Festival

Daniela Thomas e Walter Salles recebem o Prêmio de Melhor Atriz, em nome de Sandra Corveloni, por sua atuação em Linha de Passe
Acabou hoje o 61º Festival de Cannes e ainda que não tenhamos levado a Palma de Ouro, não saimos de lá com as mãos abanando. Sandra Corveloni levou o Prêmio de Melhor Atriz por seu trabalho em Linha de Passe, de Walter Salles, onde interpreta Cleuza, uma mulher sofrida, forte, que tem quatro filhos de diferentes pais, é empregada doméstica e está grávida do quinto pimpolho. Ela é a segunda brasileira a ganhar o prêmio em Cannes (a primeira foi Fernanda Torres, em 1987, por Eu Sei Que Vou Te Amar, do chatolino Arnaldo Jabor).

Sandra Corveloni
O francês Entre les Murs (Entre as Paredes), de Laurent Cantet, recebeu a Palma de Ouro, confirmando seu favoritismo, uma vez que trata da rotina de um professor de cólegio que tem alunos das mais diversas origens e etnias, numa França que vive sob a constante ameaça de expulsão dos imigrantes do país. E o presidente do júri, o ator e diretor Sean Penn,, anunciou na coletiva de imprensa inicial que os prêmios desse ano iria contemplar filmes com temática política.
Antes do início da premiação, Sean Penn disse que na escolha dos vencedores, houveram duas unanimidades, uma foi o vencedor da Palma de Ouro, Entre les Murs, que é o prêmio mais importante do festival, e outra o vencedor do prêmio de melhor ator (Benicio Del Toro, por sua interpretação em Che, de Steve Soderbergh) foram as únicas unanimidades entre os prêmios concedidos pelo júri.
Além dos prêmios habituais, o Festival também entregou dois prêmios honorários pela conjunto da obra, um para a atriz Catherine Deneuve, que estava no Festival no filme Um Conto de Noel e ao diretor Clint Eastwood, que concorria à Palma de Ouro com The Exchange.
O prêmio Câmera de Ouro, que premia trabalhos de novos cineastas, foi para Hunger, de Steve McQueen.

Cena de Linha de Passe, de Walter Salles, que acabou trazendo o Prêmio de Melhor Atriz para Sandra Corveloni
Segue abaixo a lista completa dos vencedores:
Melhor Filme: Entre les murs, de Laurent Cantet
Melhor Diretor: Nouri Bilge Ceylan, por Três macacos
Melhor Roteiro: Le silence de Lorna, por Jean-Pierre e Luc Dardenne
Melhor Ator: Benicio del Toro, por Che
Melhor Atriz: Sandra Corveloni, por Linha de Passe
Prêmio do Júri: Il Divo, de Paolo Sorrentino
Grande Prêmio do Júri: Gomorra, de Matteo Garrone
Prêmio Especial: Catherine Deneuve e Clint Eastwood
Prêmio Câmera de Ouro: Hunger, de Steve McQueen
Melhor Curta-metragem: Megatron, de Marian Crisan

Começa hoje, 28 de fevereiro, o Festival Internacional de Cinema de Miami, marcando o jubileu de prata do evento. O Festival será aberto com o longa Under the Same Moon, de Patricia Riggen, drama sobre a imigração ilegal nos EUA.
E é claro que as nossas produções não poderiam deixar de marcar presença, e entre os 166 filmes de 54 países diferentes, seremos representados pelo formidável Estômago, de Marcos Jorge; Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho (que faz sua estréia internacional no festival), Santiago, de João Moreira Salles; e Andarilho, de Cao Guimarães; Mulheres Sexo Verdades e Mentiras, de Euclydes Marinho; a co-produção Uruguai/Brasil/França O Banheiro do Papa, de Enrique Fernández; e a co-produção de Querido Camilo, de Julio Molina e Daniel Ross Mix; além disso na seção Encuentros, teremos Hoje, de Tata Amaral (que também é membro do júri do festival). O festival acaba dia 9 de março.

Veja os horários das sessões dos filmes brasileiros
>> Andarilho (Drifter)
- Regal South Beach 11 - 04/03/2008 - 19:30
- Cosford (U/M) - 06/03/2008 - 19:00
>> Estômago (Estômago - A Gastronomic Story)
- Regal South Beach 17 - 29/02/2008 - 19:00
- Byron Carlyle - 01/03/2008 - 19:00
- Regal South Beach 17 - 07/03/2008 - 21:30pm
>> Jogo de Cena
- Regal South Beach 18 - 02/03/2008 - 18:45
- Cosford (U/M) - 05/03/2008 - 21:15
>> Mulheres Sexo Verdades Mentiras (Women Sex Truth & Lies)
- Sunrise Intracoastal - 29/02/2008 - 19:00
- Regal South Beach 17 - 02/03/2008 - 21:30
>> Querido Camilo (Dear Camilo)
- Cosford (U/M) - 06/03/2008 - 21:15
- Regal South Beach 10 - 07/03/2008 - 21:15
>> O Banheiro do Papa
- Gusman Center - 03/03/2008 - 19:00
>> Santiago
- Tower Theater - 03/03/2008 - 19:00
- Regal South Beach 17 - 06/03/2008 - 19:15

Não somos europeus nem americanos do norte, mas destituídos de cultura original, nada nos é estrangeiro, pois tudo o é. A penosa construção de nós mesmos se desenvolve na dialética rarefeita entre o não ser e o ser outro. O filme brasileiro participa do mecanismo e o altera através de nossa incompetência criativa em copiar
(Paulo Emílio Sales Gomes in Cinema: Trajetória no subdesenvolvimento. SP: Paz e Terra, 1996)
No ano de 1896 chega ao Brasil, mas especificamente, ao Rio de Janeiro, capital da recém-proclamada república, o Omniographo instalado a Rua do Ouvidor, local onde também é inaugurado o Salão Paris (1ª sala de cinema do país), no dia 8 de junho, por Paschoal Segretto e José Roberto da Cunha Salles. Em 19 de junho de 1898, Afonso Segreto, a bordo do paquete francês Brésil faz a primeira filmagem feita aqui Fortaleza e Navios de Guerra na Baía da Guanabara. Essa data é considerada o nascimento do Cinema Brasileiro.
Com 110 anos de história do Cinema no Brasil (e de Cinema Brasileiro também), o grande público brasileiro não conseguiu criar uma relação de admiração, fidelidade e identificação com o que é produzido aqui. As pessoas só vão ao cinema conferir as nossas produções quando um filme é cheio de globais que ea admira ou então quando um filme é muito comentado pela mídia, gerando discussões e polêmica (nesse caso inclui-se Pixote - A Lei do Mais Fraco, Cidade de Deus, Carandiru e, mais recentemente, Tropa de Elite). O que será que falta para o brasileiro valorizar o que é nosso? Prêmios internacionais costumam depôr a favor de nossos filmes - caso de Central do Brasil.
Em pouco mais de 100 anos, o cinema brasileiro já produziu mais de 2.000 filmes e conquistou mais de 50 prêmios internacionais, mas até agora se depara com dificuldades para se estabelecer como uma indústria, como acontece nos US and A e até mesmo na Índia. Será que o que falta é um Oscar para que o Cinema Brasileiro deslanche aos olhos do nosso público?
O Brasil no Oscar
O Brasil, apesar de ter um cinema que a cada ano que passa está melhor, ainda não conseguimos chegar lá aos olhos da academia. Nunca tivemos o prazer de trazer uma estatueta careca pra casa. Há aqueles mais ufanistas equivocados que dizem que temos um Oscar, conquistado em 1985 com O Beijo da Mulher-Aranha, que tem direção de Hector Babenco e é protagonizado por Sônia Braga. Primeiro porque é uma produzão estadunidense-brasileira, falado em língua inglesa, e considerado para a Academia como uma produção americana, indicado aos prêmios de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator e Melhor Roteir Adaptado. Mas, se ainda assim, o Oscar fosse de Melhor Filme, a gente até daria um desconto… Mas não é o caso. O Oscar conquistado pelo filme foi de melhor ator para William Hurt, que nem brasileiro é. Ou seja, o Brasil não tem Oscar nenhum. E se você for conferir em qualquer lugar e no banco de dados da Academia (que é o que importa de fato) verá que o filme nem é citado como brasileiro. Já disputamos algumas vezes, mas ainda não temos nenhum, e nem será dessa vez que teremos. =/
Produções Nacionais que receberam indicações
(Lembrando que a data que aparece não é o ano em que a cerimônia aconteceu, e sim o ano que a cerimônia premiou, como, por exemplo, estamos na 80ª cerimônia, acontecendo hoje, em 2008, mas premiando os filmes produzidos em 2007)
>> 1962 - 35ª cerimônia do Oscar
O Pagador de Promessas - Keeper of Promises (The Given Word) - Anselmo Duarte
Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro
>> 1995 - 68ª cerimônia do Oscar
O Quatrilho (O Quatrilho) - Fábio Barreto
Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro
>> 1997 - 70ª cerimônia do Oscar
O Que É Isso, Companheiro? (Four Days in September) - Bruno Barreto
Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro
>> 19998- 71ª cerimônia do Oscar
Central do Brasil (Central Station) - Walter Salles
Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro
Indicado ao Oscar de Melhor Atriz - Fernanda Montenegro
>> 2003 - 76ª cerimônia do Oscar
Cidade de Deus (City of God) - Fernando Meirelles
Indicado ao Oscar de Melhor Fotografia - César Charlone
Indicado ao Oscar de Melhor Direção - Fernando Meirelles
Indicado ao Oscar de Melhor Edição - Daniel Rezende
Indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado - Bráulio Mantovani
Lembrando que o Fábio Barreto, que dirigiu O Quatrilho não é o Barretão do S.O.S. Hollywood. =D

Texto atualizado às 23:35 de 21/02/2008.
Começa hoje o maior festival de cinemas do Sul do Brasil, o Festival de Verão do RS de Cinema Internacional. A 4ª edição do festival vai do dia 21 (também conhecido como hoje) a 28 de fevereiro, e o público tri-legal da Grande Porto Alegre poderão conferir 62 filmes nacionais e estrangeiros - mais de 40 deles inéditos.
Além das sessões em salas de exibição de Porto Alegre e do interior, a programação da mostra abrange quatro cidades da região metropolitana (Esteio, Guaíba, Gravataí e Tapes) e também a periferia da capital.
A abertura do festival acontecerá daqui a pouco, às 20h30, no pátio da Usina do Gasômetro, a céu aberto (tomara que lá não esteja chovendo, porque aqui em São Paulo tá um temporal! =P), onde será exibindo o filme Mutum, de Sandra Kogut. Na exibição estarão presentes a atriz Izadora Fernandes (intérprete da mãe de Tiago e principal personagem feminino do longa) e o produtor do filme, Flávio Tambellini.
O 4o. Festival de Verão do RS de Cinema Internacional é uma iniciativa da Okna Produções, Panda Filmes e pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul. A principal marca desse evento é diversidade dos títulos escolhidos. Além das salas de cinema que abrigarão a programação do festival (que você confere a lista completa ali embaixo), através de uma parceria com a Fundacine e o Projeto RodaCineRGE, estão marcadas exibições ao ar livre nas cidades de Porto Alegre, Guaíba e Tapes.
Dos filmes selecionados o público poderá conferir obras inéditas de cineastas já consagrados, como Eduardo Coutinho, Lars von Trier, Júlio Bressane e Vladimir Carvalho, entre muitos outros, mas, além disso, o festival apresentará várias produções de diretores apontados como apostas no cenário mundial - destacando Luz Silenciosa (vencedor do prêmio do júri da mostra Um Certo Olhar, do Festival de Cannes e no Festival do Rio recebeu o de Prêmio da Fipress - Melhor Filme Latino e o Prêmio Especial da Confraria Lumiére e antes foi exibido com o nome de Silenciosa Luz), de Carlos Reygadas. Além disso, esse ano o evento conta com a Mostra Mundo, que tem como objetivo apresentar um panorama das produções cinematográficas dos continentes que não tem a devida visibilidade no circuito de distribuição (Europa, África e Ásia, além da América do Sul, é claro!). Nesta mostra há 15 longas africanos, 3 franceses, 1 polonês, 6 coreanos e 4 bollywoodianos (indianos, para quem desconhece esse nicho cinematográfico).
Como já é de praxe em festivais como esse, além das sessões cinematográficas, o evento conta com várias outras atividades paralelas, como Sessões Comentadas, Aulas Magnas e Workshops. Para isso, contará com a presença de diretores, produtores e atores com obras exibidas no festival. Dentre esses convidados especiais estão os atores Marco Ricca e Izadora Fernandes, o produtor e diretor Flávio Tambellini, e os cineastas Inés de Oliveira Cézar, Lina Chamie, Vladimir Carvalho e Chico Teixeira.
E como acontece no Festival do Rio e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o preço dos ingressos do Festival de Verão do RS de Cinema Internacional, não é fixo, é o mesmo valor cobrado por cada cinema participante, e as entradas serão vendidas nas bilheterias dos mesmos.
Cidades e Cinemas que exibirão os filmes do Festival
:: PORTO ALEGRE.
Casa de Cultura Mário Quintana - Sala Paulo Amorim
Rua dos Andradas, 736
Fone: 3221-7147
Casa de Cultura Mário Quintana - Sala Eduardo Hirtz
Rua dos Andradas, 736
Fone: 3221-7147/ 3226-5787
Usina do Gasômetro - Sala P. F Gastal
Avenida Presidente João Goulart, 551 / 3o. andar
Fone: 3289-8133 / 3289-8134 / 3289-8137
Cine Santander Cultural
Avenida Sete de Setembro, 1028
Fone: 3287-5500 / 3287-5718
Guion Center
Rua Gen. Lima e Silva, 776
Shopping Nova Olaria
Fone: 3221-3122
Unibanco Arteplex
Av. Tulio de Rose, 80 2º. Piso
Shopping Bourbon Country
Fone: 3299-0624 / 8401-0530
Cinema Meio Real
Av. Moab Caldas, 2035
Bairro Cruzeiro - Ponto de Cultura da Ong Maria Mulher
Fone: 3219-0180/ 8123-3195/ 8123-3090/ 9659-3914
:: CAXIAS
Centro Municipal de Cultura Doutor Henrique Ordovás Filho - Sala de Cinema Ulysses Geremia
R. Luiz Antunes, 312
Bairro Panazzolo - Caxias do Sul
Fone: (54) 3228-1013/ (54) 3901-1316
:: ERECHIM
Movie Arte Cinema
Av. Sete de Setembro, 1200
Master Sonda Shopping – Erechim
Fone: (54) 3321-8466
:: RIO GRANDE
Cine Dunas
Av. Rio Grande, 451
Praia do Cassino - Rio Grande
Fone: (53) 3236-8119
:: GRAVATAÍ
Cine Movie Arte Gravataí
Av. José Loureiro da Silva, 1600/10º andar
Gravataí
Fone: 3043-2704
Programação do Festival
Para conferir a programação completa, click aqui.
Dos filmes participantes do festival, alguns já foram resenhados no Judão e para conferir as críticas, basta clicar sobre o título de cada um:
>> Mutum
>> Jogo de Cena
>> A Via Láctea
E para os gaúchos ou para quem estiver passeando por Porto Alegre, bom festival… =D

Depois de participar do Judão Tchananã Awards, agora é a sua vez de votar nos melhores do ano no Festival Sesc de Melhores Filmes. Essa já é a 34ª edição do festival, que acontece todo ano.
Primeiro é feita uma votação entre críticos de cinema de todo Brasil, que escolhem os indicados entre as quase 70 produções nacionais e mais de 250 internacionais, e depois disso a votação é aberta ao público, que pode decidir os melhores filmes brasileiros e gringos, bem como melhores atores e diretores. Os mais votados vão ser exibidos no Festival Sesc de Melhores Filmes 2008, que acontece de 8 a 24 de abril, e o ingresso custa apenas R$ 6. A votação vai até 2 de março, basta clickar aqui para participar. Eu já fui lá votar em Mutum, meu preferido entre os candidatos, e, entre os indicados gringos, acabei ficando com À Procura da Felicidade. E você? Tá esperando o que pra escolher os seus prediletos? =D

Em tempo, para os não-jornalistas ou não-teóricos da comunicação ou algo do gênero, vou dar uma breve definição do que é Agenda Setting - vamos dizer em termos bem curtos e grossos, é a manipulação da mídia para fazer que determinado assunto seja o foco da maioria das notícias daquela semana. Como exemplo posso citar as vezes que uma criança é atacada por pit-bull, os meus colegas de profissão sempre acham mais uns 10 casos acontecidos naquela semana (como se o resto do ano ninguém nunca fosse atacado pelo cachorro), ou quando um crime é cometido por um menor de idade, e numa nítida manipulação pela diminuição da maioridade penal, encontram mais uns 200 crimes cometidos por menores naquele mesmo período. De acordo com o Wikipedia é:
A Teoria do Agendamento ou Agenda-setting theory, no original, em inglês, é uma teoria de Comunicação formulada por Maxwell McCombs e Donald Shaw na década de 1970. De acordo com este pensamento, a mídia determina a pauta (em inglês, agenda) para a opinião pública ao destacar determinados temas e preterir, ofuscar ou ignorar outros tantos.
E como já seria de se esperar, hoje quando iniciei o Firefox me deu até medo a quantidade de notícias relacionadas a Tropa de Elite, uma vez que esse foi o primeiro dia útil depois da conquista do Urso de Ouro. E havia toda sorte de noticías, desde notas sobre a alegria de integrantes do elenco e/ou da produção do filme, sobre o diretor espinafrar a crítica internacional e depoimentos do policial que deu origem ao Capitão Nascimento. Porém, no meio de tanto joio, é claro que haveria algum trigo. E aqui farei um apanhadão das notícias sobre o filme e que realmente têm algum tipo de relevância.
Reestréia do Filme
Comecemos pelo óbvio ululante, nessa sexta-feira, dia 22 de fevereiro, depois de ganhar o Urso de Ouro, Tropa de Elite vai reestrear em 50 salas de cinema, segundo informações do diretor, José Padilha, em uma coletiva hoje de manhã no Rio de Janeiro. Essa reestréia acontecerá em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília - e derruba, provavelmente, a chance de Meu Nome Não É Johnny ultrapassar a bilheteria do filme do Bope.
Tropa de Elite e o Oscar
Sobre a carreira do filme no exterior, não há como negar que essa conquista do Urso de Ouro significa começar com o pé direito e vai dar um UP na imagem do longa no exterior. E a respeito do assunto Oscar, o diretor se esquivou de comentários a respeito da não-pré-indicação do filme, e disse:
O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias é um grande filme. Lidava com um assunto, que a decisão que tiveram faz sentido. Em momento nenhum reclamei dessa decisão.
E para os deslumbrados com o filme, que como eu volto a afirmar, nunca devem ter visto outro filme nacional e por conta endeusam Tropa de Elite como se fosse o melhor filme já feito em toda a história do Cinema Brasileiro, José Padilha disse que descarta a idéia de fazer com que o longa seja indicado ao Oscar 2009. Primeiro porque por ter estreado em seu país de origem em 2007, está desabilitado a disputar o prêmio de melhor filme de língua estrangeira. E depois porque acha improvável que concorra em outras categorias, como aconteceu com Cidade de Deus, no Oscar 2004, depois de não ser selecionado como filme estrangeiro em 2003.
É muito difícil fazer isso, o filme estaria concorrendo com filmes americanos. A gente tem que entender o tamanho do que o ‘Cidade de Deus’ fez. É quase impossível fazer o que o Fernando conseguiu com o filme dele.
Tropa de Elite na televisão
Como de bobo nesse mundo só eu mesma, as emissoras sabiam muito bem que Tropa de Elite será uma verdadeira galinha dos ovos de ouro para aquela que conseguir os direitos de exibí-lo, e de produzir coisas relacionadas a esse nome.
A Globo logo pensou em produzir uma série nos moldes do que já fez com Carandiru e Antônia e logo correu atrás dos produtores do filme, José Padilha e Marcos Prado (isso no final do ano passado). Em janeiro eles já iam assinando o contrato quando começou a entrar água. Aí a emissora do clã Marinho precisou travar uma boa briga com a turma do bispo Edir Macedo. Isso porque a Record tem um contrato de exclusividade com a distribuidora Universal, responsável pelo filme aqui no Brasil. Mas os produtores do filme alegaram que essa exclusividade vale apenas para produções internacionais. E aí já viu, a pendenga entre os globais e os recordistas (o_O !) foi parar na justiça…
Mas é claro que a Globo ia levar a melhor nessa briga. A idéia inicial era entregar a adaptação para a O2 Filmes, produtora de Fernando Meirelles (e antiga parceira da emissora nesse tipo de trabalho), em conjunto com os diretores do filme e da Globo. Ainda não haviam devifinido ao certo que rumo tomar, pois podiam começar a série partindo de onde o filme parou pra sabermos o que aconteceu com os personagens (o caso de Antônia), ou ainda, usando o filme como pano de fundo, explorar outras histórias com os mesmos personagens e ambiente (caso de Carandiru) - e a briga com a Record pegou justamente por conta dessa segunda vertente. O que está certo é que o seriado deverá ter os moldes de seus antecessores, com cinco episódios (e se fizer um bom sucesso, ir além da primeira temporada).
Carreira de Padilha fora do Brasil
Com um Urso de Ouro no currículo tudo fica mais fácil. José Padilha, que o diga. Ele disse que depois de sábado já recebeu convites para trabalhar em produções fora do Brasil, mas que ainda não há nada concreto.
Com a probabilidade de seguir os passos de Fernando Meirelles, que depois de seu aclamado Cidade de Deus, foi trabalhar fora do Brasil e dirigiu o excelente O Jardineiro Fiel e agora está rodando Blindness, Padilha por enquanto está trabalhando no seu novo projeto, que é um documentário sobre a fome. O diretor pretende abordar o olhar daquele que sofre a falta de comida, e não do olhar de classe média, bem nutrida, que fica indignada com as estatísticas do tema, mas não passa de mera indignação que passa daqui 10 minutos. O projeto ainda não tem data para estrear.
Agora, veremos a avalanche sobre o assunto que deve sair amanhã - porque eu acho que esse tema ainda deve durar a semana toda. =D

Um dos mais impotantes festivais da cinema de todo o mundo, o Festival Internacional de Cinema de Berlim (Internationale Filmfestspiele Berlin - IFB - Berlinale, em alemão), mais conhecido como Berlinale, na Europa e no universo dos cinéfilos chegou à sua 58ª edição. Esse festival marca o mês de fevereiro, e acaba funcionando como uma enorme vitrine do cinema mundial, abrindo bastante espaço para as produções não-hollywoodianas. O festival foi inaugurado em 1951, por uma iniciativa norte-americana, que com a Guerra-Fria e todo o cenário do pós-guerra, ocuparam a parte ocidental por um bom tempo. A idéia era ser um festival que desse visibilidade para filmes de todo mundo, até mesmo para o “bloco de leste” do continente, Como o urso é o símbolo da cidade, os prêmios receberam os nomes de Urso de Ouro, Urso de Prata, Urso de Bronze e Urso de Cristal.
E depois de todo auê feito em torno de Tropa de Elite, é claro que o primeiro festival disputado pelo filme não ficaria de fora de todo esse boom midiático. Mas muita gente mal sabia que esse festival existia, e nem sabe que o Brasil é uma presença constante nas edições do Berlinale. Por isso, como a gente aqui no Judão é muito legal, resolveu fazer um apanhadão do nosso auri-verde lá nas terras de Werner Herzog - que já se embrenhou pela nossa floresta amazônica quando estava rodando seu polêmico Aguirre - A Cólera dos Deuses.
As três primeiras décadas do Brasil no Berlinale - 1954 a 1982
Sinhá Moça, do diretor argentino radicado no Brasil Tom Payne, foi o primeiro trabalho brasileiro a ser selecionado para competir em Berlim. Isso em 1954. Payne ainda trouxe para o Brasil um prêmio especial do júri.

Depois disso, o Brasil amargou dez anos na fila até ter outro filme selecionado. Em 1964 o filme Os Fuzis, de Ruy Guerra, representou o país muito bem e voltou pra casa com um Urso de Prata pelo trabalho de direção na bagagem, que também estava concorrendo ao Urso de Ouro. No ano de 1969 tivemos Brasil Ano 2000, de Walter Lima Jr.. Já em 1973 , concorremos com Toda Nudez Será Castigada, de Arnaldo Jabor, concorria ao Urso de Ouro, e voltou pra casa com o Urso de Prata por Melhor Direção.

Ruy Guerra voltou à competição 15 anos depois de sua primeira participação, com A Queda, que dirigiu ao lado de Nelson Xavier, o que rendeu a eles um Urso de Prata de Melhor Direção, e também foram indicados para concorrer ao Urso de Ouro.

É claro que não poderia faltar o grande Glauber Rocha, que participou do festival de 1982 com o longa A Idade da Terra, mas que não concorreu a nada, mas foi exibido na seção Fórum. E foi nesse mesmo ano que o Brasil fez sua estréia na exibição de curtas, com Curumins e Cunhantas, da diretora Regina Jeha, que concorreu em sua categoria.
1983 e 1984
No ano de 1983, outro curta representou o Brasil na competição, dessa vez uma animação, Animando, de Marcos Magalhães. E o ano de 1983 marcou definitivamente a participação do Brasil nesse festival, que teve muitos filmes exibidos na mostra Panorama (que foi criada no começo da década de 1980 para dar espaço a filmes internacionais que não estivessem fazendo parte da competição), como O Homem do Pau Brasil, de Joaquim Pedro de Andrade; O Sonho Não Acabou, de Sérgio Rezende; Bar Esperança, de Hugo Carvana; Dora Doralina, de Perry Salles; Luz Del Fuego, de David Neves; Maldita Coincidência, de Sérgio Bianchi; Ao Sul do Meu Corpo, de Paulo César Saraceni; Egungun, de Carlos Brajsblat. Ainda na mostra Panorama, foi exibido também o documentário A Caminho das Índias, de Augusto Sevá e Isa Castro, que fala sobre a chegada de um grupo de turistas paulistas ao afastado lugarejo de Trancoso, em Porto Seguro. E na seção Fórum, apresentamos outro documentário, Linha de Montagem, de Renato Tapajós.
Ainda em 1983 o nosso cinema também teve um representante concorrendo ao Urso de Ouro, Pra Frente Brasil, de Roberto Farias, que apesar de não ganhar o cobiçado troféu, recebey dois prêmios especiais do júri. E a a animação As Aventuras da Turma da Mônica, de Maurício de Souza concorreu ao Urso de Cristal, prêmio dado pela mostra Generation, criada no final da década de 1970, para dar espaço aos filmes produzidos para o público infanto-juvenil.

Em 1984, na seção Fórum, o Brasil foi representado por O Rei da Vela, de José Celso Martineze Terceiro Milênio, de Wolf Gauer e Jorge Bodanzky. Ainda tivemos O Bom Burguês, de Oswaldo Caldeira, que teve uma exibição especial, e o curta Acorde Major, de José Inácio Parente, que estava concorrendo nesta categoria.
1985 e 1986
No ano de 1985, que marcou definitivamente o fim da ditadura militar, a vida política e social no Brasil foi tema da maioria dos filmes, e conseguiu levar um grande número de representantes para o Festival. Na seção Fórum foram exibidos Cabra Marcado Pra Morrer, de Eduardo Coutinho; Memórias do Cárcere, de Nelson Pereira dos Santos; A Próxima Vítima, de João Batista Andrade; Exu-Piá, Coração de Macunaíma, de Paulo Veríssimo; Bar Esperança, de Hugo Carvana; Cabaré Mineiro, de Carlos Alberto Prates Correia; O Baiano Fantasma, de Denoy de Oliveira; Noites do Sertão, de Carlos Alberto Prates Correia e O Mágico e o Delegado, de Fernando Coni Campos. Já a mostra Panorama, contou com o curta O Som ou Tratado de Harmonia, de Arthur Omar, e o longa Noite, de Gilberto Loureiro. E competindo, fomor representados pelo curta O Incrível Senhor Blois, de Nuno Cesar Abreu.
No ano seguinte, fomos representados pelo lindíssimo A Hora da Estrela, adaptado do livro homônimo de Clarice Lispector, dirigido por Suzana Amaral, e com a marcante interpretação de Marcélia Cartaxo, que ganhou o Urso de Prata de Melhor Atriz - sendo a primeira brasileira a conseguir tal prêmio, divindo o prêmio com a atriz francesa Charlotte Valandrey, por sua interpretação em Rouge baiser, pois o júri entendeu que as duas tinha igualdade de méritos para receber o prêmio. A Hora da Estrela ainda saiu do festival com dois prêmios especiais, o Cicae (Confederação Internacional de Cineclubes) e o Ocic (Organização Católica Internacional para o Cinema e o Audiovisual).

Ainda em 1986 o Brasil foi representado pelo curta Nifrapo, de Ricardo Bravo, que participou da competição em sua categoria. Na seção Fórum, levamos Nem Tudo é Verdade, de Rogério Sganzerla.
1987 a 1989
Para o ano de 1987, vimos a atriz Ana Beatriz Nogueira repetir o feito de Marcélia Cartaxo, e ganhar o Urso de Prata de Melhor Atriz, por sua atuação em Vera. Ainda neste ano, na mostra Panorama, apresentamos A Cor do seu Destino, de Jorge Duran e na seção Fórum, foi a vez de Um Filme 100% Brasileiro, de José Sette de Barros. Depois disso passamos um ano na seca, já que no ano de 1988 não tivemos nenhum filmezinho nos representando.

Em 1989, fomos para o Berlinale com curta-metragem Couro de Gato, de Joaquim Pedro de Andrade, na seção Fórum, e o mesmo diretor também levou para a mesma seção seu longa Os Inconfidentes. Na mostra Panorama, apresentamos o longa Romance, de Sergio Bianchi.
1990 e 1991
Já o ano de 1990 veio aí para nos compensar a seca de 1988 e nos fazer esquecer as desgraças causadas pelo maldito confisco das poupanças pelo no Exmo. Presidente Collor e sua ministra-medonha (e talvez parenta! =D) Zélia Cardoso de Mello. Competindo pelo Urso de Ouro, Cacá Diegues levou Dias Melhores Virão. Já concorrendo na categoria de curtas, fomos representados por O Brinco, de Flávia Moraes e pelo clássico da sala de aula Ilha das Flores, de Jorge Furtado e acabou segurando com seus polegares opositores o Urso de Prata - Prêmio Especial do Júri para Curta-metragens. =D

Ainda em 1990, na mostra Retrospectiva, o cinema brasileiro foi representado por Romance, de Sergio Bianchi (novamente! e que acabou sendo reapresentado em 2000), O Cangaceiro, de Lima Barreto, o clássico Pixote - A Lei do Mais Fraco, de Hector Babenco, e na seção Fórum vimos São Bernardo, de León Hirzman.
No ano seguinte, o Brasil apresentou Uma Avenida Chamada Brasil, de Octávio Bezerra, na seção Fórum, além de Tá limpo, de Christina Koenig na mostra Geração, e de Viva eu!, de Tânia Cypriano, que foi apresentada na mostra Panorama. Nos anos de 1992 e 1993 ficamos na seca, não tivemos nada, nadica…
1994 a 1997
Os anos anteriores, sem indicados ou com pouquíssimos representantes, refletiam uma grave crise vivido pelo nosso cinema. Embora não de cara, tudo isso foi um resultado do baque causado pela medida do Governo Collor em acabar com a Embrafilme, que era o Órgão do Governo Federal responsável pelo financiamento da produção de filmes nacionais. E o cinema brasileiro pode ser dividido em a.C. e d.C. (antes de Collor e depois de Collor). O grande responsável por essa medida foi o cineasta Ipojuca Pontes, integrante da equipe de Collor. Desde esse momento ele passou a ser considerado o Judas dos cineastas e com o fim do governo de Collor caiu no ostracismo. Sem a verba da Embrafilme (criada em 1965), o cinema nacional não produziu quase nenhuma obra de valor nesse período, e encheu nossas salas com os clássicos filmes de férias da criançada d’ Os Trapalhões, além de Xuxa e afins.
Até que em 1994, o Brasil conseguiu sacudir a poeira e voltou a produzir filmes que valessem a pena ser assistidos e mencionados, e conseqüentemente, voltou a ganhar espaço no cenário internacional. Por isso, em 1994, nosso cinema volta a figurar no festival de Berilim e com A Terceira Margem do Rio, de Nelson Pereira dos Santos concorre ao cobiçado Urso de Ouro.
Em 1995, mantendo o ritmo de retorno anterior, tivemos representantes na mostra Panorama, com o longa A causa secreta, de Sérgio Bianchi e na seção Fórum levamos o filme Ganga bruta, de Humberto Mauro. Em 1996, só tivemos um brasileiro, e foi na seção Fórum, com o média-metragem Fragmentos da vida, de José Medina.
O ano de 1997 é como se fosse o ano do grande retorno do Brasil ao Festival de Berlim. Muitos filmes nacionais estiveram lá para mostrar o que o cinema brasileiro andou produzindo por aqui, inclusive um dos símbolos da retomada do cinema nacional, Carlota Joaquina, Princesa do Brasil, de Carla Camurati, que nos representou na seção Fórum. Ainda na seção Fórum, o Brasil apresentou os longas Como Nascem os Anjos, de Murilo Salles, Doces Poderes, de Lúcia Murat, O Cego Que Gritava Luz, de João Batista de Andrade, O Sertão das Memórias, de José Araújo, Um Céu de Estrelas, de Tata Amaral, e Yndio do Brasil, de Sylvio Back e Crede mi, de Bia Lessa e Danny Roland.

Competindo pelo peludinho dourado tivemos o longa de Bruno Barreto, inspirado na obra homônima de Fernando Gabeira, O Que É Isso, Companheiro?, que em 1998 concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
O Grande Ano - 1998
Eis que chega o ano de 1998, marcante para o Brasil no Festival de Berlim. Depois de anos de míngua, e de muitos indicados, enfim, a glória! Com Central do Brasil, vimos o nome do cinema nacional figurar nas manchetes do mundo todo. O filme de Walter Salles nos trouxe o tão sonhado Urso de Ouro, prêmio máximo do festival, e ainda saiu com o Urso de Prata de Melhor Atriz para Fernanda Montenegro, isso sem falar que ainda ganhou o prêmio do Júri ecumênico. Lembrando que apesar de ser o primeiro Urso de Ouro para o Brasil, esse prêmio não é inteiramente nosso, uma vez que Central do Brasil é uma produção franco-brasileira. Muito bem, um único filme e três estátuas na bagagem. Bravo, Brasil!

Ainda em 1998, na mostra Panorama, fomos representados por Guerra de Canudos, de Sérgio Rezende e O Pulso, de José Pedro Goulart.
1999 a 2002
Em 1999, na mostra Panorama, participamos com os curtas, Pombagira, de M.Vargas e P.Guimarães e Velinhas, de Gustavo Spolidoro. Na mesma mostra, foi apresentado o longa adaptado do romance homônimo de Raduan Nassar, Um Copo de Cólera, de Aluízio Abranches. Na mostra Geração, exibimos A Reunião dos Demônios, de Antônio Cecílio Neto.
No ano 2000, o longa Bossa Nova, de Bruno Barreto foi exibida na mostra competitiva, embora não estivesse concorrendo ao Urso de Ouro. Na mostra Panorama, apresentamos o longa Romance, de Sérgio Bianchi (já apresentado no festival nos anos de 1989 e 1990) e na seção Fórum exibimos a co-produção Brasil/EUA, Teatro Amazonas, um média-metragem dirigido por Sharon Lockhart.
Na mostra Panorama, contamos com três brasileiros no ano de 2001, o curta Palíndromo, de Philippe Barcinski e os longas Latitude Zero, de Toni Venturi e Memórias Póstumas, de André Klotzel, numa co-produção Brasil/Portugal. E na mostra Geração apresentamos o curta O Branco, de Ângela Pires e Liliana Sulzbach.

Em 2002, a mostra Panorama exibiu excelentes produções nacionais, começando com o curta Palace II/Golden Gate, de Fernando Meirelles e Kátia Lund, estrelado pela dupla que se consagrou com o longa Cidade de Deus, Darlan Cunha e Douglas Silva, além da participação de Jonathan Haagensen. Além desse ainda tivemos os curtas Dadá, de Eduardo Vaisman e Clandestinos, de Patrícia Moran. Na mestra mostra apresentamos os longas O Invasor, de Beto Brant e o maravilhoso As Três Marias, de Aluízio Abranches, com as memoráveis apresentações do trio principal Júlia Lemmertz, Maria Luisa Mendonça e Luiza Mariani e atores como Marieta Severo, Carlos Vereza, Enrique Diaz, Tuca Andrada, Wagner Moura e Lázaro Ramos.
2003 a 2005
O ano é 2003, e dessa vez o Brasil disputava uma estatuetinha peluda, e competiu com o curta Plano Seqüência, de Patrícia Moran. Na mostra Geração, o curta O Céu de Iracema, de Iziane F. Mascarenhas. Já na seção Fórum Amarelo Manga, de Cláudio Assis, co-produção Brasil/Chile, Rua Seis Sem Número, de João Batista de Andrade e na mostra Panorama a co-produção Brasil/EUA, O Homem do Ano, de José Henrique Fonseca, com uma excelente atuação de Murílio Benício.
Em 2004 estivemos na mostra Panorama, participamos com os longas Fala Tu, de Guilherme Coelho, Contra Todos de Roberto Moreira, O Outro Lado da Rua, co-produção franco-brasileira, dirigida por Marcos Bernstein e o curta Truques, Xaropes e Outros Artigos de Confiança, de Eduardo Goldenstein.

Na mesma mostra Panorama, só que no ano 2005, o Brasil foi representado pelo instigante Redentor, dirigido por Cláudio Torres, filho da vencedora do Urso de Prata de 1998 de Melhor Atriz, Fernanda Montenegro, que faz parte do elenco desse filme. Na seção Fórum, apresentamos o longa Brasileirinho, numa co-produção Brasil/Finlândia/Suíça, com direção de Mika Kaurismäki, além do clássico Terra em Transe, dirigido pelo mítico Glauber Rocha. E numa mostra especial sobre os talentos do Berlinale, fomos representados pelo curta Socorro Nobre, de Walter Salles.
2006 e 2007
Em 2006, na mostra Panorama, tivemos Casa de Areia, de Andrucha Waddington, protagonizado pela mulher e pela sogra do diretor, Fernanda Torres e Fernanda Montenegro, respectivamente. Na mesma mostra, apresentamos ainda Meninas, de Sandra Werneck e Gisela Câmara e o curta Sexo e Claustro, de Cláudia Priscilla. E na seção Fórum, apresentamos a Brasil/Alemanha, Atos dos Homens, de Kiko Goifman.

No ano passado, conhecido como 2007 para os leigos, voltamos à disputa pelo Urso de Ouro com o sensível e brilhante O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger. E na mostra Panorama, contamos com a participação do elogiadíssimo A Casa de Alice, de Chico Teixeira e da co-produção Brasil/Alemanha, Deserto Feliz, dirigido por Paulo Caldas. Já na mostra Geração, contamos com o “yo” Antônia, de Tata Amaral.
Enfim, 2008
Demois de muita espera e de mostrar uma enorme quantidade de títulos e estilos representando o nosso cinema no Festival de Berlim, chegou a vez do Brasil. Exatamente uma década depois de Central do Brasil ganhar o peludinho dourado, chegou a vez de Tropa de Elite. E agora o Urso de Ouro é nosso e só nosso, de mais ninguém, uma vez que a estatueta de Central é metade nossa e metade da França. Mas essa é nossa, ninguém toma. 2008 foi o ano do Brasil (1998, 2008 - será que tem alguma coisa de numerologia judônica regendo o destino do Brasil no Berlinale?! o_O).

E não foi só isso, porque além do disputado Urso de Ouro voltamos pra casa com mais alguns prêmios na bagagem. Ganhamos o Urso de Cristal de melhor curta-metragem da mostra Geração - 14 Plus com Café com Leite, de Daniel Ribeiro, o Teddy Award, para Tá, de Felipe Sholl, prêmio dado a filmes com temática voltada ao universo gay. Além disso, o lindíssimo Mutum, de Sandra Kogut, recebeu mais do que merecidamente uma menção especial do júri.
Ufa! Acabou… Boa, Brasil! E que venha 2009 com muitos e muitos ursinhos para o nosso cinema. =D

Contra todos e contra ninguém, Tropa de Elite consegue trazer o Urso de Ouro novamente para o Brasil, depois de 10 anos na seca… Depois de tomar um verdadeiro sacode da mídia internacional, o filme de José Padilha conseguiu a façanha de dar um olé em várias apostas dos críticos, como Sangue Negro e Happy-Go-Lucky e voltar pra casa com o principal prêmio do Festival de Berlim na mala. Lembrando que esse é na verdade a primeira vez que o Brasil ganha, de verdade, o Urso de Ouro, uma vez que Central do Brasil, embora pouquíssima gente saiba, era um filme de produção franco-brasileira.

O Urso de Ouro é um excelente abre-alas para a “carreira” internacional de Tropa de Elite, que depois de Berlim vai participar do Festival de Cannes, em maio. O filme foi o nacional mais visto em 2007 com quase 2 milhões de espectadores, além de uma espectativa de 12 milhões de cópias piratas vendidas. Agora há uma grande possibilidade de ser o nosso representante para o Oscar 2009, uma vez que o Ministério da Cultura escolheu O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, que apesar de chegar entre os 9 finalistas, não ficou entre os 5 indicados. Com a estréia internacional acontecendo agora, pode vir a ser um concorrente do Oscar do próximo ano. Quem sabe…

Sangue Negro, que era o favorito e com OITÔ indicações para o Oscar, acabou ficando com o Urso de Prata de melhor diretor, para Paul Thomas Anderson. E também recebeu o prêmio por melhor trilha-sonora, composta por Johnny Greewood, guitarrista do Radiohead.

O Urso de Prata ficou para o documentário Standard Operating Procedure, sobre as torturas em Abu Ghraib. Já o Urso de Prata de melhor atriz ficou com Sally Hawkings, por sua atuação em Happy-go-Lucky e o de melhor ator para o iraniano Reza Najie, por sua atuação em The song of sparrows.


O Brasil ganhou outros prêmios também: Café com Leite foi premiado com o Urso de Cristal de melhor curta-metragem da mostra Geração - 14 Plus e o curta Tá, saiu com o Teddy Award, dado para filmes dedicados ao universo GLS, e o incrível Mutum, recebeu uma menção especial do júri.
Amanhã vocês vão ver aqui um resumão do Brasil em todos os Berlinale até então.
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