Brasil, mostra a sua cara…
Constado dia 25/07/08 às 22h04 em Resenhas | 
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Quando assisti a esse filme, no ano passado, cheguei bem cedo à cabine - o que é raro devido ao trânsito de São Paulo - e estava bem empolgada, como já é de costume quando se trata de filme nacional, e ainda mais ser uma adaptação de literatura nordestina, com um ar de cordel. Aproveitei o fato de chegar cedo para devorar o presskit de O Homem que Desafiou o Diabo e então minha empolgação começou a escorrer pelo ralo - isso graças ao currículo do diretor (que estava no presskit como símbolo de orgulho). Especialista em Xuxa, Angélica e Padre Marcelo, entre seus filmes estão Xuxinha e Guto contra os monstros do Espaço, Xuxa e o Tesouro da Cidade Perdida, Xuxa Abracadabra, Maria, mãe do filho de Deus, Irmãos de Fé, Trair e Coçar é Só Começar e, pra fechar com chave de ouro, Dom, a pior adaptação de uma obra literária para a telona que eu já vi na minha vida.

Alguns minutos de apreensão depois, então, o filme começa. Ufa! A má impressão, graças a Shiloh, parou lá no currículo do diretor, porque o filme é assaz legal.

O Homem que Desafiou o Diabo conta a história de Zé Araújo (Marcos Palmeira), um caixeiro viajante, mulherengo, que chega à cidade de Jardim dos Caiacós para fechar negócio com Turco (Renato Consorte). De noite, num baile, ele conhece Dualiba (Lívia Falcão), quarentona virgem, fogosa e filha do Turco. Ele acaba passando dos limites com a moça e é obrigado a casar com ela. Zé Araújo acaba se tornando um marido e genro submisso. Nesse meio tempo, ele conhece Sesiom (Rui Rezende) - Moisés ao contrário - que lhe conta sobre as belezas e riquezas da terra de São Saruê, e que lá ele renasceu e mudou de nome.

O tempo passa, e um dia Zé Araújo descobre que virou motivo de chacota em toda cidade por conta de seu comportamento subserviente diante da mulher e do sogro. E então acontece a grande virada. Ele se revolta com essa situação, quebra a mercearia do sogro, dá uma surra na mulher, se veste de roupa de couro e vai até o escrivão (Lúcio Mauro) para mudar seu nome para Ojuara (Araújo ao contrário) e sai pelo sertão a procura de desafios, de defender os injustiçados e em busca do caminho para São Saruê. Nesse meio tempo ele se apaixona por Genifer (Fernanda Paes Leme) e por ela encara alguns valentões. Enfrenta o Diabo (Heldér Vasconcelos) em pessoa mais de uma vez, derrota Mãe de Pantanha (Flávia Alessandra) e doma um boi mandingueiro que aterrorizava toda uma população.

Sem dúvida alguma, o diretor Moacyr Góes pode considerar o “O Homem que desafiou o Diabo” como sua obra-prima. O filme é muito bem adaptado para o cinema. Como a maioria das obras da literatura nordestina, o filme conta com várias mini-tramas, e ainda assim não se perde e nem fica cansativo. É extremamente divertido e incrível que você consegue notar que aqueles personagens, na sua imensa maioria, deve existir de fato na imensidão que é o sertão nordestino.

A direção merece os louros por conseguir fazer um filme leve e ao mesmo tempo real, e que se distancia abissalmente de qualquer comparação que possa sofrer com O Auto da Compadecida. Sem falar que o elenco é incrível, porque todos os atores estão muitíssimo bem em seus papéis, sem falar que os sotaques e maneirismos estão incríveis, naturais, não parece aquele sotaque falso, forjado pela Globo.

O Homem que desafiou o Diabo
(Brasil, 2007)
106 minutos

Direção: Moacyr Góes

Roteiro: Bráulio Tavares, Moacyr Góes e Nei Leandro de Castro, baseado no romance “As Pelejas de Ojuara”, de Nei Leandro de Castro

Elenco: Marcos Palmeira, Heldér Vasconcelos, Lúcio Mauro, Flávia Alessandra, Fernanda Paes Leme, Lívia Falcão, Sérgio Mamberti, Renato Consorte, Rui Rezende, Leon Góes, Otto, Leandro Firmino da Hora, Quitéria Kelly, Giselle Lima, Carmita Medeiros, Pedrinho Mendes, Antônio Pitanga, Juliana Porteus

Nota do CENA BRASILIS

10 comentários sobre "O Homem que desafiou o Diabo"

Eric Franco

26 de July de 2008
12h22

Acho que é um consenso universal de quem Dom é uma das piores obras do universo. Tipo, deve ser pior que Super Xuxa contra o Baixo Astral.

Poderoso Porco

27 de July de 2008
13h31

Eu devo ter visto um “O Homem que desafiou o diabo” diferente do que vc viu, Tayra! Só pode!
Porque o que eu vi era um filme horroroso, cheio de cortes e situações apresentadas com a profundidade de um pires de café e sem mais nem porquê, e onde as únicas coisas que teve de bom foram o topless da Fernanda Paes Leme e o Diabo, porque o sujeito é muito bom…
Uma prostituta… alicate? O diabo vencido com um “toque”? Eu juro que me senti assistindo “American Pie 7: o sertão”!

Praga

27 de July de 2008
14h01

Super Xuxa contra o Baixo Astral era maneiro…

Até que gostei d’ “O homem …”, mas tem umas coisas meio fraquinhas sim. Concordo em parte com o comentário acima do Poderoso Porco.

PS: O Diabo estava muito bem mesmo! Quanto ao topless da Fernandinha, sem palavras. Vale lembrar da Flavia Alessandra também …

mariones

28 de July de 2008
13h06

Eu tb vi o filme em e achei péssimo….muito ruim mesmo…. tava até empolgado mas foi broxante…

Alex Lords

28 de July de 2008
15h54

Putz eu me amarrei de graça no filme inclusive tenho ele na minha seleta coleção de filmes …agora só um adendo eu curti DOM até porque não li o livro mais independente disso eu acho que o mais importante é a intenção..e viva o cinema nacional

Lu Costa

31 de July de 2008
22h50

Ai, eu amei O Homem que Desafiou o Diabo.. e ainda entrevistei o Marcos Palmeiras.. que eu amo… e fui tiete na hora da entrevista e pedi foto. Hehehehe..
Beijooooooooooo

ANDERSON GOES

17 de August de 2008
13h18

eu adorei o filme,muito bom.parabéns aos atores e diretores principalmente ao Moacyr goes.
sempre recomendo para outras pessoas!!!
vale apena.

ANDERSON GOES DA SILVA

Walter

1 de September de 2008
22h46

Adorei o filme, apesar de não ser fã do Marcos Palmeira, porém o roteiro foi supreendente, muito bem dirigido, atores de primeira linha. EM suma, é um dos melhores filme que eu já tive o prazer de assistir, completamente diferente dos horrorosos fimes brasileiros que vem sendo lançado ao longo desses últimos anos, salvo raríssimas exceções. Chegou perto do Auto da Compadecida.

Raquel

9 de September de 2008
16h26

Eu ache um horror essa palhaçada do ATOR fazer isso aqui no (brasil e no Estados unidos)

VBF

11 de October de 2008
7h53

Achei divertido, sim. As falas regionalizadas sem serem forçadas, as situações… Ah, sim, e a cena do “assim é pecado”, hahah!

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uv