Blind Guardian de volta ao mundo dos joguinhos | Judão

E claro que, em se tratando dos bardos alemães, só poderia ser um RPG de fantasia, não é mesmo? :)

Quem já tá acostumado com ambientações de fantasia sabe bem que os anões costumam ser aqueles coadjuvantes de luxo que todo mundo adora. Geralmente, são os seres humanos que comandam a ação, seguidos de perto pelos elfos e pelos halflings (como os hobbits do Tolkien). Os anões são sempre legais, sempre bacanas, sentam a porrada com seus machados e martelos de batalha... mas quase nunca ganham o destaque merecido como protagonistas das tramas – seja em filmes, séries, HQs, livros, RPGs de mesa, joguinho ou qualquer outra plataforma.

Bom, um novo joguinho promete mudar este panorama. Trata-se de The Dwarves, que está em campanha de financiamento no Kickstarter e deve ser lançado oficialmente até o meio de 2016 para PS4m Xbox One, PC, Mac e Linux. O jogo é desenvolvido pela empresa independente alemã KING Art Games, responsável pelo jogo de estratégia em tempo real Battle Worlds: Kronos e por The Raven: Legacy of a Master Thief e a franquia The Book of Unwritten Tales.

Para os fãs deste tipo de história, o jogo tem um motivo ainda mais especial para ser apoiado: a banda de power metal alemã Blind Guardian está diretamente envolvida com o projeto. Além dos músicos criarem canções especiais para a trilha sonora, que terá a parte instrumental desenvolvida pelo compositor Benny Oschmann, haverá uma missão especial envolvendo a banda de alguma forma.

“Os anões são durões – feitos da pedra por seu deus Vraccas, eles são poderosos guerreiros e bons com trabalhos manuais. O amor por todos os tipos de metais está em seu sangue e existe apenas um tipo de música que complementa o trovão de seus martelos e o choque de seus machados: o HEAVY METAL”, afirmam os desenvolvedores, visivelmente empolgados, em comunicado oficial. “O Blind Guardian já tem experiência em integrar muitos mundos de fantasia – apenas pensem em seu álbum conceitual Nightfall in Middle-Earth, uma homenagem musical à saga de Senhor dos Anéis”.

The Dwarves

Na verdade, esta não vai ser a primeira experiência dos bardos germânicos no mundo do entretenimento eletrônico. Em seu disco At The Edge of Time (2010), eles gravaram a faixa Sacred Worlds, que foi parar na trilha de Sacred 2: Fallen Angel, RPG de ação da Ascaron Entertainment.

A maior surpresa, no entanto, estava dentro do jogo: uma missão especial na qual era preciso recuperar os instrumentos dos quatro integrantes do grupo. Assim que a quest estivesse completa, bingo: era destravado um show em uma espécie de taverna, com a banda tocando a faixa em suas versões digitais AND medievais. A ação conjunta levaria os dois principais cabeças do Blind, o vocalista Hansi Kürsch e o guitarrista André Olbrich, a uma sessão de autógrafos especial na Comic-Con de San Diego.

“Eu não ouvi uma critica sequer a respeito justamente porque isso é natural para nós, somos parte desta cena de games”, revelou Marcus Siepen, também guitarrista, ao site Metal as Fuck. Siepen e Olbrich são dois geeks absolutamente maníacos por videogames, vistos com frequência como convidados em eventos da Blizzard – enquanto Hansi, bom, ele prefere se focar na literatura mesmo. “Mas isso não foi algo que nossos empresários vieram pra gente e disseram que seria legal para nos promover. É parte de quem somos e foi muito divertido pra gente”.

O contato entre a KING Art Games e a banda foi realizado por Markus Heitz – escritor internacional de fantasia responsável pela saga na qual o jogo é baseado, uma franquia que começou em 2009 com The Dwarves e acabou finalizada em maio deste ano com The Triumph of the Dwarves.

“Estou envolvido no projeto como conselheiro, mas dei ao pessoal da KING Art muita liberdade e espaço para interpretação no mundo de The Dwarves. Até agora, parece ótimo. E eu também vou escrever algumas missões para o jogo. Mal posso esperar”, revela o autor, também em comunicado oficial.

The Dwarves

A trama traz o jogador inicialmente no papel de Tungdil, um anão criado entre os seres humanos e que, graças aos livros, descobriu a existência dos cinco reinos dos anões. Ele então parte por uma jornada pelas terras de Girdlegard, um conglomerado de diferentes reinados que acabou se tornando mais perigoso do que nunca, encontrando não apenas anões, mas também orcs, elfos, magos e aquela coleção completa que todo bom fanático por D&D bem conhece.

Além disso, a relação do Blind Guardian com Heitz não é nova: informações de bastidores dão conta de que o tão comentado álbum com orquestra que a banda está planejando há bastante tempo seria baseado na saga The Dwarves. “Estamos prosseguindo bem”, afirma Siepen, sem dar muitos detalhes. “Já gravamos cinco ou seis canções”. Bom, pense que esta entrevista é de 2011, da época de At The Edge of Time – e eles já lançaram, este ano, um outro disco, o ótimo Beyond The Red Mirror, deixando o projeto com orquestra novamente pra escanteio.

O espírito de The Dwarves, o jogo, é basicamente este: “se você precisa de mais cerveja, barbas e batalhas na sua vida, este é o jogo pra você”, descreve a KING Art Games.

A desenvolvedora descreve The Dwarves como sendo um “story-based tactical RPG”, um jogo com batalhas épicas entre um grupo valoroso de heróis e centenas de inimigos – a principal referência, para eles, é a Batalha do Abismo de Helm que acontece em O Senhor dos Anéis: As Duas Torres.

“Nosso sistema de batalha chamado Crowd Combat System usa parâmetros individuais de cada personagem como massa, dimensão e o momentum linear (conhecido também na Física como ‘balanço’) para gerar um comportamento de multidão realista”, explicam. “Se um inimigo na parte da frente é arremessado em um aliado atrás dele, a informação instantaneamente viaja por todo o grupo e os leva a reagir de acordo – todos são afetados. O resultado é um comportamento bem natural e divertido de se ver. Todo mundo empurra, bate e aperta ao mesmo tempo. (…) Mas, obviamente, cada herói tem também os seus ataques individuais que podem ser combinados em combos poderosos”.

Para diferenciar este jogo dos demais do gênero, a empresa criou ainda um momento chamado Combat Focus – uma espécie de bullet time que desacelera a ação momentaneamente, para que o jogador tenha tempo de planejar qual é o seu próximo passo para sair de uma situação crítica.

Ah, se o Gimli também pudesse fazer uso disso. Muito provavelmente, aquele elfo de orelhas pontudas não teria derrubado 17 orcs enquanto ele ainda estava no número 2... ;)