Brasil, mostra a sua cara…
Constado dia 02/03/08 às 19h03 em Resenhas | 
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Produzido há mais de 20 anos, esse já é um clássico do Cinema Nacional. Me lembro de ter assistido esse filme pela primeira vez quando tinhas uns 10 ou 11 anos, com o meu pai, que tinha alugado a fita de vídeo e que não entendi nada direito da história: o homem que era boto, o bebê que virava botinho… Era muito complexo pra mente de uma crinça. Lembro também que meu pai, apaixonado que era pelo folclore brasileiro, me explicou sobre a lenda do boto, e que na região Norte do Brasil, os pais têm muito medo de deixar suas meninas por aí na época de lua-cheia, com medo que elas caiam na lábia do boto.

Baseado em roteiro original de Lima Barreto (o cineasta, não o escritor! =D), Ele, o Boto, acabou ganhando do diretor Walter Lima Jr., um tom mais focado no personagem do boto, que segundo o próprio diretor parte da idéia de criticar a postura do homem, diante da natureza:

O filme fala da ruptura do homem com sua própria natureza, da expectativa contínua de uma harmonia rompida com a natureza, que configura uma idéia de perda. Porque o homem é extremamente violento com o meio em que vive. Ele destrói tudo ao seu redor e com isso destrói a si mesmo.

O filme começa com uma conversa de pescadores, e toda a trama vai se desenrolando a partir desse causo, que tem narração do ótimo Rolando Boldrin, contando a história para dois pescadores amigos (Tonico Pereira e um novíssimo Marcos Palmeira). Ele fala sobre casos de meninas que foram vítimas do Boto (Carlos Alberto Riccelli) - que segundo a lenda amazônica, nas noites de lua cheia, vem à terra, se transformando em humano, para seduzir as mulheres. Logo no início vemos o temido boto em uma de suas conquistas, Tereza (Cássia Kiss), filha de um pescador, apaixonada, cede aos encantos do boto e acaba engravidando. Ao nascer, seu filho vira um botinho (cena que deve ter sido encantadora para os olhos da época e que nos soa um pouco tosca devido a imensidão de recursos de efeitos especiais que temos nos dias de hoje) que logo é levado pro mar por sua tia, que é também a parteira (Maria Sílvia). Por conta desse filho, o Boto volta sempre a aparecer, como se nutrisse por Tereza uma paixão especial. Ainda assim, está constantemente seduzindo outras mulheres, inclusive a irmã de Tereza, Corinha (Dira Paes, que aos 18 anos faz um de seus primeiros papéis e o desempenha muito bem). Ele continua aparecendo atrás de Tereza, mesmo depois que ela se casa com Rufino (Ney Latorraca), provocando uma ventania de ciúmes em plena festa de casamento.

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Com uma lindíssima trilha sonora, assinada por Wagner Tiso, Ele, o Boto é um filme marcante, com um elenco que está em perfeita sintonia com seus personagens e consegue transmitir muito bem todo o misticismo existente em torno da figura do boto, tão presente em tantas “desgraças familiares” do Norte e Nordeste brasileiro. Carlos Alberto Riccelli está magistral no papel do boto, está com uns trejeitos incríveis que dão a ele um ar totalmente-semi-humano. Ele andando “pulandinho”, ou mesmo mergulhando como boto, marcam essa atuação como uma das melhores de sua carreira. A maquiagem também é sensacional, deram a ele um tom de pele acinzentado muito parecido com a cor de um boto.

Um filme clássico da nossa cinegrafia que Cena Brasilis RECOMENDA pelo seu valor na história do cinema brasileiro e para ter oportunidade de ver atuações marcantes e ótimos atore no início de suas carreiras, num filme com uma carga poética e dramática que oferece uma amplidão de trabalho para cada um deles. Vale a pena conferir, seja passando numa boa locadora, seja comprando o filme ou mesmo aguardando que ele passe na Sessão Brasil, que passa às segundas na Globo - volta e meia passa - ou mesmo no Canal Brasil que sempre traz em sua programação classicões do nosso cinema.

Ele, o Boto
(Brasil, 1987)
106 minutos

Direção: Walter Lima Jr.

Roteiro: Tairone Feitosa, Walter Lima Jr. e Affonso Romano de Santanna, baseado em estória de Lima Barreto e Vanja Orico

Elenco: Carlos Alberto Riccelli, Cássia Kiss, Ney Latorraca, Dira Paes, Paulo Vinícius, Ruy Polanah, Maria Sílvia, Rolando Boldrin, Tonico Pereira e Marcos Palmeira

Nota do CENA BRASILIS

5 comentários sobre "Ele, o Boto"

Whyme

3 de March de 2008
11h34

Foi o filme que nacional que revelou Dira Paes.
E não se faz mais cinema nacional como nessa epoca, hoje a censura impera de vez.

Vídeos, Fotos e Notícias da Dira Paes em 02/03/08 | As Musas

20 de March de 2008
3h47

[...] Ele, o Boto [...]

Wallikon

10 de June de 2008
20h31

Nossa!! não cinhecia esse filma fiquei muito curioso!! será que posso baixar ele da internet?

Tayra

11 de June de 2008
17h27

Olá, então, como a maioria dos filmes brasileiros, eu acho muito difícil que você encontre pra baixar, mas basta procurar uma locadora boa e grande (tipo Blockbuster ou 2001) ou então ficar ligado na grade do Canal Brasil (ou mesmo na Globo, nas madrugadas de 2ª feira), porque volta e meia passa. Além disso, uma outra via é comprar, uma vez que os DVDs que não são de lançamento, hoje em dia estão bem baratos (essa foi a minha opção!). =D

hyta

31 de August de 2008
9h58

legalsinho dmvgbjerujh c

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