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Eu sinto medo de seqüências, em geral. A coisa vai legal no primeiro filme, vira sucesso e aí inventam de fazer mais um, pra ganhar mais dindim… Agora é a vez de Se Eu Fosse Você ganhar uma seqüência. Já estão rolando os ensaios de Se Eu Fosse Você 2, lá no Rio de Janeiro, com Tony Ramos, Maria Luísa Mendonça, Cássio Gabus Mendes, Marcos Paulo e Daniel Filho. Glória Pires, que agora vive em Paris com toda a sua prole - que não é nada pequena - está a caminho para também iniciar os ensaios. Repetindo a dose, Daniel Filho será o diretor novamente (além de atuar) e terá Cininha de Paula e Cris D’Amato como assistentes de direção. Trocadilhos toscos a parte, se eu fosse você ficaria com o seu pezinho atrás em relação a esse filme - mesmo o primeiro tendo sido muito legal, além de ser o nacional com maior público em 2006. Qualquer novidade a gente vai te avisando. Mas, medo!!! o_O
Pra mim é extremamente difícil escrever sobre esse longa, talvez muito mais do que qualquer resenha que eu já tenha feito até hoje. Acho que nunca eu estive tão profundamente envolvida com um filme, seu enredo, e esteja tão inserida num tema como no caso de Batismo de Sangue. E é muito difícil falar de algo que é tão “seu”, de estar tão ligada aos personagens ainda vivos de toda essa história, de ouvir pessoalmente o sofrimento das famílias daqueles que já morreram. De saber que você própria não estaria aqui, não teria nem nascido se muito daqueles fatos não tivessem acontecido. De certa maneira, posso dizer que acompanhei a produção quase que desde o início, porque estava em contato com muitos dos envolvidos reais da trama durante todo o período. Por isso, muito antes de todos da imprensa especializada, sabia da escalação dos atores, da adaptação do roteiro etc. e não via a hora de vê-lo prontinho na tela do cinema, fazia contagem regressiva, na maior ansiedade. Há cerca de três anos que estou atenta ao passo-a-passo deste filme, uma vez que este está intimamente ligado a dois documentários que produzi sobre Carlos Marighella. E posso dizer que estou muito feliz e satisfeita com o resultado, com a sensibilidade com que o tema foi tratado, além da crueza da realidade dos fatos nos momentos em que isso era necessário, ainda que mostrasse apenas uma pequena parte das agruras que os prisioneiros políticos passaram na mão dos seus algozes.
Baseado no livro homônimo de Frei Betto, o livro conta a história do envolvimentos dos freis dominicanos com a ALN (Ação Libertadora Nacional), organização política de Carlos Marighella (Marku Ribas), e acaba mostrando como foi a luta desses freis, a maneira como caíram nas mãos da repressão, a relação que isso teve com a morte de Marighella e a decorrência de tudo isso na vida de cada um deles. Porém, tanto o livro quanto o filme, acabam dando um enorme destaque a Frei Tito, uma vez que este acabou se suicidando quando já estava em liberdade (apesar de já ter tentado se matar também quando ainda estava preso), por conta dos danos psicológicos que a tortura lhe causou. Até por isso, é considerado pelo Grupo Tortura Nunca Mais como um morto pelo regime militar. Ambientado no final dos anos 60, Batismo de Sangue mostra que os ideais cristãos jamais poderiam estar de acordo com todo o horror que acontecia naquela época, o que faz com que os freis Tito (Caio Blat), Betto (Daniel de Oliveira), Oswaldo (Ângelo Antônio), Fernando (Léo Quintão) e Ivo (Odilon Esteves - que pra quem gosta das associações é o intérprete da travesti Cíntia, na minissérie global Queridos Amigos) passem a apoiar a militância de esquerda e conduzirem missas com teor político. Tudo isso os leva a fazer parte do Grupo de Apoio da ALN, e terem contato com Marighella, e a partir de então passam a ser vistos como inimigos do regime, o que os leva à prisão, onde passam por bárbaras torturas físicas e psicológicas. Acredito que a semelhança física tenha contado muito no momento de selecionar os atores, porque todos são muito parecidos com as pessoas que interpretam, sem falar que todos eles estão muito bem nos seus papéis, plenamente inseridos naquele universo. A cena em que eles pedem pra celebrar uma missa na cadeia é uma das mais tocantes que eu já vi. É impossível não sair mexido.
No dia da exibição, ao longo das cenas de tortura, dava pra ouvir a platéia toda gemendo de aflição com o que via - e isso apenas de ver uma imagem que, embora forte, mostra apenas uma parcela do que de fato aconteceu nos quartéis do Brasil afora. O sofrimento estava no rosto de cada um dos atores, a dor deles era real. E, embora o personagem principal seja o do Caio Blat, que está impecável antes de qualquer coisa, eu não posso deixar de ressaltar o espanto que o Daniel de Oliveira me causa toda vez que interpreta algum papel real (aqui, na verdade, eu me refiro aos personagens que existiram de fato). Isso vai muito além da interpretação, que, sem dúvida alguma é excelente, mas o cara é simplesmente um camaleão. Quando ele interpretou o Cazuza, a semelhança era tanta que dava até medo. Em 2006 ao vê-lo encarar o papel de Stuart Angel ele estava idêntico ao militante e, agora, na pele de Frei Betto, era exatamente a versão rejuvenescida do frei.
Eu não tenho nem o que dizer, não há nenhuma crítica a levantar em torno dessa produção, que está perfeita, impecável. Em vários momentos, eu que li e reli o livro várias vezes e conheço profundamente esse tema, dizia as frases dos personagens junto com eles, tamanha a fidelidade do filme com os fatos reais. Tocante, forte, terno, necessário. Sem nem titubear, Cena Brasilis RECOMENDA, e muito. Um filme que precisa ser visto por todo brasileiro. Para os que conhecem essa história, que vão passar a admirar esses personagens ainda mais; para os que não conhecem saberem de muita coisa que escapa aos currículos escolares; e mesmo para aqueles assumidamente de direita e pró-tortura e repressão, para refletirem a desumanidade que tudo isso representa.
Ah, e fazendo um link com o meu último post, já adianto que esse é um filme que, eu admito, não assisti livre de preconceitos (lembrando que preconceito vem de pré-conceito), eu já fui ao cinema pronta pra gostar, por conta de toda a minha história pessoal mencionada previamente. Ainda assim, apesar de ter uma visão contaminada, acho que é um filme que merece muito ser visto. =D Premiações e Indicações- Candango de Melhor Diretor no Festival de Brasília de 2006 - Candango de Melhor Fotografia no Festival de Brasília de 2006 - Prêmio de Melhor Fotografia no Festival de Cuiabá de 2007 - Prêmio de Melhor Trilha Sonora no Festival de Cuiabá de 2007
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