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Quando assisti a esse filme, no ano passado, cheguei bem cedo à cabine - o que é raro devido ao trânsito de São Paulo - e estava bem empolgada, como já é de costume quando se trata de filme nacional, e ainda mais ser uma adaptação de literatura nordestina, com um ar de cordel. Aproveitei o fato de chegar cedo para devorar o presskit de O Homem que Desafiou o Diabo e então minha empolgação começou a escorrer pelo ralo - isso graças ao currículo do diretor (que estava no presskit como símbolo de orgulho). Especialista em Xuxa, Angélica e Padre Marcelo, entre seus filmes estão Xuxinha e Guto contra os monstros do Espaço, Xuxa e o Tesouro da Cidade Perdida, Xuxa Abracadabra, Maria, mãe do filho de Deus, Irmãos de Fé, Trair e Coçar é Só Começar e, pra fechar com chave de ouro, Dom, a pior adaptação de uma obra literária para a telona que eu já vi na minha vida. Alguns minutos de apreensão depois, então, o filme começa. Ufa! A má impressão, graças a Shiloh, parou lá no currículo do diretor, porque o filme é assaz legal. O Homem que Desafiou o Diabo conta a história de Zé Araújo (Marcos Palmeira), um caixeiro viajante, mulherengo, que chega à cidade de Jardim dos Caiacós para fechar negócio com Turco (Renato Consorte). De noite, num baile, ele conhece Dualiba (Lívia Falcão), quarentona virgem, fogosa e filha do Turco. Ele acaba passando dos limites com a moça e é obrigado a casar com ela. Zé Araújo acaba se tornando um marido e genro submisso. Nesse meio tempo, ele conhece Sesiom (Rui Rezende) - Moisés ao contrário - que lhe conta sobre as belezas e riquezas da terra de São Saruê, e que lá ele renasceu e mudou de nome. O tempo passa, e um dia Zé Araújo descobre que virou motivo de chacota em toda cidade por conta de seu comportamento subserviente diante da mulher e do sogro. E então acontece a grande virada. Ele se revolta com essa situação, quebra a mercearia do sogro, dá uma surra na mulher, se veste de roupa de couro e vai até o escrivão (Lúcio Mauro) para mudar seu nome para Ojuara (Araújo ao contrário) e sai pelo sertão a procura de desafios, de defender os injustiçados e em busca do caminho para São Saruê. Nesse meio tempo ele se apaixona por Genifer (Fernanda Paes Leme) e por ela encara alguns valentões. Enfrenta o Diabo (Heldér Vasconcelos) em pessoa mais de uma vez, derrota Mãe de Pantanha (Flávia Alessandra) e doma um boi mandingueiro que aterrorizava toda uma população. Sem dúvida alguma, o diretor Moacyr Góes pode considerar o “O Homem que desafiou o Diabo” como sua obra-prima. O filme é muito bem adaptado para o cinema. Como a maioria das obras da literatura nordestina, o filme conta com várias mini-tramas, e ainda assim não se perde e nem fica cansativo. É extremamente divertido e incrível que você consegue notar que aqueles personagens, na sua imensa maioria, deve existir de fato na imensidão que é o sertão nordestino. A direção merece os louros por conseguir fazer um filme leve e ao mesmo tempo real, e que se distancia abissalmente de qualquer comparação que possa sofrer com O Auto da Compadecida. Sem falar que o elenco é incrível, porque todos os atores estão muitíssimo bem em seus papéis, sem falar que os sotaques e maneirismos estão incríveis, naturais, não parece aquele sotaque falso, forjado pela Globo.
Provavelmente, antes de ver qualquer coisa nos jornais, revistas, televisão etc. sobre Podecrer!, esse filme ficou interneticamente famoso por ser o filme onde a Fernanda Paes Leme aparece de biquini e chifrinho. Todo mundo já deu uma conferida nos “orfanatos” da vida nas fotos da atuação da moçoila nesse filme, mas não se sabia muito coisa além disso. Porém, é filme nacional e, em se tratando de filme Brasileiro, tirando Antônia, lá está a Dona Tayra. No Rio de Janeiro, no ano de 1981, acompanhamos a história de uma turma que está no último ano de colégio e, conseqüentemente, vivendo todos os dramas, conflitos e diversões que essa época da vida traz pra cada um. É nesse amabiente que conhecemos Carol (Maria Flor), que é filha de exilados políticos e que acabou de voltar da França devido à Anistia.
Ela logo se torna amiga de Melissa (Fernanda Paes Leme) e Silvinha (Liliana Castro, que forçaram ao colocá-la como estudante de colegial. Aos 28 anos, ela está longe de ser uma Daniela Suzuki, que com seus trintinha nas costas, pode se dar ao luxo de interpretar adolescentes. Já a Liliana Castro não convence nem a minha avó). As duas vão apresentando a garota ao resto da turma: João (Dudu Azevedo), PP (Sílvio Guindane), Marquinho (Gregório Duvivier) e Tavico (Marcelo Adnet), que formam juntos uma dessas bandas de rock de colégio. E como em todo lugar, existem as meninas vacosas, patricinhas, que se acham e que não se dão bem com as outras garotas — nesse grupo estão Ana Cláudia (Érika Mader) e Duda (Júlia Gorman). João se apaixona de cara por Carol, e vivem aqueles namoros que fazem inveja ao mundo, em plena sintonia, sem brigas ou discussões. Mas… =]
O filme é uma delícia, sensacional, divertido e sem forçar a barra. Além disso, conseguiu ser fidelíssimo aos anos 80, não há gafes de caracterização - e olha que eu fiquei caçando pelo em ovo… O que derruba um pouco a produção é aquela virada, típica de filme americano, onde tá tudo indo tão bem que precisa acontecer aquela big-merda para bagunçar a situação de tal maneira que tudo perca o sentido, até que no final as coisas se ajeitam e todo mundo fica feliz para sempre. Acho que se não fosse isso o filme teria conseguido um 8, porque eu adorei… E recomendo muito. As atuações estão ótimas, o Sílvio Guindane, como sempre, tá um show. Divertidíssimo e com suas eternas tiradas. Maria Flor está mostrando que é uma atriz versátil, capaz de interpretar os papéis mais diversos possíveis (e olha que ela começou como elenco de apoio da Malhação!). Sem falar no Gregório Duvivier, que está genial de maluco-beleza com as suas teorias sobre a Babilônia (impossível não gargalhar). A caracterização da banda, quando começa a fazer sucesso, é a coisa mais anos 80 que eu já vi - meio Titãs/Paralamas em início de carreira. Além disso, há a presença de Malu Mader, José de Abreu, Lulu Santos e Patrícia Travassos em participações especiais, sem falar no fantástico Stepan Nercessian, na pele do impagável inspetor Fleury.
O filme é muito bem dirigido, com excelentes atuações e merece muito ser conferido por todos, seja pra ver mais um filme diferentão do cinema nacional, ou pra ver a Fernanda Paes Leme (e a Maria Flor, Liliana Castro, Érika Mader, Júlia Gorman etc.)de chifrinho e biquini. =D
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