|
Enfim, demorou mas consegui. Aqui está o curta Ópera do Mallandro, que eu resenhei aqui no Cena Brasilis. Fiquei empenhada em caçar esse vÃdeo na internet, até que uma alma caridosa chamada Guilherme Toscano resolveu me mandar um e-mail com o link do vÃdeo completo no MySpace, e eu, como sou muito legal com os meus leitores, trago aqui pra vocês. Para assistir a esse curta delicioso é só aperar o play. Só desafio vocês a me mostrarem alguém que veja esse filme e não passe o resto do dia cantando as músicas de Ségim Mallan… =D
Até agora este blog esteve substancialmente voltado para cinema, mas a idéia dele, que inclusive está no nome, é abraçar a cena brasileira como um todo, dando espaço também para a música, teatro, literatura etc. Hoje, levada pelo momento televisivo, decidi publicar uma resenha literária de um excelente livro que já li e reli e que acho pertinente publicar a respeito. Isso porque hoje começa a novela Ciranda de Pedra, baseada no excelente romance homônimo de Lygia Fagundes Telles. O livro já foi adaptado antes para televisão, e virou novela das seis, no ano de 1981, quando alcançou grande sucesso e até hoje é considerada como uma das melhores adaptações de romances nacionais já feitas para televisão. A novela que estréia hoje, infelizmente, não é um remake da primeira e sim uma nova versão, uma adaptação totalmente diferente do mesmo livro. Porém, pelo que pude notar nas chamadas, parece que a trama vai ser totalmente diferente do livro - a começar pela protagonista que é uma criança na primeira metade do livro e uma mulher na segunda (já que passou a adolescência num colégio interno e não acompanhamos essa fase). As chamadas mostraram uma menina em fim da adolescência, com mãe e pai, tudo bem diferente de como a trama se desenvolve no romance de Lygia Fagundes Telles. O livro Ciranda de Pedra foi publicado em 1954, e é o romance de estréia de Lygia Fagundes Telles, e tem um enredo extremamente moderno, contemporâneo e acredito eu, que tenha causado muita polêmica na época em que foi publicado, já que escancara coisas que geralmente as famÃlias tentam esconder, ainda mais se tratando de uma famÃlia rica, tradicional. Todo enredo foca-se em VirgÃnia, uma criança solitária, isolada pelas irmãs e vizinhos, e que, por conta disso, segue vivendo em seu mundo imaginário. A trama é dividida em duas partes, e assim acompanhamos todo o doloroso trajeto da vida de VirgÃnia, desde a infância até o inÃcio de sua idade adulta. Basicamente, a menina é filha de um casal separado, Laura e Natércio. Por conta da separação, a menina, que é a filha mais nova vai viver com a mãe e precisa aprender a conviver com essa “divisão” de mundos e de emoções, já que vive com a mãe, mas faz freqüentes visitas à casa do pai, onde também vivem suas duas irmãs mais velhas, Bruna e Otávia. Natércio, o pai é um tradicional advogado, muito rÃgido com as filhas e seco. Por conta disso tudo, a infância da menina é repleta de tristeza e solidão. Após se separar, a mãe, Laura, que está doente, vai viver com Daniel, que já era seu médico, muito antes de ela se separar e leva junto a filha mais nova. E apesar de todos os cuidados tomados por Daniel, Laura está enlouquecendo cada vez mais e seu estado fÃsico se deteriora juntamente com o mental. Até que a mãe acaba morrendo e VirgÃnia volta a morar na casa do pai, junto com suas irmãs, fato que a deixa feliz a princÃpio, até perceper que tanto o pai, quanto as irmãs, continuam tratando-a com indiferença. E pra completar o quadro, desde muito criancinha, VirgÃnia é apaixonada pelo vizinho de seu pai, Conrado, que por sua vez, segundo a própria menina, é apaixonado por sua irmã Otávia.
A primeira etapa termina com a menina indo para o colégio interno e a segunda começa com VirgÃnia, já uma mulher, saindo do colégio e voltando pra casa, onde passa a ser, definitivamente, notada por todos, e disputada pelos homens, e até por mulheres. A menininha que antes era o patinho feio e desajeitado, desabrochou e virou um lindo cisne e atrai todos os olhares e atenções. Nessa etapa, muitas máscaras são derrubadas e inúmeras verdades começam a vir a tona. Um enredo que trata de adultério, homossexualidade, além de tantos outros conflitos que existem em todas as épocas e em qualquer classe social, mas que geralmente acontece por debaixo dos panos e muitos nem tomam consciência (ou fingem que não tomam). Um livro excelente, denso e ao mesmo tempo leve, muito bem construÃdo e amarrado e que, de olhos fechados, Cena Brasilis RECOMENDA. Só a tÃtulo de constância, na novela global a atriz Tammy Di Calafiori interpretará VirgÃnia, enquanto os outros personagens do núcleo principal serão encarados por Ana Paula Arósio (Laura), Daniel Dantas (Natércio), Marcello Antony (Daniel), Ariela Massoti (Otávia), Anna Sophia Folch (Bruna), Max Fercondini (Conrado), Ana Beatriz Nogueira (Frau Herta), Caio Blat (Afonso) e Paola Oliveira (LetÃcia).
PouquÃssimas vezes o Judão fez resenhas de curta-metragem, e essa foi a primeira que fizemos, e por motivos óbvios, também vai ser a primeira a aparecer aqui no Cena Brasilis. Já criticamos uma única cena de filme, produções pornô… Mas um curta-metragem é a primeira vez. Mas precisamos fazer isso e simplesmente porque o filme merecia. Ópera do Mallandro conta a história de Chico (Michel Joelsas, o garoto de O Ano em que Meus Pais SaÃram de Férias), um menino que está de recuperação e precisa fazer uma redação criativa em 15 minutos. Ele começa a imaginar o que colocaria no papel e, então, viaja por um monte de Ãcones musicais dos anos 80 — todos cantando versões divertidÃssimas de músicas de Sérgio Mallandro. Além de os principais temas musicais do Mallandro (Glu-Glu, Bilu-Tetéia, Farofa - interpretada por Sidney Magal - e Um Capeta em Forma de Guri), o menino viaja por outras referências ao apresentador, como a porta dos desesperados e por aà vai. Com um elenco incrÃvel que conta com Wagner Moura, Lázaro Ramos, Jair de Oliveira, Lúcio Mauro Filho, Angelo Paes Leme, Luciano Szafir, TaÃs Araújosem falar no próprio Sérgio Mallandro, o filme transparece uma enorme brincadeira, que conseguiu reunir os melhores atores dessa “nova geração” em torno de um filme de apenas 16 minutos. Não sei se foi o caso, mas se trabalharam de graça, ao menos eles se divertiram pra caramba, e quem se dá bem com isso, no fim das contas, somos nós. =]
Ópera do Mallandro é genial e merece aplausos de pé, sem dúvida nenhuma Cena Brasilis RECOMENDA! e muito. Dê uma fuçada na internet, argentina, guias de cinema pra tentar assistir ao filme completo, ou se empolgue assaz com o trailer e informações no site oficial do filme. É uma pena que aqui no Brasil não haja uma cultura de se exibir curtas nos cinemas, a não ser em festivais, porque há muita coisa boa sendo produzida e a maior parte das vezes, a gente nem acaba tomando conhecimento. Há iniciativas na internet como o Porta Curtas, mas ainda assim, não é o espaço merecido por tantos bons diretores e produtores que fazem coisas muito legais e o grande público nem fica sabendo que existe. De qualquer modo, nós aqui do Judão estamos prestando atenção nesse nicho e prentendemos dar a eles o merecido espaço. E a respeito de Ópera do Mallandro, ficaremos de olho nas novidades sobre esse filme.
|
|
|||||
| © 2008, Judão, Tayra Vasconcelos. Alguns direitos reservados | ||||||