Brasil, mostra a sua cara…

Arquivo de February/2008

Constado às 22:15 em Notícias | 4 Comentários | 

polas.jpg

Em nome dos meus leitores gostaria de deixar aqui um protesto à assessoria de imprensa do filme Polaróides Urbanas, de Miguel Falabella. Pelo simples fato de ser um filme que conta com todo e total apoio da Globo, eles acham que podem ignorar nós, jornalistas. Eles acreditam que não precisam de apoio da imprensa pra divulgar o filme, já que têm comerciais do longa passando na Globo de cinco em cinco minutos. Isso só me faz acreditar que o filme deve ser bem ruinzinho e, com medo do que a crítica poderia dizer, preferiu deixar os espectadores se impressionarem só com os apelos televisivos, do que ler em tudo quanto é canto que o filme é bem do xexelento e resolver não gastar nenhum centavo com a produção. =P

Assim que eu assistir escreverei aqui minha singela resenha e se alguém vir antes de mim, post aqui no comentário, falando o que achou a respeito.

Constado às 21:30 em Festival, Notícias | 01 Comentário | 

postermiamiall.jpg

Começa hoje, 28 de fevereiro, o Festival Internacional de Cinema de Miami, marcando o jubileu de prata do evento. O Festival será aberto com o longa Under the Same Moon, de Patricia Riggen, drama sobre a imigração ilegal nos EUA.

E é claro que as nossas produções não poderiam deixar de marcar presença, e entre os 166 filmes de 54 países diferentes, seremos representados pelo formidável Estômago, de Marcos Jorge; Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho (que faz sua estréia internacional no festival), Santiago, de João Moreira Salles; e Andarilho, de Cao Guimarães; Mulheres Sexo Verdades e Mentiras, de Euclydes Marinho; a co-produção Uruguai/Brasil/França O Banheiro do Papa, de Enrique Fernández; e a co-produção de Querido Camilo, de Julio Molina e Daniel Ross Mix; além disso na seção Encuentros, teremos Hoje, de Tata Amaral (que também é membro do júri do festival). O festival acaba dia 9 de março.

postermiamifest.jpg

Veja os horários das sessões dos filmes brasileiros


>> Andarilho (Drifter)
- Regal South Beach 11 - 04/03/2008 - 19:30
- Cosford (U/M) - 06/03/2008 - 19:00

>> Estômago (Estômago - A Gastronomic Story)
- Regal South Beach 17 - 29/02/2008 - 19:00
- Byron Carlyle - 01/03/2008 - 19:00
- Regal South Beach 17 - 07/03/2008 - 21:30pm

>> Jogo de Cena
- Regal South Beach 18 - 02/03/2008 - 18:45
- Cosford (U/M) - 05/03/2008 - 21:15

>> Mulheres Sexo Verdades Mentiras (Women Sex Truth & Lies)
- Sunrise Intracoastal - 29/02/2008 - 19:00
- Regal South Beach 17 - 02/03/2008 - 21:30

>> Querido Camilo (Dear Camilo)
- Cosford (U/M) - 06/03/2008 - 21:15
- Regal South Beach 10 - 07/03/2008 - 21:15

>> O Banheiro do Papa
- Gusman Center - 03/03/2008 - 19:00

>> Santiago
- Tower Theater - 03/03/2008 - 19:00
- Regal South Beach 17 - 06/03/2008 - 19:15

Constado às 08:08 em Resenhas | 3 Comentários | 

seeufosse.jpg

Com uma fórmula mais do que batida nas produções hollywoodianas, Se Eu Fosse Você, faz com que sejamos remetidos a filmes como Quero Ser Grande, e já faz com que não haja tanto entusiasmo do espectador diante da trama. Ainda assim, mesmo com a sensação de “já vi isso antes”, o filme consegue ser bem divertido e acabou virando um incrível sucesso de bilheteria - e boa parte disso se deve ao talento do casal principal e da excelente química entre eles, que já estão mais do que cansados de interpretar pares românticos (haja visto as duas últimas novelas que fizeram Belíssima e Paraíso Tropical, onde em ambas os dois formavam um casal). Além disso, Patrícia Pillar também faz uma ressurreição de sua personagem-doutora do seriado Mulher - não é a mesma, mas tá muito similar… =D

O filme começa deixando no ar aquela máxima de que homens são de Marte e mulheres são de Vênus. E quando esses planetas se alinham, só Deus pode imaginar no que vai dar. Além do que, no final, eles reforçam ainda mais as diferenças que regem o masculino marciano (vindo do Planeta do Deus da Guerra) e o feminino venusiano (natural do Planeta da Deusa do Amor).

Cláudio (Tony Ramos) é um publicitário bem sucedido, dono de sua própria agência e casado com Helena (Glória Pires), uma professora de música, responsável por um coral infantil. Acostumados com a rotina do dia-a-dia e do casamento de tantos anos, eles, volta e meia, têm uma discussão. Um dia acabam tendo uma briga mais séria que o normal, e fiquem repetindo as mesmas frases (ao mesmo tempo) um pro outro, e de madrugada, enquanto dormem, algo inesperado e inexplicável acontece: eles acabam trocando de corpos. Apavorados, eles tentam encarar o fato com normalidade até que consigam revertar a situação, e pra isso é preciso que assumam a vida do outro.

Com dois atores extremamente competentes e talentosos, até essa fórmula batida fica boa. Tanto Tony Ramos, quanto Glória Pires conseguem deixar claro para o espectador quando eles interpretam Cláudio e quando interpretam Helena. A “mudança de sexo” é nítida, eles conseguiram encarar esse papel-duplo numa boa, com muita naturalidade e isso é muito positivo pro público. Tanto que Se Eu Fosse Você foi a maior bilheteria de filme brasileiro em 2006, levando mais de 3 milhões e meio de pessoas aos cinemas.

coral.jpg

“Oh, Beethoven. Oh, Ludwig, oh, Ludwig! Uh, uh! Uh, uh!”. A participação do coral d’As Jovens Princesas de Petrópolis no filme, é assaz. Elas interpretando a versão hip-hop da 9ª Sinfonia de Bethoven é fantástico.

O filme poderia ser ainda melhor se não ficasse no ar aquela liçãozinha de moral: “não dê palpite na vida alheia, porque você não sabe como é estar no lugar do outro, e com certeza, é muito mais difícil do que você pode imaginar”.

Premiações e Indicações


- Recebeu 6 indicações ao Grande Prêmio Cinema Brasil, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz (Glória Pires), Melhor Roteiro Original, Melhor Direção de Arte e Melhor Edição.

Se Eu Fosse Você
(Brasil, 2006)
95 minutos

Direção: Daniel Filho

Roteiro: Adriana Falcão, Daniel Filho, Renê Belmonte e Carlos Gregório

Elenco: Tony Ramos, Glória Pires, Thiago Lacerda, Danielle Winits, Lavínia Vlasak, Maria Ceiça, Maria Gladys, Lara Rodrigues, Patrícia Pillar, Dênis Carvalho, Ary Fontoura, Glória Menezes, Jorge Fernando

Site Oficial: SeEuFosseVoce.com.br

Nota do CENA BRASILIS

Obs: a nota real seria mais pra 5,5, mas como tem que ser nota inteira, achei que merecia mais pra nota 6 do que pra 5, e isso graças ao desempenho do elenco. =D

Constado às 20:02 em Resenhas | 2 Comentários | 

cena-aletea.jpg

Quando vamos ao cinema imaginamos que vamos sentar na sala, ver uma abertura, um enredo, que tem começo, meio e fim, com todas aquelas viradas na trama que prendem quem está assistindo. Mas no caso de Jogo de Cena é totalmente diferente. Não há enredo, não há história a seguir.

Jogo de Cena, plagiando Nelson Rodrigues, é, a vida como ela é. São 100 minutos de filme onde vemos mulheres de todo tipo que você imaginar, que resolveram contar sua história ao diretor Eduardo Coutinho, respondendo ao anúncio de jornal ou a panfletos espalhados por aí. Dentre essas mulheres vemos Fernanda Torres contando uma experiência que teve com o candomblé e Andréa Beltrão falando da saudade que sente do cheiro de sua babá de infância, além de muitas outras mulheres comuns, cada uma com a sua história — que pode ser banal pra alguns, mas que é especial para elas. E nesse meio todo, algumas atrizes, dentre elas a própria Fernanda Torres e Andréa Beltrão, além de Marília Pêra, dentre outras, depois de assistirem ao depoimento dessas mulheres, escolhe um e o relata, como se aquela fosse a sua história. E o que é interessante é que aí, podemos notar a fragilidade da atriz e ela totalmente nua, despida, mostrando o quão duro é pegar um texto e dar vida a ele.

cena-geral.jpg

Em vários momentos os depoimentos se mesclam, a atriz narra uma parte, a mulher narra outra e podemos perceber como cada uma tem sua maneira, bem diferente, de lidar com a mesma história. Um exemplo, Andréa Beltrão narra a história de Gisele, e no fim, ela acaba se emocionando muito mais que a própria ao narrar sua história. Marília Pêra, que está narrando a história de Sarita, se emociona também, mas em momentos muito diferentes da narração nos quais Sarita chora. Mostra o nervosismo das atrizes, a incerteza de estar fazendo algo legal, algo fiel. É bárbaro.

Além disso, há outras histórias mescladas, mas de atrizes que não são conhecidas do grande público, e aí o público fica sem saber quem é a atriz e quem é a dona da história. Jogo de Cena é um deleite. Um meio-termo entre teatro e cinema e totalmente genial. De onde surgiu a idéia de contar histórias de mulheres comuns e de depois mostrar como essas histórias ficariam com uma atriz narrando-as? Eduardo Coutinho foi brilhante, e a montagem toda é linda, é perfeita, ele tem o feeling de perceber que aquele é o momento exato de intercalar a mulher real com a intérprete, ou de mudar totalmente de história, sem falar, na escolha do trecho da história de cada uma. São histórias tristes, profundas, de conflitos, de crescimentos, de insatisfação com a vida atual, mas, acima de tudo, cada uma delas é uma história de amor: ao filho, à filha, ao pai, a si mesma.

CENA BRASILIS RECOMENDA! pra todo mundo que quer sair da mesmice e ver alguma coisa diferente, e pra todos os amantes da arte dramática. Com certeza você vai aplaudir de pé.

Prêmios e Indicações


- Melhor Documentário no Festival de Cinema de Punta del Este

Jogo de Cena
(Brasil, 2007)
105 minutos

Direção: Eduardo Coutinho

Elenco: Marília Pêra, Andréa Beltrão, Fernanda Torres, Mary Sheyla, Aleta Gomes Vieira, Claudiléa Cerqueira de Lemos, Débora Almeida, Gisele Alves Moura, Jeckie Brown, Lana Guelero, Maria de Fátima Barbosa, Marina D’Elia, Sarita Houli Brumer

Nota do CENA BRASILIS

Constado às 10:12 em Entrevistas, Especial | 01 Comentário | 

O Cheiro do Ralo é meu filme de maior importância desde Lavoura Arcaica e O Auto da Compadecida. É um divisor de águas na minha carreira. É meu primeiro personagem realmente adulto no cinema. É o mais complexo que já fiz para a telona.

Como foi o processo de construção do personagem?

    Foi enlouquecedor e enriquecedor. O Lourenço é desprezível, mas você acaba entendendo seus porquês e se torna impossível não gostar dele. Costumo dizer que esse é meu Taxi Driver por causa do processo de enlouquecimento dele.

Marcos Camargo

O Lourenço, ao mesmo tempo que vive um drama existencial intenso, é um cara assaz engraçado. É complicado interpretar um personagem assim?

    O personagem não poderia ser um escroto completo senão as pessoas sairiam no meio do filme, mas também não podia ser leve, divertido demais, senão perderia sua força. A linha é tênue. Minha própria persona como ator emprestou algo de bom ao personagem.

    Ajudou o fato de eu ter feito filmes queridos do público, sobretudo os com o Guel Arraes. As pessoas têm uma simpatia comigo que ajuda o filme. A gente odeia o personagem, mas, ao mesmo tempo, adora. Eu entendi a solidão dele, o lado B da vida desse sujeito. Acho que a gente conseguiu transmitir toda essa complexidade. Este é um filme a que eu gostaria de assistir. É engraçado e trágico ao mesmo tempo. A pegada, que tem parentesco com Fargo, dos irmãos Coen, e Cães de Aluguel, do Tarantino. É um tipo de cinema que me interessa como espectador. Se eu puder fazer um filme assim, então, aí é a satisfação total. Amo cada fotograma desse filme.

Marcos Camargo

Além de protagonista você também é um dos produtores do filme. É complicado ter essas duas “funções” ao mesmo tempo?

    Já tinha feito isso com Garotas do ABC, mas com O Cheiro do Ralo é diferente. É um divisor de águas… Todo mundo trabalhou de graça. Todo mundo é sócio do filme. E isso é que é legal, ninguém estava lá batendo um cartão, todo mundo estava ali porque estava muito apaixonado pelo projeto. E isso foi pra tela. Ficou um filme muito vivo, muito pulsante. Você vê a direção de arte, figurino, fotografia, tudo impecável. O acabamento, trilha sonora, som, um acabamento técnico de R$5 milhões. E custou R$ 330 mil para rodar. Ou seja, dinheiro pouco e criatividade a flor da pele. Foi assim: um casaco emprestado, relógio de um, um brechó, um sapato, e assim foi o filme. Eu sou muito apaixonado por esse filme. Se eu não tivesse feito O Cheiro do Ralo, é um filme que eu gostaria de assistir.

Qual é o sentimento de ser o protagonista de um filme com um elenco tão numeroso e de peso?

    Eu fui um defensor ferrenho da gente encontrar caras novas. E não foi só pelo fato da gente não ter grana para pagar o que os atores mereciam. Muitos atores famosos teriam topado trabalhar sem cachê também. Sobretudo na TV, há uma preguiça muito grande de se ir atrás de gente boa que está escondida por aí. Fizemos testes com cerca de 60 atrizes. E a quantidade e a qualidade de bons atores é surpreendente. Pudemos nos dar ao luxo de escolher e debater com calma quem seria ideal para cada perfil. E chegamos a atores incríveis, com quem eu pude contracenar durante o filme todo.

Em Árido Movie e Cheiro do Ralo, você faz personagens completamente distintos daqueles que interpretou nas produções da Globo Filmes. Qual “estilo” te agrada mais?

    Todo personagem leva um pouco do intérprete. Tenho coisas do Lourenço, como tenho do Chicó, do Leléu e de tantos outros. Porém esse é o personagem mais complexo que já fiz. Ele é desagradável, divertido, sarcástico, mesquinho, irônico. Ele é muita coisa. Mas, sobretudo é um camarada que vive num buraco cavado por ele mesmo. É um pobre diabo.

Marcos Camargo

Entre seus próximos projetos, há mais trabalhos como ator ou como diretor? Como está sendo essa incursão nessa área?

    Acabei de rodar Meu Nome não e Johnny, do Mauro Lima, ano passado participei do Federal, de Eric de Castro e estou me preparando para dirigir meu primeiro longa-metragem, com o título provisório de Feliz Natal. Sem contar o Tarja Preta, programa que dirijo e produzo no Canal Brasil.

Pretende, algum dia quem sabe, voltar a fazer televisão?

    Eu não saí da televisão. Continuo fazendo especiais de final de ano para a TV Globo, só não tenho nenhuma novela programada.
Constado às 08:16 em Resenhas | 5 Comentários | 

doralo.jpg

Sou uma verdadeira amante daquilo que é produzido aqui no Brasil, musical, literária e cinematograficamente falando. Até porque, se eu não gostasse, não teria um blog como esse. Há cerca de um ano, quando assisti a O Cheiro do Ralo, sai da sala de cinema quase sem ar devido a originalidade e densidade do filme. Primeira coisa que pensei: não me restam dúvidas, o Selton Mello é mesmo foda, seja lá o que tiver pela frente, ele manda muito bem… Segunda coisa que me passou pela cabeça: acho que definitivamente, a produção nacional abriu os olhos e resolveu parar de produzir filmes só sobre a probreza e a violência, ambos com uma boa carga de glamorização. Haja visto Central do Brasil, Carandiru e Cidade de Deus — excelentes filmes, mas todos com esse mesmo tipo de apelo. Ou então com alguma ligação com literatura nordestina, caso de O Auto da Compadecida e similares, ou mesmo as comédias-românticas “globo-filmes”. Parece que uma abertura de leque definitivamente estava se impondo.

A primeira vez que senti isso, de verdade, foi em Árido Movie, também estrelado por Selton Mello, onde abriu-se um novo caminho e vimos um filme que nada tem a ver com esse lance de “ode à pobreza e à violência”. E com O Cheiro do Ralo é a mesma coisa. É impossível não perceber a crítica moral e social que há nessa trama, mas de uma maneira muito diferente de tudo que já se viu.

Partimos de Lourenço (Selton Mello), um homem infeliz, amargo, solitário, ressentido, que é dono de uma loja que compra objetos usados. Aos poucos ele vai desenvolvendo um jogo com seus clientes, trocando a frieza pelo prazer que sente ao explorá-los, já que sempre estão em sérias dificuldades financeiras. Os preços são sempre negociados muito mais pelo juízo de valor de Lourenço, do que pelo que o objeto em si vale. Em tempo, Lourenço é o único personagem do filme que tem nome próprio, ele se refere a todos por substantivos comuns, o que mostra a indiferença que sente pelos outros. A partir de então ele passa a ver as pessoas como se estivessem a venda e achar que cada uma delas tem um preço. Esse é, de longe, o personagem mais maduro e complexo que Selton Mello já interpretou em toda a sua carreira e, como já era de se esperar, se saiu muito bem nessa empreitada.

No começo ele se incomoda muito com o permanente e fedorento cheiro do ralo que existe no banheiro de seu escritório, e mais ainda com o fato de as pessoas pensarem que o odor vinha dele, o que lhe levava a explicar a todos que o cheiro era do encanamento. Depois de um de seus clientes dizer que o cheiro, na verdade, vinha dele, uma vez que apenas ele usava aquele banheiro e que toda a merda contida ali vinha de dentro dele, pouco a pouco, Lourenço passa a ter uma relação diferente com aquele odor, que acaba tornando-se um vício, do qual ele não consegue mais viver sem e a partir do qual ele passa a conduzir toda a sua vida, e onde faz questão de estar nos seus últimos instantes.

Com um elenco numeroso e de peso, seria difícil um projeto desses não dar certo. O filme conta com nomes como Flávio Bauraqui, Alice Braga, Leonardo Medeiros, Fabiana Guglielmetti, André Frateschi (que fazia o namoradinho corno da Grazi na novela), Silvia Lourenço, Paula Braun, Martha Neola, Milhem Cortaz, Suzana Alves, a voz do Paulo César Peréio, além do Tobias da Vai-Vai e do próprio autor do livro, Lourenço Mutarelli e por aí vai. Todos eles encararam esse projeto sem nenhum tipo de retorno financeiro, e a princípio trabalharam de graça, já que o filme teve um orçamento de pífios R$300.000 (orçado originalmente em R$ 2,5 milhões, acabou sendo rodado com apenas R$ 315 mil, reunidos entre sócios privados e produtores executivos). Eles receberiam alguma coisa de acordo com o desempenho do longa nos cinemas. E de cara já tenho que tirar meu chapéu, pois essa foi uma tacada de mestre do diretor, Heitor Dhalia, que conseguiu unir um bom roteiro com um excelente elenco e a partir disso trazer uma reflexão sobre como a lógica do capitalismo (que nos faz escravos do dinheiro) acaba por nos transformar em pessoas frias e gananciosas.

O legal é que, embora seja uma crítica social, o filme também é uma comédia repleta de humor-negro e de tudo aquilo que nós consideramos politicamente incorreto. E por tudo isso não restam nem dúvidas… É claro que CENA BRASILIS RECOMENDA!, e muito. Pode assistir com gosto, porque você não vai se arrepender.

Prêmios e Indicações

- Prêmio de Melhor Filme - longa-metragem de ficção (júri popular) - Festival do Rio 2006
- Prêmio Especial do Júri - Festival do Rio 2006
- Prêmio de Melhor Ator para Selton Mello - Festival do Rio 2006
- Prêmio Bandeira Paulista de Melhor Filme - Júri Oficial na 30ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
- Prêmio da Crítica na 30ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
- Menção Honrosa ao Elenco na 30ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

O Cheiro do Ralo
(Brasil, 2006)
112 minutos

Direção: Heitor Dhalia

Roteiro: Marçal Aquino e Heitor Dhalia, baseado em livro de Lourenço Mutarelli

Elenco: Selton Mello, Paula Braun, Lourenço Mutarelli, Flávio Bauraqui, Fabiana Guglielmetti, Sílvia Lourenço, Martha Meola, Suzana Alves, Alice Braga, Tobias Vai Vai, Milhem Cortaz, Leonardo Medeiros, André Frateschi e Paulo César Pereio (voz)

Site Oficial: OCheiroDoRalo.com.br

Nota do CENA BRASILIS

Constado às 23:24 em Especial, Festival | 10 Comentários | 

cidade-de-deus.jpg

Não somos europeus nem americanos do norte, mas destituídos de cultura original, nada nos é estrangeiro, pois tudo o é. A penosa construção de nós mesmos se desenvolve na dialética rarefeita entre o não ser e o ser outro. O filme brasileiro participa do mecanismo e o altera através de nossa incompetência criativa em copiar

(Paulo Emílio Sales Gomes in Cinema: Trajetória no subdesenvolvimento. SP: Paz e Terra, 1996)

No ano de 1896 chega ao Brasil, mas especificamente, ao Rio de Janeiro, capital da recém-proclamada república, o Omniographo instalado a Rua do Ouvidor, local onde também é inaugurado o Salão Paris (1ª sala de cinema do país), no dia 8 de junho, por Paschoal Segretto e José Roberto da Cunha Salles. Em 19 de junho de 1898, Afonso Segreto, a bordo do paquete francês Brésil faz a primeira filmagem feita aqui Fortaleza e Navios de Guerra na Baía da Guanabara. Essa data é considerada o nascimento do Cinema Brasileiro.

Com 110 anos de história do Cinema no Brasil (e de Cinema Brasileiro também), o grande público brasileiro não conseguiu criar uma relação de admiração, fidelidade e identificação com o que é produzido aqui. As pessoas só vão ao cinema conferir as nossas produções quando um filme é cheio de globais que ea admira ou então quando um filme é muito comentado pela mídia, gerando discussões e polêmica (nesse caso inclui-se Pixote - A Lei do Mais Fraco, Cidade de Deus, Carandiru e, mais recentemente, Tropa de Elite). O que será que falta para o brasileiro valorizar o que é nosso? Prêmios internacionais costumam depôr a favor de nossos filmes - caso de Central do Brasil.

Em pouco mais de 100 anos, o cinema brasileiro já produziu mais de 2.000 filmes e conquistou mais de 50 prêmios internacionais, mas até agora se depara com dificuldades para se estabelecer como uma indústria, como acontece nos US and A e até mesmo na Índia. Será que o que falta é um Oscar para que o Cinema Brasileiro deslanche aos olhos do nosso público?

O Brasil no Oscar


O Brasil, apesar de ter um cinema que a cada ano que passa está melhor, ainda não conseguimos chegar lá aos olhos da academia. Nunca tivemos o prazer de trazer uma estatueta careca pra casa. Há aqueles mais ufanistas equivocados que dizem que temos um Oscar, conquistado em 1985 com O Beijo da Mulher-Aranha, que tem direção de Hector Babenco e é protagonizado por Sônia Braga. Primeiro porque é uma produzão estadunidense-brasileira, falado em língua inglesa, e considerado para a Academia como uma produção americana, indicado aos prêmios de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator e Melhor Roteir Adaptado. Mas, se ainda assim, o Oscar fosse de Melhor Filme, a gente até daria um desconto… Mas não é o caso. O Oscar conquistado pelo filme foi de melhor ator para William Hurt, que nem brasileiro é. Ou seja, o Brasil não tem Oscar nenhum. E se você for conferir em qualquer lugar e no banco de dados da Academia (que é o que importa de fato) verá que o filme nem é citado como brasileiro. Já disputamos algumas vezes, mas ainda não temos nenhum, e nem será dessa vez que teremos. =/

Produções Nacionais que receberam indicações

(Lembrando que a data que aparece não é o ano em que a cerimônia aconteceu, e sim o ano que a cerimônia premiou, como, por exemplo, estamos na 80ª cerimônia, acontecendo hoje, em 2008, mas premiando os filmes produzidos em 2007)

>> 1962 - 35ª cerimônia do Oscar
O Pagador de Promessas - Keeper of Promises (The Given Word) - Anselmo Duarte
Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro

>> 1995 - 68ª cerimônia do Oscar
O Quatrilho (O Quatrilho) - Fábio Barreto
Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro

>> 1997 - 70ª cerimônia do Oscar
O Que É Isso, Companheiro? (Four Days in September) - Bruno Barreto
Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro

>> 19998- 71ª cerimônia do Oscar
Central do Brasil (Central Station) - Walter Salles
Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro
Indicado ao Oscar de Melhor Atriz - Fernanda Montenegro

>> 2003 - 76ª cerimônia do Oscar
Cidade de Deus (City of God) - Fernando Meirelles
Indicado ao Oscar de Melhor Fotografia - César Charlone
Indicado ao Oscar de Melhor Direção - Fernando Meirelles
Indicado ao Oscar de Melhor Edição - Daniel Rezende
Indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado - Bráulio Mantovani

Lembrando que o Fábio Barreto, que dirigiu O Quatrilho não é o Barretão do S.O.S. Hollywood. =D

Constado às 12:21 em Resenhas | 3 Comentários | 

normal.jpg

Muito, muito, muito, muitíssimo aquém da série. Antes de começar a receber xingamentos, deixo claro que, pra mim, Os Normais - O Filme, cumpre muito bem sua função de comédia, e em muitos momentos me levou às gargalhadas. Há cenas memoráveis, as atuações estão ótimas, mas ainda assim falta alguma coisa.

Acho que apesar de chegar bem ao seu objetivo de fazer rir, como todo filme de comédia, não consegue chegar nem aos pés do seriado. E é inevitável fazer comparações, uma vez que esse longa só existiu e virou sucesso (quase 3 milhões de pessoas assistiram a Os Normais - O Filme nos cinemas), por conta do seriado que tinha milhões de fãs. Eu mesma, assisti a esse filme porque sempre fui mega-fã de Rui e Vani e me sentia um tanto órfã das risadas que o programa me causava, além da identificação em várias situações. (bem naquele lance de que “de perto ninguém é normal”, como já diria Caetano em sua célebre Vaca Profana).

O filme tem como idéia fazer uma mega-thunder-flash back (mania do seriado, por sinal) e nos mostrar como Rui (Luiz Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda Torres) se conheceram, porque o noivado e a convivência de ambos, o público já tá mais do que acostumado a ver. Do momento em que se viram pela primeira vez até menos de doze horas depois, a vida desses dois sofreu uma reviravolta e o fim da história é o seriado que a gente tanto adorava.

Tudo começa com Rui e Vani se casando. Ela acabou de se casar com Sérgio (Evandro Mesquita), na cerimônia das 18h, e ele está na sacristia esperando para se casar com Marta (Marisa Orth), às 20h, na mesma igreja.
Na sacristia os dois se encontram e conversam pela primeira vez. Como todos os convidados do casamento de Vani esqueceram de levar arroz para comemorar o enlace, ela vai lá para pedir um pouco emprestado pra Rui. Mas Martha, por intermédio da prima guardiã-do-arroz (Ana Baird), se recusa a dar um pouquinho do seu quinhão (eu adoro quando uso palavras não-habituais. Dá um ar tão pedante ao texto, né! =D). O egoísmo de Martha deixa Vani tresloucada. Logo que chega no novo apartamento, Vani descobre que foi traída por Sérgio numa despedida de solteiro. Revoltada, ela vai para a rua, disposta a dar pro primeiro cara que aparecer. E aí é que surge Rui, devidamente acompanhado de sua esposa Martha. Pois, para completar o quadro das coincidências nada casuais, os dois casais descobrem que são vizinhos! É aí que Vani, desesperada pede ajuda aos vizinhos recém-casados. Primeiro, para telefonar, depois vai emendando vários outros favores. Por conta disso acaba surgindo uma grande confusão que faz com que Vani descubra a verdadeira face de Sérgio e mostre a Rui quem é Martha, de fato. Passadas algumas horas, Rui e Vani voltam à igreja e pedem ao padre (Emílio Pitta) a anulação de seus casamentos. E daí a coisa começa a caminhar para o desenlace que todo mundo já sabe… =D

A escolha de Evandro Mesquita e Marisa Orth para fechar o quarteto é muito boa, pois faz com que todo o filme ganhe um ar engraçado em todo e qualquer tipo de situação. São quatro atores excelentes e com uma longa história da carreira ligada à comédia, e por conta disso tudo, desempenham seus papéis sensacionalmente. Porém o texto é bem fraco - os roteiristas erraram a mão. E só as atuações mesmo para conseguir dar um UP no filme, porque, senão… =P

Acho uma pena, uma vez que os roteiristas Alexandre Machado e Fernanda Young são os mesmos do seriado e ainda contaram com a ajuda do sensacional Jorge Furtado, e mesmo assim, o resultado não foi lá grandes coisas. Há tanto fio solto… Uma vez que a trama do filme é cronologicamente anterior à do seriado e os roteiristas são o mesmo, deveria ter havido um cuidado com continuidade e coerência.

Um exemplo disso, e que pra mim foi o que mais pegou foi o fato de o Evandro Mesquita ser o noivo da Vani. Ele já apareceu na série em três oportunidades, e em cada uma delas com nomes diferentes. Os episódios em que ele aparece são: Complicar é Normal, 12º episódio da primeira temporada (2001), em que ele fazia Valdo; Dar Um Tempo é Normal, 22º episódio da primeira temporada (2001), onde interpretava Jorge; e Gente Normal e Civilizada, 26º episódio da segunda temporada (2002), onde desta vez, era Tobias. Como fã da série, não pude deixar de perceber essa derrapada. Até porque, a primeira temporada tem uma trama que está mais próxima (cronologicamente falando) do que acontece no filme, e bem no meio dessa temporada, o Evandro aparece na pele de Valdo, num episódio que me marcou muito. Luana (Danielle Winits), amiga de Vani, está de volta ao Brasil depois de morar um tempo fora e vai passar uns dias na casa da amiga. Com toda a sua formosura (como já diria o meu amigo Touro), acaba chamando a atenção de Rui. Vani fica loucamente enciumada e resolve dar em cima de um amigo do noivo pra tentar provocar ciúmes nele também. No caso esse amigo é Valdo. Ela leva ele para seu apartamento e, de repente, Rui e Luana chegam, e então todo mundo descobre que Valdo é o ex-namorado da Luana. E blá-blá-blá… Aí fica a pergunta, como assim Valdo, namorado da Luana?! Ele não era o Sérgio, ex-noivo/marido da Vani?! o_O

Pra coroar, Marisa Orth também participou da série, e, também, em mais de uma oportunidade, nos episódios Mal-entendido é Normal - 7º episódio, da primeira temporada (2001) - onde interpretava Nina; e em Divertimento Normal e Sadio, 23º episódio da segunda temporada (2002), quando encarnava Maria Sílvia. Pode até parecer frescura ou bobagem, mas Os Normais era uma série muito emblemática, que trazia situações marcantes, encaradas de uma maneira escrachada, e por conta disso, acabam ficando na cabeça das pessoas. E nessas eu penso que, por mais que a idéia de se fazer um filme partindo dessa trama tenha vindo depois, o mínimo que os roteiristas podiam fazer era linkar as situações e personagens que já existiam, como foi feito no caso de A Grande Família - O Filme, que eles trouxeram o Paulo Betti, no papel de Carlinhos, ex-namorado da Nenê - mesmo papel desempenhado na série, embora lá ele se chamasse Gilmar - mas uma vez que o enredo é o mesmo, a mudança de nomes não chama atenção.

Mas, apesar de tantas reclamações, ainda acho que o filme tem cenas empagáveis, o que acaba fazendo com que a nota do longa suba um pouco. Adoro a cena em que Vani e Rui botam Dr. Silvana & Cia no talo e saem dançando Taca a mãe pra ver se quica, e nessa mesma seqüência o teatro das sombras armado por Vani pra irritar Sérgio, ao som de Dentro do Coração, da banda Rádio Táxi. Logo depois, ainda no mesmo contexto, é impagável o Rui imitando o Tony Tornado cantando e dançando BR-3 - por sinal, para essa cena Luiz Fernando recebeu um treinamento dado pelo próprio Tony Tornado sobre como fazer a coreografia e os maneirismos que viraram marca registrada do cantor/ator. Adoro o tanto de palavrões que a Vani fala em algumas cenas. E uma seqüência que é muito boa e que não está na versão do filme passada nos cinemas, mas foi acrescentada na versão de DVD é a que o Rui vai tomar satisfações com o Sérgio e torcendo a mão dele pede que ele cante o hino do meu Fogão com a voz do Fred Flintstone. E a trilha sonora do filme também é muito boa, divertida, nostálgica e que cai como uma luva no estilo do filme/seriado e dos personagens.

Conclusão: mesmo o roteiro sendo fraco e contendo derrapadas feias, ainda é um filme que vale conferir. Dá pra dar muita risada, porque o quarteto é mesmo muito bom, mas o filme não é nem de perto tão genial quanto o seriado que lhe deu origem.

Indicações e Premiações


- Ganhou o Lente de Cristal de Melhor Filme - Voto Popular, no Festival de Cinema Brasileiro de Miami.
- Ganhou o Media Awards, no Festival de Cinema Brasileiro de Miami.
- Troféu Blockbuster Entertainment Awards Brasil de Melhor Atriz de Comédia para Fernanda Torres

Os Normais - O Filme
(Brasil, 2003)
88 minutos

Direção: José Alvarenga Jr.

Roteiro: Jorge Furtado, Alexandre Machado e Fernanda Young

Elenco: Luiz Fernando Guimarães, Fernanda Torres, Marisa Orth, Evandro Mesquita, Emílio Pitta, Tutuca, Lupe Gigliotti, Fabiana Guglielmetti e Ana Baird

Site Oficial: OsNormaisOfilme.com.br

Nota do CENA BRASILIS

uv