Brasil, mostra a sua cara…
Constado dia 13/03/08 às 3h43 em Especial | 
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Que o Collor foi uma desgraça nacional, disso ninguém tem dúvida, mas até hoje, nós, amantes do Cinema Nacional, sentimos na pele o mal que ele causou ao país. Um assunto recorrente aqui no Cena Brasilis é a mesmice da temática da produção nacional, e muito disso devemos a esse nosso ilustre presidente, que colocou uma pá de cal no nosso cinema, deixando-o inerte e quase morto por meia década. Desde então é uma luta conseguir convencer as pessoas de que há muita coisa boa sendo produzida nesse país, e isso, se reflete claramente nas bilheterias. Filmes de grande sucesso precisam ter a Xuxa ou o Didi no título, ou um global de sucesso, ou, na terceira e última opção ser super-mega-thunder polêmico (casos de Cidade de Deus, Carandiru e Tropa de Elite).

Nas décadas de 30 e 40, cidades como Rio de Janeiro e São Paulo começaram a ver surgir cinemas de enormes proporções como o Cine Odeon e Palácio, na Cinelândia e o Cine Olido, na região central da capital paulista, entre tantos outro. Eram salas imensas, com capacidades para mais de 500 espectadores (às vezes, para mais de mil) e que, com isso, permitiam que o preço do ingresso fosse mais baixo, e, conseqüentemente, que tivesse um público mais assíduo. Por conta disso, os brasileiros iam muito mais ao cinema, porque era muito mais acessível.

E isso, obviamente, se refletia na bilheteria, o que fazia com que houvesse uma produção maior de filmes nacionais, e que esses fossem verdadeiros sucessos. Tanto que o maior público do nosso cinema continua sendo Dona Flor e Seus Dois Maridos, de 1976, dirigido por Bruno Barreto e estrelado por Sônia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça, que atraiu quase 11 milhões de espectadores aos cinemas, número que não chegou nem perto de ser batido nesses últimos 30 anos.

Nos anos 80 a coisa até foi caminhando, apesar de uma queda de qualidade em comparação à quantidade, mas ainda assim, produzimos excelentes filmes como Pixote - A Lei do Mais Fraco, O Homem que Virou Suco, A Hora da Estrela, entre tantas outras obras que viraram referência do nosso cinema. Mas, eis que chegamos a março de 1990 e o nosso presidente de nariz avantajado, e praticante de esportes radicais decide acabar com a Embrafilme, e então vimos o Cinema Brasileiro definhar.

Até que em 1994, o governo de Itamar Franco salvou a lavoura aprovando a Lei do Audiovisual, que possibilitou que o nosso cinema voltasse a produzir obras de excelente qualidade. O grande marco desse período, que ficou conhecido como Retomada do Cinema Nacional é o longa de Carla Camurati, Carlota Joaquina - Princesa do Brasil, que levou quase 1 milhão e meio de pessoas aos cinemas. Mas ainda é difícil para um filme nacional conseguir levar seu público às salas, e nem sempre o dinheiro investido na produção do longa acaba retornando aos bolsos de seus investidores e membros da equipe. Nem mesmo Xuxa e Didi conseguem fazer tantos “baixinhos” e “psitis” pagarem pra ver seus filmes e o número de espectadores vai caindo ano a ano, basta ver que o último filme da loira estreou em dezembro e está me cartaz até agora - pra ver se reverte um pouco mais de grana aos cofres da já milionária apresentadora.

E esse é o cenário do nosso cinema hoje, que dependendo de verba da Ancine e da Petrobras, fica com as mãos atadas e acaba chovendo no molhado pra conseguir captar um pouco mais de dinheiro e foca nossa produção em cima, sempre, do mais do mesmo.

Recentemente vimos um verdadeiro blockbuster nacional surgir, contando a história de vida da dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano, e produzido pelo próprio Luciano. Dois Filhos de Francisco foi um enorme sucesso de crítica e público (até mesmo para aqueles que abominavam a dupla) e depois de muito tempo conseguiu fazer com que um filme nacional ultrapassasse a barreira dos 5 milhões de espectadores.

Já o badalado Tropa de Elite, não fez nem cosquinha pra figurar entre os mais-mais, levando aos cinemas 2 milhões e meio de pessoas, porém, podemos bem multiplicar esse número por 5, levando-se em conta a quantidade de pessoas que viram à cópia-pirata do longa de José Padilha. Mas como o que conta é a bilhereria dos cinemas e grana no bolso, apesar de todo o furor gerado em torno do filme, ele não trouxe dindim para as nossa estatísticas e por conta disso, nem é citado. =D

Dos pop-pop, também ficaram de fora da lista Central do Brasil e Cidade de Deus. Confira agora as maiores bilheterias nacionais de todos os tempos - mostrados apenas os filmes que conseguiram levar mais de 4 milhões para o cinema. ^^

OBS: Vejam bem quantos filmes d’Os Trapalhões está nessa lista. Só pra constar: Mussum rulez! =D

1º Dona Flor e seus Dois Maridos (1976), Bruno Barreto - 10.735.305 de espectadores

2º O Ébrio (1946), Gilda de Abreu - 8.964.117 de espectadores

3º Casinha Pequenina (1963), Glauco Mirko Laurelli - 8.315.003 de espectadores

4º Jeca Tatu (1960), Milton Amaral - 8.017.988 de espectadores

5º A Dama do Lotação (1978), Neville de Almeida - 6.508.182 de espectadores

6º O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão (1977), J.B. Tanko - 5.785.816 de espectadores

7º Lúcio Flavio, o Passageiro da Agonia (1977), Hector Babenco - 5.401.325 de espectadores

8º Dois Filhos de Francisco (2005), Breno Silveira - 5.319.677 de espectadores

9º Os Saltimbancos Trapalhões (1981), J.B. Tanko - 5.218.574 de espectadores

10º Os Trapalhões na Guerra dos Planetas (1982), Adriano Stuart - 5.089.869 de espectadores

11º Os Trapalhões na Serra Pelada (1982), J.B. Tanko - 5.051.963 de espectadores

12º Cinderelo Trapalhão (1979), Adriano Stuart - 5.027.043 de espectadores

13º O Casamento dos Trapalhões (1988), Adriano Stuart - 4.779.027 de espectadores

14º Carandiru (2003), Hector Babenco - 4.693.853 de espectadores

15º Os Vagabundos Trapalhões (1982), J.B. Tanko - 4.632.428 de espectadores

16º Os Trapalhões no Planalto dos Macacos (1976), J.B. Tanko - 4.566.796 de espectadores

17º Coisas Eróticas (1982), Rafaelli Rossi - 4.525.401 de espectadores

18º Simbad, o Marujo Trapalhão (1976), J.B. Tanko - 4.407.719 de espectadores

19º A Princesa Xuxa e os Trapalhões (1989), José Alvarenga Jr. - 4.310.085 de espectadores

20º O Rei e os Trapalhões (1979), Adriano Stuart - 4.240.591 de espectadores

21º Os Três Mosquiteiros Trapalhões (1980), Adriano Stuart - 4.221.222 de espectadores

22º O Incrível Monstro Trapalhão (1980), Adriano Stuart - 4.213.258 de espectadores

23º Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (1968), Roberto Farias - 4.118.013 de espectadores

24º O Cangaceiro (1953), Lima Barreto - 4.071.697 de espectadores

25º Lua de Cristal (1990), Tizuka Yamasaki - 4.012.442 de espectadores

PS: Posso dizer que fui uma dessas milhões de pessoas nas salas de cinema no caso dos 13º, 14º, 19º e 25º - e atire a primeira pedra quem também não esteve lá. =D

8 comentários sobre "As maiores bilheterias do nosso cinema"

Silvia Penhalbel

13 de March de 2008
18h03

Quando eu era criança(há muito tempo atrás), eu acreditava que só existia filme do Didi no cinema ^_^
Lembro de ter assistido Lúcio Flávio em uma exibição especial na escola, em 1981, antes de uma palestra com ninguém menos que o Hector Babenco em pessoa. Fiquei traumatizada com as cenas de tortura mas me apaixonei pela pessoa incrível que era o Babenco.
É lamentável que o público brasileiro(eu me incluo nessa faixa) não prestigie o cinema nacional, principalmente com tanta coisa boa sendo produzida.
Acredito que temos mesmo que mudar nossos conceitos, acho que há espaço para todos e, prestigiar nosso (bom)produto é importante.
Mas filme de tortura eu só topo assistir se for em DVD, que dá para adiantar as cenas :P
Beijo

Dewes

13 de March de 2008
22h40

só dá trapalhões no top 25

Thiago Crivellaro

14 de March de 2008
1h27

na verdade, eu acho que o Collor deu a machadada final no cinema brasileiro. A pornochanchada torturou essa cultura durante anos. Mesmo que o Brasil produza coisa boa, ninguém esquece muitas besteiras que foram lançadas nas décadas de 70 e 80.

Lu Costa

14 de March de 2008
2h35

Pode ter certeza que eu tb contribui para que os filmes dos Trapalhões tivesse as bilheterias que tiveram… hehehehe…
E vou te falar.. esse numero 1 da lista… eu A-D-O-R-O! HEHEHEHE
Beijo

Links de Fim de Semana [15/03/08] | JUDÃO

15 de March de 2008
1h08

[...] Borbolla » As Maiores Bilheterias do Cinema Brasileiro (Cena Brasilis) » Mulher Melancia: É LOMBO! (Gostosas UPDATE!) » Eu quero a Natália. AGORA. [...]

elimar

30 de April de 2008
13h12

um pais, cuja sobrevivencia de seu cinema depende de esmolas do governo, não pode mesmo sobreviver. o que falta realmente é competencia para produzir algo que valha a pena pagar para ver.

diego castro

8 de July de 2008
19h14

É Lamentavel que de dez anos pra cá somente um fime consegui a marca demais de 5 milhoes de espectadores. Enquanto filmes estrangeiros conseguem facilmente essa marca nos nossos cinemas. O que precisa ser feito é uma maoir divulgação de nossos filmes e maiores investimentos.E agora com a pirataria só piora a situaçãoexemplo disso é Tropa de elite um filme tão discuitido mais que não conseguiu ultrapassar a marca dfos 5 milhões.

Leo

1 de September de 2008
1h22

Os filmes dos trapalhões são os melhores.

Melhores até que muitos filmes estrangeiros.

Quando juntavam os quatro trapalhões não tinha pra ninguém…hehe.

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