shannon, em O Homem de Gelo), por exemplo, clamou para si a história em 2012 e foi o que chegou mais perto de ter sua versão comprovada. No suposto local do crime apontado pelo Irlandês, investigadores encontraram vestígios de sangue, infelizmente, muito velhos para entregar testes conclusivos e levar a uma eventual condenação.

Martin Scorsese e Robert De Niro no set de Taxi Driver

É uma recriação desses eventos que deve ser central à trama de The Irishman, com Robert De Niro assumindo CONFIRMADAMENTE o papel de Sheeran e, a menos a princípio, ninguém menos que Al Pacino em algum papel secundário de destaque (talvez o de Hoffa?). Neste momento, aliás, o IMDb lista outros dois estelares veteranos de Scorsese (e cinema, claro): Harvey Keitel e, veja só, o lendário Joe Pesci – mas nem eles, nem Bobby Cannavale, que também aparece por lá, foram confirmados em algum momento dos quase 10 anos do projeto.

Com ou sem os caras, a ideia é pegar ao menos De Niro e rejuvenescê-lo de acordo com o que pedir a história, usando a mesma técnica de efeitos especiais de Robert Downey Jr., Michael Douglas, Kurt Russel no Universo Marvel (e de Jeff Bridges em Tron: O Legado, mas vamos deixar esse quieto). Trampo pra Industrial Light & Magic e despesa principal para a produção, que terá US$ 100 milhões pra alçar voo.

Com uma história foda pra baseá-lo, um diretor monstro e pelo menos um protagonista brilhante (fora os adendos DOS SONHOS que podem se confirmar), The Irishman parece bom demais pra ser verdade. Tanto que não estreará nas telonas, porque não se pode ganhar todas.

Jogo que segue! :D