Asa Noturna, Matt Reeves e as boas notícias do Universo DC dos cinemas | Judão

Vamos ver o que vai acontecer, não dá pra saber ainda

Duas coisas que eu sei que já deram no saco: encontrar um salvador para o futuro dos filmes da DC e comparar todo esse universo com o que a Marvel tem feito há quase dez anos. Pra alguns soa como birra, como gostar de um e não do outro... Se for seu caso, saiba que eu vou fazer isso nas próximas linhas.

Porque, bom, a DC só resolveu montar um Universo quando a sua grande concorrente passou a ditar os rumos da cultura pop com a sua ~fórmula de universo coeso. E como eles fizeram isso? Pegaram os maiores heróis da Terra (peço desculpas pelo trocadilho, mas aqui tou falando literalmente) e os colocou pela enésima vez nos cinemas, primeiro com O Homem de Aço e, depois, com Batman VS. Superman, que ainda teve a participação da Mulher-Maravilha.

EM OUTRAS PALAVRAS: o chamado DC Extended Universe começou com três dos principais personagens da cultura pop universal, ao lado da família Skywalker. Além de toda a pressão por estar “correndo atrás”, não havia espaço pra errar, nem pra experimentar. E a gente sabe o que acontece quando a gente tenta por demais ser perfeito em tudo, quando nos levamos muito a sério, não é mesmo?

Só não é o mesmo caso de todos os outros filmes de personagens da Marvel feitos pela Fox e pela Sony porque esses dois estúdios não tinham exatamente uma variedade. Mas a possibilidade de errar também não existia e, pra piorar, a necessidade de se criar outros filmes sim, sem muito tempo pra respirar — isso ou os direitos vão pro saco.

Homem de Ferro, o filme que começou tudo, era baseado num personagem que pertencia, sei lá, ao QUARTO escalão do panteão da editora, mas era também conhecido por muita gente. Era possível experimentar mais, testar limites... e deu certo. Um tom foi encontrado, uma cara descoberta, uma ideia foi criada, uma iniciativa apareceu.

Funcionou tão bem que hoje, literalmente, a Marvel pode pensar em fazer QUALQUER COISA porque não só eles sabem como fazer, como o público já sabe o que pode esperar. Acertando então a expectativa com a realidade, especialmente em termos MONETÁRIOS, é só correr pro abraço.

Ben Affleck já deu as boas vindas a Matt Reeves, novo diretor (e produtor) de The Batman, um cara com experiência em assumir franquias ou ideias antigas e assustadoras (nos mais variados sentidos) e entregar um produto que parece ter sido feito especialmente pra gente, especialmente pro mundo em que vivemos. Foi assim com Cloverfield, ressuscitando de uma certa maneira o gênero de monstros e o esquema de found footage, foi assim com Planeta dos Macacos: A Origem e tem tudo pra ser assim com The Batman — especialmente porque parece, com o cargo de produtor, que a Warner resolver ceder.

Isso, por si só, já é uma ótima notícia.

Mas essa não é a única. Do mais profundo nada, descobrimos que o Asa Noturna vai ganhar um filme seu, dirigido por Chris McKay, o mesmo do LEGO Batman (que entendeu como muito pouca gente a essência do personagem), e escrito por Bill Dubuque, de O Contador, o melhor filme do Batman com Ben Affleck lançado até o momento.

Asa Noturna tá em qual ESCALÃO da DC Comics, quarto? Mas é um personagem muito BEM QUISTO por muitos fãs, né? Imagina então se a Warner olha pra essa produção pensando em como a Marvel pensou lá no começo, com vontades de experimentar, testar limites e, o principal, deixar a criatividade falar mais alto? Imagina se a preocupação deixa de ser o enorme lucro de bilheterias mas sim algo que, num contexto maior, funcione e passe a fazer outros funcionarem?

E a escalação de McKay faz duplo sentido. Dick Grayson, o Robin que cresceu e resolveu criar uma PERSONA própria justamente pra se livrar do estigma de seu antigo mentor/pai, é o tipo de herói que pode ser descrito como um Batman do lado iluminado da Força. Bem-humorado, um acrobata de circo a um passo de ser um Homem-Aranha, ele enxerga as sombras da noite sob uma ótica mais divertida — e, principalmente, estamos falando de um jovem aspirante a Homem-Morcego que entende a importância da família. Ou, no caso, da sua bat-família. Lembra do final de LEGO Batman? Pois é.

Embora muita gente esteja neste exato momento se perguntando “como diabos pode existir um Asa Noturna nos DC Filmes se o Coringa matou o Robin deixou aquele ‘the joke is on you’ no uniforme, aquela coisa”, saiba que isso não impede nada. Dick pode ter sido o primeiro Robin, vazou, foi viver a própria vida, outro moleque assumiu e aí sofreu o trágico destino. Vamos lembrar que foi rigorosamente o que aconteceu nas HQs com o Jason Todd, aliás.

Ben Affleck, Dwayne Johnson... Será que é o Asa Noturna que vai salvar os DC Filmes? Muito provavelmente, como bem disse o nosso querido Jornalista Eduardo, só a própria Warner que pode salvar esse universo e parece (PARECE, do verbo “vamos ver o que vai acontecer não dá pra saber ainda”) que pelo menos eles perceberam que existe um outro caminho pra fazerem o que querem sem a necessidade de nos enfiar güela a baixo a TRÍADE.