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Ontem, 18 de agosto, aconteceu a 3ª Edição do Prêmio Contigo de Cinema Nacional, com apresentação da atriz Débora Bloch. O evento premia os melhores do ano (2007/2008) dividos em duas categorias Júri Popular e Júri Oficial. No caso do Júri Popular, não há nada de surpreendente, e marca a faceta do público médio brasileiro, de sempre ir atrás de mais do mesmo, reforçando cada vez mais sua faceta “maria-vai-com-as-outras”. Já o Júri Oficial, um pouco mais coerente, não fica imune ao apelo popular, mas, de qualquer maneira, sempre está mais atento a boas performances de fato (seja na frente ou atrás das câmeras) e acabou premiando grandes talentos, novos e já consagrados, e vai abrindo espaço para que o nosso cinema consiga ampliar cada vez mais seu leque e trazer coisas diferentes ao público brasileiro. Pra variar, só um pouquinho, o grande vencedor da noite foi o aclamadíssimo Tropa de Elite Confira a lista dos premiados da noite. #JÚRI POPULAR:: Melhor filme - Tropa de Elite :: Melhor atriz - Fernanda Torres, por Saneamento Básico :: Melhor ator - Wagner Moura, por Tropa de Elite :: Melhor atriz coadjuvante - Glória Pires, por Primo Basílio :: Melhor ator coadjuvante - André Ramiro, por Tropa de Elite #JÚRI OFICIAL :: Homenageado da noite: Luiz Carlos Barreto :: Melhor filme: Tropa de Elite :: Melhor diretor: José Padilha, por Tropa de Elite :: Melhor Ator: Selton Mello, por Meu Nome Não é Johnny :: Melhor atriz - Rosane Mulholland, por sua atuação em Falsa Loura - que desbancou nomes como Fernanda Torres, Marília Pêra, Bruna Lombardi e Alessandra Negrini :: Melhor fotografia - Mauro Pinheiro Junior, por Mutum :: Melhor Roteiro - Tropa de Elite :: Melhor figurino - Bia Salgado, por Noel - Poeta da Vila :: Melhor documentário - Jogo de Cena :: Melhor diretor de documentário - Eduardo Coutinho, por Jogo de Cena :: Melhor atriz coadjuvante - Fabiula Nascimento, por Estômago :: Melhor ator coadjuvante - André Ramiro, por Tropa de Elite :: Melhor trilha sonora - Chega de Saudade
Uma vez que a previsão é que o filme estréie em janeiro de 2009, já estava na hora de começar a pipocar material de divulgação. E agora, acaba de sair o primeiro teaser trailer de Se Eu Fosse Você 2. A deixa final do primeiro Se Eu Fosse Você dava a impressão que quem trocaria de corpos seriam o casal Marcos (Thiago Lacerda) e Bárbara (Lavínia Vlasak), mas não. Quem vai trocar de corpo, novamente, serão Cláudio (Tony Ramos) e Helena (Glória Pires). Os dois estão em crise e resolveram se separar, isso depois de alguns anos da primeira experiência de “transferência corpórea” (o_O). E, ainda por cima, descobrem que a filha deles Bia (Isabelle Drummond) está grávida e com toda esse choque emocional , pimba, trocam de corpo de novo. Adendo pessoal dessa que vos escreve: bizarro, no primeiro filme, a Bia era a Lara Rodrigues, que fazia a Narizinho do Sítio, agora botaram a Emília no lugar!!! o_O² - será que eles vão dizer que nos três anos que separam os dois episódios ela passou pelas mãos de Ivo Pitanguy?!? O teaser não mostra nada de mais, mas já é um início. Para assistir just push play! Hum, será que o Markinho Lobás vai me oferecer a música dele mais uma vez?! =D
Eu sinto medo de seqüências, em geral. A coisa vai legal no primeiro filme, vira sucesso e aí inventam de fazer mais um, pra ganhar mais dindim… Agora é a vez de Se Eu Fosse Você ganhar uma seqüência. Já estão rolando os ensaios de Se Eu Fosse Você 2, lá no Rio de Janeiro, com Tony Ramos, Maria Luísa Mendonça, Cássio Gabus Mendes, Marcos Paulo e Daniel Filho. Glória Pires, que agora vive em Paris com toda a sua prole - que não é nada pequena - está a caminho para também iniciar os ensaios. Repetindo a dose, Daniel Filho será o diretor novamente (além de atuar) e terá Cininha de Paula e Cris D’Amato como assistentes de direção. Trocadilhos toscos a parte, se eu fosse você ficaria com o seu pezinho atrás em relação a esse filme - mesmo o primeiro tendo sido muito legal, além de ser o nacional com maior público em 2006. Qualquer novidade a gente vai te avisando. Mas, medo!!! o_O
Com uma fórmula mais do que batida nas produções hollywoodianas, Se Eu Fosse Você, faz com que sejamos remetidos a filmes como Quero Ser Grande, e já faz com que não haja tanto entusiasmo do espectador diante da trama. Ainda assim, mesmo com a sensação de “já vi isso antes”, o filme consegue ser bem divertido e acabou virando um incrível sucesso de bilheteria - e boa parte disso se deve ao talento do casal principal e da excelente química entre eles, que já estão mais do que cansados de interpretar pares românticos (haja visto as duas últimas novelas que fizeram Belíssima e Paraíso Tropical, onde em ambas os dois formavam um casal). Além disso, Patrícia Pillar também faz uma ressurreição de sua personagem-doutora do seriado Mulher - não é a mesma, mas tá muito similar… =D O filme começa deixando no ar aquela máxima de que homens são de Marte e mulheres são de Vênus. E quando esses planetas se alinham, só Deus pode imaginar no que vai dar. Além do que, no final, eles reforçam ainda mais as diferenças que regem o masculino marciano (vindo do Planeta do Deus da Guerra) e o feminino venusiano (natural do Planeta da Deusa do Amor). Cláudio (Tony Ramos) é um publicitário bem sucedido, dono de sua própria agência e casado com Helena (Glória Pires), uma professora de música, responsável por um coral infantil. Acostumados com a rotina do dia-a-dia e do casamento de tantos anos, eles, volta e meia, têm uma discussão. Um dia acabam tendo uma briga mais séria que o normal, e fiquem repetindo as mesmas frases (ao mesmo tempo) um pro outro, e de madrugada, enquanto dormem, algo inesperado e inexplicável acontece: eles acabam trocando de corpos. Apavorados, eles tentam encarar o fato com normalidade até que consigam revertar a situação, e pra isso é preciso que assumam a vida do outro. Com dois atores extremamente competentes e talentosos, até essa fórmula batida fica boa. Tanto Tony Ramos, quanto Glória Pires conseguem deixar claro para o espectador quando eles interpretam Cláudio e quando interpretam Helena. A “mudança de sexo” é nítida, eles conseguiram encarar esse papel-duplo numa boa, com muita naturalidade e isso é muito positivo pro público. Tanto que Se Eu Fosse Você foi a maior bilheteria de filme brasileiro em 2006, levando mais de 3 milhões e meio de pessoas aos cinemas.
“Oh, Beethoven. Oh, Ludwig, oh, Ludwig! Uh, uh! Uh, uh!”. A participação do coral d’As Jovens Princesas de Petrópolis no filme, é assaz. Elas interpretando a versão hip-hop da 9ª Sinfonia de Bethoven é fantástico. O filme poderia ser ainda melhor se não ficasse no ar aquela liçãozinha de moral: “não dê palpite na vida alheia, porque você não sabe como é estar no lugar do outro, e com certeza, é muito mais difícil do que você pode imaginar”. Premiações e Indicações- Recebeu 6 indicações ao Grande Prêmio Cinema Brasil, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz (Glória Pires), Melhor Roteiro Original, Melhor Direção de Arte e Melhor Edição.
Obs: a nota real seria mais pra 5,5, mas como tem que ser nota inteira, achei que merecia mais pra nota 6 do que pra 5, e isso graças ao desempenho do elenco. =D
Um filme que tem um bom texto, adaptado de uma já consagrada peça de teatro, com um diretor mais do que tarimbado e com quatro excelentes atrizes nos papéis principais tinha o que pra dar errado? Nada… Pois é, e esse é o caso de A Partilha. Adaptado da peça homônima, escrita por Miguel Falabella, o filme é dirigido por Daniel Filho, que voltou a assumir o papel que não ocupava desde 1983, quando dirigiu O Cangaceiro Trapalhão. Ele assistiu a A Partilha logo em uma de suas primeiras apresentações ao público em 1991, e se apaixonou pela peça. Tanto que comprou os direitos de adaptação para o cinema da peça já nessa época. O elenco original da peça era composto por Suzana Vieira, Thereza Piffer, Natália do Valle e Arlete Salles. A Partilha conta a história de quatro irmãs, centradas num acontecimento que as une, apesar de todas as diferenças: o enterro da mãe. Além do luto daquele momento, Selma (Glória Pires), Regina (Andréa Beltrão), Laura (Paloma Duarte) e Lúcia (Lílian Cabral), precisam resolver os assuntos burocráticos que envolvem a morte da mãe, entre eles, a partilha dos bens, mais especificamente, a venda do apartamento em que a mãe vivia em Copacabana. A partir disso as irmãs se vêem forçadas a um convívio, que traz à tona as diferenças de personalidade e as desavenças do passado. Selma é uma dona de casa, casada com um militar (Herson Capri - que está impagável nesse papel), vive uma vida digna de soldado raso, acatando todas as ordens e manias do marido. Já Regina é a irmã liberada, exotérica, meio hippie, divorciada, curte cada dia de cada vez. Lúcia é a irmã mais velha que teve coragem de romper com o marido (Denis Carvalho) e abandonar o filho (Thiago Fragoso), para ir pra Paris disposta a viver o grande amor da sua vida. Em contraponto, Laura é a intelectual da família. Séria, sisuda e disposta a romper os tabus e preconceitos da sociedade e de suas irmãs. Com essa convivência, apesar de todas as brigas e discussões, elas conseguem se lembrar de todos os bons momentos que passaram juntas, e unidas pelos laços da fraternidade enfrentam as situações se divertindo muito e brigando sempre. Embora as quatro principais estejam primorosas, Andréa Beltrão está incrível no seu papel de irmã-porra louca e Paloma Duarte também está bárbara como Laura, sutil, delicada, conseguiu fugir de todos os estereótipos que poderiam cercar a personagem. Para completar esse brilhante quadro, os atores e personagens incumbidos de compor o pano de fundo da trama também estão primorosos, dando um molho muito especial ao roteiro - originalmente com apenas quatro personagens presentes. Esse filme se mostrou uma ótima adaptação de um texto que sempre foi bom, antes mesmo de começarem a mexer nele. Como tempero, o longa conta com uma trilha sonora deliciosa que faz você querer comprar o CD do filme assim que termina de assistir (ou, para os menos politicamente corretos, baixar as músicas… É que eu sou daquelas pessoas românticas, que fazem a alegria das gravadoras e continua comprando CDs. =D). A química entre as quatro é maravilhosa. As atrizes entraram num tamanho nível de entrosamento que foi um chororô só quando acabaram as filmagens, que, por sinal foram concluídas em apenas cinco semanas, entre os meses de novembro e dezembro de 2000. O filme conta com cenas memoráveis, como a clássica, em que as quatro estão na praia e dançam Dancing Days. Outra cena inesquecível é quando as três irmãs fazem rodízio no telefone para xingar o cunhado Luiz Fernando, que está histérico - é maravilhoso. A Selma de porre, etiquetando tudo pela casa também é bárbaro. E um detalhe, que pode até passar batido para a maioria, mas que me faz rir toda vez que vejo, é quando a filha da Selma (Fernanda Rodrigues) conta pra mãe que não se chama mais Simone, e que seu novo nome é Shanandra Poranga [dois estalinhos de dedo, intercalando as mãos, que depois se unim em posição de prece] - e toda a vez que seu nome é citado, vem acompanhado desse gestual - muito cômico. Mas, pra mim, a cena mais sensível do filme é a do final. Linda, linda, linda! É surpreendente, totalmente diferente de qualquer fecho já dado a um filme, ainda mais se tratando de uma comédia. Tocante, muito bem pensado e amarrado, mostra as quatro irmãs quando pequenas, num filme feito pelo pai delas. Porém, o áudio reproduz a voz das quatro já adultas, como se estivessem lendo uma carta contando suas vidas para as outras três. É brilhante! Toda vez que vejo essa cena me desmancho em lágrimas. ^^ CENA BRASILIS RECOMENDA esse filme, e, falando por mim, que já assisti várias vezes (no cinema, em VHS, na TV, comprei o DVD) e ainda pretendo ver várias outras. Indicações e Premiações- Recebeu duas indicações ao Grande Prêmio BR de Cinema, na categoria de Melhor Atriz - para Andréa Beltrão e Glória Pires. - Prêmio de Melhor Roteiro do Festival de Cinema Brasileiro de Miami 2002. - Prêmio da Audiência do Festival de Cinema Brasileiro de Miami 2002.
Embalados ao som dançante de Ed Motta, que ao lado de João Nabuco assina a trilha de Pequeno Dicionário Amoroso, nesse filme, acompanhamos a história de um amor, desde a sua “gestação”, até sua “morte”, passando por todas as fases, que são facilmente reconhecíveis por qualquer pessoa que já tenha tido algum relacionamento mais longo. A maneira como as fases são descritas de uma maneira incrível, sem fazer melodrama ou idealizar momentos. Quem já teve um amor que acabou (ou “foi acabado”) vai se identificar muito. Com uma sacada muito legal e sem nenhum tipo de pieguice o filme vai transformando as fases do relacionamento em verbetes do dicionário, que, muito inteligentemente, seguem a ordem alfabética o tempo todo, do nascer do amor, até o fim. E como a nossa vida é cíclica, e anda sempre em círculos, acabando um alfabeto inicia-se um próximo. Todo esse universo é apresentado pra gente sobre o pano de fundo de um casal de classe média do Rio de Janeiro, a arquiteta Luiza (Andréa Beltrão) e o biólogo Gabriel (Daniel Dantas). Por um acaso do destino, eles acabam se conhecendo num cemitério em meio a interesses por besouros e arquitetura fúnebre. Os dois se apaixonam e começam a viver um grande amor. Com o andar da carruagem, o relacionamento sai da fase da euforia, caminha para a intimidade, passa pelo marasmo, a rotina, até chegar ao momento em que é preciso tomar uma decisão, ou acabam, ou um muda totalmente seu jeito de ser. Os verbetes são narrados pelo casal e por seus melhores amigos, Marta (Mônica Torres) e Barata (Tony Ramos). O filme mostra uma maneira bem diferente do que estamos acostumados a ver. Não tem começo, meio e fim, tem um começo, que caminha pro meio e vai prum fim que vira começo e assim sucessivamente. Editado de uma maneira leve, original, com uma trilha sonora deliciosa e um elenco que está magistral em seus papéis. Mais de 10 anos se passaram e o filme ainda é muito atual e extremamente original. Esse é o primeiro longa de ficção de Sandra Werneck, mesma diretora de Amores Possíveis, que acabou se consagrando com o mega-sucesso Cazuza - O Tempo Não Pára. Mas ainda assim, Pequeno Dicionário Amoroso continua sendo um de seus melhores filmes, e, sem dúvida nenhuma, a sua obra mais inovadora. CENA BRASILIS RECOMENDA totalmente. Indicações e Premiações- Prêmio de melhor roteiro - Festival Internacional de Cine de Cartagena - Colômbia (1998)
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