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Depois de ter feito muito sucesso nos cinemas, o filme Ó PaÃ, Ó, de Monique Gardenberg, estrelado por Lázaro Ramos, Dira Paes, Stênio Garcia e Wagner Moura, entre outros, vai parar nas telas da Globo. E não é em exibição na Tela Quente ou no Supercine, o longa será adaptado e vai virar uma série (aos moldes do que aconteceu com Carandiru e Antônia - que embora a série tenha sido exibida antes do filme, foi produzida depois). As cenas já começaram a ser gravadas e Lázaro Ramos, Stênio Garcia, Matheus Nachtergaele, VirgÃnia Cavendish e Daniel Boaventura já estão confirmados como parte do elenco da adaptação. Agora só nos resta aguardar para conferir o resultado.
Com um gênero que mescla muito bem os gêneros policial e comédia, Meu Tio Matou um Cara é um filme divertidão e que trilha novos caminhos para o nosso cinema, como todo filme da Casa de Cinema de Porto Alegre. Esse, que é o quarto longa produzido pelo estúdio gaúcho e tem co-produção da Natasha Filmes (que se depende-se de sua dona, Paula Lavigne e de sua extrema simpatia com a imprensa, deveria se chamar Na Shata Filmes! =D). Aqui acompanhamos a história de Éder (Lázaro Ramos), tio de Duca (Darlan Cunha), que é preso depois de confessar ter matado um homem. Duca, que aos 15 anos é viciado em jogos policiais acredita que o tio não é culpado e que está assumindo a culpa no lugar de outra pessoa, provavelmente a namorada, Soraya (Deborah Secco), que é ex-mulher do morto. Duca é apaixonado por sua melhor-amiga Isa (Sophia Reis), que, por sua vez, está apaixonado por um outro amigo, o Kid (Renan Gioelli). Nessa sua investigação pela suposta autoria de Soraya no crime, Duca conta com os dois amigos.
O filme garante ótimas gargalhadas e tem um elenco muito bom, o que facilita muito. O filme se passa no Rio Grande do Sul, como todo filme da Casa de Cinema de Porto Alegre, mas vemos um samba do crioulo doido porque o sotaque carioca de Darlan Cunha é gritante, por sua vez, Lázaro Ramos, não deixa de lado seu sotaque baiano, enquanto Sophia Reis capricha no seu paulistês, soltando até a nossa tÃpica expressão italiana “catzo”. Já os personagens secundários e figurantes estão com o gauchês na ponta da lÃngua. Não que seja um defeito do filme, mas é um deslize, como o tio do carioca é baiano (mas o pai não é) e a melhor amiga que o conhece desde os primeiros meses de vida é paulista e ninguém cita isso na história? Sei que é picuinha minha, mas ou todos podiam ter “ensaiado” um sotaque uniforme, ou inserir umas explicações - tipo “a Isa mudou pra cá pequenininha, porque o pai arrumou um emprego etc., mas ela nasceu em São Paulo e como a mãe tem esse sotaque, ela também fala assim…”, “meu tio morou muitos anos na Bahia e acabou pegando o sotaque de lá”. Mas beleza, ainda assim o filme é engraçadÃssimo e eu quero ver Soraya queimada… =D Esse filme marca a estréia de Sophia Reis (filha de Nando Reis), que agora é VJ da MTV, a frente do TOP10. É também a segunda vez que o diretor Jorge Furtado trabalha com Lázaro Ramos, que também protagoniza o excelente O Homem que Copiava.
Pra quem não viu ainda, hoje a Globo vai exibÃ-lo no Festival Nacional, mas se ainda assim você não assistir ou se tiver afim de comprar o DVD click aqui, eu garanto que vale a pena, afinal nos extras temos o clip de Soraya Queimada, que é genial, com o Zéu Britto com as participações de Lázaro Ramos (é claro!) e Wagner Moura além de conter cenas do filme. Tem também as cenas excluÃdas e a que o AÃlton Graça canta I shot the sheriff é simplesmente impagável. E também nos extras ficamos sabendo que a personagem da Deborah Secco não se chamava Soraya, e que mudou de nome no meio do filme por conta da música do Zéu Britto. Prêmios e Indicações- Recebeu 4 indicações para o Grande Prêmio Cinema Brasil, nas categorias: Melhor Ator para Lázaro Ramos, Melhor Roteiro Original, Melhor Edição e Melhor Trilha Sonora.
A história de A Grande FamÃlia - O Filme carrega para as telonas todos os elementos que quem assiste ao seriado já deve estar careca de conhecer. Porém, eles conseguiram passear por algo mais profundo de uma maneira bem interessante. E isso foi feito destrinchando a história em três partes, que na verdade são três histórias diferentes, mas todas com um mesmo pano de fundo. O filme todo gira basicamente em torno de Lineu (Marco Nanini), que começa a entrar em parafuso depois de ir ao enterro de um colega de repartição. Ao se sentindo mal, por influência de Mendonça (Tonico Pereira) ele resolve ir a um médico, e é aà que começa toda a piração.
O médico suspeita que ele possa ter uma doença grave e pede que ele faça alguns exames para confirmar a situação. Com o resultado em mãos, Lineu decide que prefere ficar na dúvida e resolve não abrir o envelope e como não sabe muito bem lidar com essa suposta doença, num dado momento ele começa a imaginar como seria a vida de sua famÃlia sem ele. Aà ele surta ao constatar que ele é o verdadeiro arrimo de todos, pois a filha é casada com um malandro, o filho é um vagabundo e a mulher é dona-de-casa. Não dá pra dar uma sinopse muito detalhada porque senão eu conto o filme, que é costurado através da morte do Lineu, e de como seria a vida dele(s) se ele tivesse um caráter totalmente diferente.
As três histórias têm esse mesmo ponto de partida, o que para alguns pode até parecer repetitivo num determinado momento, mas eu achei que se encaixava bem. A maneira de “rebobina tudo e começa de novo” de contar o filme pede essa repetição, além do que, é legal ver como os atores se desempenharam bem ao fazer diálogos quase iguais para uma situação totalmente diferente e que, à s vezes, até pedia uma emoção muito distinta da utilizada anteriormente. Elementos já conhecidos de quem acompanha o seriado, como o rolo entre Tuco (Lúcio Mauro Filho) e Marilda (Andréa Beltrão), as pilantragens de Agostinho (Pedro Cardoso), a paranóia da Bebel (Guta Stresser) em engravidar, as armações de Mendonça e por aà vai, também estão no filme. E dois personagens novos aparecem, dando um toque extra de cenas cômicas ao filme: Carlinhos (Paulo Betti), que é um ex-quase-namorado de Nenê (Marieta Severo) e Marina (Dira Paes), suposta amante de Lineu. E vemos também como tudo começou entre Lineu e Nenê, num bailinho em 1967. Lembrando que o personagem de Paulo Betti já apareceu no seriado também, mas tinha um outro nome.
Não há como se decepcionar com a atuação, nem com a direção, uma vez que todos trabalham juntos há quase sete anos, e tá mais do que provado que essa parceria dá super certo. O meu medo, que acabou se concretizando, era como eles conseguiriam produzir o filme em cima de algo que é tão conhecido do público, de uma maneira que não soasse repetitiva. Porque é muito complicado lidar com personagens tão conhecidos por todos e ainda assim trazer algo novo. A história é diferente, alguns temas conseguiram ser mais aprofundados (algo impossÃvel num programa semanal de meia-hora), mas ainda assim muitos conflitos existentes ali já estão batidos. Mas não é isso que faz desse um filme ruim, é apenas uma constatação. Enfim, Cena Brasilis até que RECOMENDA! sim, seja você um autêntico fã do seriado ou se apenas quiser dar algumas boas risadas. Pode passar em algum cinema, que não vai ter decepção não.
Produzido há mais de 20 anos, esse já é um clássico do Cinema Nacional. Me lembro de ter assistido esse filme pela primeira vez quando tinhas uns 10 ou 11 anos, com o meu pai, que tinha alugado a fita de vÃdeo e que não entendi nada direito da história: o homem que era boto, o bebê que virava botinho… Era muito complexo pra mente de uma crinça. Lembro também que meu pai, apaixonado que era pelo folclore brasileiro, me explicou sobre a lenda do boto, e que na região Norte do Brasil, os pais têm muito medo de deixar suas meninas por aà na época de lua-cheia, com medo que elas caiam na lábia do boto. Baseado em roteiro original de Lima Barreto (o cineasta, não o escritor! =D), Ele, o Boto, acabou ganhando do diretor Walter Lima Jr., um tom mais focado no personagem do boto, que segundo o próprio diretor parte da idéia de criticar a postura do homem, diante da natureza:
O filme começa com uma conversa de pescadores, e toda a trama vai se desenrolando a partir desse causo, que tem narração do ótimo Rolando Boldrin, contando a história para dois pescadores amigos (Tonico Pereira e um novÃssimo Marcos Palmeira). Ele fala sobre casos de meninas que foram vÃtimas do Boto (Carlos Alberto Riccelli) - que segundo a lenda amazônica, nas noites de lua cheia, vem à terra, se transformando em humano, para seduzir as mulheres. Logo no inÃcio vemos o temido boto em uma de suas conquistas, Tereza (Cássia Kiss), filha de um pescador, apaixonada, cede aos encantos do boto e acaba engravidando. Ao nascer, seu filho vira um botinho (cena que deve ter sido encantadora para os olhos da época e que nos soa um pouco tosca devido a imensidão de recursos de efeitos especiais que temos nos dias de hoje) que logo é levado pro mar por sua tia, que é também a parteira (Maria SÃlvia). Por conta desse filho, o Boto volta sempre a aparecer, como se nutrisse por Tereza uma paixão especial. Ainda assim, está constantemente seduzindo outras mulheres, inclusive a irmã de Tereza, Corinha (Dira Paes, que aos 18 anos faz um de seus primeiros papéis e o desempenha muito bem). Ele continua aparecendo atrás de Tereza, mesmo depois que ela se casa com Rufino (Ney Latorraca), provocando uma ventania de ciúmes em plena festa de casamento.
Com uma lindÃssima trilha sonora, assinada por Wagner Tiso, Ele, o Boto é um filme marcante, com um elenco que está em perfeita sintonia com seus personagens e consegue transmitir muito bem todo o misticismo existente em torno da figura do boto, tão presente em tantas “desgraças familiares” do Norte e Nordeste brasileiro. Carlos Alberto Riccelli está magistral no papel do boto, está com uns trejeitos incrÃveis que dão a ele um ar totalmente-semi-humano. Ele andando “pulandinho”, ou mesmo mergulhando como boto, marcam essa atuação como uma das melhores de sua carreira. A maquiagem também é sensacional, deram a ele um tom de pele acinzentado muito parecido com a cor de um boto. Um filme clássico da nossa cinegrafia que Cena Brasilis RECOMENDA pelo seu valor na história do cinema brasileiro e para ter oportunidade de ver atuações marcantes e ótimos atore no inÃcio de suas carreiras, num filme com uma carga poética e dramática que oferece uma amplidão de trabalho para cada um deles. Vale a pena conferir, seja passando numa boa locadora, seja comprando o filme ou mesmo aguardando que ele passe na Sessão Brasil, que passa à s segundas na Globo - volta e meia passa - ou mesmo no Canal Brasil que sempre traz em sua programação classicões do nosso cinema.
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