Brasil, mostra a sua cara…

Resenhas

Constado às 03:33 em Resenhas | 18 Comentários | 

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Acredito que a imensa maioria dos leitores desse site já devem ter visto esse filme em alguma aula de Geografia da vida - é um verdadeiro clássico das salas de aulas. Porém, se esse curta for visto não com os olhos de um aluno de saco cheio de tudo o que o professor fala, e sim com um olhar de que essa é uma puta crítica social, feita de maneira sarcástica, ácida, questionando os valores de uma sociedade consumista como a nossa.

Partindo da jornada de um tomate comprado por uma dona-de-casa, que também vende perfumes, podemos reparar o quanto nos acomodamos em nossas vidinhas confortáveis e estamos pouco nos lixando pro mundo (e as pessoas) à nossa volta, desde que isso não abale a nossa bolha - a maioria de nós é assim, uns em menores e outros em maiores graus.

É claro que Cena Brasilis RECOMENDA, por seu sarcasmo (coisa que eu adoro!) e pela crítica social feita de uma maneira simples que chega a você da maneira mais crua possível. Se por um acaso do destino você ainda não assistiu esse vídeo, pode conferir aqui embaixo, se você já viu no colégio, recomendo rever (certamente, a percepção será bem diferente!).l



Prêmios e Indicações

- Urso de Prata - Prêmio Especial do Júri para Curta-metragens no Festival de Berlim de 1990
- Prêmio Especial do Júri Oficial no Festival de Clermont-Ferrand 1991
- Prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular, no Festival de Clermont-Ferrand 1991
- Prêmio de Melhor Curta no Festival de Gramado 1989 (júri oficial, júri popular)
- Prêmio de Melhor Edição no Festival de Gramado 1989
Prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Gramado 1989
Prêmio de Melhor Montagem no Festival de Gramado 1989
Prêmio de Melhor Filme Regional no Festival de Gramado 1989
Prêmio de Melhor Direção Regional no Festival de Gramado 1989
Prêmio de Melhor Roteiro Regional no Festival de Gramado 1989
- Prêmio de Melhor Montagem Regional no Festival de Gramado 1989
Prêmio da Crítica no Festival de Gramado 1989
- Blue Ribbon Award no American Film and Video Festival, em 1991
- Prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular, na competição “No Budget” no Festival de Hamburgo de 1991
- Prêmio de Melhor Filme no Festival International du Film de Region, em 1993
- Prêmio Margarida de Prata de Melhor Curta-metragem, oferecido pela CNBB, em 1990
- Prêmio Air France, de Melhor Curta-metragem Brasileiro, em 1990
- Exibido na mostra “Os 10 Melhores curtas brasileiros da década de 80″, no Rio de Janeiro em 1990

Ilha das Flores
(Brasil, 1989)
12 minutosDireção: Jorge FurtadoRoteiro: Jorge Furtado

Elenco: Paulo José (narração), Ciça Reckziegel, Júlia Barth

Site Oficial: CasaCinePoa.com.br

Nota do CENA BRASILIS

Constado às 18:44 em Resenhas | 3 Comentários | 

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Em primeiro lugar, o nome desse filme é Corpo e não O Corpo, que já foi resenhado aqui no Cena Brasilis. Eu mesma, toda vez que ia falar do filme, colocava, erroneamente, o artigo na frente, mas é apenas o substantivo mesmo. =D

Corpo conta a história de um corpo (dã!) que é encontrado junto com centenas de ossadas descobertas em uma vala clandestina, que ocultava desaparecidos políticos no período da ditadura militar brasileira. Um dos médicos legistas, Arthur (vivido por Leonardo Medeiros) fica intrigado com o fato de aquele corpo estar intacto no meio de tantas ossadas. Já a chefe de departamento (Chris Couto) diz que a prioridade são as ossadas e pra deixar aquele corpo pra lá… Mas para ele não é tão simples assim. Intrigado, Arthur passa a pesquisar a quem poderia pertencer aquele corpo em arquivos do Dops, na lista telefônica, até que chega a um nome e passa a investigar o corpo como se fosse dessa pessoa.

É dessa maneira que ele chega até Fernanda (Rejane Arruda), filha de Tereza, que contesta o fato de aquele ser o corpo de sua mãe. E a partir daí se desenrolam todos os conflitos da trama, passando por investigações sobre o passado de Tereza, falsidade ideológica e por aí vai, para, no fim das contas, ele não conseguir descobrir de quem o corpo é de fato (ele não, mas o espectador descobre!). O filme é não linear, e deixa a gente um tanto quanto atordoado com todo o zig-zag da trama.

Com um elenco que está muito bem nos respectivos papéis e uma trama cheia de mistérios e suposições, Corpo é um filme que até vai, mas está longe de ser uma das grandes obras do Cinema Nacional. Nem de longe ele é um filme ruim, como diria Luciano Huck, ele é “bem feitinho”, mas tem uma trama que, a primeira vista, parece ser sedutora, mas que não consegue prender o espectador.

Cena Brasilis ATÉ QUE RECOMENDA, pois é um filme que vale a pena conferir, mas isso se você já tiver assistido a Crônicas de Nárnia - Príncipe Caspian e outros filmes bem legais que estão passando nos cinemas mais próximos da sua casa.

Corpo
(Brasil, 2007)
86 minutos

Direção: Rossana Foglia e Rubens Rewald

Roteiro: Rossana Foglia e Rubens Rewald

Elenco: Leonardo Medeiros, Rejane Arruda, Chris Couto, Louise Cardoso, Regiane Alves, Antônio Petrin, Sônia Guedes, Zecarlos Machado, Rogério Brito, Gustavo Machado, Doró Cross

Site Oficial: CorpoFilme.com.br

Nota do CENA BRASILIS

Constado às 10:22 em Resenhas | 01 Comentário | 

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Depois de Ópera do Mallandro, eu realmente gostei de fazer resenhas de curtas e acabei resolvendo trazer a vocês, sempre que possível, resenhas dos melhores curtas que eu já conferi. E O Crime da Atriz, definitivamente, está nessa lista.

Todos nós temos dentro de nós aquele desejo dos 15 minutos de fama. Todos queremos ser admirados nem que por apenas alguns instantes. Claro que uns mais que os outros, mas todos queremos ser reconhecidos por aquilo que fazemos. E O Crime da Atriz trata-se disso. É a história de uma atriz talentosa (Inês Peixoto), que está inconformada com o papel mínimo que recebe, e insiste com o diretor da peça para que lhe dê um pouco mais de espaço, porém, este está irredutível. E ela, ao que parece, acaba se conformando com a insignificância de seu papel… Até que que ela comete o tal crime e a partir de então consegue que os holofotes estejam voltados para ela. Esse curta foi baseado no conto “O crime da atriz Mariskin”, do autor russo Arkadi Avertchenkko.

Cena Brasilis RECOMENDA e assim como Ópera do Mallandro, se eu conseguir um link com o curta eu posto aqui… =D

Premiações e Indicações


- Prêmio do Júri Melhor Curta Brasileiro na Mostra Internacional de Cinema São Paulo 2007

O Crime da Atriz
(Brasil, 2007)
13 minutos

Direção: Elza Cataldo

Roteiro: Elza Cataldo

Elenco: Inês Peixoto, Eduardo Moreira, Fernanda Vianna, Antônio Edson, Rodolfo Vaz, Júlio Maciel, Teuda Bara, Simone Ordones, Beto Franco

Site Oficial: PersonaFilmes.com.br

Nota do CENA BRASILIS

Constado às 16:45 em Resenhas | 4 Comentários | 

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Estréia hoje (mas apenas nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Curitiba) um dos filmes mais sofríveis da história do Cinema Nacional. Cléopatra é disparado o pior dos últimos anos, e um dos piores que já vi em toda a vida. Haja visto que o filme estreou no Festival de Brasília do ano passado e conseguiu levantar a platéia e arrancar uma sonora vaia, afinal de contas o filme é muito ruim.

Adaptando a história real de uma rainha que já virou mitológica e foi interpretada à exaustão no cinema, dessa vez o diretor Julio Bressane escalou Alessandra Negrini pra viver a personagem título, e valha-me Deus, que escolha mais infeliz - sempre gostei do trabalho dela, mas de uns anos pra cá, sua interpretação vem decaindo a olhos vistos. Eu não sei em que universo ela pesquisou pra criar aquele sotaque para Cleópatra - que deve estar lá se revirando em sua tumba por ser tão mal adaptada - sai uma coisa meio como “torrrrrrre azullllll” (com o R bem tremidos e o L bem prolongado). Além disso, é uma das piores interpretações da vida da atriz.

Salvando um pouco a lavoura, temos Miguel Falabella, na pele de um excelente Júlio César e Bruno Garcia como um ótimo Marco Antônio, mas ainda assim, eles não conseguem dar conta de resgatar o filme que já está todo na lama.

O filme é muito abstrato, confuso, mal dirigido, sem falar que as duas horas de duração mais parecem quatro, você olha o relógio o tempo todo e vê que o tempo não passa. É uma coisa horrível e que conseguiu uma unanimidade negativa entre os jornalistas que o assistiram. E olha que tinha um senhor elenco…

Como no Nós Vimos eu tinha falado da “análise anatômica” do corpo de Alessandra Negrini e fui criticada nos comentários por onanistas que pensando apenas com sua cabeça de baixo, tiveram a audácia de insinuar que eu não gostei do filme por conta da nudez dela. Não. Eu não gostei porque o filme é ruim mesmo, é péssimo. Além disso, há nudez e nudez. Acho que quando uma cena pede, uma situação exige, tem que ter cenas de nudez sim, e às vezes até me irrito com casos em que a situação toda requer a cena e por falso moralismo, acabam cortando a nudez. Agora, você tá numa cena em que é um diálogo, onde recitam uma poesia, corta para uma vagina 100% depilada e onde deveria haver pêlos, há um triângulo preto (pintado com tinta), fecha bem o close na vagina, e de repente, volta-se para uma cena de diálogo, que não tem nada a ver com sexo ou corpo. Pra que isso?! Não há sentido algum, a não ser chocar o espectador.

Excelentes atores perdidos, sem direção alguma, parecendo que decoraram um texto muito mal-decorado, inseguros, sem conseguir botar sua atuação pra fora. Além disso o começo do filme diz que a Cleópatra tem 16 anos - por mais que a Alessandra Negrini seja linda e esteja inteirona pros seus 38 anos de idade, não dá pra se passar por 16 anos nem na China.

É um horror do começo ao fim e só ganha uma estrelinha porque a atuação de Miguel Falabella e Bruno Garcia estão muito boas, porque senão, nem essa estrelinha eu daria. Dá até ódio saber que um projeto desses foi rodado com o nosso rico dinheirinho, porque um lixo desses, no máximo tinha que ter sido feito com grana saída do bolso dos produtores. Enfim, Cena Brasilis RECOMENDA, recomenda que você passe bem longe de qualquer cinema que esteja exibindo esse longa. Quem avisa amigo é.

Cleópatra
(Brasil, 2007)
116 minutos

Direção: Julio Bressane

Roteiro: Julio Bressane e Rosa Dias

Elenco: Alessandra Negrini, Miguel Falabella, Bruno Garcia, Tonico Pereira, Tonico Pereira, Taumaturgo Ferreira, Isabel Gueron Iras, Josie Antelo Carmina, Nildo Parente, Cézar Augusto, Heitor Martinez, Lúcio Mauro e Bel Garcia

Nota do CENA BRASILIS

Constado às 10:30 em Resenhas | 3 Comentários | 

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Até agora este blog esteve substancialmente voltado para cinema, mas a idéia dele, que inclusive está no nome, é abraçar a cena brasileira como um todo, dando espaço também para a música, teatro, literatura etc. Hoje, levada pelo momento televisivo, decidi publicar uma resenha literária de um excelente livro que já li e reli e que acho pertinente publicar a respeito.

Isso porque hoje começa a novela Ciranda de Pedra, baseada no excelente romance homônimo de Lygia Fagundes Telles. O livro já foi adaptado antes para televisão, e virou novela das seis, no ano de 1981, quando alcançou grande sucesso e até hoje é considerada como uma das melhores adaptações de romances nacionais já feitas para televisão. A novela que estréia hoje, infelizmente, não é um remake da primeira e sim uma nova versão, uma adaptação totalmente diferente do mesmo livro. Porém, pelo que pude notar nas chamadas, parece que a trama vai ser totalmente diferente do livro - a começar pela protagonista que é uma criança na primeira metade do livro e uma mulher na segunda (já que passou a adolescência num colégio interno e não acompanhamos essa fase). As chamadas mostraram uma menina em fim da adolescência, com mãe e pai, tudo bem diferente de como a trama se desenvolve no romance de Lygia Fagundes Telles.

O livro Ciranda de Pedra foi publicado em 1954, e é o romance de estréia de Lygia Fagundes Telles, e tem um enredo extremamente moderno, contemporâneo e acredito eu, que tenha causado muita polêmica na época em que foi publicado, já que escancara coisas que geralmente as famílias tentam esconder, ainda mais se tratando de uma família rica, tradicional. Todo enredo foca-se em Virgínia, uma criança solitária, isolada pelas irmãs e vizinhos, e que, por conta disso, segue vivendo em seu mundo imaginário. A trama é dividida em duas partes, e assim acompanhamos todo o doloroso trajeto da vida de Virgínia, desde a infância até o início de sua idade adulta.

Basicamente, a menina é filha de um casal separado, Laura e Natércio. Por conta da separação, a menina, que é a filha mais nova vai viver com a mãe e precisa aprender a conviver com essa “divisão” de mundos e de emoções, já que vive com a mãe, mas faz freqüentes visitas à casa do pai, onde também vivem suas duas irmãs mais velhas, Bruna e Otávia. Natércio, o pai é um tradicional advogado, muito rígido com as filhas e seco. Por conta disso tudo, a infância da menina é repleta de tristeza e solidão. Após se separar, a mãe, Laura, que está doente, vai viver com Daniel, que já era seu médico, muito antes de ela se separar e leva junto a filha mais nova. E apesar de todos os cuidados tomados por Daniel, Laura está enlouquecendo cada vez mais e seu estado físico se deteriora juntamente com o mental. Até que a mãe acaba morrendo e Virgínia volta a morar na casa do pai, junto com suas irmãs, fato que a deixa feliz a princípio, até perceper que tanto o pai, quanto as irmãs, continuam tratando-a com indiferença. E pra completar o quadro, desde muito criancinha, Virgínia é apaixonada pelo vizinho de seu pai, Conrado, que por sua vez, segundo a própria menina, é apaixonado por sua irmã Otávia.

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A primeira etapa termina com a menina indo para o colégio interno e a segunda começa com Virgínia, já uma mulher, saindo do colégio e voltando pra casa, onde passa a ser, definitivamente, notada por todos, e disputada pelos homens, e até por mulheres. A menininha que antes era o patinho feio e desajeitado, desabrochou e virou um lindo cisne e atrai todos os olhares e atenções. Nessa etapa, muitas máscaras são derrubadas e inúmeras verdades começam a vir a tona.

Um enredo que trata de adultério, homossexualidade, além de tantos outros conflitos que existem em todas as épocas e em qualquer classe social, mas que geralmente acontece por debaixo dos panos e muitos nem tomam consciência (ou fingem que não tomam).

Um livro excelente, denso e ao mesmo tempo leve, muito bem construído e amarrado e que, de olhos fechados, Cena Brasilis RECOMENDA. Só a título de constância, na novela global a atriz Tammy Di Calafiori interpretará Virgínia, enquanto os outros personagens do núcleo principal serão encarados por Ana Paula Arósio (Laura), Daniel Dantas (Natércio), Marcello Antony (Daniel), Ariela Massoti (Otávia), Anna Sophia Folch (Bruna), Max Fercondini (Conrado), Ana Beatriz Nogueira (Frau Herta), Caio Blat (Afonso) e Paola Oliveira (Letícia).

Ciranda de Pedra
(Brasil, 1954)
192 páginas

Autora: Lygia Fagundes Telles

Edição: 1998

Nota do CENA BRASILIS

Constado às 12:00 em Resenhas | 2 Comentários | 

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Nesse ótimo curta vemos uma satirização da tragédia urbana. São Paulo mais uma vez é sitiada pelo pessoal do PCC — ou, como querem nos vender, “facção criminos”. De repente, chega um cowboy, desavisado — negão e de dread — disposto a botar ordem em tudo, mas de maneira pouco ortodoxa: vai lá, dá uns pipocos nos bandidos e resolve o esquema. Ele mergulha ainda mais fundo na questão, vai atrás de um empresário ricaço em Alphaville e o “seqüestra”, fazendo-o andar a pé de Barueri até São Paulo em plena hora do rush — e ai dele se não andasse, porque o cavalo o arrastaria.

Chegando em São Paulo ele faz um tour com o ricaço pelas mazelas locais, passa por favelas, esgotos a céu aberto, o treme-treme da Avenida do Estado. Em dado momento o empresário pergunta: “O que você quer de mim? Dinheiro não é problema.” E a pergunta que fica no ar é: será que dinheiro não é mesmo problema?

Um curta incrível, que faz você pensar, pensar e pensar e desejar que muitos cowboys desses invadissem a cena urbana paulistana. Com um elenco que conta com Antônio Abujamra, José Luis Datena, Sheilla Mello entre outros, é impossível não se divertir com a surrealidade do enredo, e com o rumo que as coisas tomam.

De agora pra diante, pretendo colocar várias outras resenhas de curta aqui no Cena Brasilis, pois é muito importante valorizar essa vertente do cinema, que tem até categoria de indicação no Oscar, mas que é tão deixado de lado pelo grande público.

Para conferir o trailer desse curta é só clickar aqui

Prêmios e Indicações


- Kikito de Melhor Curta-Metragem 35mm no Festival de Gramado de 2007
- Kikito de Melhor Roteiro para Paulinho Caruso no Festival de Gramado de 2007
- Kikito de Melhor Montagem para Paulinho Caruso, Rê Castanhari , Vitali e Pedro Caetano no Festival de Gramado de 2007

Alphaville 2007 d.C.
(Brasil, 2007)
16 minutos

Direção: Paulinho Caruso

Roteiro: Paulinho Caruso

Elenco: Antonio Abujamra, Fábio Marcoff, Ricardo Murphy Brown, José Luis Datena, Sheila Mello

Nota do CENA BRASILIS

Constado às 07:38 em Resenhas | 8 Comentários | 

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Pouquíssimas vezes o Judão fez resenhas de curta-metragem, e essa foi a primeira que fizemos, e por motivos óbvios, também vai ser a primeira a aparecer aqui no Cena Brasilis. Já criticamos uma única cena de filme, produções pornô… Mas um curta-metragem é a primeira vez. Mas precisamos fazer isso e simplesmente porque o filme merecia.

Ópera do Mallandro conta a história de Chico (Michel Joelsas, o garoto de O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias), um menino que está de recuperação e precisa fazer uma redação criativa em 15 minutos. Ele começa a imaginar o que colocaria no papel e, então, viaja por um monte de ícones musicais dos anos 80 — todos cantando versões divertidíssimas de músicas de Sérgio Mallandro.

Além de os principais temas musicais do Mallandro (Glu-Glu, Bilu-Tetéia, Farofa - interpretada por Sidney Magal - e Um Capeta em Forma de Guri), o menino viaja por outras referências ao apresentador, como a porta dos desesperados e por aí vai. Com um elenco incrível que conta com Wagner Moura, Lázaro Ramos, Jair de Oliveira, Lúcio Mauro Filho, Angelo Paes Leme, Luciano Szafir, Taís Araújosem falar no próprio Sérgio Mallandro, o filme transparece uma enorme brincadeira, que conseguiu reunir os melhores atores dessa “nova geração” em torno de um filme de apenas 16 minutos. Não sei se foi o caso, mas se trabalharam de graça, ao menos eles se divertiram pra caramba, e quem se dá bem com isso, no fim das contas, somos nós. =]

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Ópera do Mallandro é genial e merece aplausos de pé, sem dúvida nenhuma Cena Brasilis RECOMENDA! e muito. Dê uma fuçada na internet, argentina, guias de cinema pra tentar assistir ao filme completo, ou se empolgue assaz com o trailer e informações no site oficial do filme.

É uma pena que aqui no Brasil não haja uma cultura de se exibir curtas nos cinemas, a não ser em festivais, porque há muita coisa boa sendo produzida e a maior parte das vezes, a gente nem acaba tomando conhecimento. Há iniciativas na internet como o Porta Curtas, mas ainda assim, não é o espaço merecido por tantos bons diretores e produtores que fazem coisas muito legais e o grande público nem fica sabendo que existe.

De qualquer modo, nós aqui do Judão estamos prestando atenção nesse nicho e prentendemos dar a eles o merecido espaço. E a respeito de Ópera do Mallandro, ficaremos de olho nas novidades sobre esse filme.

Ópera do Mallandro
(Brasil, 2007)
16 minutos

Direção: André Moraes

Roteiro: André Moraes

Argumento: André Moraes, Lázaro Ramos e Taís Araújo

Elenco: Sérgio Mallandro, Michel Joelsas, Lázaro Ramos, Wagner Moura, Lúcio Mauro Filho, Edmilson Barros, Adriano Nascimento, Jair Oliveira, Ângelo Paes Leme, Luciano Szafir, Thogun, Taís Araújo, Sérgio Tadeu, Fernanda Rozman, Anna Sophia Folch, Rafael Greyck, Silvia Lourenço

Site Oficial: OperaDoMallandro.com.br

Nota do CENA BRASILIS

Constado às 14:08 em Resenhas | 8 Comentários | 

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O prazer é algo que está sempre permeando a vida do homem, seja lá de que maneira ele venha. Tem gente que foca todo seu prazer no sexo, outros a voltam para uma outra atividade, como ouvir uma música, praticar esportes, dançar… E há ainda os que voltam seu prazer todinho para a comida (o que, cá pra nós, é mesmo bom pra caramba). É essa a idéia central de Estômago, filme que marca a estréia de Marcos Jorge como diretor de longas de ficção, baseado no conto “Presos pelo Estômago”, do livro Pólvora, Gorgonzola e Alecrim, de Lusa Silvestre.

Raimundo Nonato (João Miguel) é um paraibano que chega a São Paulo com uma mão na frente e outra atrás pra tentar a vida por aqui. Sem dinheiro ele anda a pé da rodoviária por todo o Minhocão, à região do Pacaembu até cair num desses botecos pé-sujo, que vende ovo-colorido (Oi, Mó! =D). Como não tem nenhum centavo, ele pede apenas um copo de água da torneira, até que, morrendo de fome, pede as duas coxinhas que estão na estufa (de péssima aparência por sinal) e as devora. Depois de comer acaba cochilando no balcão, sendo acordado pelo dono do boteco, na hora em que vai fechar o bar. Sem dinheiro pra pagar, Nonato fica pra limpar a cozinha e a louça, e acaba virando empregado de Zulmiro (Zeca Cenovicz), que o ensina a fazer coxinha, pastel etc. Com mão boa para cozinhar, Nonato faz com que o boteco de Seu Zulmiro fique conhecido por suas coxinhas.

Uma das clientes do boteco é a prostituta Íria (Fabíula Nascimento), que pra alegria do Borbs, enfim, é a primeira gordinha a ser “mocinha” de um filme nacional (e, conseqüentemente, aparecer pelada). Ela é uma comidófila (essa fui eu que inventei, mas o que eu quero dizer é que ela era tarada por comida, e tarada no sentido literal da palavra, uma vez que focava todo seu prazer na comida, muito mais do que no ato sexual em si), e acaba se envolvendo com Nonato, por conta do talento do nordestino para a culinária.

Paralelo a isso, ficamos sabendo que Nonato está preso — a chegada dele a São Paulo aparece como uma espécie de flash-back — e que precisa “mudar” de nome, uma vez que Raimundo Nonato não é nome de cadeia, e acaba optando por Nonato Canivete. A hora em que ele se apresenta para o pessoal da cela é uma das sensações do filme, impossível não ir às gargalhadas. =D

Na cadeia ele acaba conquistando o respeito dos poderosos e subindo na hierarquia justamente por conta de seu talento culinário. Já que ele sempre fala em temperos etc. acaba ficando conhecido como Alecrim. Ele fica chegadíssimo ao chefão da cadeia, Bujiú (Babu Santana), e cresce ali ao ponto de chegar a ser o único abaixo do chefe.

Voltando à trama do boteco: um dos clientes do boteco, Giovanni(Carlo Briani), fica inconformado com o crescimento na qualidade das coxinhas do lugar e vai conversar com Nonato, e o chama pra trabalhar em seu restaurante, uma renomada cantina da cidade. Lá, Raimundo vai aprendendo todos os segredos da culinária requintada, além de passar a conhecer melhor sobre vinhos, sobremesas etc., enquanto isso o relacionamento com Íria vai ficando cada vez mais sério, por conta da tara culinária da moça, até que, Nonato, completamente apaixonado, pede a prostituta em casamento.

A trama toda fica passeando entre os prazeres que a comida desperta nas pessoas — Bujiú fala que quando come uma comida boa, só falta gozar (”É melhor que buceta“), além de despertar nele uma certa ojeriza pela maneira que vemos alguns pratos serem preparados. O filme conta ainda com a participação do titã Paulo Miklos, na pele do chefão do crime, Etcetera, que por sinal é excelente — aliás, desde O Invasor ele vem mostrando que além de músico, é um ótimo ator.

Estômago é o primeiro filme produzido através do acordo de co-produção Brasil-Itália, que apsar de existir desde 1974, nunca tinha sido utilizado. A produtora executiva Cláudia da Natividade levou um ano para elaborar e formalizar o contrato entre a brasileira Zencrane Filmes e a italiana Indiana Filmes.

Com uma direção impecável e um elenco louvável, Estômago é, sem trocadilho infame, um filme pra mexer com o nosso estômago, em todos os sentidos. E um dos melhores filmes que eu vi nos últimos anos (que para o meu deleite, ao lado do Borbs, tive a honra de assistir à estréia mundial do longa, no Festival do Rio, junto com o diretor do filme, elenco e a nata cultural carioca). Posteriormente ao Festival do Rio, o filme veio trilhando uma muito bem sucedida carreira em todos os lugares onde foi exibido, tornando-se sucesso de crítica e público ao redor do mundo, cativando platéias na Mostra Internacional de São Paulo, no Berlinale, no Festival de Rotterdam, no Festival de Punta del Este e agora em Miami, no Festival Internacional de Cinema da cidade. Esse é um filme que, decididamente, você não deve perder. Judão RECOMENDA! e com louvor.

Premiações e Indicações


- Troféu Redentor de Melhor Filme - Voto Popular, , no Festival do Rio 2007
- Troféu Redentor de Melhor Diretor para Marcos Jorge, no Festival do Rio 2007
- Troféu Redentor de Melhor Ator para João Miguel, no Festival do Rio 2007
- Prêmio Especial do Júri para o ator Babu Santana, por suas interpretações em Estômago e Maré - Nossa História de Amor, no Festival do Rio 2007
- Prêmio de melhor ator para João Miguel, no 11º Festival Internacional de Cinema de Punta del Este
- Foi premiado em sua estréia internacional no Festival de Rotterdam, Estômago recebendo o Lions Award, de melhor filme da seção Sturm und Drang. Além disso, foi considerado o segundo melhor filme no julgamento do público, entre 196 filmes (SPC: as quatro sessões do longa estavam completamente lotadas, e um público de aproximadamente 2000 pessoas viu o filme durante o festival).

Estômago
(Brasil/Itália, 2007)
112 minutos

Direção: Marcos Jorge

Roteiro: Marcos Jorge, Lusa Silvestre, Cláudia da Natividade e Fabrizio Donvito, baseado em argumento de Lusa Silvestre e Marcos Jorge

Elenco: João Miguel, Fabíula Nascimento, Babu Santana, Carlo Briani, Zeca Cenovicz, Paulo Miklos

Site Oficial: EstomagoOFilme.com.br

Nota do CENA BRASILIS

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