EspecialDesde junho, quando eu e Borbs, tivémos o enorme prazer de conhecer Matheus Souza, e de conferir uma versão, ainda não finalizada, de Apenas o Fim, que essa entrevista está nos nossos planos (tanto nos meus, quando nos do Borbs, quanto nos do Matheus), mas a gente resolveu esperar um momento mais propício, pra coisa não vir meio solta, ficar perdida no ar e acabar não impactando ninguém. O tempo se passou, o filme ficou pronto, aconteceu o que a gente do Judão já previa - o longa é incrível e teve seu reconhecimento, ganhando uma Menção Honrosa do Júri Oficial e o prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular no Festival do Rio - ou seja, aclamado por quem entende do riscado, e também por quem vai ao cinema para prestigiar uma produção (nada melhor que o sucesso vindo dos dois lados!). E agora, que ele já virou uma celebridade (quase mirim, pois tem apenas 20 anos de idade, recém-completados), nada mais propício do que festejar com ele os prêmios vindos da Cidade Maravilhosa, e instigar o público a assistir e quem sabe fazê-lo ganhar o mesmo prêmio na Mostra de Cinema aqui em São Paulo. A idéia era ser uma entrevista para apresentá-lo ao público, e falar um pouco do filme também… Mas no fim das contas, acabou virando um bate-papo super gostoso, e que você pode acompanhar melhor aqui embaixo…
Matheus: Então, eu sempre quis fazer cinema. Desde que vi meu primeiro filme naquela salinha escura. A Bela e a Fera. Eu acho incrível. Sabe, um bule que canta, um castiçal que canta. Eu achava muito incrível. E eu cresci vendo muitos filmes. Meus pais são separados, e meu pai fala muito pouco. Então, quando ele me buscava pra passar o final de semana na casa dele, antes, passávamos na locadora e alugávamos uns 10 filmes. E esse era o nosso diálogo principal. Fora isso, sempre fui daqueles que ia ao cinema três vezes por semana. E quando acabam os filmes bons, assisto os ruins. E tenho até carinho por muitos filmes ditos ruins. Aí, na hora de decidir o que fazer no vestibular, foi fácil. A questão era só ter coragem de fazer aquilo que eu sempre quis. =D
Matheus: Ah, com certeza. Por isso eu escolhi a PUC. O curso é, oficialmente, de comunicação social. No terceiro período se escolhe entre cinema, publicidade e jornalismo. Minha mãe queria que eu fizesse jornalismo e meu pai publicidade. Então entrei nessa e fui levando até já estar com um longa em produção e não ter mais volta.
Matheus: Pois é!
Matheus: No nacional, eu gosto muito do Domingos [Oliveira] e do Walter Salles. Quando, numa matéria, me chamaram de “Dominguinhos”, eu fiquei rindo meia hora. Foi muito bacana. E ele me elogiou muito após a sessão do meu filme. Disse que eu sabia onde colocar a câmera. Isso é bárbaro. Depois de ouvir isso, fui ao banheiro do cinema sozinho ficar gritando de felicidade.
Matheus: Dos clássicos, acho o Truffaut genial. Fora eles, sou fã declarado de Wes Anderson, Woody Allen, Charlie Kaufman, Richard Linklater e Kevin Smith. E, acredito eu, que são eles que formam o caminho para onde o cinema que faço agora aponta mais diretamente. Digo como inspiração. Não que eu ache que chego perto de algum deles. E eles me ajudam muito. Todos esses do último grupinho que falei não são unanimidades. Todos têm grandes fã-clubes de ódio. O que me fez olhar para as críticas que meu filme recebeu de forma completamente diferente.
Matheus: É um saco ser unanimidade.
Matheus: E nenhum filme é perfeito ou para todos os gostos. Eu percebi isso tudo numa conversa dentro de um ônibus dia desses, com minha namorada.
Matheus: E quem quer arranjar algo pra criticar, vai arranjar, sempre tem algo que pode ser criticado e explorado.
Matheus: Adoro essa pergunta. Porque o personagem masculino tem feito certo sucesso com moças, então dá muita vontade de dizer que é completamente autobiográfico.
Matheus: Mas, bom, não é assim, né? E minha namorada me mata se eu continuar assim espertinho.
Matheus: Então, acho que é inevitável no primeiro trabalho de um cineasta que se pretende autor, ter bastante da visão dele sobre o mundo na obra, e aspectos da personalidade dele espalhados pelos personagens. Ainda mais pra quem é fã de quem eu sou, né? Então, eu nunca fui abandonado do jeito que o protagonista é. Mas sempre cabe um pouco de mim ali. Era inevitável. Eu até tentei evitar um pouco.
Matheus: Com amizades e batendo em todas as portas sem desistir. E com criatividade. O filme tinha uma série de limitações, então tivemos que superar tudo com criatividade, o que acaba fazendo bem para o produto final. Não queríamos fazer um filme que levantasse a bandeira do “é de baixo orçamento, é de universitários, então não notem se não for tão bom”. Nos esforçamos para fazer um bom trabalho. Ninguém recebeu pelo filme. Elenco e equipe. Há um ano e meio decidi fazer um longa, escrevi um roteiro possível de ser filmado, chamei meus amigos da faculdade para a equipe, meus amigos do teatro para o elenco, e assim filmamos. Já conhecia a Erika [Mader] e o Gregório [Duvivier] do teatro. Eles já haviam me dirigido como ator. Foi bacana inverter o papel.]
Matheus: Eu já escrevi o roteiro pensando na Erika e no Gregório, esperando que eles aceitassem fazê-lo. Quando eles curtiram o roteiro e toparam, foi o primeiro sinal de que tudo podia dar certo.
Matheus: Comecei a escrever acho que em Junho de 2007. Filmamos em Janeiro de 2008. A estréia foi em Outubro agora. A equipe tinha, inicialmente, 25 pessoas e cresceu um pouco na finalização. Devem ser umas 40 pessoas envolvidas.
Matheus: Apenas o fim foi o meu primeiro filme, não apenas meu primeiro longa. Acredita? Sobre as esquetes, são coisas pequenas. De teatro amador. Foi minha iniciação na direção. Foi bem bacana. Eram esquetes. Pra mostras de esquetes. Coisas do Tablado, geralmente, que é um curso de teatro bacana daqui do Rio.
Matheus: Lá é um ambiente bem legal.
Matheus: Então, eu entrei no teatro por alguns motivos. Primeiro porque eu era muito tímido. E minha mãe era daquelas que achava que, se o filho é tímido, tem que entrar no teatro, ué. Então, lá fui eu. Fora isso, era um lugar onde eu poderia ter contato com direção de ator. Algo que eu sempre quis conhecer mais. Era um lugar onde eu teria espaço para criação, mais contato com arte, cultura, etc. Aí era só esperar e cavar oportunidades, como essas Mostras de teatro. Eu escrevia minha cena, chamava meus amigos para atuar e corríamos atrás pra dar tudo certo. No teatro eu fui aprendendo várias coisas. Uma vez, escrevi uma cena com vários efeitos especiais mirabolantes. Tinha um dragão que cuspia fogo de verdade (desodorante e isqueiro, HÁ!), balões estourando, fogos de artifício feitos com papéis brilhantes e fio pra tudo quanto é lado. Tudo deu errado.
Matheus: Depois disso aprendi a trabalhar melhor com a simplicidade. Foi uma ótima lição pra lidar com o desafio do Apenas o Fim. E a trabalhar melhor o texto mesmo, que é o que sobra quando o desodorante falha e o dragão pega fogo.
Matheus: Ah, eu não sei. Queria muito saber. Eu já até pensei em respostas muito boas pra essa pergunta. Umas eram engraçadas, outras tinham emoção na dose certa. Mas nada ainda parece ser perfeito pra traduzir essa sensação. Mas é surreal você um dia ter uma idéia completamente maluca, que todos dizem que era maluco e 80% não acreditava que daria certo, e cada aspecto do plano, no final das contas, ter se concretizado. E bom, a escolha do público é ótima, né? Um filme é pra ser visto, diz um professor meu. E quem vê é o público. Nós tivemos uma praça favorável, é claro. A estréia foi em casa, digamos assim. Mas eu não tenho 1000 amigos. Na verdade eles são tipo 13. Então parece que o filme foi bem recebido mesmo. E isso é ótimo, me deixa muito feliz.
Matheus: Ah, eu fui super fanfarrão. Subi na cadeira do cinema, toda a equipe se abraçou, subi no palco de óculos torto, gravata torta, falei besteira, citei Rocky, um lutador. É o que te disse antes. Nós temos vinte anos e não vamos fingir que não temos. [EM OFF ANTES DA ENTREVISTA COMEÇAR]
[ACABA O OFF]
Matheus: Eu não faço idéia de como as coisas vão ser daqui pra frente. Sei que fechamos com o Grupo Estação para a distribuição. Não sei quando será a estréia ainda, mas creio que seja apenas no ano que vem. Agora, blockbuster nacional é algo bem engraçado. Uma vez eu fiz um cálculo, que não me lembro bem o resultado, mas com o orçamento de Homem-Aranha 3 dava-se para fazer tipo 137.000 Apenas o fim.
Matheus: Quanto ao viver de cinema, é o que vou tentar, né? Espero que dê certo. Espero que as previsões das pessoas esteja certa e que eu consiga seguir minha carreira. Li uma crítica que falava meio mal do filme (adoro ler críticas), de um blog qualquer, que dizia que eu devia ter uma carreira satisfatória. Se eu tiver isso, já está ótimo. Quanto ao ficar milionário, aí já acho meio difícil. E quanto ao ser seqüestrado, ainda estou analisando propostas. » Hahaha. Agora que as coisas deram mais certo do que você poderia supôr, quais sãos seus novos projetos (se é que eles já existem)? E são modestos ou megalomaníacos? Matheus: Eu tenho uns três roteiros de longas meio que prontos. Em diferentes níveis de produção. Tem um que é megalomaníaco, outro que é no nível Apenas o Fim de produção e outro que é meio termo. Tenho também um piloto de uma série e uma peça de teatro. Agora estou só esperando oportunidades e propostas. É muito difícil escolher o segundo filme. É aquele que vai acabar dando razão pra quem falou bem ou pra quem falou mal de mim. É pressão semelhante ao do segundo disco de uma banda que estourou. Pelo menos na minha cabeça, é claro. Não esperam tanto pelo meu segundo filme quanto esperaram pelo segundo álbum do Killers, mas bom… Faz parte do imaginário da cultura pop exagerar sensações e tentar se sentir parte disso.
Matheus: Pois é. Acho que, no final das contas, não importa tanto se será bom ou não, pra quem quer falar mal de qualquer jeito.
Matheus: Vish, isso é difícil demais. Tem mesmo que escolher só um?
Matheus: Ok, três filmes internacionais que mudaram minha vida: Rushmore, Brilho Eterno [de uma Mente Sem Lembranças] e… O terceiro é complicado. Eu diria Poucas e boas, porque foi o primeiro do Woody [Allen] que eu assisti na minha vida. Ou talvez Encontros e desencontros. Sem contar com Jules e Jim, é claro. Há, tô roubando! Ok, vou fechar os três, um segundo só. Mas como deixar Amy fora da lista também? Bom, vou dizer só um então pra ser injusto com todos logo de uma vez só. Brilho Eterno mudou minha vida. E brasileiro, bom… Eu posso dizer que Apenas o Fim mudou minha vida também.
Matheus: Óuuuuun. Que honra. Assim como Uma Escola Atrapalhada me emociona até hoje. A cena do Didi sendo confundido com um mendigo pela namorada dele, no final, é tristíssima.
Matheus: Aquilo é muito triste, né?
Matheus: Sim sim, é meu favorito deles também. Fora que, Supla e Angélica fazendo par romântico é algo antológico.
Matheus: Mas bom, vou parar de ser tosco, já que é pra falar só um. Acho que Terra em transe. » Ó. Escolha de responsa. Matheus: Né? Eu acho muito bom. » Qual a sua visão do panorama atual do Cinema Nacional? Cite alguns nomes que você acha que devemos prestar uma atenção especial (seja ator, diretor, produtor, roteirista etc.). Matheus: O Brasil tá num momento com ótimos nomes.
Matheus: Esse Matheus Souza é só um rostinho bonito, não se engane!O Belmonte, que ganhou os prêmios de roteiro e melhor filme no Festival, é muito criativo e faz cinema de um jeito original e eficiente. Eu gosto muito do Beto Brant, sou fãzaço. Eu gosto do cinema de humor pop do Domingos [Oliveira], [Jorge] Furtado e Guel Arraes.
Matheus:Assisti sim. Achei justa a vitória do Se Nada Mais Der Certo. É um ótimo filme. Foi o favorito da maioria dos meus amigos.
Matheus: Não sei, mas eu adorei o Feliz Natal.
Matheus: O talento do Selton [Mello], pra qualquer coisa que ele faz no cinema, é algo assustador. Achei uma pena ele não ter ganho de diretor. E o filme é mto bom. Tem assinatura ali. Ele mostra que pode virar um bom diretor autor. E ele foi super simpático comigo.
Matheus: Então… Eu quero tanto ser criativo e não falar Cidade de Deus ou Tropa de Elite. Eu acho que marco, marco mesmo, o Cidade de Deus é o grande, não tem como negar. É o encontro entre público, crítica e sucesso internacional. Foi o filme que ditou uma moda, dos filmes-favela-violência, que foi indicado ao Oscar, que foi sucesso de público, e é um bom filme. » Sem dúvida Matheus: É um ótimo filme aliás.
Matheus: É importante porque deu um gás internacional para o Brasil também.
Matheus: Eu acho que tem que botar mais gostosas, carros e tiros.
Matheus: Não, brincadeira. Eu não sei, sinceramente. Acho que não estamos num mal caminho não. Eu não sei qual caminho deve ser seguido. Acho que qualquer opinião que eu possa dar agora, não seria a opinião de alguém que sabe muito sobre o assunto ou que analisou a situação por inteiro. Há uma grande preocupação de fazer um cinema com brasilidade, que represente a indentidade nacional. Acho isso importantíssimo, mas não precisa ser seguido de forma tão radical.
Matheus: Acho que não tenho muito a adicionar sobre isso, sinceramente. E vou ser criticado se der qualquer opinião mais dura.
Matheus: Opa, tudo certinho? Assista Apenas o Fim na Mostra de São Paulo e em qualquer outra oportunidade futura (Cannes, qualquer dia tamo aí), e eu prometo te dar um abraço e uma Halls na sessão. É só me procurar e pedir. Inté!
Recentemente os mais assíduos leitores e telespectadores de sites e programas de fofoca, ouviram falar do filme Ouro Negro, porém, sem ter mais o que fazer (como sempre), esses tipo de veículos trouxeram o nome do longa até nós não pelos seus méritos como produção nacional e sim por conta de uma fofoca mentirosa, em que diziam que os atores Danton Mello e Luiza Curvo, que atuam no filme, estavam tendo um affair (tudo por conta de fotos tiradas num barzinho onde todo o pessoal do filme estava reunido celebrando o lançamento do filme, em que os dois aparecem abraçados) - fato que já deu muito buchicho para a vida pessoal da atriz, que é casada, e exigiu uma retratação pública da notícia. Mas, como isso aqui não é Fofoca e Bolachas, é claro que eu não ficaria falando de um fake-affair entre dois dos protagonistas de Ouro Negro, o motivo que me traz aqui é muito mais nobre. Nós do Judão conversamos um pouquinho com a diretora do longa, Isa Albuquerque e falamos sobre sua carreira e sobre sua nova produção, que deve estar chegando aos cinemas de todo o Brasil em breve. Confira o que rolou nesse nosso bate-papo com a diretora e saiba um pouco mais sobre sua vida e seus projetos. E pra quem é de Pernambuco e imediações, Ouro Negro será exibido no CinePE, no dia 02 de Maio em primeiríssima mão. Não deixem de conferir! =D
Judão -Você é maranhense e lá mesmo construiu uma carreira sólida e bem sucedida. O que a levou a sair de São Luiz e se mudar para o Rio de Janeiro? Isa - Em São Luís do Maranhão eu fazia jornalismo televisivo e realizei alguns documentários premiados em festivais. O sonho de fazer cinema me acompanhava desde muito criança, quando meu pai teve uma sala de projeção em Lago do Junco (sertão do Maranhão), onde nasci e vivi até mudar para capital, com minha família, aos seis anos. Após dirigir o Núcleo de Jornalismo da TVE por três anos, saí de São Luís em 1991, em busca de novos horizontes profissionais. Precisava aprender a escrever roteiro, a dirigir filmes. No Maranhão dos anos 80, mal conseguíamos assistir a um filme de arte e a produção cinematográfica consistia em alguns curtas em super 8. Nossa mais pulsante janela para o mundo audiovisual era o Festival Guarnicê, que se encontra atualmente em sua 30ª. edição, onde tive os meus primeiros documentários para TV premiados e onde comecei a acreditar que o meu projeto de vida era possível. Em 1991, mudei-me para o Rio, com toda a família: estava casada, dois filhos pequenos, mas não tive dúvidas de que precisava começar tudo de novo. A mudança de rumo foi aos poucos se consolidando. Conhecer pessoas, criar histórias, desenvolver projetos, fundar uma produtora e captar recursos. O meu sonho custa muito caro e o tempo gasto na realização do primeiro filme, as dificuldades de realizá-lo, levou todo o meu grupo de criação de histórias a buscar outros caminhos: a Duba Elia está na Globo, a Diana Nogueira, na PUC, a Ana Lúcia Andrade foi para o exterior. Eu não desisti porque sempre quis fazer cinema. O que me levou a concretizar o meu sonho foi a fé inabalável de que tudo iria dar certo. Judão -Você também tem trabalhos literários publicados. Conte-nos um pouco dessa sua vertente. Além de Histórias do Olhar você tem mais algum livro publicado? Pretende escrever outras obras? Isa - Estou tentando publicar o livro-roteiro de Ouro Negro, completamente ilustrado com as fotos de still, contendo os comentários de todo o processo da produção, através da Editora Escrituras. O projeto foi inscrito na lei Rouanet e estou em busca de patrocínio. O primeiro livro chama-se Histórias do Olhar, composto por contos escritos por 26 autores, roteiristas de cinema e TV, com o mesmo conceito do filme. Foi publicado em 2003, pela Editora Escrituras, como produto paralelo ao filme. Ainda pretendo transformá-lo numa série televisiva. Judão - Um de seus projetos mais recentes é o longa Ouro Negro, onde você assina a direção, produção e também é uma das roteiristas. De onde surgiu a idéia e o interesse em fazer um filme sobre o início da exploração do petróleo no Brasil? Qual fase do processo o filme está e qual a previsão de lançamento? Isa - O lançamento de Ouro Negro irá ocorrer no mesmo ano em que Sangue Negro, a produção americana vencedora de vários Oscars, chegou aos cinemas com o mesmo assunto. É importante constatar a atualidade e a longevidade do tema, já que ambos os filmes são montados em tramas sobre a cobiça humana. Mas nós abordamos a história do petróleo através de um viés político e Sangue Negro, ou There will be Blood (Haverá Sangue - título original em inglês) detém-se sobre a questão ética e moral do nascente capitalismo selvagem americano, personificado em Daniel Day-Lewis. A perfuração do poço do Lobato, no Recôncavo baiano, ocorreu entre 1933 e 1934. Mas as pesquisas de petróleo no Brasil começaram a ocorrer há mais de cem anos, em diversas partes do país, com todos os ingredientes de intriga e espionagem que sempre marcaram a trajetória do Ouro Negro. Por uma questão de síntese, escolhemos narrar a história em 1918 e 1940, seguindo os passos do pioneiro alemão José Bach, radicado em Alagoas desde 1904, e morto em 1918 em circunstâncias misteriosas, após desenvolver estudos sobre o potencial petrolífero da Bacia de Carmona, onde estão assentados os Estados de Alagoas e Sergipe. A sugestão partiu de Ana Lúcia Andrade, uma das integrantes do meu antigo grupo de roteiro. Começamos a pesquisar sobre o tema e à medida em que nos aprofundávamos, encontrávamos um universo de contradições e mortes mal explicadas. Escolhemos desenvolver um roteiro de ficção livremente inspirado em fatos reais. O petróleo é um dos recursos naturais mais importantes do mundo. Sua descoberta costuma ser, ao mesmo tempo, uma bênção e uma maldição, já que atrai os mais competitivos grupos empresariais internacionais. Um dia as reservas irão acabar, mas enquanto descobrirmos os supercampos, como o Tupi, e todos precisarem deste produto, precisamos tratá-lo como reserva estratégica do país. A riqueza advinda desse extraordinário recurso natural deve ser revertida em benefícios sociais e culturais para o Brasil. E não para aumentar o poder dos trustes internacionais a custa do nosso petróleo. É bom lembrar que, recentemente, informações sigilosas da Petrobrás foram roubadas na Bacia de Campos, às vésperas de um leilão de áreas petrolíferas. O Governo fala em restringir as licenças de prospecção pelas companhias privadas. Creio que o Brasil precise agora de uma outra campanha do tipo “O Petróleo é Nosso”. Não podemos entregar as nossas reservas ao capital estrangeiro.
Judão - Quanto tempo de pesquisa foi consumido para montar esse roteiro? Isa - A idéia germinal surgiu em 1994. Começamos a pesquisar por conta própria, cada co-roteirista levantando a bibliografia sobre o tema. Uma delas, a Duba Elia, é historiadora e nos ajudou a organizar os fatos históricos. Aos poucos, fomo criando uma trama para ser vivida por uma personagem fictícia, o João Martins, interpretado por Danton Mello – que sintetiza a trajetória de pelo menos seis pioneiros. Escrevemos, juntas, os quatro primeiros tratamentos, sob a orientação do mestre Luís Carlos Maciel. Depois que o grupo se desfez, continuei trabalhando no aperfeiçoamento do roteiro, às vezes, com a parceria de Duba Elia que a essa altura já era contratada da Rede Globo. De 1997 a 2005, desenvolvemos cerca de 15 tratamentos. A costura entre os fatos históricos e a trama fictícia foi refinada com o auxílio da pesquisadora Rosa Almeida. Como eu tive que lidar com muitas informações técnicas, recorri a uma consultoria especializada indicada pela diretoria de comunicação da Petrobrás: o ex-dirigente da unidade de Alagoas e Sergipe, Eduardo Pereira, concordou em analisar as informações técnicas. O último tratamento dramático foi realizado sob a consultoria do experiente roteirista Leopoldo Serran (O Quatrilho). Mas o roteiro continuou sofrendo pequenas mudanças, inclusive durante a montagem. Depois de muito tempo envolvida nos diversos níveis de criação e produção, foi importante contar com o olhar distanciado dos demais profissionais contratados. De todos os processos de elaboração de um filme, o roteiro é um dos mais complexos. O tratamento definitivo de Ouro Negro ficou bem diferente das primeiras versões. Judão - Além da parte de pesquisa, uma outra parte muito complexa do processo de criação de um roteiro é compor as histórias humanas que servirão de pano de fundo para o enredo principal. No caso de Ouro Negro, como foi esse processo? Isa - Jorge Luís Borges dizia que só existem 4 histórias possíveis: o amor entre duas pessoas, o amor entre três pessoas, uma viagem e a conquista do poder. Usamos o clássico recurso do triângulo amoroso para desenvolver o lado humano das personagens principais. E ao acrescentar, livremente, uma vida privada conturbada, na composição da trajetória das personagens reais, outros nomes foram adotados, pois já não eram mais aqueles homens e mulheres da história que estavam ali em nosso roteiro. Um roteirista é todas as personagens. Como éramos quatro, tínhamos muitas referências pessoais para pesquisar entre as nossas próprias experiências. Todo filme tem muito de auto-revelação. Judão - Na criação dos personagens, vocês foram montando a personagem já imaginando o ator ou primeiro concluíram o roteiro para só depois pensar no casting? Isa - A realização do filme aconteceu muitos anos depois da fase de criação. Deixei, portanto, para pensar no elenco somente na pré-produção, quando tive certeza de que iria filmar. O elenco foi escolhido em sessões de testes, entre os melhores atores jovens do momento. Tenho muito orgulho do elenco de Ouro Negro que tem o Danton Mello como protagonista, Luísa Curvo, Thiago Fragoso, Maria Ribeiro, Odilon Wagner, Chico Diaz, Daniel Dantas, Mallu Galli e Felipe Kannemberg, em papéis de destaque.
Judão - Por ser um filme de época, há também a ambientação e caracterização do contexto retratado, que é uma parte complexa e cara. Vocês usaram muitas locações para o filme? Como foi esse processo de caracterização de época? Isa - Usamos, exatamente, 48 locações. Seria muito mais caro elaborar os cenários em estúdio e o perfil financeiro do filme levou-nos a optar por locações próximas ao Rio de Janeiro, para caracterizar os quatro Estados onde as ações se desenrolam: Alagoas, Rio de Janeiro, Acre e Bahia. Embora 60% do filme se passe em Alagoas, montamos o campo de petróleo em um coqueiral pertencente à Fundação Darcy Ribeiro, localizado em Maricá, há 40 minutos do Rio de Janeiro, e graças ao apoio de Tatiana Memória, sua presidente, trouxemos Alagoas para o Rio. A direção de arte coube ao experiente Alexandre Meyer, uma garantia de qualidade à reconstituição dos ambientes. Solicitei a Alexandre que se concentrasse na elaboração de dois cenários básicos: o campo de prospecção de petróleo e a usina de destilação do xisto pirobetuminoso. O trabalho da arte foi facilitado por uma pesquisa realizada anteriormente: um levantamento de imagens fotográficas e vídeos antigos resgatados de bibliotecas e do Arquivo Nacional. Esse material reduziu, sensivelmente, o tempo de trabalho da equipe de arte e figurino. Quando se faz um filme de época é importante saber que todos os objetos de cena serão construídos ou alugados. Não basta apontar a câmera em qualquer direção, como em um filme contemporâneo. Cada detalhe é importante para criar a ilusão do passado, no presente. O figurino, a cargo de Rosângela Nascimento, elaborado sob medida, também foi inspirado nos filmes e arquivos fotográficos. Assim, tivemos uma reconstituição de cenários e de figurinos, genuinamente brasileira. Judão - Quanto tempo duraram as filmagens? Isa - Quando se trabalha com um filme grandioso, com um orçamento pequeno, é preciso controlar o tempo de execução do projeto, com muito rigor. Nossa estratégia foi dedicar mais semanas à preparação, quando a equipe é menor e o planejamento é maior, e reduzir, ao máximo, o período de filmagem, quando o set passa a comportar até 150 profissionais, que precisam ser alimentados e remunerados. Os equipamentos são alugados por semana, alguns por diária. Tudo precisa estar sob controle e a solução óbvia consiste em reduzir o número de semanas de filmagem. Portanto, antecipei ao máximo a preparação leve. Tivemos cerca de 10 semanas de preparação dura e seis semanas de filmagem. Como conseguimos rodar com 50% do orçamento, a pós-produção foi muito demorada, pois tive que captar recursos para viabilizar essa etapa. Então, todo o processo de elaboração de Ouro Negro tomou cerca de dois anos e meio.
Judão - Como você vê o aumento de produções de filmes nacionais? E o que você acha que falta para que o cinema brasileiro possa competir (em termos de bilheteria) em pé de igualdade com os filmes que vêm de fora, principalmente as produções norte-americanas? Isa - Realizamos cerca de 80 filmes por ano no Brasil, atualmente, graças à política de incentivos fiscais promovida pelo Governo Federal. Mesmo com todos os defeitos, as leis de incentivo democratizaram o acesso de novos realizadores ao mercado. O diretor executivo da TV Brasil e ex-secretário do Audiovisual, Orlando Senna, afirmou, recentemente, que esta nova geração de cineastas brasileiros é a mais original, criativa e talentosa de todos os tempos. De fato, há um esmero na produção e o roteiro tornou-se um ponto forte na elaboração de um filme. O cuidado do realizador com o seu filme é um fator novo. O estilo inaugurado pelo Cinema Novo, de absoluto despojamento na produção, tinha o seu charme e fez escola pois era inovador e o público estava disposto a ser desafiado pelo diretor, considerado uma espécie de néo-profeta do século XX, mas as novas gerações passaram a exigir assimilação imediata da proposta do filme, deixando pouco espaço para a subjetividade na linguagem. Hoje, um filme só surpreende pela extrema delicadeza, posso mencionar A Via Láctea, de Lina Chamie e O Banheiro do Papa, de César Charlone, ou pela crueza e impacto extremo, como é o caso de Tropa de Elite, de José Padilha. Como já alcançamos a excelência na elaboração do filme, desde que não se exijam os efeitos especiais que caracterizam as produções hollywoodianas e aquele marketing poderoso que acompanha cada produto, além do monopólio quase absoluto das salas, temos filmes muito competentes para atrair qualquer público. Entretanto, o mercado de distribuição está cada vez mais restrito. Temos poucas salas para a dimensão do país: são cerca de 2.000 concentradas nas grandes cidades. Dos cinco mil municípios brasileiros, pelo menos 3.000 são desprovidos de salas de cinema. E no ano passado, em alguns meses, a taxa de ocupação por filmes americanos chegou ao preocupante índice de 80%, com apenas três títulos: Piratas do Caribe 3, Shrek Terceiro e Homem-Aranha 3. Por outro lado, com as facilidades oferecidas pela plataforma digital, o público anda cada vez mais escasso nas salas de todo o mundo. Assim como a música, estamos vendo os nossos filmes fluírem para a internet ou para a pirataria, sem nenhum controle. Ainda é difícil descobrir como o produtor/realizador brasileiro poderá ocupar dignamente o seu posto na cadeia produtiva. O cinema não sobrevive sozinho. A interferência dos Governos Federal, Estadual e Municipal para a consolidação da indústria é muito importante, com a manutenção das leis de incentivo. Agora que a etapa da produção está dando certo, com a realização de, pelo menos, 80 filmes por ano, urge uma interferência reguladora na distribuição, pois uma média de 70 títulos por ano, fica nas prateleiras, sem mercado exibidor. Judão - Você dirige uma produtora. Como é o dia-a-dia de uma produtora independente no Brasil, uma vez que o cinema é uma arte bem cara de se produzir? Como funciona a captação de recursos? É fácil conseguir investimentos público e privado? Se há dificuldades, quais são os principais entraves e o que você acha que poderia ser feito para mudar a visão dos empresários no sentido de investirem mais no cinema nacional? Isa - A produção cinematográfica gera múltiplos problemas que precisam ser resolvidos todos os dias. Até hoje recebo comunicados da Ancine sobre o Histórias do Olhar que tenho de resolver rapidamente. O filme está pronto, lançado, prestação de contas aprovada, o Condecine pago e me exigem sempre novos documentos, novos relatórios, etc. Ouro Negro é o projeto em curso, preciso lançar o filme, fazer prestação de contas e isso me exige uma atividade constante e diária, pois estou também acompanhando, pessoalmente, toda a finalização. Um mar de burocracia precisa ser atravessado todos os dias. Estou empenhada, agora, na distribuição de Ouro Negro. Tive algumas distribuidoras interessadas e acabei optando pela proposta da Pandora Filmes, que poderá desenvolver um lançamento diferenciado para o meu filme. Realizo um festival de cinema ibero-americano no Brasil e na Europa, anteriormente chamado Festival de Cinema Hispano Brasileiro e agora intitulado Ibero Brasil Cine Festival, que já está em sua quinta edição. Temos um intercâmbio com o festival Premis Tirant, da Espanha que acaba de homenagear o ator Paulo Betti e premiar os longas: Histórias de Trancoso, do diretor paulista Augusto Sevá, e Hércules 56, do diretor carioca Sílvio Da Rin, além do curta de animação cearense Vida Maria, de Márcio Ramos. O festival está se transformando em uma janela muito ativa para o cinema brasileiro no exterior. Mantenho na produtora uma ilha de finalização em Final Cut na qual acabamos de montar um making of de Ouro Negro e agora vamos desenvolver o trailer. A equipe agora está reduzida a uma assistente e um editor. A burocracia gerada pela produção cinematográfica é muito grande e dá muito trabalho manter todos os impostos e contas em dia, bem como desenvolver novos projetos. Além do festival que exige uma rotina de escola de samba: mal termina um já é preciso começar o próximo, estou projetando um longa metragem de animação intitulado O Tourinho Encantado e um longa de ficção sobre o período da Ditadura Militar. Os recursos para financiamento à produção são sempre raros. Atualmente os recursos oriundos da Lei Rouanet para a cultura estão cada vez mais concentrados em produções maiores e não necessariamente no cinema: grandes shows, como os de Ivete Sangalo, circos internacionais com o Cirque du Soleil, além das fundações criadas pelas grandes empresas estão concentrando os recursos da Rouanet. Os projetos independentes estão tendo grandes dificuldades de captação enquanto o business consolidado toma conta das leis de incentivo. Alguma coisa está errada e o Ministério da Cultura precisa intervir.
Judão - Qual a sua visão do panorama atual do cinema nacional? Cite alguns nomes que você acha que devemos prestar uma atenção especial (seja ator, diretor, produtor, roteirista etc.). Isa - Um diretor precisa ter bagagem de vida. Surpreendeu-me a sensibilidade com que o braso-uruguaio César Charlone, um fotógrafo cinquentão, conduziu o seu primeiro filme, O Banheiro do Papa. Nem sempre grandes diretores de fotografia como ele, dão bons roteiristas e diretores. Eduardo Belmonte, de Brasília, tem uma marca autoral muito forte, assim como Lina Chamie, que transita mais pela poética da linguagem. Marcos Prado, diretor de Estamira, surpreende pelo compromisso social que assume ao abordar um tema ou uma personagem. De todos, os mais jovens talentos são Heitor Dhalia, com o seu olhar ferino para as relações sociais e Eduardo Gomes. Em geral, prefiro os diretores autorais. Entre os produtores, destaco o Fabiano Gullane, de São Paulo, que tem um trabalho independente e dialoga com todos os CEOs do audiovisual. Um grande produtor de conteúdo que vem realizando até quatro longas por ano. Na última edição do nosso festival, homenageamos o veterano Ruy Guerra, diretor moçambicano que faz uma brilhante carreira no Brasil. Tivemos o prazer de exibir os filmes Ópera do Malandro e Veneno da Madrugada, na última edição do Festival de Cinema Hispano Brasileiro. Seus filmes são verdadeiras lições de direção e estão se deteriorando com o tempo. É preciso uma ação urgente dos organismos de cultura para preservar a obra deste grande diretor. Entre os atores, destaco Alice Braga e Danton Mello. Cada um com seu estilo, tem muita densidade dramática. Prestem atenção também na Luísa Curvo e no Thiago Fragoso, do elenco de Ouro Negro, que são atores de muitos recursos.
Judão - Na última década o nosso cinema abriu o leque, diversificando bastante os temas das produções. Qual (is) filme (s) você acha que é um marco do nosso cinema na década de 2000? Isa - Posso mencionar Tropa de Elite, do José Padilha, e Cidade de Deus, do Fernando Meirelles, pela capacidade de movimentar público com filmes bem elaborados sobre a difícil questão social brasileira. Admiro muito o trabalho de Walter Salles com dois grandes filmes: Central do Brasil e Diários de Motocicleta. Judão - Você foi a responsável por trazer ao Brasil as duas últimas edições do Festival de Cinema Hispano-Brasileiro, sendo que antes ele acontecia na cidade espanhola de Valência. Como surgiu essa idéia? Você teve algum receio de que essa empreitada não emplacasse, uma vez que boa parte do público brasileiro, quando conhece cinema espanhol mal sabe nomes como Pedro Almodóvar, Antonio Banderas e Penélope Cruz? Qual foi o feedback do festival? Há planos de realização de uma 5ª edição do evento em 2008? Isa - Eu sou diretora e fundadora do Festival de Cinema Hispano Brasileiro que, desde o ano passado, está ampliando o enfoque para toda a cinematografia iberoamericana. A idéia do festival começou a ser concebida em 2003, quando o meu filme Histórias do Olhar foi premiado em Valência, Espanha, no Festival Premmis Tirant, através de um protocolo firmado entre a Íris Cinematográfica, o Premmis Tirant e o Festival Guarnicê do Maranhão. Como proponente do projeto, fui alinhavando acordos e apoio para viabilizar essa cabeça de negócios pioneira entre Brasil e Espanha. Iniciamos o intercâmbio levando 5 longas e cinco curtas e trazendo uma mostra dos filmes espanhóis ao Brasil com o apoio do Guarnicê, em 2004, e do Festival do Recife, em 2005. Nestes primeiros dois anos, premiamos em Valência os filmes Amarelo Manga, de Cláudio Assis, e o Homem que Copiava, de Jorge Furtado. Em 2006 realizamos a primeira edição independente no Rio, com o apoio da Cinemateca do MAM, do Ministério da Cultura, da Ancine e da Agência de Cooperação Espanhola. Ainda com foco na Espanha, homenageamos o diretor espanhol Fernando Trueba, exibindo O Milagre do Candial e Sedução, com a presença do diretor. Da mostra competitiva, foram premiados os filmes Proibido Proibir, de Jorge Duran e La Casa de mi Abuella. Em 2007 fizemos quatro projeções por dia no Odeon da qual saíram vencedores o braso-uruguaio O Banheiro do Papa, de César Charlone, e o brasileiro A Via Láctea, de Lina Chamie. O espanhol Las Alas de la Vida, de Toni Cannet, foi contemplado com menção especial do Júri. Este ano renovamos nossa participação nos Tirant com 5 longas e cinco curtas e estamos apoiando o desenvolvimento de um plano de trabalho institucional entre Espanha e Brasil. Agora que ampliamos a abrangência do Festival, tornando-o ibero-americano, multiplicamos as oportunidades de negócios entre produtores e diretores das diversas nações envolvidas. Nosso foco é sobre novos realizadores. Os consagrados já garantiram o seu espaço no mercado. A próxima edição já está marcada para 27 de novembro a 02 de dezembro, no Cine Odeon. Tenho confiança nos projetos que desenvolvo porque são sérios e muito consistentes. Tenho vencido todas as dificuldades desta carreira e estou feliz com as minhas realizações.
Que o Collor foi uma desgraça nacional, disso ninguém tem dúvida, mas até hoje, nós, amantes do Cinema Nacional, sentimos na pele o mal que ele causou ao país. Um assunto recorrente aqui no Cena Brasilis é a mesmice da temática da produção nacional, e muito disso devemos a esse nosso ilustre presidente, que colocou uma pá de cal no nosso cinema, deixando-o inerte e quase morto por meia década. Desde então é uma luta conseguir convencer as pessoas de que há muita coisa boa sendo produzida nesse país, e isso, se reflete claramente nas bilheterias. Filmes de grande sucesso precisam ter a Xuxa ou o Didi no título, ou um global de sucesso, ou, na terceira e última opção ser super-mega-thunder polêmico (casos de Cidade de Deus, Carandiru e Tropa de Elite). Nas décadas de 30 e 40, cidades como Rio de Janeiro e São Paulo começaram a ver surgir cinemas de enormes proporções como o Cine Odeon e Palácio, na Cinelândia e o Cine Olido, na região central da capital paulista, entre tantos outro. Eram salas imensas, com capacidades para mais de 500 espectadores (às vezes, para mais de mil) e que, com isso, permitiam que o preço do ingresso fosse mais baixo, e, conseqüentemente, que tivesse um público mais assíduo. Por conta disso, os brasileiros iam muito mais ao cinema, porque era muito mais acessível. E isso, obviamente, se refletia na bilheteria, o que fazia com que houvesse uma produção maior de filmes nacionais, e que esses fossem verdadeiros sucessos. Tanto que o maior público do nosso cinema continua sendo Dona Flor e Seus Dois Maridos, de 1976, dirigido por Bruno Barreto e estrelado por Sônia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça, que atraiu quase 11 milhões de espectadores aos cinemas, número que não chegou nem perto de ser batido nesses últimos 30 anos. Nos anos 80 a coisa até foi caminhando, apesar de uma queda de qualidade em comparação à quantidade, mas ainda assim, produzimos excelentes filmes como Pixote - A Lei do Mais Fraco, O Homem que Virou Suco, A Hora da Estrela, entre tantas outras obras que viraram referência do nosso cinema. Mas, eis que chegamos a março de 1990 e o nosso presidente de nariz avantajado, e praticante de esportes radicais decide acabar com a Embrafilme, e então vimos o Cinema Brasileiro definhar. Até que em 1994, o governo de Itamar Franco salvou a lavoura aprovando a Lei do Audiovisual, que possibilitou que o nosso cinema voltasse a produzir obras de excelente qualidade. O grande marco desse período, que ficou conhecido como Retomada do Cinema Nacional é o longa de Carla Camurati, Carlota Joaquina - Princesa do Brasil, que levou quase 1 milhão e meio de pessoas aos cinemas. Mas ainda é difícil para um filme nacional conseguir levar seu público às salas, e nem sempre o dinheiro investido na produção do longa acaba retornando aos bolsos de seus investidores e membros da equipe. Nem mesmo Xuxa e Didi conseguem fazer tantos “baixinhos” e “psitis” pagarem pra ver seus filmes e o número de espectadores vai caindo ano a ano, basta ver que o último filme da loira estreou em dezembro e está me cartaz até agora - pra ver se reverte um pouco mais de grana aos cofres da já milionária apresentadora. E esse é o cenário do nosso cinema hoje, que dependendo de verba da Ancine e da Petrobras, fica com as mãos atadas e acaba chovendo no molhado pra conseguir captar um pouco mais de dinheiro e foca nossa produção em cima, sempre, do mais do mesmo. Recentemente vimos um verdadeiro blockbuster nacional surgir, contando a história de vida da dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano, e produzido pelo próprio Luciano. Dois Filhos de Francisco foi um enorme sucesso de crítica e público (até mesmo para aqueles que abominavam a dupla) e depois de muito tempo conseguiu fazer com que um filme nacional ultrapassasse a barreira dos 5 milhões de espectadores. Já o badalado Tropa de Elite, não fez nem cosquinha pra figurar entre os mais-mais, levando aos cinemas 2 milhões e meio de pessoas, porém, podemos bem multiplicar esse número por 5, levando-se em conta a quantidade de pessoas que viram à cópia-pirata do longa de José Padilha. Mas como o que conta é a bilhereria dos cinemas e grana no bolso, apesar de todo o furor gerado em torno do filme, ele não trouxe dindim para as nossa estatísticas e por conta disso, nem é citado. =D Dos pop-pop, também ficaram de fora da lista Central do Brasil e Cidade de Deus. Confira agora as maiores bilheterias nacionais de todos os tempos - mostrados apenas os filmes que conseguiram levar mais de 4 milhões para o cinema. ^^ OBS: Vejam bem quantos filmes d’Os Trapalhões está nessa lista. Só pra constar: Mussum rulez! =D1º Dona Flor e seus Dois Maridos (1976), Bruno Barreto - 10.735.305 de espectadores 2º O Ébrio (1946), Gilda de Abreu - 8.964.117 de espectadores 3º Casinha Pequenina (1963), Glauco Mirko Laurelli - 8.315.003 de espectadores 4º Jeca Tatu (1960), Milton Amaral - 8.017.988 de espectadores 5º A Dama do Lotação (1978), Neville de Almeida - 6.508.182 de espectadores 6º O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão (1977), J.B. Tanko - 5.785.816 de espectadores 7º Lúcio Flavio, o Passageiro da Agonia (1977), Hector Babenco - 5.401.325 de espectadores 8º Dois Filhos de Francisco (2005), Breno Silveira - 5.319.677 de espectadores 9º Os Saltimbancos Trapalhões (1981), J.B. Tanko - 5.218.574 de espectadores 10º Os Trapalhões na Guerra dos Planetas (1982), Adriano Stuart - 5.089.869 de espectadores 11º Os Trapalhões na Serra Pelada (1982), J.B. Tanko - 5.051.963 de espectadores 12º Cinderelo Trapalhão (1979), Adriano Stuart - 5.027.043 de espectadores 13º O Casamento dos Trapalhões (1988), Adriano Stuart - 4.779.027 de espectadores 14º Carandiru (2003), Hector Babenco - 4.693.853 de espectadores 15º Os Vagabundos Trapalhões (1982), J.B. Tanko - 4.632.428 de espectadores 16º Os Trapalhões no Planalto dos Macacos (1976), J.B. Tanko - 4.566.796 de espectadores 17º Coisas Eróticas (1982), Rafaelli Rossi - 4.525.401 de espectadores 18º Simbad, o Marujo Trapalhão (1976), J.B. Tanko - 4.407.719 de espectadores 19º A Princesa Xuxa e os Trapalhões (1989), José Alvarenga Jr. - 4.310.085 de espectadores 20º O Rei e os Trapalhões (1979), Adriano Stuart - 4.240.591 de espectadores 21º Os Três Mosquiteiros Trapalhões (1980), Adriano Stuart - 4.221.222 de espectadores 22º O Incrível Monstro Trapalhão (1980), Adriano Stuart - 4.213.258 de espectadores 23º Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (1968), Roberto Farias - 4.118.013 de espectadores 24º O Cangaceiro (1953), Lima Barreto - 4.071.697 de espectadores 25º Lua de Cristal (1990), Tizuka Yamasaki - 4.012.442 de espectadores PS: Posso dizer que fui uma dessas milhões de pessoas nas salas de cinema no caso dos 13º, 14º, 19º e 25º - e atire a primeira pedra quem também não esteve lá. =D
Hoje o que vou escrever aqui não tem nada de notícia, nada de resenha, nada de novo e tudo de revolta. Tudo começou ao ler um post do Fábio no S.O.S. Hollywood. Eu tô engasgada até agora, e antes que alguns venham levantar a bandeira da treta interna, já digo que a revolta nada tem a ver com o Fábio, apesar de concordar com cerca de 10% (ou menos) do que tá escrito ali. Minha revolta é com posturas de pessoas, que eu pude observar bem nos comentários desse mesmo post. A coisa que mais me indignou foi a frase comentada: “Acho absurdo alguém ir ao cinema e PAGAR para ver desgraça. (…) Diversão para mim é algo bem diferente e cinema tem que ser divertido, senão não vale o ingresso, por mais bem produzido que seja”. E eu não vou nem citar quem foi que comentou isso, porque essa pessoa não entra nesse blog mesmo (na verdade, nem o Judão lê, lê apenas o S.O.S. Hollywood por ser amiga de seu autor). Mas a frase está aqui para que todos reflitamos a respeito. Valhe-me Deus, em que mundo vivemos?! Eu sou uma pessoa super adepta de cinema para todos os fins: diversão, educação, formação e informação. Um filme pode ter tantas utilidades… Eu adoro filmes que têm perseguição de carros totalmente non-sense, como Carga Explosiva, Velozes e Furiosos etc., eu sei que é mega fútil, mas adoooooro… Em contrapartida sou uma tarada por toda a obra de Almodóvar (que apesar de totalmente cômico com pitadas de drama, aqui no Brasil é tido como cult), e também gosto de filmes chineses, como O Rio, iranianos como A Quinta Estação, ou mesmo latinos como Como Água Para Chocolate e por aí vai. O meu gosto cinematográfico é dos mais ecléticos possível, e por ser uma pessoa que assiste de tudo um pouco me sinto muito confortável pra escrever esse artigo. Tento ver um filme despida de preconceitos, para, só depois de assistir formar minha opinião (é claro que nem sempre é possível, mas na maioria das vezes, eu consigo cumprir essa minha meta). Agora, como assim é um absurdo ir ao cinema pra ver “desgraça”? Será que essa pessoa na verdade assina seus comentários com um pseudônimo e seu verdadeiro nome é Alice e ela vive no País das Maravilhas?! Juro que se eu pudesse daria milhares de litro de guaraná pra que essa pessoa abrisse minimamente a cabeça. Thanks God! Será que há tantos filmes falando de “desgraça” porque tudo é muito lindo e a gente precisa criar uma realidade paralela à la Matrix fingindo que o mundo é violento? Pra quem acompanha o que escrevo no Judão desde 2005 ou que acompanha apenas meus textos aqui nesse blog, deve saber muito bem que sou uma das maiores defensoras na mudança de temática na produção nacional, e sabem bem o quanto eu bato nessa tecla. Fico feliz quando vejo produções como Podecrer! ou O Cheiro do Ralo, que nada tem a ver com a mesmice que impera no nosso cinema. Porém, não é porque um filme fala de violência/pobreza, história ou nordeste, que eu já vou logo dizendo que o filme é ruim. Há muita coisa boa sendo feita por aqui, mesmo que ficando sempre nas variações sobre um mesmo tom. E vale lembrar que, ao contrário da indústria cinematográfica hollywoodiana, aqui no Brasil cinema não dá dinheiro, as produções não se bancam. As bilheterias raramente retornam o que se gastou pra produzir o filme, quanto mais pra lucrar - por conta disso a produção depende muito da captação, que é feita através de verba da Ancine e de patrocinadores como Petrobrás, governos estaduais e municipais, e outras iniciativas privadas que sempre fazem os créditos iniciais ficarem bem maiores do que deveriam… Por isso, embora eu clame por filmes diferentes, enquanto o nosso cinema depender disso, vai ser muito difícil. =/ Mas aí a falar que cinema é SÓ para divertir, é um pouco demais. O cinema, no mundo todo, tem seu lado denúncia, haja visto o furor causado pelas produções de Michael Moore e Uma Verdade Inconveniente do ex-presidenciável, Al Gore. O cinema pode ser só para divertir em determinados momentos, outros pra te fazer refletir, outros para chorar de dor, ou para se assustar, para rir, para indignar, e por aí vai. Um filme serve para causar qualquer tipo de sentimento imaginado pelo diretor/roteirista. Cabe a você decidir qual tipo de filme você quer (e pode) assistir, porque não adianta nada você catar um filme de arte se não estiver nem um pouco disposto a pôr a mente pra funcionar, nesse caso é melhor ficar com Homem-Aranha, Todo Poderoso etc., mas se tiver afim de ficar indignado com as mazelas do mundo, você pode ir atrás de ver um Babel, O Jardineiro Fiel, Cidade de Deus etc. Um filme pode ter N propósitos partindo do lado de quem o produziu e outros N partindo do lado do espectador. Pra quem não tem capacidade de sair dos pipocões acéfalos, aí, não tem jeito, mas pra quem tem, há um leque tão grande de opções… Mas eu posso bater no peito e dizer que vou ao cinema pra ver desgraça, vou ao cinema pra rir, vou ao cinema pra chorar, vou ao cinema pra pensar, vou ao cinema pra aprender, vou ao cinema pra me formar como ser-pensante, como cidadã, como a Tayra que sou. O cinema pra mim é muito mais que simplesmente diversão, é mais uma fonte de cultura, como os livros (que também existem de todo tipo e pra todo gosto), o teatro, a música. Eu não vou ao cinema apenas para me alienar e ignorar o mundo em que vivo (até porque, de que me adianta viver assistindo Clueless e na saída do cinema, parada no farol, ser assaltada com uma arma na cabeça? =D). Aliás, como já diria o Cypher do Matrix “a ignorância é uma bênção”, porém, quando ela vem em doses homeopáticas, porque ignorância e alienação plena, apesar de te tornar uma pessoa pseudo-feliz, só faz com que você seja cada vez mais e mais, massa de manobra. E tenho dito. O Cheiro do Ralo é meu filme de maior importância desde Lavoura Arcaica e O Auto da Compadecida. É um divisor de águas na minha carreira. É meu primeiro personagem realmente adulto no cinema. É o mais complexo que já fiz para a telona. Como foi o processo de construção do personagem?
O Lourenço, ao mesmo tempo que vive um drama existencial intenso, é um cara assaz engraçado. É complicado interpretar um personagem assim?
Ajudou o fato de eu ter feito filmes queridos do público, sobretudo os com o Guel Arraes. As pessoas têm uma simpatia comigo que ajuda o filme. A gente odeia o personagem, mas, ao mesmo tempo, adora. Eu entendi a solidão dele, o lado B da vida desse sujeito. Acho que a gente conseguiu transmitir toda essa complexidade. Este é um filme a que eu gostaria de assistir. É engraçado e trágico ao mesmo tempo. A pegada, que tem parentesco com Fargo, dos irmãos Coen, e Cães de Aluguel, do Tarantino. É um tipo de cinema que me interessa como espectador. Se eu puder fazer um filme assim, então, aí é a satisfação total. Amo cada fotograma desse filme.
Além de protagonista você também é um dos produtores do filme. É complicado ter essas duas “funções” ao mesmo tempo?
Qual é o sentimento de ser o protagonista de um filme com um elenco tão numeroso e de peso?
Em Árido Movie e Cheiro do Ralo, você faz personagens completamente distintos daqueles que interpretou nas produções da Globo Filmes. Qual “estilo” te agrada mais?
Entre seus próximos projetos, há mais trabalhos como ator ou como diretor? Como está sendo essa incursão nessa área?
Pretende, algum dia quem sabe, voltar a fazer televisão?
(Paulo Emílio Sales Gomes in Cinema: Trajetória no subdesenvolvimento. SP: Paz e Terra, 1996)No ano de 1896 chega ao Brasil, mas especificamente, ao Rio de Janeiro, capital da recém-proclamada república, o Omniographo instalado a Rua do Ouvidor, local onde também é inaugurado o Salão Paris (1ª sala de cinema do país), no dia 8 de junho, por Paschoal Segretto e José Roberto da Cunha Salles. Em 19 de junho de 1898, Afonso Segreto, a bordo do paquete francês Brésil faz a primeira filmagem feita aqui Fortaleza e Navios de Guerra na Baía da Guanabara. Essa data é considerada o nascimento do Cinema Brasileiro. Com 110 anos de história do Cinema no Brasil (e de Cinema Brasileiro também), o grande público brasileiro não conseguiu criar uma relação de admiração, fidelidade e identificação com o que é produzido aqui. As pessoas só vão ao cinema conferir as nossas produções quando um filme é cheio de globais que ea admira ou então quando um filme é muito comentado pela mídia, gerando discussões e polêmica (nesse caso inclui-se Pixote - A Lei do Mais Fraco, Cidade de Deus, Carandiru e, mais recentemente, Tropa de Elite). O que será que falta para o brasileiro valorizar o que é nosso? Prêmios internacionais costumam depôr a favor de nossos filmes - caso de Central do Brasil. Em pouco mais de 100 anos, o cinema brasileiro já produziu mais de 2.000 filmes e conquistou mais de 50 prêmios internacionais, mas até agora se depara com dificuldades para se estabelecer como uma indústria, como acontece nos US and A e até mesmo na Índia. Será que o que falta é um Oscar para que o Cinema Brasileiro deslanche aos olhos do nosso público? O Brasil no OscarO Brasil, apesar de ter um cinema que a cada ano que passa está melhor, ainda não conseguimos chegar lá aos olhos da academia. Nunca tivemos o prazer de trazer uma estatueta careca pra casa. Há aqueles mais ufanistas equivocados que dizem que temos um Oscar, conquistado em 1985 com O Beijo da Mulher-Aranha, que tem direção de Hector Babenco e é protagonizado por Sônia Braga. Primeiro porque é uma produzão estadunidense-brasileira, falado em língua inglesa, e considerado para a Academia como uma produção americana, indicado aos prêmios de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator e Melhor Roteir Adaptado. Mas, se ainda assim, o Oscar fosse de Melhor Filme, a gente até daria um desconto… Mas não é o caso. O Oscar conquistado pelo filme foi de melhor ator para William Hurt, que nem brasileiro é. Ou seja, o Brasil não tem Oscar nenhum. E se você for conferir em qualquer lugar e no banco de dados da Academia (que é o que importa de fato) verá que o filme nem é citado como brasileiro. Já disputamos algumas vezes, mas ainda não temos nenhum, e nem será dessa vez que teremos. =/ Produções Nacionais que receberam indicações(Lembrando que a data que aparece não é o ano em que a cerimônia aconteceu, e sim o ano que a cerimônia premiou, como, por exemplo, estamos na 80ª cerimônia, acontecendo hoje, em 2008, mas premiando os filmes produzidos em 2007) >> 1962 - 35ª cerimônia do Oscar >> 1995 - 68ª cerimônia do Oscar >> 1997 - 70ª cerimônia do Oscar >> 19998- 71ª cerimônia do Oscar >> 2003 - 76ª cerimônia do Oscar Lembrando que o Fábio Barreto, que dirigiu O Quatrilho não é o Barretão do S.O.S. Hollywood. =D
Um dos mais impotantes festivais da cinema de todo o mundo, o Festival Internacional de Cinema de Berlim (Internationale Filmfestspiele Berlin - IFB - Berlinale, em alemão), mais conhecido como Berlinale, na Europa e no universo dos cinéfilos chegou à sua 58ª edição. Esse festival marca o mês de fevereiro, e acaba funcionando como uma enorme vitrine do cinema mundial, abrindo bastante espaço para as produções não-hollywoodianas. O festival foi inaugurado em 1951, por uma iniciativa norte-americana, que com a Guerra-Fria e todo o cenário do pós-guerra, ocuparam a parte ocidental por um bom tempo. A idéia era ser um festival que desse visibilidade para filmes de todo mundo, até mesmo para o “bloco de leste” do continente, Como o urso é o símbolo da cidade, os prêmios receberam os nomes de Urso de Ouro, Urso de Prata, Urso de Bronze e Urso de Cristal. E depois de todo auê feito em torno de Tropa de Elite, é claro que o primeiro festival disputado pelo filme não ficaria de fora de todo esse boom midiático. Mas muita gente mal sabia que esse festival existia, e nem sabe que o Brasil é uma presença constante nas edições do Berlinale. Por isso, como a gente aqui no Judão é muito legal, resolveu fazer um apanhadão do nosso auri-verde lá nas terras de Werner Herzog - que já se embrenhou pela nossa floresta amazônica quando estava rodando seu polêmico Aguirre - A Cólera dos Deuses. As três primeiras décadas do Brasil no Berlinale - 1954 a 1982Sinhá Moça, do diretor argentino radicado no Brasil Tom Payne, foi o primeiro trabalho brasileiro a ser selecionado para competir em Berlim. Isso em 1954. Payne ainda trouxe para o Brasil um prêmio especial do júri.
Depois disso, o Brasil amargou dez anos na fila até ter outro filme selecionado. Em 1964 o filme Os Fuzis, de Ruy Guerra, representou o país muito bem e voltou pra casa com um Urso de Prata pelo trabalho de direção na bagagem, que também estava concorrendo ao Urso de Ouro. No ano de 1969 tivemos Brasil Ano 2000, de Walter Lima Jr.. Já em 1973 , concorremos com Toda Nudez Será Castigada, de Arnaldo Jabor, concorria ao Urso de Ouro, e voltou pra casa com o Urso de Prata por Melhor Direção. Ruy Guerra voltou à competição 15 anos depois de sua primeira participação, com A Queda, que dirigiu ao lado de Nelson Xavier, o que rendeu a eles um Urso de Prata de Melhor Direção, e também foram indicados para concorrer ao Urso de Ouro.
É claro que não poderia faltar o grande Glauber Rocha, que participou do festival de 1982 com o longa A Idade da Terra, mas que não concorreu a nada, mas foi exibido na seção Fórum. E foi nesse mesmo ano que o Brasil fez sua estréia na exibição de curtas, com Curumins e Cunhantas, da diretora Regina Jeha, que concorreu em sua categoria. 1983 e 1984No ano de 1983, outro curta representou o Brasil na competição, dessa vez uma animação, Animando, de Marcos Magalhães. E o ano de 1983 marcou definitivamente a participação do Brasil nesse festival, que teve muitos filmes exibidos na mostra Panorama (que foi criada no começo da década de 1980 para dar espaço a filmes internacionais que não estivessem fazendo parte da competição), como O Homem do Pau Brasil, de Joaquim Pedro de Andrade; O Sonho Não Acabou, de Sérgio Rezende; Bar Esperança, de Hugo Carvana; Dora Doralina, de Perry Salles; Luz Del Fuego, de David Neves; Maldita Coincidência, de Sérgio Bianchi; Ao Sul do Meu Corpo, de Paulo César Saraceni; Egungun, de Carlos Brajsblat. Ainda na mostra Panorama, foi exibido também o documentário A Caminho das Índias, de Augusto Sevá e Isa Castro, que fala sobre a chegada de um grupo de turistas paulistas ao afastado lugarejo de Trancoso, em Porto Seguro. E na seção Fórum, apresentamos outro documentário, Linha de Montagem, de Renato Tapajós. Ainda em 1983 o nosso cinema também teve um representante concorrendo ao Urso de Ouro, Pra Frente Brasil, de Roberto Farias, que apesar de não ganhar o cobiçado troféu, recebey dois prêmios especiais do júri. E a a animação As Aventuras da Turma da Mônica, de Maurício de Souza concorreu ao Urso de Cristal, prêmio dado pela mostra Generation, criada no final da década de 1970, para dar espaço aos filmes produzidos para o público infanto-juvenil.
Em 1984, na seção Fórum, o Brasil foi representado por O Rei da Vela, de José Celso Martineze Terceiro Milênio, de Wolf Gauer e Jorge Bodanzky. Ainda tivemos O Bom Burguês, de Oswaldo Caldeira, que teve uma exibição especial, e o curta Acorde Major, de José Inácio Parente, que estava concorrendo nesta categoria. 1985 e 1986No ano de 1985, que marcou definitivamente o fim da ditadura militar, a vida política e social no Brasil foi tema da maioria dos filmes, e conseguiu levar um grande número de representantes para o Festival. Na seção Fórum foram exibidos Cabra Marcado Pra Morrer, de Eduardo Coutinho; Memórias do Cárcere, de Nelson Pereira dos Santos; A Próxima Vítima, de João Batista Andrade; Exu-Piá, Coração de Macunaíma, de Paulo Veríssimo; Bar Esperança, de Hugo Carvana; Cabaré Mineiro, de Carlos Alberto Prates Correia; O Baiano Fantasma, de Denoy de Oliveira; Noites do Sertão, de Carlos Alberto Prates Correia e O Mágico e o Delegado, de Fernando Coni Campos. Já a mostra Panorama, contou com o curta O Som ou Tratado de Harmonia, de Arthur Omar, e o longa Noite, de Gilberto Loureiro. E competindo, fomor representados pelo curta O Incrível Senhor Blois, de Nuno Cesar Abreu. No ano seguinte, fomos representados pelo lindíssimo A Hora da Estrela, adaptado do livro homônimo de Clarice Lispector, dirigido por Suzana Amaral, e com a marcante interpretação de Marcélia Cartaxo, que ganhou o Urso de Prata de Melhor Atriz - sendo a primeira brasileira a conseguir tal prêmio, divindo o prêmio com a atriz francesa Charlotte Valandrey, por sua interpretação em Rouge baiser, pois o júri entendeu que as duas tinha igualdade de méritos para receber o prêmio. A Hora da Estrela ainda saiu do festival com dois prêmios especiais, o Cicae (Confederação Internacional de Cineclubes) e o Ocic (Organização Católica Internacional para o Cinema e o Audiovisual).
Ainda em 1986 o Brasil foi representado pelo curta Nifrapo, de Ricardo Bravo, que participou da competição em sua categoria. Na seção Fórum, levamos Nem Tudo é Verdade, de Rogério Sganzerla. 1987 a 1989Para o ano de 1987, vimos a atriz Ana Beatriz Nogueira repetir o feito de Marcélia Cartaxo, e ganhar o Urso de Prata de Melhor Atriz, por sua atuação em Vera. Ainda neste ano, na mostra Panorama, apresentamos A Cor do seu Destino, de Jorge Duran e na seção Fórum, foi a vez de Um Filme 100% Brasileiro, de José Sette de Barros. Depois disso passamos um ano na seca, já que no ano de 1988 não tivemos nenhum filmezinho nos representando.
Em 1989, fomos para o Berlinale com curta-metragem Couro de Gato, de Joaquim Pedro de Andrade, na seção Fórum, e o mesmo diretor também levou para a mesma seção seu longa Os Inconfidentes. Na mostra Panorama, apresentamos o longa Romance, de Sergio Bianchi. 1990 e 1991Já o ano de 1990 veio aí para nos compensar a seca de 1988 e nos fazer esquecer as desgraças causadas pelo maldito confisco das poupanças pelo no Exmo. Presidente Collor e sua ministra-medonha (e talvez parenta! =D) Zélia Cardoso de Mello. Competindo pelo Urso de Ouro, Cacá Diegues levou Dias Melhores Virão. Já concorrendo na categoria de curtas, fomos representados por O Brinco, de Flávia Moraes e pelo clássico da sala de aula Ilha das Flores, de Jorge Furtado e acabou segurando com seus polegares opositores o Urso de Prata - Prêmio Especial do Júri para Curta-metragens. =D
Ainda em 1990, na mostra Retrospectiva, o cinema brasileiro foi representado por Romance, de Sergio Bianchi (novamente! e que acabou sendo reapresentado em 2000), O Cangaceiro, de Lima Barreto, o clássico Pixote - A Lei do Mais Fraco, de Hector Babenco, e na seção Fórum vimos São Bernardo, de León Hirzman. No ano seguinte, o Brasil apresentou Uma Avenida Chamada Brasil, de Octávio Bezerra, na seção Fórum, além de Tá limpo, de Christina Koenig na mostra Geração, e de Viva eu!, de Tânia Cypriano, que foi apresentada na mostra Panorama. Nos anos de 1992 e 1993 ficamos na seca, não tivemos nada, nadica… 1994 a 1997Os anos anteriores, sem indicados ou com pouquíssimos representantes, refletiam uma grave crise vivido pelo nosso cinema. Embora não de cara, tudo isso foi um resultado do baque causado pela medida do Governo Collor em acabar com a Embrafilme, que era o Órgão do Governo Federal responsável pelo financiamento da produção de filmes nacionais. E o cinema brasileiro pode ser dividido em a.C. e d.C. (antes de Collor e depois de Collor). O grande responsável por essa medida foi o cineasta Ipojuca Pontes, integrante da equipe de Collor. Desde esse momento ele passou a ser considerado o Judas dos cineastas e com o fim do governo de Collor caiu no ostracismo. Sem a verba da Embrafilme (criada em 1965), o cinema nacional não produziu quase nenhuma obra de valor nesse período, e encheu nossas salas com os clássicos filmes de férias da criançada d’Os Trapalhões, além de Xuxa e afins. Até que em 1994, o Brasil conseguiu sacudir a poeira e voltou a produzir filmes que valessem a pena ser assistidos e mencionados, e conseqüentemente, voltou a ganhar espaço no cenário internacional. Por isso, em 1994, nosso cinema volta a figurar no festival de Berilim e com A Terceira Margem do Rio, de Nelson Pereira dos Santos concorre ao cobiçado Urso de Ouro. Em 1995, mantendo o ritmo de retorno anterior, tivemos representantes na mostra Panorama, com o longa A causa secreta, de Sérgio Bianchi e na seção Fórum levamos o filme Ganga bruta, de Humberto Mauro. Em 1996, só tivemos um brasileiro, e foi na seção Fórum, com o média-metragem Fragmentos da vida, de José Medina. O ano de 1997 é como se fosse o ano do grande retorno do Brasil ao Festival de Berlim. Muitos filmes nacionais estiveram lá para mostrar o que o cinema brasileiro andou produzindo por aqui, inclusive um dos símbolos da retomada do cinema nacional, Carlota Joaquina, Princesa do Brasil, de Carla Camurati, que nos representou na seção Fórum. Ainda na seção Fórum, o Brasil apresentou os longas Como Nascem os Anjos, de Murilo Salles, Doces Poderes, de Lúcia Murat, O Cego Que Gritava Luz, de João Batista de Andrade, O Sertão das Memórias, de José Araújo, Um Céu de Estrelas, de Tata Amaral, e Yndio do Brasil, de Sylvio Back e Crede mi, de Bia Lessa e Danny Roland.
Competindo pelo peludinho dourado tivemos o longa de Bruno Barreto, inspirado na obra homônima de Fernando Gabeira, O Que É Isso, Companheiro?, que em 1998 concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. O Grande Ano - 1998Eis que chega o ano de 1998, marcante para o Brasil no Festival de Berlim. Depois de anos de míngua, e de muitos indicados, enfim, a glória! Com Central do Brasil, vimos o nome do cinema nacional figurar nas manchetes do mundo todo. O filme de Walter Salles nos trouxe o tão sonhado Urso de Ouro, prêmio máximo do festival, e ainda saiu com o Urso de Prata de Melhor Atriz para Fernanda Montenegro, isso sem falar que ainda ganhou o prêmio do Júri ecumênico. Lembrando que apesar de ser o primeiro Urso de Ouro para o Brasil, esse prêmio não é inteiramente nosso, uma vez que Central do Brasil é uma produção franco-brasileira. Muito bem, um único filme e três estátuas na bagagem. Bravo, Brasil!
Ainda em 1998, na mostra Panorama, fomos representados por Guerra de Canudos, de Sérgio Rezende e O Pulso, de José Pedro Goulart. 1999 a 2002Em 1999, na mostra Panorama, participamos com os curtas, Pombagira, de M.Vargas e P.Guimarães e Velinhas, de Gustavo Spolidoro. Na mesma mostra, foi apresentado o longa adaptado do romance homônimo de Raduan Nassar, Um Copo de Cólera, de Aluízio Abranches. Na mostra Geração, exibimos A Reunião dos Demônios, de Antônio Cecílio Neto. No ano 2000, o longa Bossa Nova, de Bruno Barreto foi exibida na mostra competitiva, embora não estivesse concorrendo ao Urso de Ouro. Na mostra Panorama, apresentamos o longa Romance, de Sérgio Bianchi (já apresentado no festival nos anos de 1989 e 1990) e na seção Fórum exibimos a co-produção Brasil/EUA, Teatro Amazonas, um média-metragem dirigido por Sharon Lockhart. Na mostra Panorama, contamos com três brasileiros no ano de 2001, o curta Palíndromo, de Philippe Barcinski e os longas Latitude Zero, de Toni Venturi e Memórias Póstumas, de André Klotzel, numa co-produção Brasil/Portugal. E na mostra Geração apresentamos o curta O Branco, de Ângela Pires e Liliana Sulzbach.
Em 2002, a mostra Panorama exibiu excelentes produções nacionais, começando com o curta Palace II/Golden Gate, de Fernando Meirelles e Kátia Lund, estrelado pela dupla que se consagrou com o longa Cidade de Deus, Darlan Cunha e Douglas Silva, além da participação de Jonathan Haagensen. Além desse ainda tivemos os curtas Dadá, de Eduardo Vaisman e Clandestinos, de Patrícia Moran. Na mestra mostra apresentamos os longas O Invasor, de Beto Brant e o maravilhoso As Três Marias, de Aluízio Abranches, com as memoráveis apresentações do trio principal Júlia Lemmertz, Maria Luisa Mendonça e Luiza Mariani e atores como Marieta Severo, Carlos Vereza, Enrique Diaz, Tuca Andrada, Wagner Moura e Lázaro Ramos. 2003 a 2005O ano é 2003, e dessa vez o Brasil disputava uma estatuetinha peluda, e competiu com o curta Plano Seqüência, de Patrícia Moran. Na mostra Geração, o curta O Céu de Iracema, de Iziane F. Mascarenhas. Já na seção Fórum Amarelo Manga, de Cláudio Assis, co-produção Brasil/Chile, Rua Seis Sem Número, de João Batista de Andrade e na mostra Panorama a co-produção Brasil/EUA, O Homem do Ano, de José Henrique Fonseca, com uma excelente atuação de Murílio Benício. Em 2004 estivemos na mostra Panorama, participamos com os longas Fala Tu, de Guilherme Coelho, Contra Todos de Roberto Moreira, O Outro Lado da Rua, co-produção franco-brasileira, dirigida por Marcos Bernstein e o curta Truques, Xaropes e Outros Artigos de Confiança, de Eduardo Goldenstein.
Na mesma mostra Panorama, só que no ano 2005, o Brasil foi representado pelo instigante Redentor, dirigido por Cláudio Torres, filho da vencedora do Urso de Prata de 1998 de Melhor Atriz, Fernanda Montenegro, que faz parte do elenco desse filme. Na seção Fórum, apresentamos o longa Brasileirinho, numa co-produção Brasil/Finlândia/Suíça, com direção de Mika Kaurismäki, além do clássico Terra em Transe, dirigido pelo mítico Glauber Rocha. E numa mostra especial sobre os talentos do Berlinale, fomos representados pelo curta Socorro Nobre, de Walter Salles. 2006 e 2007Em 2006, na mostra Panorama, tivemos Casa de Areia, de Andrucha Waddington, protagonizado pela mulher e pela sogra do diretor, Fernanda Torres e Fernanda Montenegro, respectivamente. Na mesma mostra, apresentamos ainda Meninas, de Sandra Werneck e Gisela Câmara e o curta Sexo e Claustro, de Cláudia Priscilla. E na seção Fórum, apresentamos a Brasil/Alemanha, Atos dos Homens, de Kiko Goifman.
No ano passado, conhecido como 2007 para os leigos, voltamos à disputa pelo Urso de Ouro com o sensível e brilhante O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger. E na mostra Panorama, contamos com a participação do elogiadíssimo A Casa de Alice, de Chico Teixeira e da co-produção Brasil/Alemanha, Deserto Feliz, dirigido por Paulo Caldas. Já na mostra Geração, contamos com o “yo” Antônia, de Tata Amaral. Enfim, 2008Demois de muita espera e de mostrar uma enorme quantidade de títulos e estilos representando o nosso cinema no Festival de Berlim, chegou a vez do Brasil. Exatamente uma década depois de Central do Brasil ganhar o peludinho dourado, chegou a vez de Tropa de Elite. E agora o Urso de Ouro é nosso e só nosso, de mais ninguém, uma vez que a estatueta de Central é metade nossa e metade da França. Mas essa é nossa, ninguém toma. 2008 foi o ano do Brasil (1998, 2008 - será que tem alguma coisa de numerologia judônica regendo o destino do Brasil no Berlinale?! o_O).
E não foi só isso, porque além do disputado Urso de Ouro voltamos pra casa com mais alguns prêmios na bagagem. Ganhamos o Urso de Cristal de melhor curta-metragem da mostra Geração - 14 Plus com Café com Leite, de Daniel Ribeiro, o Teddy Award, para Tá, de Felipe Sholl, prêmio dado a filmes com temática voltada ao universo gay. Além disso, o lindíssimo Mutum, de Sandra Kogut, recebeu mais do que merecidamente uma menção especial do júri. Ufa! Acabou… Boa, Brasil! E que venha 2009 com muitos e muitos ursinhos para o nosso cinema. =D |
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