|
Chupem “tropeiros”, antes de mais nada. Vou falar pela última vez, eu acho Tropa de Elite um filme muito legal, tanto que dei nota máxima pra ele quando resenhei. Porém, apesar de ser um excelente filme, está longe de estar entre as melhores produções já feitas no Brasil. E quem ainda insiste em bater na tecla de que é o melhor, é o melhor, é o melhor, das duas uma, ou nunca assistiu outro filme nacional ou não tão tem a mÃnima noção do que é um filme capaz de ganhar um Oscar. Na boa, por melhor que Tropa de Elite seja, não deixa de ser mais do mesmo do que é produzido lá em Hollywood, e jamais seduziria nenhum membro da Academia para ganhar um Oscar. Mas enfim, embora os leitores do Judão e do Cena Brasilis não concordem comigo, o pessoal do Ministério da Cultura concorda comigo, tanto que não indicou o filme no ano passado. Esse ano, o longa poderia concorrer novamente, por conta da data de estréia, mas pelo jeito… O MinC recebeu 14 inscrições de filmes de longa-metragem interessados em concorrer à seleção para a pré-indicação para concorrer ao Oscar de Melhor Filme de LÃngua Estrangeira para a 81ª edição do prêmio concedido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Agora, esses 14 filmes serão avaliados por uma comissão, formada por seis profissionais de mÃdia e da área audiovisual: Antonio Alfredo Torres Bandeira, Cléber Eduardo, Silvia Maria Sachs Rabello, Maria Dora Genis Mourão, Giba Assis Brasil e Paulo Sérgio Almeida. A presidência da comissão é assumida pelo secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, SÃlvio Da-Rin. O grande escolhido vai ser divulgado na próxima 3ª feira, também conhecida como dia 16 de setembro. Cruze seus dedinhos e fique na torcida. A torcida do Judão vai para Estômago e a do Cena Brasilis vai toda para Mutum no Rio de Janeiro, após reunião da Comissão. Confira a lista dos tÃtulos concorrentes, em ordem alfabética: A Casa de Alice, de Chico Teixera A Via Láctea, de Lina Chamie Chega de Saudade, de LaÃs Bodanski Era uma Vez, de Breno Silveira Estômago, de Marcos Jorge Meu Nome Não É Johnny, de Mauro Lima Mutum, de Sandra Kogut Nossa Vida Não Cabe num Opala, de Reinaldo Pinheiro Olho de Boi, de Hermano Penna Onde Andará Dulce Veiga?, de Guilherme de Almeida Prado O Passado, de Hector Babenco Os Desafinados, de Walter Lima Júnior O Signo da Cidade, de Carlos Alberto Riccelli Última Parada 174, de Bruno Barreto
Que o Collor foi uma desgraça nacional, disso ninguém tem dúvida, mas até hoje, nós, amantes do Cinema Nacional, sentimos na pele o mal que ele causou ao paÃs. Um assunto recorrente aqui no Cena Brasilis é a mesmice da temática da produção nacional, e muito disso devemos a esse nosso ilustre presidente, que colocou uma pá de cal no nosso cinema, deixando-o inerte e quase morto por meia década. Desde então é uma luta conseguir convencer as pessoas de que há muita coisa boa sendo produzida nesse paÃs, e isso, se reflete claramente nas bilheterias. Filmes de grande sucesso precisam ter a Xuxa ou o Didi no tÃtulo, ou um global de sucesso, ou, na terceira e última opção ser super-mega-thunder polêmico (casos de Cidade de Deus, Carandiru e Tropa de Elite). Nas décadas de 30 e 40, cidades como Rio de Janeiro e São Paulo começaram a ver surgir cinemas de enormes proporções como o Cine Odeon e Palácio, na Cinelândia e o Cine Olido, na região central da capital paulista, entre tantos outro. Eram salas imensas, com capacidades para mais de 500 espectadores (à s vezes, para mais de mil) e que, com isso, permitiam que o preço do ingresso fosse mais baixo, e, conseqüentemente, que tivesse um público mais assÃduo. Por conta disso, os brasileiros iam muito mais ao cinema, porque era muito mais acessÃvel. E isso, obviamente, se refletia na bilheteria, o que fazia com que houvesse uma produção maior de filmes nacionais, e que esses fossem verdadeiros sucessos. Tanto que o maior público do nosso cinema continua sendo Dona Flor e Seus Dois Maridos, de 1976, dirigido por Bruno Barreto e estrelado por Sônia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça, que atraiu quase 11 milhões de espectadores aos cinemas, número que não chegou nem perto de ser batido nesses últimos 30 anos. Nos anos 80 a coisa até foi caminhando, apesar de uma queda de qualidade em comparação à quantidade, mas ainda assim, produzimos excelentes filmes como Pixote - A Lei do Mais Fraco, O Homem que Virou Suco, A Hora da Estrela, entre tantas outras obras que viraram referência do nosso cinema. Mas, eis que chegamos a março de 1990 e o nosso presidente de nariz avantajado, e praticante de esportes radicais decide acabar com a Embrafilme, e então vimos o Cinema Brasileiro definhar. Até que em 1994, o governo de Itamar Franco salvou a lavoura aprovando a Lei do Audiovisual, que possibilitou que o nosso cinema voltasse a produzir obras de excelente qualidade. O grande marco desse perÃodo, que ficou conhecido como Retomada do Cinema Nacional é o longa de Carla Camurati, Carlota Joaquina - Princesa do Brasil, que levou quase 1 milhão e meio de pessoas aos cinemas. Mas ainda é difÃcil para um filme nacional conseguir levar seu público à s salas, e nem sempre o dinheiro investido na produção do longa acaba retornando aos bolsos de seus investidores e membros da equipe. Nem mesmo Xuxa e Didi conseguem fazer tantos “baixinhos” e “psitis” pagarem pra ver seus filmes e o número de espectadores vai caindo ano a ano, basta ver que o último filme da loira estreou em dezembro e está me cartaz até agora - pra ver se reverte um pouco mais de grana aos cofres da já milionária apresentadora. E esse é o cenário do nosso cinema hoje, que dependendo de verba da Ancine e da Petrobras, fica com as mãos atadas e acaba chovendo no molhado pra conseguir captar um pouco mais de dinheiro e foca nossa produção em cima, sempre, do mais do mesmo. Recentemente vimos um verdadeiro blockbuster nacional surgir, contando a história de vida da dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano, e produzido pelo próprio Luciano. Dois Filhos de Francisco foi um enorme sucesso de crÃtica e público (até mesmo para aqueles que abominavam a dupla) e depois de muito tempo conseguiu fazer com que um filme nacional ultrapassasse a barreira dos 5 milhões de espectadores. Já o badalado Tropa de Elite, não fez nem cosquinha pra figurar entre os mais-mais, levando aos cinemas 2 milhões e meio de pessoas, porém, podemos bem multiplicar esse número por 5, levando-se em conta a quantidade de pessoas que viram à cópia-pirata do longa de José Padilha. Mas como o que conta é a bilhereria dos cinemas e grana no bolso, apesar de todo o furor gerado em torno do filme, ele não trouxe dindim para as nossa estatÃsticas e por conta disso, nem é citado. =D Dos pop-pop, também ficaram de fora da lista Central do Brasil e Cidade de Deus. Confira agora as maiores bilheterias nacionais de todos os tempos - mostrados apenas os filmes que conseguiram levar mais de 4 milhões para o cinema. ^^ OBS: Vejam bem quantos filmes d’Os Trapalhões está nessa lista. Só pra constar: Mussum rulez! =D1º Dona Flor e seus Dois Maridos (1976), Bruno Barreto - 10.735.305 de espectadores 2º O Ébrio (1946), Gilda de Abreu - 8.964.117 de espectadores 3º Casinha Pequenina (1963), Glauco Mirko Laurelli - 8.315.003 de espectadores 4º Jeca Tatu (1960), Milton Amaral - 8.017.988 de espectadores 5º A Dama do Lotação (1978), Neville de Almeida - 6.508.182 de espectadores 6º O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão (1977), J.B. Tanko - 5.785.816 de espectadores 7º Lúcio Flavio, o Passageiro da Agonia (1977), Hector Babenco - 5.401.325 de espectadores 8º Dois Filhos de Francisco (2005), Breno Silveira - 5.319.677 de espectadores 9º Os Saltimbancos Trapalhões (1981), J.B. Tanko - 5.218.574 de espectadores 10º Os Trapalhões na Guerra dos Planetas (1982), Adriano Stuart - 5.089.869 de espectadores 11º Os Trapalhões na Serra Pelada (1982), J.B. Tanko - 5.051.963 de espectadores 12º Cinderelo Trapalhão (1979), Adriano Stuart - 5.027.043 de espectadores 13º O Casamento dos Trapalhões (1988), Adriano Stuart - 4.779.027 de espectadores 14º Carandiru (2003), Hector Babenco - 4.693.853 de espectadores 15º Os Vagabundos Trapalhões (1982), J.B. Tanko - 4.632.428 de espectadores 16º Os Trapalhões no Planalto dos Macacos (1976), J.B. Tanko - 4.566.796 de espectadores 17º Coisas Eróticas (1982), Rafaelli Rossi - 4.525.401 de espectadores 18º Simbad, o Marujo Trapalhão (1976), J.B. Tanko - 4.407.719 de espectadores 19º A Princesa Xuxa e os Trapalhões (1989), José Alvarenga Jr. - 4.310.085 de espectadores 20º O Rei e os Trapalhões (1979), Adriano Stuart - 4.240.591 de espectadores 21º Os Três Mosquiteiros Trapalhões (1980), Adriano Stuart - 4.221.222 de espectadores 22º O IncrÃvel Monstro Trapalhão (1980), Adriano Stuart - 4.213.258 de espectadores 23º Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (1968), Roberto Farias - 4.118.013 de espectadores 24º O Cangaceiro (1953), Lima Barreto - 4.071.697 de espectadores 25º Lua de Cristal (1990), Tizuka Yamasaki - 4.012.442 de espectadores PS: Posso dizer que fui uma dessas milhões de pessoas nas salas de cinema no caso dos 13º, 14º, 19º e 25º - e atire a primeira pedra quem também não esteve lá. =D |
|
|
| © 2008, Judão, Tayra Vasconcelos. Alguns direitos reservados | ||