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Ir ao cinema e assistir um filme nacional que não seja uma comédia romântica Globo Filmes, ou que não fale de nordeste ou de favela carioca é quase tão difícil quanto ganhar na loteria. E se o filme, ainda por cima for leve, gostoso de assistir, emocionante, sincero (como diria o próprio diretor/roteirista) e você se identificasse muito com todos os personages, seja porque a sua namorada é como um, você é como outro e seu melhor-amigo é como outro? Mais raro ainda, né! Pois esse é Apenas o Fim. O filme não pretende ser nenhuma mega-produção, é simples, focado, e mostra uma experiência que todo mundo já viveu: um fim de namoro. Aquela última hora do relacionamento que acaba sendo a “DR” derradeira, onde são expostos todos os pontos positivos e negativos, onde a parte que está terminando explica o porquê do fim, e a parte que está sendo deixada só fica tendo flashbacks dos momentos especiais. É um momento em que todo mundo sente e adoraria não precisar passar por isso. Toda a trama do longa é focada em um diálogo entre um casal que está terminando. Cansada da rotina, que não consegue lhe proporcionar o que ela imagina que seja felicidade, a menina (Erika Mader) resolve fugir, abandonando seu namorado (Gregório Duvivier), seus pais, seus amigos, sem dar grandes explicações. Mas antes de partir, ela decide ter uma conversa e passar sua última hora na presença daquele de quem está fugindo: o namorado. Nessa hora eles têm uma longa conversa e falam do relacionamento (no passado, no presente e num futuro, onde provavelmente cada um estará vivendo sua vida separadamente). O diálogo é todo permeado por flashbacks - brilhantemente ilustrados em preto e branco - que são repletos de easter-eggs para um público pop/nerd que viveu sua infância entre os anos 80/90 e foi influenciado pelo consumismo e pelo boom tecnológico do fim do milênio. Outro ponto que eu achei incrível, é que, tirando o personagem masculino que tem nome Antônio/Tom, a menina não tem (no caso, não tem seu nome mencionado), e mesmo nos créditos eles aparecem como Ele e Ela - e isso é muito singular, porque, na verdade eles não precisam ter nome, porque os personagens poderiam ser eu e o Borbs, ou você e sua namorada, ou sua amiga e seu amigo - poderia ser qualquer um de nós. Eles são apenas mais um casal no meio da multidão. O filme todo é uma pérola, um verdadeiro presente, para essa geração que nunca é lembrada pelo Cinema Nacional - na verdade, parece que nem mesmo existe o nicho jovem no mercado brasileiro. Esse é o primeiro longa voltado para jovens em anos. Na verdade, pensando na trajetória das produções nacionais, voltados para jovens, só consigo me lembrar de Uma Escola Atrapalhada (1990) - da leva de filmes anuais d’Os Trapalhões - e Sonho de Verão (1990), estrelado pelas Paquitas - que apesar de não ter Xuxa no elenco, não deixa de ser considerado um filme da mesma. Considerando esses filmes como para o público jovem, são 18 anos sem nada produzido para o público jovem, mas na verdade, ainda assim, esses que eu citei foram produzidos voltados para um público infantil e, por tabela, abocanharam uma fatia adolescente do mercado, mas não foram feitos pensando exatamente na faixa jovem do mercado. Já tava mais que na hora de as produções nacionais voltarem seus olhos para essa fatia do mercado, que por sinal é a que mais alimenta as gordas bilheterias de blockbusters hollywoodianos. Fico muito feliz com produções do gênero e ainda mais feliz quando podemos ter o prazer de assistir a um filme tão primoroso quanto Apenas o Fim. Eu já vi ao longa três vezes e veria outras três, e mais três e mais três. E choraria, e riria, e me emocionaria sempre com essa história que é simples, sem nenhum ultra-mega-mistério, sem viradas estrombólicas na trama, sem nada de apelativo. Simples, direto, impecável. E o que me deixa mais feliz é saber que esse é só o primeiro trabalho do diretor/roteirista Matheus Souza. Além do filme ter sido muito bem recebido pelo público (o que mostra que ele está no rumo certo), a tendência é só melhorar cada vez mais e nos trazer outros tantos primores como esse. E pensar que tudo surgiu como uma empreitada universitária, entre amigos, que pretendiam aprender cinema na prática… Agora o resultado está aqui, colocando um sorrisão no rosto de todos que tiveram a oportunidade de conferir o produto final. =D Cena Brasilis/ Judão/ Tayra/ Borbs, e muitas outras pessoas que assistiram ao filme até agora, recomendam o filme com todas as forças e apostam um picolé de cajá que vocês não ficarão decepcionados depois de passarem 80 minutos na sala de cinema assistindo a Apenas o Fim. Parabéns a Matheus Souza por um filme tão brilhante! Parabéns a Mariza Leão, por ter apostado todas as suas fichas nesse projeto! Parabéns a toda equipe, formada por amigos, que toparam fazer tudo sem nenhum fim lucrativo (apenas alguns pães na chapa - hehehe) e que se mostraram, acima de tudo, profissionais de primeira (espero não esquecer de citar ninguém): Julia Ramil, Laila Nunes, Vanessa Moore, Manu Nóbrega, Lourenço Monte-Mór, Tatiana Pomar, Julia Garcia, Julio Secchin, Gabriel Cabral, Gregório Duvivier, Érika Mader, Álamo Facó, Marcelo Adnet, Natália Dill, Júlia Gorman, Anna Sophia Folch e mais um montão de outras pessoas que encaram o projeto de peito aberto e muita força de vontade de fazer tudo dar certo.
Prêmios e Indicações- Menção Honrosa do Júri Oficial, no Festival do Rio 2008
Bom, vocês já sabem que aqui no Judão, por todos e mais alguns motivos, nós somos grandes entusiastas do longa Apenas o fim. Por isso, a gente vem aqui, em primeiríssima mão divulgar o trailer desse que promete ser uma das melhores produções desse nosso ano cinematográfico (que sempre começa com a Premiére Brasil do Festival do Rio). Curta o trailer do filme aqui: Pra quem se interessou, aqui estão os horários e locais em que o longa vai ser exibido no Festival do Rio
Odeon BR Praça Mahatma Gandhi, 2 - Centro Tel: (21) 2240-1093
Odeon BR (Sessão Popular R$ 2,00 - seguida de debate) Praça Mahatma Gandhi, 2 - Centro Tel: (21) 2240-1093
Estação Vivo Gávea Shopping da Gávea, Rua Marquês de São Vicente, 52 - 4º andar - Gávea Tel: (21) 3875 3011
Provavelmente, antes de ver qualquer coisa nos jornais, revistas, televisão etc. sobre Podecrer!, esse filme ficou interneticamente famoso por ser o filme onde a Fernanda Paes Leme aparece de biquini e chifrinho. Todo mundo já deu uma conferida nos “orfanatos” da vida nas fotos da atuação da moçoila nesse filme, mas não se sabia muito coisa além disso. Porém, é filme nacional e, em se tratando de filme Brasileiro, tirando Antônia, lá está a Dona Tayra. No Rio de Janeiro, no ano de 1981, acompanhamos a história de uma turma que está no último ano de colégio e, conseqüentemente, vivendo todos os dramas, conflitos e diversões que essa época da vida traz pra cada um. É nesse amabiente que conhecemos Carol (Maria Flor), que é filha de exilados políticos e que acabou de voltar da França devido à Anistia.
Ela logo se torna amiga de Melissa (Fernanda Paes Leme) e Silvinha (Liliana Castro, que forçaram ao colocá-la como estudante de colegial. Aos 28 anos, ela está longe de ser uma Daniela Suzuki, que com seus trintinha nas costas, pode se dar ao luxo de interpretar adolescentes. Já a Liliana Castro não convence nem a minha avó). As duas vão apresentando a garota ao resto da turma: João (Dudu Azevedo), PP (Sílvio Guindane), Marquinho (Gregório Duvivier) e Tavico (Marcelo Adnet), que formam juntos uma dessas bandas de rock de colégio. E como em todo lugar, existem as meninas vacosas, patricinhas, que se acham e que não se dão bem com as outras garotas — nesse grupo estão Ana Cláudia (Érika Mader) e Duda (Júlia Gorman). João se apaixona de cara por Carol, e vivem aqueles namoros que fazem inveja ao mundo, em plena sintonia, sem brigas ou discussões. Mas… =]
O filme é uma delícia, sensacional, divertido e sem forçar a barra. Além disso, conseguiu ser fidelíssimo aos anos 80, não há gafes de caracterização - e olha que eu fiquei caçando pelo em ovo… O que derruba um pouco a produção é aquela virada, típica de filme americano, onde tá tudo indo tão bem que precisa acontecer aquela big-merda para bagunçar a situação de tal maneira que tudo perca o sentido, até que no final as coisas se ajeitam e todo mundo fica feliz para sempre. Acho que se não fosse isso o filme teria conseguido um 8, porque eu adorei… E recomendo muito. As atuações estão ótimas, o Sílvio Guindane, como sempre, tá um show. Divertidíssimo e com suas eternas tiradas. Maria Flor está mostrando que é uma atriz versátil, capaz de interpretar os papéis mais diversos possíveis (e olha que ela começou como elenco de apoio da Malhação!). Sem falar no Gregório Duvivier, que está genial de maluco-beleza com as suas teorias sobre a Babilônia (impossível não gargalhar). A caracterização da banda, quando começa a fazer sucesso, é a coisa mais anos 80 que eu já vi - meio Titãs/Paralamas em início de carreira. Além disso, há a presença de Malu Mader, José de Abreu, Lulu Santos e Patrícia Travassos em participações especiais, sem falar no fantástico Stepan Nercessian, na pele do impagável inspetor Fleury.
O filme é muito bem dirigido, com excelentes atuações e merece muito ser conferido por todos, seja pra ver mais um filme diferentão do cinema nacional, ou pra ver a Fernanda Paes Leme (e a Maria Flor, Liliana Castro, Érika Mader, Júlia Gorman etc.)de chifrinho e biquini. =D
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