Bem-vindo à Era dos Mechas | Judão

O futuro chegou. E ele trouxe ROBÔS GIGANTES!

Esqueça que ainda não temos máquinas que materializam comida, skates voadores sendo vendidos em lojas de brinquedos e nem carros que flutuam. O futuro chegou, sim. E além de drones que cortam dedos, impressoras 3D, hologramas e Minions em TODO E QUALQUER LUGAR, ele trouxe consigo um dos mais cremosos e molhados sonhos nerds de todos os tempos: lutas de robôs gigantes.

Quem não se sentava atento quando os Power Rangers SUMMONAVAM seu Megazord? Quem não se emocionou com o dilacerante final de O Gigante de Ferro? E quem não surtou com os poderosos (e foderosos) Jaegers de O Círculo de Fogo?

Provavelmente, alguém chato pra caralho.

Mas pra todos aqueles que têm sua criança interior bem preservada, nutrida e amada, lá no fundo do coração, este é um momento histórico que poderá moldar o futuro da humanidade (e, quem sabe, do esporte) pra sempre. Colossos de metal andarão pela Terra, rumo à destruição mútua. E tudo graças a três jovens norte-americanos do Mississipi: Gui Cavalcanti, Andrew Stroup e Matt Oehrlein.

Dois dos três fundadores da Megabots (alguém se lembrou disto? :D), empresa que nasceu do desejo em comum de RULAR a Terra com poderosas máquinas humanóides robóticas tripuladas, Gui (cujo pai é brasileiro –VAI, BRASEL) e Andrew se conheceram em 2012, durante um reality show do Discovery Channel chamado The Big Brain Theory (rs), que eles mesmos descrevem como “Masterchef ou Project Runway pra engenheiros”. Decididos a, finalmente, fazer algo realmente útil com a ciência, os caras se uniram a outro entusiasta da ideia, o engenheiro elétrico Matt Oehrlein, e começaram a desenvolver o projeto.

Foto: Melia Robinson/Business Insider

Matt, Gui e Andrew (Foto: Melia Robinson/Business Insider)

Eventualmente, o trio se ligou que, pra tirar os tais robôs dos filmes do Hugh Jackman e trazê-los pro mundo real, ia precisar de um pouco mais do que só expertise e vontade, e começou a correr atrás de grana. Depois de conseguir um primeiro investidor, eles se voltaram pro Kickstarter, querendo arrecadar US$ 1.8 milhões. O projeto não vingou, Andrew caiu fora pra trampar na CASA BRANCA, mas nem por isso Gui e Matt desistiram.

Partindo do que os caras já tinham (uma arma e o tronco do primeiro protótipo, nomeado Mark I), a dupla seguiu com o projeto e, em janeiro deste ano, apresentou o Mark II: o primeiro robô gigante tripulado dos EUA. Movido a diesel, armado com canhões de paintball que atiram numa velocidade superior a 100km/h, pesando mais de 5 toneladas e com mais de 4,5 metros de altura, a parada é um colosso pra lá de rústico no melhor estilo GO USA: exagerado.

Mas construir esse monstro de metal foi só uma pequena parte dos planos da Megabots. O sonho dos caras é tornar real uma espécie de liga de luta entre robôs tripulados (uma coisa parecida com Robot Wars, mas com fucking mechas gigantes sendo dirigidos por pessoas reais, em ambiente de perigo controlado), presos numa espécie de labirinto em ruínas. “Se tivermos dois robôs, será só eles navegando esse labirinto, explodindo um ao outro, e o primeiro a morrer perde. Mas se tivermos mais do que dois, então tem todo tipo de jogo que poderíamos jogar, como pique-bandeira, free for all, ou adventure bases“, contou Gui, à Vice.

Só que os planos dos caras têm enfrentado, há tempos, um grande desafio: serem levados a sério. Quando a empresa se apresentou em 2014 na New York Comic-Con, por exemplo, muita gente achou que eles faziam parte da equipe técnica de algum filme. Logo, eles precisavam chamar atenção, de alguma forma, praquilo que é o verdadeiro projeto deles: a luta entre robôs. E, pra isso, tiveram a genial ideia de desafiar o único outro robô gigante tripulado que existe no mundo: o Kurata.

[fve]http://youtu.be/XVJTGLL2SnI[/fve]

Lançado em 2012 pela empresa japonesa Suidobashi Heavy Industry, os Kuratas herdaram o nome do seu criador, o artista e ferreiro Kogoro Kurata. Ele, fã alucinado do anime Armored Trooper Votoms, ficou famoso no Japão após forjar a réplica de um tronco robótico do programa. Então, imaginando como seria ver aquilo ganhando vida, resolveu perseguir o sonho de criar um verdadeiro robô tripulado.

“Quando eu era uma criança, eu pensava que haveria robôs gigantes no futuro. Mas não importava o quanto eu esperasse, as pessoas só eram capazes de fazer robôs pequenos, como o Asimo. Eventualmente, eu pensei ‘não posso esperar mais’, e decidi fazer um eu mesmo”, contou Kogoro, em entrevista ao Verge.

Juntando-se ao roboticista Wataru Yoshizaki, Kurata partiu em busca da criação de uma obra de arte que aliasse o design moderno e tático empregado na robótica japonesa com o visual e estilo dos desenhos animados que ele assistia quando pequeno. E o resultado veio na forma dos mechas de 4,5 toneladas, mais de quatro metros de altura, armados com metralhadoras BB que disparam 6,000 projéteis por segundo, movidos a gasolina e com velocidade de 10km/h que hoje levam seu nome. O rei do mundo (real) dos robôs, até que...

“Suidobashi, nós temos um robô gigante, vocês têm um robô gigante. Vocês sabem o que tem de acontecer. Nós os desafiamos para um duelo”.

Considerado “o primeiro robô gigante do mundo”, agora, o Kurata terá de provar seu valor frente ao desafio de dois garotos azarões do Mississipi com “armas grandes”, muita força de vontade e uma dose a mais de americanismo. Mas Kogoro não parece nem um pouco intimidado, muito menos receoso, em aceitar a treta.

“Qual é cara, façam algo mais legal. Só pegar uma coisa grande e colocar armas é... tão americano”, provoca o CEO da Suidobashi, no vídeo de resposta. “Nós não podemos deixar outro país ganhar isto. Robôs gigantes são a cultura japonesa. Sim, eu vou lutar, com certeza. Mas você sabe o que precisamos? Combate corpo a corpo. Se vamos ganhar isto, eu quero socá-los até virarem sucata e nocauteá-los ali”. ÔRRA! :D

[fve]http://youtu.be/7u8mheM2Hrg[/fve]

Desafio aceito, a bola tá, agora, de volta no campo dos norte-americanos. Contanto que a Megabots, que indicou a realização da peleja pra daqui a um ano, aceite inserir combate corpo a corpo no duelo, a Suidobashi estará lá. E, pelo que indica o último post de Gui Cavalcanti em sua página no Facebook, acho que isso não será problema.

So seriously now, can anyone suggest a Japanese translator we can work with for the next few weeks? We have... a lot of details to work out...

Posted by Gui Cavalcanti on Segunda, 6 de julho de 2015

Sim. Em breve, poderemos testemunhar os nossos sonhos nerds mais íntimos se tornando realidade, com uma deliciosa carnificina robótica em frente aos nosso olhos. E se isso vingar e, de repente, virar um esporte, então... :D

Em uma cena bacana de Gigantes de Aço, Charlie Kenton — o Wolverine — conta pro seu filho como as lutas de robôs foram, aos poucos, substituindo os esportes de combate. Primeiro o boxe, depois o MMA, levando junto o judô e tudo mais.

Se essa luta de mechas realmente rolar, acho que Chris Weidman pode começar a ficar preocupado.

Por mim, tá lindo. LET THEM FIGHT!