Blade Runner vai virar anime. E não vai ser no Netflix. | JUDAO.com.br

Ambientada 17 anos antes da continuação recém-lançada, produção será da Alcon em parceria de distribuição com o Adult Swim e o Crunchyroll

Dados os recentes anúncios de sua programação, parece que, depois das séries, o Netflix descobriu os animes clássicos. Além desta nova série dos Cavaleiros do Zodíaco com algumas escolhas bastante questionáveis, eles já prometeram uma versão live-action de Cowboy Bebop e, para deleite dos fãs que viviam pedindo isso em tudo que é lugar, vai ter a íntegra da cultuada Neon Genesis Evangelion em sua programação.

Para contra-atacar, então, o que fez o Crunchyroll, que é o serviço de streaming especializado em animações japonesas por essência? Foi buscar igualmente um clássico... só que da cultura pop americana, fazendo o caminho, digamos assim, INVERSO. Dessa maneira, numa parceria com a Alcon Television Group e com o canal Adult Swim, vai rolar a um anime baseado em Blade Runner chamado Black Lotus.

Com 13 episódios de 30 min de duração, a trama será ambientada em 2032 — portanto, cronologicamente 17 anos antes do recém-lançado Blade Runner 2049 e 13 anos depois do filme original, que se passa em 2019. Como era de se esperar, a ideia é que alguns personagens já conhecidos do universo da franquia apareçam na história, mas que não necessariamente precisa girar ao redor dos caras. Dá pra lidar com outras missões do time de caçadores de replicantes da polícia de LA sem ser obrigado a recorrer ao Officer K vivido por Ryan Gosling, por exemplo.

“Eu vi Blade Runner pela primeira vez em 1982, aos 11 anos de idade”, diz Jason DeMarco, diretor criativo do Adult Swim, no comunicado oficial. “E ele permaneceu como um dos filmes definitivos da minha vida. Poder explorar este universo, com os incríveis talentos que temos a bordo, é um sonho se tornando realidade”. Já Sae Whan Song, head de business development pro Crunchyroll, ressalta que se trata de um trabalho SEMINAL, cuja influência permeia o gênero. “O Adult Swim compartilha da nossa empolgação em trazer esta nova série aos fãs, e estamos querendo muito construir esta franquia juntos”.

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A produção geral fica a cargo do braço televisivo da Alcon Entertainment, produtora fundada em 1997 por Broderick Johnson e Andrew Kosove e que tem um longo acordo de distribuição com a Warner — e que, não por acaso, também esteve às voltas com Blade Runner 2049. O Adult Swim vai ficar com os direitos mundiais de distribuição da versão dublada em inglês do desenho, à exceção do mercado asiático, e vai exibir esta versão em seu bloco de programação focado em animes, o Toonami. Já o Crunchyroll fica com os direitos exclusivos pro streaming, como se podia esperar. Ah, sim: importante lembrar que, no fim do dia, ambas as empresas TAMBÉM são divisões da WarnerMedia, novo nome do conglomerado OUTRORA conhecido como Time Warner Inc. Portanto, tá tudo em casa. ;)

A animação é do estúdio japonês Sola Digital Arts, os mesmos responsáveis pela animação do Ultraman que o Netflix estreia em 2019. A direção de todos os episódios ficará a cargo da dupla Shinji Aramaki e Kenji Kamiyama: enquanto o primeiro dirigiu os três filmes de Appleseed (o original, de 2004, além de Ex Machina, de 2007, e Alpha, de 2014, todos inspirados na obra do mesmo Masamune Shirow que criou Ghost in the Shell), o segundo foi responsável pela direção de diversos episódios de Higashi no Eden (que alguns conhecem mais pelo título em inglês, Eden of the East).

O produtor criativo será o icônico Shinichiro Watanabe, conhecido por seu trabalho à frente de séries como Cowboy Bebop e Samurai Champloo. Watanabe, aliás, já é um cara bastante acostumado com o mundinho hollywoodiano: em 2003, ele foi responsável por dois segmentos da compilação de animações Animatrix, cujo objetivo era “esquentar” os motores pro retorno da franquia de Neo, Trinity, Morpheus e sua galera, trazendo histórias ambientadas no mesmo universo.

No ano passado, Watanabe acabou sendo convidado pelo mesmo Denis Villeneuve para ser um dos diretores de três curtas que serviram como introdução ao que estaria por vir em Blade Runner 2049, tentando preencher a lacuna de três décadas entre o primeiro filme e sua continuação. Dois deles foram live-action, com os atores do filme e tudo: Luke Scott fez Blade Runner 2036: Nexus Dawn, com o Niander Wallace vivido por Jared Leto (assista aqui). O mesmo Scott — filho de Ridley Scott, que trabalhou ao lado do papai como diretor de segunda unidade em Perdido em Marte e Êxodo — fez também Blade Runner 2048: Nowhere to Run, no qual Dave Bautista novamente brilha como Sapper Morton (veja aqui).

Coube a Watanabe o trampo de fazer uma animação curta, Blade Runner 2049: Black Out 2022, que como o título entrega, se passa três anos depois do filme de Ridley Scott. Na trama, a Corporação Tyrell desenvolve uma nova linha de replicantes Nexus-8, que possuem expectativas de vida expandidas, equivalentes às de um ser humano comum. Isso gera uma reação negativa na população, que cria o chamado Movimento da Supremacia Humana, com o objetivo de caçar e matar replicantes por conta própria. O clima de terror acaba fazendo com que os replicantes sobreviventes tomem medidas bastante drásticas para evitar que sejam identificados.

Assista abaixo e já entre no clima do que deve vir por aí.