Assim como no mundo real, o Relógio do Apocalipse da DC Comics está quase marcando meia-noite | Judão

Eleição de Trump e a polarização do mundo são as grandes influências de Doomsday Clock, o crossover entre o Universo DC e WATCHMEN – que terá direito a um conflito entre Dr. Manhattan e Superman

Depois de meses e meses de teasers e especulações, a DC Comics finalmente revelou o que pretende com aquela história do envolvimento de Watchmen com o Universo DC, que começou do especial Rebirth e atualmente está sendo destrinchado no arco The Button: a minissérie Doomsday Clock, que terá roteiro de Geoff Johns (que também é CCO da DC Entertainment) e arte de Gary Frank – que, juntos, já fizeram Batman: Terra Um e a nova versão do Shazam pós-reboot. A publicação começa em novembro, de acordo com a informação do Syfy Wire, o mesmo mês de lançamento do filme da Liga da Justiça.

No teaser da saga, vemos o Doomsday Clock (AH VÁ), que também existe no mundo real, contanto quando tempo falta para o fim do mundo, no visual de Watchmen e com o famoso S do Superman justamente no lugar que marca a meia-noite. Vale lembrar que a épica HQ de Alan Moore e Dave Gibbons completa 30 anos em 2017.

“É o projeto para explodir cabeças mais épico e mais pessoal que já tabalhei na minha carreira. Com Rebirth, eu abri a porta para o Manhattan”, disse Johns. “Parte do que eu amava em Watchmen era a influência do mundo real. Eu coloquei um pouco do Manhattan por aí, e sempre imaginei que tinha uma história entre Manhattan e Superman para ser contada, mas então... Isso cresceu. Isso tomou meu coração e minha alma. Ainda, lá no fundo, há um ser que perdeu toda a sua humanidade, e se distanciou disso, e um alien que encarna mais a humanidade que os próprios humanos. Eu amo a ideia de Watchmen influenciar a DC, mas como seria ao contrário? E vai além disso”.

Curioso o Johns falar e se aproximar mais do mundo real, numa história com o Relógio do Apocalipse como teaser – que, não sei se você sabe, foi adiantado recentementenum momento no qual a Marvel é criticada justamente por se aproximar de alguma forma da realidade no crossover Secret Empire.

“Isso é muito sobre o presidente americano e as reações a ele. Esse é o meu objetivo inicial. E vai mais longe, de forma mais profunda. É sobre o mundo, e as atitudes das pessoas”, explica o roteirista/executivo. “Eu sinto que há extremos em qualquer lugar, extremos em todos os lados. Não há mais ramos de oliva [simbolizando a paz]. Não existe. Eu sinto que as pessoas, mais e mais, estão separadas. Elas estão escolhendo lados, ao invés de procurar como fazer uma vida melhor juntos”.

“O que faremos é contar uma história sobre extremos, explorando esse estado de zeitgeist coletivo por meio desses personagens. Nós achamos que é importante... A verdade é que, se o mundo e o país não forem de uma certa maneira, eu não sei se estaríamos contando esta história. Para nós, esta história não existiria se as coisas no último ano não tivessem acontecido da forma que aconteceram, e a ascensão do extremismo não fosse tão palatável”.

“Eu sinto que as pessoas, mais e mais, estão separadas. Elas estão escolhendo lados, ao invés de procurar como fazer uma vida melhor juntos”.

Há diferenças entre as estratégias de Marvel e DC, claro – e vão além do uso de uma criação do Alan Moore por uma delas. Pra começar, a visão da DC parece mais otimista (ou menos pessimista) que aquela da Casa das Ideias. Além disso, Johns afirma que Doomsday Clock será algo único, sem ser um crossover que se espalha por diversos títulos mensais. Para ler, vai bastar acompanhar a minissérie principal. “Nós não tivemos interesse em fazer um crossover. Nós não queríamos ver o Doutor Manhattan enfrentando o Superman na revista Action Comics, com todo o respeito”. Porém, nas entrelinhas, o quadrinista entrega que a saga vai ser importante para o resto do Universo DC. “Isso vai afetar tudo que virá depois e tudo que veio antes. Irá tocar na temática e na essência literal da DC”.

Apesar de repetir os nomes dos dois azulões o tempo todo, a saga não será apenas sobre Dr. Manhattan e Superman, embora Johns não diga quais serão os outros heróis envolvidos. Dá pra imaginar que teremos Batman e Flash, já que os dois estão pesquisando a origem do BOTÃO do Comediante em The Button.

O curioso é que Doomsday, além de ser o nome do relógio, é também o nome do vilão que matou o Homem de Aço nos anos 1990, mas que é chamado de Apocalypse aqui no Brasil. No entanto, Geoff Johns afirma que o grandão não irá aparecer, mas que ele gostou do fato das iniciais da HQ serem “DC”. “E obviamente as pessoas sabem quem é o Doomsday, mas ele não é parte da história, mas eu gosto das implicações disso. As pessoas vão pensar que da última vez que eles ouviram falar do Apocalypse e Superman, ele morreu, então o que pode ser?”

O Doomsday Clock da vida real. 2min30segs pra Meia-Noite. :X

No final, Johns acredita que trabalhar com personagens tão icônicos ajude a passar uma mensagem em tempos tão sombrios. ”Eu acredito nestes ícones. Eu acredito no poder da esperança, e no otimismo. Eu não acho que seja mentira. As pessoas tendem a dizer que, se é triste e sombrio, é real, é pé no chão. Eu recuso isso. E eu não me importo se for dramático. Mas tem que ser um drama na direção certa”.

“Eu acredito nestes ícones. Eu acredito no poder da esperança, e no otimismo”.

CURIOSO é que as declarações de Geoff Johns vão no sentido oposto do que vimos nos filmes do Universo DC Expandido até agora, anteriormente com a liderança criativa do Zack Snyder – que apostou no triste e no sombrio para parecer real. Já está mais do que provado que dá para criticar a realidade, usando os super-heróis como metáforas para contar histórias que refletem o nosso mundo, mas de uma forma mais icônica. Mais profunda. E com mais luz.

Vale lembrar que Johns, no ano passado, foi ALÇADO a corresponsável pelo DCEU dos cinemas. Que, então, toda essa interessante visão sobre Doomsday Clock e os quadrinhos também chegue à tela grande.