Brasil, mostra a sua cara…
Constado às 20:41 em Festival, Notícias | 6 Comentários | 

Chupem “tropeiros”, antes de mais nada. Vou falar pela última vez, eu acho Tropa de Elite um filme muito legal, tanto que dei nota máxima pra ele quando resenhei. Porém, apesar de ser um excelente filme, está longe de estar entre as melhores produções já feitas no Brasil. E quem ainda insiste em bater na tecla de que é o melhor, é o melhor, é o melhor, das duas uma, ou nunca assistiu outro filme nacional ou não tão tem a mínima noção do que é um filme capaz de ganhar um Oscar. Na boa, por melhor que Tropa de Elite seja, não deixa de ser mais do mesmo do que é produzido lá em Hollywood, e jamais seduziria nenhum membro da Academia para ganhar um Oscar.

Mas enfim, embora os leitores do Judão e do Cena Brasilis não concordem comigo, o pessoal do Ministério da Cultura concorda comigo, tanto que não indicou o filme no ano passado. Esse ano, o longa poderia concorrer novamente, por conta da data de estréia, mas pelo jeito… O MinC recebeu 14 inscrições de filmes de longa-metragem interessados em concorrer à seleção para a pré-indicação para concorrer ao Oscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira para a 81ª edição do prêmio concedido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

Agora, esses 14 filmes serão avaliados por uma comissão, formada por seis profissionais de mídia e da área audiovisual: Antonio Alfredo Torres Bandeira, Cléber Eduardo, Silvia Maria Sachs Rabello, Maria Dora Genis Mourão, Giba Assis Brasil e Paulo Sérgio Almeida. A presidência da comissão é assumida pelo secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, Sílvio Da-Rin.

O grande escolhido vai ser divulgado na próxima 3ª feira, também conhecida como dia 16 de setembro. Cruze seus dedinhos e fique na torcida. A torcida do Judão vai para Estômago e a do Cena Brasilis vai toda para Mutum no Rio de Janeiro, após reunião da Comissão. Confira a lista dos títulos concorrentes, em ordem alfabética:


    A Casa de Alice, de Chico Teixera
    A Via Láctea, de Lina Chamie
    Chega de Saudade, de Laís Bodanski
    Era uma Vez, de Breno Silveira
    Estômago, de Marcos Jorge
    Meu Nome Não É Johnny, de Mauro Lima
    Mutum, de Sandra Kogut
    Nossa Vida Não Cabe num Opala, de Reinaldo Pinheiro
    Olho de Boi, de Hermano Penna
    Onde Andará Dulce Veiga?, de Guilherme de Almeida Prado
    O Passado, de Hector Babenco
    Os Desafinados, de Walter Lima Júnior
    O Signo da Cidade, de Carlos Alberto Riccelli
    Última Parada 174, de Bruno Barreto

Constado às 03:43 em Especial | 8 Comentários | 

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Que o Collor foi uma desgraça nacional, disso ninguém tem dúvida, mas até hoje, nós, amantes do Cinema Nacional, sentimos na pele o mal que ele causou ao país. Um assunto recorrente aqui no Cena Brasilis é a mesmice da temática da produção nacional, e muito disso devemos a esse nosso ilustre presidente, que colocou uma pá de cal no nosso cinema, deixando-o inerte e quase morto por meia década. Desde então é uma luta conseguir convencer as pessoas de que há muita coisa boa sendo produzida nesse país, e isso, se reflete claramente nas bilheterias. Filmes de grande sucesso precisam ter a Xuxa ou o Didi no título, ou um global de sucesso, ou, na terceira e última opção ser super-mega-thunder polêmico (casos de Cidade de Deus, Carandiru e Tropa de Elite).

Nas décadas de 30 e 40, cidades como Rio de Janeiro e São Paulo começaram a ver surgir cinemas de enormes proporções como o Cine Odeon e Palácio, na Cinelândia e o Cine Olido, na região central da capital paulista, entre tantos outro. Eram salas imensas, com capacidades para mais de 500 espectadores (às vezes, para mais de mil) e que, com isso, permitiam que o preço do ingresso fosse mais baixo, e, conseqüentemente, que tivesse um público mais assíduo. Por conta disso, os brasileiros iam muito mais ao cinema, porque era muito mais acessível.

E isso, obviamente, se refletia na bilheteria, o que fazia com que houvesse uma produção maior de filmes nacionais, e que esses fossem verdadeiros sucessos. Tanto que o maior público do nosso cinema continua sendo Dona Flor e Seus Dois Maridos, de 1976, dirigido por Bruno Barreto e estrelado por Sônia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça, que atraiu quase 11 milhões de espectadores aos cinemas, número que não chegou nem perto de ser batido nesses últimos 30 anos.

Nos anos 80 a coisa até foi caminhando, apesar de uma queda de qualidade em comparação à quantidade, mas ainda assim, produzimos excelentes filmes como Pixote - A Lei do Mais Fraco, O Homem que Virou Suco, A Hora da Estrela, entre tantas outras obras que viraram referência do nosso cinema. Mas, eis que chegamos a março de 1990 e o nosso presidente de nariz avantajado, e praticante de esportes radicais decide acabar com a Embrafilme, e então vimos o Cinema Brasileiro definhar.

Até que em 1994, o governo de Itamar Franco salvou a lavoura aprovando a Lei do Audiovisual, que possibilitou que o nosso cinema voltasse a produzir obras de excelente qualidade. O grande marco desse período, que ficou conhecido como Retomada do Cinema Nacional é o longa de Carla Camurati, Carlota Joaquina - Princesa do Brasil, que levou quase 1 milhão e meio de pessoas aos cinemas. Mas ainda é difícil para um filme nacional conseguir levar seu público às salas, e nem sempre o dinheiro investido na produção do longa acaba retornando aos bolsos de seus investidores e membros da equipe. Nem mesmo Xuxa e Didi conseguem fazer tantos “baixinhos” e “psitis” pagarem pra ver seus filmes e o número de espectadores vai caindo ano a ano, basta ver que o último filme da loira estreou em dezembro e está me cartaz até agora - pra ver se reverte um pouco mais de grana aos cofres da já milionária apresentadora.

E esse é o cenário do nosso cinema hoje, que dependendo de verba da Ancine e da Petrobras, fica com as mãos atadas e acaba chovendo no molhado pra conseguir captar um pouco mais de dinheiro e foca nossa produção em cima, sempre, do mais do mesmo.

Recentemente vimos um verdadeiro blockbuster nacional surgir, contando a história de vida da dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano, e produzido pelo próprio Luciano. Dois Filhos de Francisco foi um enorme sucesso de crítica e público (até mesmo para aqueles que abominavam a dupla) e depois de muito tempo conseguiu fazer com que um filme nacional ultrapassasse a barreira dos 5 milhões de espectadores.

Já o badalado Tropa de Elite, não fez nem cosquinha pra figurar entre os mais-mais, levando aos cinemas 2 milhões e meio de pessoas, porém, podemos bem multiplicar esse número por 5, levando-se em conta a quantidade de pessoas que viram à cópia-pirata do longa de José Padilha. Mas como o que conta é a bilhereria dos cinemas e grana no bolso, apesar de todo o furor gerado em torno do filme, ele não trouxe dindim para as nossa estatísticas e por conta disso, nem é citado. =D

Dos pop-pop, também ficaram de fora da lista Central do Brasil e Cidade de Deus. Confira agora as maiores bilheterias nacionais de todos os tempos - mostrados apenas os filmes que conseguiram levar mais de 4 milhões para o cinema. ^^

OBS: Vejam bem quantos filmes d’Os Trapalhões está nessa lista. Só pra constar: Mussum rulez! =D

1º Dona Flor e seus Dois Maridos (1976), Bruno Barreto - 10.735.305 de espectadores

2º O Ébrio (1946), Gilda de Abreu - 8.964.117 de espectadores

3º Casinha Pequenina (1963), Glauco Mirko Laurelli - 8.315.003 de espectadores

4º Jeca Tatu (1960), Milton Amaral - 8.017.988 de espectadores

5º A Dama do Lotação (1978), Neville de Almeida - 6.508.182 de espectadores

6º O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão (1977), J.B. Tanko - 5.785.816 de espectadores

7º Lúcio Flavio, o Passageiro da Agonia (1977), Hector Babenco - 5.401.325 de espectadores

8º Dois Filhos de Francisco (2005), Breno Silveira - 5.319.677 de espectadores

9º Os Saltimbancos Trapalhões (1981), J.B. Tanko - 5.218.574 de espectadores

10º Os Trapalhões na Guerra dos Planetas (1982), Adriano Stuart - 5.089.869 de espectadores

11º Os Trapalhões na Serra Pelada (1982), J.B. Tanko - 5.051.963 de espectadores

12º Cinderelo Trapalhão (1979), Adriano Stuart - 5.027.043 de espectadores

13º O Casamento dos Trapalhões (1988), Adriano Stuart - 4.779.027 de espectadores

14º Carandiru (2003), Hector Babenco - 4.693.853 de espectadores

15º Os Vagabundos Trapalhões (1982), J.B. Tanko - 4.632.428 de espectadores

16º Os Trapalhões no Planalto dos Macacos (1976), J.B. Tanko - 4.566.796 de espectadores

17º Coisas Eróticas (1982), Rafaelli Rossi - 4.525.401 de espectadores

18º Simbad, o Marujo Trapalhão (1976), J.B. Tanko - 4.407.719 de espectadores

19º A Princesa Xuxa e os Trapalhões (1989), José Alvarenga Jr. - 4.310.085 de espectadores

20º O Rei e os Trapalhões (1979), Adriano Stuart - 4.240.591 de espectadores

21º Os Três Mosquiteiros Trapalhões (1980), Adriano Stuart - 4.221.222 de espectadores

22º O Incrível Monstro Trapalhão (1980), Adriano Stuart - 4.213.258 de espectadores

23º Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (1968), Roberto Farias - 4.118.013 de espectadores

24º O Cangaceiro (1953), Lima Barreto - 4.071.697 de espectadores

25º Lua de Cristal (1990), Tizuka Yamasaki - 4.012.442 de espectadores

PS: Posso dizer que fui uma dessas milhões de pessoas nas salas de cinema no caso dos 13º, 14º, 19º e 25º - e atire a primeira pedra quem também não esteve lá. =D

uv