As grandes vilãs da Mulher-Maravilha | Judão

Apesar de não ter uma galeria de antagonistas tão conhecida quanto as do Batman e do Flash, Diana tem um bom leque de opções quando o assunto é bandidagem – e a maior parte são minas tão fodonas quanto ela

Quando a gente fala no Homem-Morcego, inevitavelmente pensa nos vilões psicóticos que ele enfrenta, aquela galeria de lunáticos que infestam as celas do Asilo Arkham. Coringa, Charada, Pinguim, Mulher-Gato... No caso do Flash, mesmo esquema: o herói é divertidíssimo, mas o seu elenco vilanesco muitas vezes rouba a cena, do Capitão Frio ao Mestre dos Espelhos, passando pelo Flautista, pelo Mago do Tempo, pelo Trapaceiro e até pelo Capitão Bumerangue. Neste sentido, dá pra dizer que a Mulher-Maravilha tá igualmente bem-servida.

Tudo bem, as leitoras das antigas diriam de primeira que os grandes antagonistas da Princesa Amazona teriam sido Ares, o deus da guerra na mitologia grega, e um maluco chamado Doutor Psycho, um sujeitinho detestável com poderes telepáticos que odeia as mulheres. Só que, vamos combinar, 99% dos grandes vilões da Diana são, na verdade, VILÃS. E da pior espécie. No bom sentido. Ou algo assim.

Separamos alguns nomes para você conhecer ou relembrar – e, quem sabe, já ficar aí sonhando com aparições em possíveis continuações do filme da Maravilhosa.

| Mulher-Leopardo (Cheetah)
Que Ares o quê: a grande arqui-inimiga da Mulher-Maravilha é mesmo esta felina de garras afiadas e temperamento explosivo. Na verdade, três mulheres já atenderam por esta ALCUNHA: a original, dos anos 40, era uma filantropa e dançarina chamada Priscilla Rich, que tinha um transtorno de personalidade múltipla e passou a se vestir de leopardo e ameaçar as pessoas quando a Mulher-Maravilha surgiu – e ela, de alguma forma, se sentiu “ameaçada” por sua presença. Já nos anos 80, ainda antes da Crise nas Infinitas Terras, surgiu outra Mulher-Leopardo, Debbie Domaine, sobrinha da original, capturada e submetida a uma lavagem cerebral para se tornar uma ecoterrorista.

A terceira e mais interessante foi Barbara Ann Minerva, surgida em 1987. Arqueóloga egoísta e ambiciosa, ela foi em busca de poder numa tribo africana devotada a uma guardiã em forma de leopardo. Quando a guerreira morre, ela busca a imortalidade e vende sua alma (ou quase isso) aos seguidores do deus-planta (!) Urtzkartaga e o que era pra ser uma benção vira uma maldição, graças à sede de sangue que Minerva acaba herdando.

Na era dos Novos 52, sua origem a transformou em caçadora de tesouros, expert em relíquias antigas, que se corta acidentalmente com uma adaga mística e acaba possuída pela Deusa da Caça, assumindo a forma híbrida de humana com felina. Já quando veio o Rebirth, ela se tornou de novo numa arqueóloga, que viajou o mundo e acabou sendo a primeira amiga de Diana quando ela veio para o mundo mortal. Mas aí, acabou cruzando o caminho do Culto de Urtzkartaga e deu no que deu.

| Giganta
Enquanto a Mulher-Leopardo é um rosto conhecido para quem assistiu aos desenhos mais recentes da Liga da Justiça, a Giganta é aquela que ficou na lembrança dos espectadores dos Superamigos, da década de 70 — Sim, sim, ela mesma, aquela mulher que ficava enooooorme no desenho clássico da Hanna-Barbera. A versão original, dos gibis clássicos, não fazia lá muito sentido: um cientista maluco chamado Professor Zool artificialmente transforma uma gorila superforte chamada Giganta em uma grandalhona de circo de cabelos ruivos. o_O

Mais tarde, no entanto, ela ganharia uma outra origem, minimamente interessante: na verdade, ela é a Doutora Doris Zuel, uma médica sofrendo de uma doença fatal que esperava transferir sua “essência vital” para o corpo da Mulher-Maravilha.

Planos devidamente frustrados, ela acaba conseguindo transferir sua essência para uma gorila – e depois, desesperada para ter um corpo humano o quanto antes, acaba indo parar no corpo de uma artista circense com a habilidade de aumentar de tamanho. Nascia aí então a Giganta.

Pós Crise nas Infinitas Terras, aliás, ela teve o pacote de poderes devidamente atualizado e agora possuía a habilidade de se tornar gigantesca. Uma dor de cabeça tamanho família para a Mulher-Maravilha (há, pega esta tagline de Sessão da Tarde!).

| Baronesa von Gunther
Outra egressa dos anos 40, em plena Segunda Guerra, Paula von Gunther foi a primeira inimiga recorrente da Mulher-Maravilha ainda em seus primórdios, uma espiã e cientista trabalhando para os nazistas – por conta do sequestro de sua filha, Gerta, que acaba sendo resgatada pela nossa heroína. Mas, depois da Crise nas Infinitas Terras, digamos que a sua origem ficou ligeiramente mais confusa.

Anota aí: uma daquelas devotas do ocultismo durante o nazismo, tipo o Caveira Vermelha, Paula acabou se tornando um receptáculo humano para a entidade conhecida como Anjo Negro, uma Donna Troy (aka Moça-Maravilha) da Terra 7 cuja essência/consciência de alguma forma resistiu à compactação de mundos paralelos e se tornou vingativa contra tudo que tinha a ver com a vida de Donna, incluindo sua mentora, Diana. Além de conseguir alterar a linha do tempo, ela ainda tinha um combo de poderes que incluía controle da mente e teletransporte.

| Circe
Poderosa feiticeira imortal, baseada na personagem da mitologia grega de mesmo nome (que aparece na Odisseia de Homero), especialista em truques de ilusão e em magias de transformação – ela ama fazer com que humanos se tornem bichos. Tipo um Loki da DC. ;)

Originalmente “apenas” uma poderosa e sarcástica bruxa banida pela Rainha Hipólita por seus crimes contra a humanidade, depois da Crise nas Infinitas Terras ela se torna filha dos titãs Hipérion e Perseis, princesa da região de Colchis e devota da deusa Hécate, ligada às terras selvagens, à bruxaria e à magia.

Já nos Novos 52, Circe torna-se uma mulher que, em busca de vingança contra Hipólita e as amazonas, manipula o Superman e faz com que ele lute contra a amiga. Por fim, na época de Rebirth, vemos Circe pela primeira vez quando Veronica Cale, CEO das Indústrias Empire e uma espécie de Lex Luthor na vida da Mulher-Maravilha, faz um ritual para convocá-la em busca de vingança contra os deuses que tomaram a alma de sua filha, Isadore. Claro que Diana acaba sendo convocada a entrar no meio deste balaio de gato.

| Cisne de Prata
Outra vilã clássica da Mulher-Maravilha que teve três diferentes versões. A primeira delas, antes da Crise, era Helen Alexandros, uma bailarina que fez uma barganha com seu ancestral, ninguém menos do que Ares em pessoa. Ela ganharia muito poder e uma beleza fora do comum... se aceitasse matar a Mulher-Maravilha. Além de força e da habilidade de voar, ela ainda levou no trato um poderoso grito sônico.

Já depois que a Crise atropelou o Universo DC, ela foi Valerie Beaudry, deformada pela exposição dos pais à radiação com poderes natos de controle do som. Eis que entrou em sua vida o industrial sem escrúpulos Henry Armbruster, que a seduziu e até casou com ela, submetendo-a a experimentos que aumentariam seus poderes e tornariam sua beleza estonteante.

A seguir, a terceira versão, Vanessa Kapatelis, era na verdade uma grande amiga da Mulher-Maravilha, que a via como uma irmã mais velha, mas acabou capturada pela Circe e pelo Doutor Psycho, submetida a uma série de sessões para torná-la uma máquina de matar com ódio de Diana. A obsessão se manteria mesmo depois que Veronica Cale a tornou um cyborg assassino (sério).

| Doutora Veneno
Como o próprio nome mais ou menos ajuda a suspeitar, estamos diante de outra vilã tipicamente da época nazista e que, sim, é a personagem de Elena Anaya no filme da Mulher-Maravilha.

A primeira versão, de capuz e máscara, era na verdade a princesa japonesa Maru, tentando disfarçar a identidade e também o gênero atuando como líder de uma célula nazista terrorista. Seu objetivo era envenenar a água dos aliados com uma droga chamada “reverso”, que faria com que as pessoas se comportem de forma oposta ao que lhe ordenam. Já no final dos anos 90, fomos apresentados a uma outra versão da personagem, Marina Maru, neta da original, que se submeteu à experimentos e agora é capaz de gerar uma série de toxinas.

Nos Novos 52, sua origem foi transferida para a Rússia, onde seus pais foram presos como espiões na Sibéria, acusados de tramar traição em favor dos EUA (mesmo depois de serem convidados e negarem terminantemente). Ao perder os dois, Marina começa a executar um plano de vingança contra a Terra do Tio Sam usando armas químicas. Mas sabe quem veio depois? Rebirth, claro. E, com ele, Marina Maru volta a ser japonesa, uma coronel que comanda a organização Veneno, criada por sua família, que acaba cruzando o caminho da Mulher-Maravilha.

| Rainha Cléa
Outra inimiga de responsa no panteão da Mulher-Maravilha vem do mesmo lugar que um de seus melhores amigos: Atlântida. Mas quando ela surgiu, em 1944, não tinha muito este lance de universo compartilhado aí com o Aquaman, por exemplo. Cruel rainha de uma cidade chamada Venturia, ela era uma conquistadora que derrotou e transformou todos os homens em escravos, orgulhosa de seu papel no combate bem a estilo dos gladiadores. Seu sonho era tomar todo o continente sob seu controle.

Já Pós-Crise das Infinitas Terras, ela tentou conseguir seu feito tomando o Tridente de Poseidon, o que a tornaria praticamente invencível. Mas claro que não rolou, né. Foi uma das fundadoras da Corporação da Vilania, grupo que teve uma série de formações dali pra frente (incluindo algumas das vilãs mencionadas neste texto) e cujo objetivo era se unir para... ah, vá, vamos ver se você adivinha? ;)

| Discórdia
Filha de Ares, também batizada como Eris, deusa das desavenças e do caos, criadora das famosas maçãs douradas da discórdia que conhecemos da Guerra de Tróia (ou, se for o caso, dos desenhos dos Cavaleiros do Zodíaco, você decide). Nas HQs, seu primeiro apronto foi justamente usar as frutas para fazer os dignatários das Nações Unidas que foram visitar Themyscira, aberta ao mundo pela primeira vez pela Rainha Hipólita, trocarem uns sopapos.

Morta anos depois, seu espírito acabaria ressuscitando no corpo da Hera Venenosa enquanto seus irmãos Phobos e Deimos tentavam transformar Gotham City em Areopagus, a cidade do poderoso deus da guerra. Sua versão pós Novos 52 é talvez um pouco menos VILANESCA, mas igualmente irritante, porque ela se DELEITA e se alimenta do caos, em situações que parecem inofensivas mas dão muita dor de cabeça para certa dona de um laço dourado...

| BÔNUS TRACK: Hera
A esposa oficial de Zeus tornou-se inimiga da Mulher-Maravilha depois que a origem da super-heroína mudou, pós-Novos 52. Nada de barro mágico: a jovem é filha de um relacionamento extraconjugal do patriarca dos deus gregos com Hipólita. Portanto, Diana é uma semideusa, num expediente que, quem conhece um pouquinho de mitologia grega, sabe que é recorrente nas tramas envolvendo o deus-máximo do Olimpo, bem chegado a dar suas puladas de cerca. Assim, também como nas lendas clássicas, Hera se dedica a fazer da vida dos filhos “bastardos” de Zeus um inferno...