Novos Deuses, a obra máxima de Jack Kirby, vai virar filme dirigido por Ava DuVernay. Agora vai? | Judão

Projeto, cujos personagens originais têm conexão direta com o vilão do filme da Liga da Justiça, promete inaugurar um “Novo universo” para a DC Comics nos cinemas. ORA VEJAM VOCÊS.

Quando Patty Jenkins, diretora de Mulher-Maravilha, deu os parabéns à colega Ava DuVernay pelo resultado de Uma Dobra no Tempo, que tinha acabado de ver com o filho, a gente não imaginaria que a resposta de Ava conteria, de maneira quase enigmática, uma revelação tão bombástica. “Fiz o filme pensando nos pequenos, Patty. Então, esta reação me deixa muito empolgada. Obrigado por levar o seu garoto”, afirmou no Twitter. E completou: “Espero te encontrar por aí em breve”.

Bom, elas devem mesmo se encontrar em breve, provavelmente entre os estúdios da Warner Bros. Talvez até, sendo mais específico, nos escritórios da DC Comics. Porque, pouco depois, eis que soubemos que a cineasta de Selma: Uma Luta Pela Igualdade vai adentrar ao mundo dos super-heróis e dirigir Novos Deuses, a adaptação para os cinemas do épico cósmico-mitológico de Jack Kirby.

Patty e Ava são agora, de alguma forma, parte de um mesmo universo. E esta talvez seja uma das notícias mais empolgantes a partir do mundinho dos DC Filmes nos últimos anos. Basta ver a homenagem singela que ela fez ao Rei pouco depois que o anúncio foi feito, celebrando a tarefa que acaba de levar pra casa. Porque de sonhos a Ava parece entender bem. Porque, goste a gente ou não do resultado final, pelo menos o visual de Uma Dobra no Tempo parece tão onírico e cheio de vida quanto aquele que o próprio Kirby criou para o Quarto Mundo. <3

Kirby começou a construir seu panteão no início da década de 70, quando as tretas com Stan Lee e a sensação de que estava sendo pouco considerado dentro da Marvel (reforçada por uma sugestão de renovação de contrato cheia de cláusulas jurídicas para impedir que ele processasse a editora) o fizeram aceitar uma proposta da DC. Na época ele já era um superstar dos gibis e sabia bem disso — portanto, um de seus pedidos foi para começar trabalhando em um dos títulos de menor vendagem da editora, um que estivesse pra ser cancelado. E foi assim que Kirby assumiu o roteiro e a arte de Superman’s Pal Jimmy Olsen a partir da edição 133, de outubro de 1970. No número seguinte, a gente já descobriria a existência de um certo Darkseid, tirano de um mundo distante...

Aquilo, claro, seria só o pontapé inicial para a complexa cronologia de uma nova ESTIRPE de deuses, algo que ele queria aplicar anos antes nas HQs do Thor. O que temos aqui: depois da destruição de Urgrund, lar dos velhos deuses, aqueles que teoricamente seriam os mesmos da mitologia clássica, formaram-se dois planetas irmãos, Nova Gênese e Apokolips, um como símbolo do bem e outro como o mal totalmente encarnado. Seus habitantes tinham poderes ancestrais em especial pela proximidade da chamada Fonte, uma energia metafísica que permearia praticamente praticamente tudo que o sujeito escreveu/desenhou a partir dali.

Quem comanda as coisas em Nova Gênese é Izaya, o Pai Celestial. Já em Apokolips, Uxas, o filho do rei, matou o irmão Drax e usou um poder de nome Força Ômega em si mesmo, mudando de forma e assumindo um visual quase como petrificado. Nascia aí Darkseid, que rege seu planeta de fogo e gritos de dor com mão de ferro.

Uma das histórias mais icônicas dentro do conceito do tal Quarto Mundo, esta guerra entre seres superpoderosos desde tempos imemoriais, é mesmo a do Senhor Milagre. Estamos falando de Scott Free, filho de Izaya e que, como parte de uma “ação diplomática” para impedir uma guerra contra Apokolips, acaba sendo alvo de uma troca de filhos com o governante de seu planeta vizinho. Então, o jovem Orion foi criado em Nova Gênese como filho do Pai Celestial, enquanto Scott foi mandado para ser torturado no orfanato da Vovó Bondade. Conforme cresceu, se revoltou contra o totalitarismo de Apokolips, apaixonou-se pela guerreira conhecida como Grande Barda e, eventualmente, saiu do planeta rumo à Terra, onde tornou-se um super-herói.

Ponto importante aqui: você deve se lembrar que falamos sobre isso quando te explicamos porque o atual gibi do Senhor Milagre, escrito por Tom King, é uma das melhores coisas que a DC publica atualmente, certo? Pois é. Dá pra imaginar a Ava e o Tom sentados numa mesa, conversando sobre como isso pode influenciar o que ela vai levar para as telonas? Ah, mas dá pra imaginar sim. E dá pra deixar a gente empolgadaço com as possibilidades.

“Qual é o seu super-herói favorito e por quê?”, perguntou um fã, também via Twitter, pra Ava lá em dezembro de 2017. “Esta é difícil. Grande Barda. Por muitas razões”, respondeu ela. Uma resposta incrível, já que a Barda é uma personagem sensacional. Mas também uma resposta bem pouco óbvia, já que a Barda não é exatamente a personagem mais conhecida deste ou de qualquer planeta. Mas digamos que já deu pra entender uma das muitas razões da Ava, não é?