Arquivo de May/2008
Enfim, demorou mas consegui. Aqui está o curta Ópera do Mallandro, que eu resenhei aqui no Cena Brasilis. Fiquei empenhada em caçar esse vídeo na internet, até que uma alma caridosa chamada Guilherme Toscano resolveu me mandar um e-mail com o link do vídeo completo no MySpace, e eu, como sou muito legal com os meus leitores, trago aqui pra vocês. Para assistir a esse curta delicioso é só aperar o play. Só desafio vocês a me mostrarem alguém que veja esse filme e não passe o resto do dia cantando as músicas de Ségim Mallan… =D
Hoje pela manhã pudemos conferir o novo filme de Júlio Bressane, Cleópatra, estrelado por Alessandra Negrini, Miguel Falabella e Bruno Garcia. E posso te dizer que figura entre os piores nacionais produzidos nos últimos tempos. Saí do cinema desgostosa, ficava na cadeira me revirando, contando os minutos pro filme acabar e nada… Até que depois de duas horas meu sofrimento acabou. Em breve vocês vão conferir a resenha completa por aqui. Já adianto que pra quem estiver afim de uma “análise anatômica” do corpo de Alessandra Negrini vale, porque mostra cada mínima parte do seu corpo (cada uma mesmo!), porém, se você não for grande fã do corpo da moçoila, é melhor pular fora.
Até agora este blog esteve substancialmente voltado para cinema, mas a idéia dele, que inclusive está no nome, é abraçar a cena brasileira como um todo, dando espaço também para a música, teatro, literatura etc. Hoje, levada pelo momento televisivo, decidi publicar uma resenha literária de um excelente livro que já li e reli e que acho pertinente publicar a respeito. Isso porque hoje começa a novela Ciranda de Pedra, baseada no excelente romance homônimo de Lygia Fagundes Telles. O livro já foi adaptado antes para televisão, e virou novela das seis, no ano de 1981, quando alcançou grande sucesso e até hoje é considerada como uma das melhores adaptações de romances nacionais já feitas para televisão. A novela que estréia hoje, infelizmente, não é um remake da primeira e sim uma nova versão, uma adaptação totalmente diferente do mesmo livro. Porém, pelo que pude notar nas chamadas, parece que a trama vai ser totalmente diferente do livro - a começar pela protagonista que é uma criança na primeira metade do livro e uma mulher na segunda (já que passou a adolescência num colégio interno e não acompanhamos essa fase). As chamadas mostraram uma menina em fim da adolescência, com mãe e pai, tudo bem diferente de como a trama se desenvolve no romance de Lygia Fagundes Telles. O livro Ciranda de Pedra foi publicado em 1954, e é o romance de estréia de Lygia Fagundes Telles, e tem um enredo extremamente moderno, contemporâneo e acredito eu, que tenha causado muita polêmica na época em que foi publicado, já que escancara coisas que geralmente as famílias tentam esconder, ainda mais se tratando de uma família rica, tradicional. Todo enredo foca-se em Virgínia, uma criança solitária, isolada pelas irmãs e vizinhos, e que, por conta disso, segue vivendo em seu mundo imaginário. A trama é dividida em duas partes, e assim acompanhamos todo o doloroso trajeto da vida de Virgínia, desde a infância até o início de sua idade adulta. Basicamente, a menina é filha de um casal separado, Laura e Natércio. Por conta da separação, a menina, que é a filha mais nova vai viver com a mãe e precisa aprender a conviver com essa “divisão” de mundos e de emoções, já que vive com a mãe, mas faz freqüentes visitas à casa do pai, onde também vivem suas duas irmãs mais velhas, Bruna e Otávia. Natércio, o pai é um tradicional advogado, muito rígido com as filhas e seco. Por conta disso tudo, a infância da menina é repleta de tristeza e solidão. Após se separar, a mãe, Laura, que está doente, vai viver com Daniel, que já era seu médico, muito antes de ela se separar e leva junto a filha mais nova. E apesar de todos os cuidados tomados por Daniel, Laura está enlouquecendo cada vez mais e seu estado físico se deteriora juntamente com o mental. Até que a mãe acaba morrendo e Virgínia volta a morar na casa do pai, junto com suas irmãs, fato que a deixa feliz a princípio, até perceper que tanto o pai, quanto as irmãs, continuam tratando-a com indiferença. E pra completar o quadro, desde muito criancinha, Virgínia é apaixonada pelo vizinho de seu pai, Conrado, que por sua vez, segundo a própria menina, é apaixonado por sua irmã Otávia.
A primeira etapa termina com a menina indo para o colégio interno e a segunda começa com Virgínia, já uma mulher, saindo do colégio e voltando pra casa, onde passa a ser, definitivamente, notada por todos, e disputada pelos homens, e até por mulheres. A menininha que antes era o patinho feio e desajeitado, desabrochou e virou um lindo cisne e atrai todos os olhares e atenções. Nessa etapa, muitas máscaras são derrubadas e inúmeras verdades começam a vir a tona. Um enredo que trata de adultério, homossexualidade, além de tantos outros conflitos que existem em todas as épocas e em qualquer classe social, mas que geralmente acontece por debaixo dos panos e muitos nem tomam consciência (ou fingem que não tomam). Um livro excelente, denso e ao mesmo tempo leve, muito bem construído e amarrado e que, de olhos fechados, Cena Brasilis RECOMENDA. Só a título de constância, na novela global a atriz Tammy Di Calafiori interpretará Virgínia, enquanto os outros personagens do núcleo principal serão encarados por Ana Paula Arósio (Laura), Daniel Dantas (Natércio), Marcello Antony (Daniel), Ariela Massoti (Otávia), Anna Sophia Folch (Bruna), Max Fercondini (Conrado), Ana Beatriz Nogueira (Frau Herta), Caio Blat (Afonso) e Paola Oliveira (Letícia).
Nesse ótimo curta vemos uma satirização da tragédia urbana. São Paulo mais uma vez é sitiada pelo pessoal do PCC — ou, como querem nos vender, “facção criminos”. De repente, chega um cowboy, desavisado — negão e de dread — disposto a botar ordem em tudo, mas de maneira pouco ortodoxa: vai lá, dá uns pipocos nos bandidos e resolve o esquema. Ele mergulha ainda mais fundo na questão, vai atrás de um empresário ricaço em Alphaville e o “seqüestra”, fazendo-o andar a pé de Barueri até São Paulo em plena hora do rush — e ai dele se não andasse, porque o cavalo o arrastaria. Chegando em São Paulo ele faz um tour com o ricaço pelas mazelas locais, passa por favelas, esgotos a céu aberto, o treme-treme da Avenida do Estado. Em dado momento o empresário pergunta: “O que você quer de mim? Dinheiro não é problema.” E a pergunta que fica no ar é: será que dinheiro não é mesmo problema? Um curta incrível, que faz você pensar, pensar e pensar e desejar que muitos cowboys desses invadissem a cena urbana paulistana. Com um elenco que conta com Antônio Abujamra, José Luis Datena, Sheilla Mello entre outros, é impossível não se divertir com a surrealidade do enredo, e com o rumo que as coisas tomam. De agora pra diante, pretendo colocar várias outras resenhas de curta aqui no Cena Brasilis, pois é muito importante valorizar essa vertente do cinema, que tem até categoria de indicação no Oscar, mas que é tão deixado de lado pelo grande público. Para conferir o trailer desse curta é só clickar aqui Prêmios e Indicações- Kikito de Melhor Curta-Metragem 35mm no Festival de Gramado de 2007 - Kikito de Melhor Roteiro para Paulinho Caruso no Festival de Gramado de 2007 - Kikito de Melhor Montagem para Paulinho Caruso, Rê Castanhari , Vitali e Pedro Caetano no Festival de Gramado de 2007
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