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Acredito que a imensa maioria dos leitores desse site já devem ter visto esse filme em alguma aula de Geografia da vida - é um verdadeiro clássico das salas de aulas. Porém, se esse curta for visto não com os olhos de um aluno de saco cheio de tudo o que o professor fala, e sim com um olhar de que essa é uma puta crÃtica social, feita de maneira sarcástica, ácida, questionando os valores de uma sociedade consumista como a nossa. Partindo da jornada de um tomate comprado por uma dona-de-casa, que também vende perfumes, podemos reparar o quanto nos acomodamos em nossas vidinhas confortáveis e estamos pouco nos lixando pro mundo (e as pessoas) à nossa volta, desde que isso não abale a nossa bolha - a maioria de nós é assim, uns em menores e outros em maiores graus. É claro que Cena Brasilis RECOMENDA, por seu sarcasmo (coisa que eu adoro!) e pela crÃtica social feita de uma maneira simples que chega a você da maneira mais crua possÃvel. Se por um acaso do destino você ainda não assistiu esse vÃdeo, pode conferir aqui embaixo, se você já viu no colégio, recomendo rever (certamente, a percepção será bem diferente!).l Prêmios e Indicações- Urso de Prata - Prêmio Especial do Júri para Curta-metragens no Festival de Berlim de 1990
Houve Uma Vez Dois Verões é um ótimo filme, como todos os produzidos pela Casa de Cinema de Porto Alegre e garantia de boas gargalhadas. Com o elenco principal todo composto por jovens atores gaúchos muito, e que eram quase todos desconhecidos do grande público. Esse é o primeiro do diretor Jorge Furtado, que já era consagrado por seu aclamado curta (e presença certa nas aulas do Ensino Médio e Fundamental), Ilha das Flores. E também é o segundo filme da Casa de Cinema de Porto Alegre, que em 2000 produziu o excelente Tolerância, estrelado por Maitê Proença, Roberto Bomtempo, Maria Ribeiro e o, na época desconhecido, Werner Schünemann. Rodado em apenas 23 dias, Houve Uma Vez Dois Verões conta a história de Chico (André Arteche, que interpreta o Clemente de Desejo Proibido), Roza, com Z (Ana Maria Mainieri, que interpreta a filha de Maitê Proença em Tolerância), dois jovens que se encontram por acaso nas férias e, juntos, vivem uma tarde de intensa paixão. Porém em pouco mais de um mês depois eles vão descobrir que a história deles irá muito além daquele fim de tarde de verão ou até mais além ainda do que outra noite no verão seguinte. E a coisa vai ficando cada vez mais maluca e engraçada.
O trio de atores principal é fantástico, tanto que André Arteche e Pedro Furtado, que interpreta Juca, melhor-amigo de Chico, acabaram virando globais depois de suas atuações nesse filme - pra quem não se lembra bem, Pedro Furtado interpretava o namoradinho da Helena Ranaldi em Mulheres Apaixonadas. Ana Maria Mainieri ainda não chegou às telinhas, mas vem se destacando como uma das grandes atrizes da nova geração, ainda que esteja restrita apenas ao cenário gaúcho, mas além de ser a protagonista desse longa, estrela também 3 Efes, mais recente longa do estúdio gaúcho, e parece que o tempo tem feito muito bem a ela, pois em cada filme que vejo ela está ainda mais linda. E além dos três, todos os outros integrantes do elenco também são gaúchos, ao contrário de outros filmes da Casa de Cinema de Porto Alegre, como Tolerância, O Homem que Copiava,Meu Tio Matou um Cara, Sal de Prata e Saneamento Básico, que sempre contam com globais em seu elenco. E é muito mais legal, porque não fica com aquele sotaque gaúcho falso - caso de Lázaro Ramos em O Homem que Copiava (cito ele, que por ser baiano, fica mais emblemático tentando fazer sotaque de gaúcho, mas a maioria se sai muito mal ao tentar falar cantado como os gaúchos de fato - assim como Luana Piovani, no mesmo O Homem que Copiava, que também imita um gauchês horroroso).
E como o Rio Grande do Sul é um paÃs a parte, nesse filme eles dão conta de ter um elenco 100% gaúcho e uma trilha sonora essencialmente formada por bandas de lá - embora haja algumas exceções. Mas eles podem se dar ao luxo de fazer isso e o filme ficar muito legal, com uma cara jovem e com um ar inovador. E eu adoro todos os trabalhos desse estúdio gaúcho, porque lá se trilha um caminho hollywoodiano para o nosso cinema. Basta dar uma olhada nos filmes produzidos pela Casa de Cinema de Porto Alegre e você constatará que eles fogem das temáticas constantemente abordadas pelas produções nacionais. São filmes que são drama, aventura, comédia-romântica etc., cada um no estilo que se propões, mas sem precisar falar de algum tema histórico, ou pobreza, violência… Eles têm seu enredo, se desenvolvem muito bem, nos trazem um cinema só de lazer (seja ele pra rir, chorar, ficar tenso), sem se preocupar com o que está acontecendo no mundo lá fora. E embora eu ache que é preciso sim ter cinema de denúncia, não precisamos ter só esse gênero de filmes por aqui, certo? E é por isso que eu adoro tudo que é produzido por esse estúdio gaúcho e adoraria ver muitas outras iniciativas como as deles. A gente precisa disso.
E Houve Uma Vez Dois Verões é um daqueles filmes que, quando acaba você fica com aquele gostinho de: “Já!”… E é por isso tudo que Cena Brasilis RECOMENDA total, esse você não pode deixar de ter. E se quiser comprar, é só clickar aqui e já garanto que vale muito a pena. O DVD do longa tem um diferencial que eu adorei (e que acho que todos os DVDs deveriam fazer isso), nos extras ele tem uma parte que é só sobre a trilha-sonora, com todas as músicas do filme na Ãntegra - ou seja você compra o DVD e “ganha” a trilha-sonora completa. Adorei! =D Premiações e Indicações- Prêmio da CrÃtica de Melhor Filme no Cine Ceará 2002 - Prêmio de Melhor Direção no Cine Ceará 2002 - Prêmio de Melhor Roteiro no Cine Ceará 2002 - Prêmio de Melhor Montagem no Cine Ceará 2002 - Prêmio do Júri Oficial de Melhor Filme no 5º Festival do Cinema Brasileiro de Paris, em 2003 - Prêmio de Melhor Roteiro Original no 4° Grande Prêmio Cinema Brasil, em 2003: - Prêmio de Melhor Roteiro no 2° Down Under International Film Festival, em Darwin (Austrália), em 2004 - Indicado ao Prêmio Adoro Cinema 2002, na categoria de Melhor Diretor - Indicado ao Prêmio Cinema Brasil 2003, na categoria de Melhor Filme - Indicado ao Prêmio Cinema Brasil 2003, na categoria de Melhor Figurino
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