Brasil, mostra a sua cara…
Constado às 22:04 em Resenhas | 9 Comentários | 

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Quando assisti a esse filme, no ano passado, cheguei bem cedo à cabine - o que é raro devido ao trânsito de São Paulo - e estava bem empolgada, como já é de costume quando se trata de filme nacional, e ainda mais ser uma adaptação de literatura nordestina, com um ar de cordel. Aproveitei o fato de chegar cedo para devorar o presskit de O Homem que Desafiou o Diabo e então minha empolgação começou a escorrer pelo ralo - isso graças ao currículo do diretor (que estava no presskit como símbolo de orgulho). Especialista em Xuxa, Angélica e Padre Marcelo, entre seus filmes estão Xuxinha e Guto contra os monstros do Espaço, Xuxa e o Tesouro da Cidade Perdida, Xuxa Abracadabra, Maria, mãe do filho de Deus, Irmãos de Fé, Trair e Coçar é Só Começar e, pra fechar com chave de ouro, Dom, a pior adaptação de uma obra literária para a telona que eu já vi na minha vida.

Alguns minutos de apreensão depois, então, o filme começa. Ufa! A má impressão, graças a Shiloh, parou lá no currículo do diretor, porque o filme é assaz legal.

O Homem que Desafiou o Diabo conta a história de Zé Araújo (Marcos Palmeira), um caixeiro viajante, mulherengo, que chega à cidade de Jardim dos Caiacós para fechar negócio com Turco (Renato Consorte). De noite, num baile, ele conhece Dualiba (Lívia Falcão), quarentona virgem, fogosa e filha do Turco. Ele acaba passando dos limites com a moça e é obrigado a casar com ela. Zé Araújo acaba se tornando um marido e genro submisso. Nesse meio tempo, ele conhece Sesiom (Rui Rezende) - Moisés ao contrário - que lhe conta sobre as belezas e riquezas da terra de São Saruê, e que lá ele renasceu e mudou de nome.

O tempo passa, e um dia Zé Araújo descobre que virou motivo de chacota em toda cidade por conta de seu comportamento subserviente diante da mulher e do sogro. E então acontece a grande virada. Ele se revolta com essa situação, quebra a mercearia do sogro, dá uma surra na mulher, se veste de roupa de couro e vai até o escrivão (Lúcio Mauro) para mudar seu nome para Ojuara (Araújo ao contrário) e sai pelo sertão a procura de desafios, de defender os injustiçados e em busca do caminho para São Saruê. Nesse meio tempo ele se apaixona por Genifer (Fernanda Paes Leme) e por ela encara alguns valentões. Enfrenta o Diabo (Heldér Vasconcelos) em pessoa mais de uma vez, derrota Mãe de Pantanha (Flávia Alessandra) e doma um boi mandingueiro que aterrorizava toda uma população.

Sem dúvida alguma, o diretor Moacyr Góes pode considerar o “O Homem que desafiou o Diabo” como sua obra-prima. O filme é muito bem adaptado para o cinema. Como a maioria das obras da literatura nordestina, o filme conta com várias mini-tramas, e ainda assim não se perde e nem fica cansativo. É extremamente divertido e incrível que você consegue notar que aqueles personagens, na sua imensa maioria, deve existir de fato na imensidão que é o sertão nordestino.

A direção merece os louros por conseguir fazer um filme leve e ao mesmo tempo real, e que se distancia abissalmente de qualquer comparação que possa sofrer com O Auto da Compadecida. Sem falar que o elenco é incrível, porque todos os atores estão muitíssimo bem em seus papéis, sem falar que os sotaques e maneirismos estão incríveis, naturais, não parece aquele sotaque falso, forjado pela Globo.

O Homem que desafiou o Diabo
(Brasil, 2007)
106 minutos

Direção: Moacyr Góes

Roteiro: Bráulio Tavares, Moacyr Góes e Nei Leandro de Castro, baseado no romance “As Pelejas de Ojuara”, de Nei Leandro de Castro

Elenco: Marcos Palmeira, Heldér Vasconcelos, Lúcio Mauro, Flávia Alessandra, Fernanda Paes Leme, Lívia Falcão, Sérgio Mamberti, Renato Consorte, Rui Rezende, Leon Góes, Otto, Leandro Firmino da Hora, Quitéria Kelly, Giselle Lima, Carmita Medeiros, Pedrinho Mendes, Antônio Pitanga, Juliana Porteus

Nota do CENA BRASILIS

Constado às 16:45 em Resenhas | 3 Comentários | 

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Estréia hoje (mas apenas nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Curitiba) um dos filmes mais sofríveis da história do Cinema Nacional. Cléopatra é disparado o pior dos últimos anos, e um dos piores que já vi em toda a vida. Haja visto que o filme estreou no Festival de Brasília do ano passado e conseguiu levantar a platéia e arrancar uma sonora vaia, afinal de contas o filme é muito ruim.

Adaptando a história real de uma rainha que já virou mitológica e foi interpretada à exaustão no cinema, dessa vez o diretor Julio Bressane escalou Alessandra Negrini pra viver a personagem título, e valha-me Deus, que escolha mais infeliz - sempre gostei do trabalho dela, mas de uns anos pra cá, sua interpretação vem decaindo a olhos vistos. Eu não sei em que universo ela pesquisou pra criar aquele sotaque para Cleópatra - que deve estar lá se revirando em sua tumba por ser tão mal adaptada - sai uma coisa meio como “torrrrrrre azullllll” (com o R bem tremidos e o L bem prolongado). Além disso, é uma das piores interpretações da vida da atriz.

Salvando um pouco a lavoura, temos Miguel Falabella, na pele de um excelente Júlio César e Bruno Garcia como um ótimo Marco Antônio, mas ainda assim, eles não conseguem dar conta de resgatar o filme que já está todo na lama.

O filme é muito abstrato, confuso, mal dirigido, sem falar que as duas horas de duração mais parecem quatro, você olha o relógio o tempo todo e vê que o tempo não passa. É uma coisa horrível e que conseguiu uma unanimidade negativa entre os jornalistas que o assistiram. E olha que tinha um senhor elenco…

Como no Nós Vimos eu tinha falado da “análise anatômica” do corpo de Alessandra Negrini e fui criticada nos comentários por onanistas que pensando apenas com sua cabeça de baixo, tiveram a audácia de insinuar que eu não gostei do filme por conta da nudez dela. Não. Eu não gostei porque o filme é ruim mesmo, é péssimo. Além disso, há nudez e nudez. Acho que quando uma cena pede, uma situação exige, tem que ter cenas de nudez sim, e às vezes até me irrito com casos em que a situação toda requer a cena e por falso moralismo, acabam cortando a nudez. Agora, você tá numa cena em que é um diálogo, onde recitam uma poesia, corta para uma vagina 100% depilada e onde deveria haver pêlos, há um triângulo preto (pintado com tinta), fecha bem o close na vagina, e de repente, volta-se para uma cena de diálogo, que não tem nada a ver com sexo ou corpo. Pra que isso?! Não há sentido algum, a não ser chocar o espectador.

Excelentes atores perdidos, sem direção alguma, parecendo que decoraram um texto muito mal-decorado, inseguros, sem conseguir botar sua atuação pra fora. Além disso o começo do filme diz que a Cleópatra tem 16 anos - por mais que a Alessandra Negrini seja linda e esteja inteirona pros seus 38 anos de idade, não dá pra se passar por 16 anos nem na China.

É um horror do começo ao fim e só ganha uma estrelinha porque a atuação de Miguel Falabella e Bruno Garcia estão muito boas, porque senão, nem essa estrelinha eu daria. Dá até ódio saber que um projeto desses foi rodado com o nosso rico dinheirinho, porque um lixo desses, no máximo tinha que ter sido feito com grana saída do bolso dos produtores. Enfim, Cena Brasilis RECOMENDA, recomenda que você passe bem longe de qualquer cinema que esteja exibindo esse longa. Quem avisa amigo é.

Cleópatra
(Brasil, 2007)
116 minutos

Direção: Julio Bressane

Roteiro: Julio Bressane e Rosa Dias

Elenco: Alessandra Negrini, Miguel Falabella, Bruno Garcia, Tonico Pereira, Tonico Pereira, Taumaturgo Ferreira, Isabel Gueron Iras, Josie Antelo Carmina, Nildo Parente, Cézar Augusto, Heitor Martinez, Lúcio Mauro e Bel Garcia

Nota do CENA BRASILIS

Constado às 08:15 em Resenhas | 2 Comentários | 

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É muito bom quando pegamos um filme para assistir e nos deparamos com um como Redentor, que apresenta para gente um drama totalmente contemporâneo e inserido numa realidade tipicamente brasileira. Realidade esta, que faz parte da vida de muito mais pessoas do que nós possamos supor.

O que aconteceria com um prédio vazio, com apartamentos de médio e alto padrão, ao lado de uma favela de 20 mil habitantes?! Se você mora no Brasil, a resposta é uma só… A história de Redentor tem como gancho central a invasão do Residencial Paraíso, que traz sérias conseqüências para a vida de muitas pessoas, entre elas, Célio (Pedro Cardoso) e Otávio (Miguel Falabella). Os dois se conhecem desde o começo da década de 1970, quando ficaram amigos na infância. Otávio é filho do Dr. Sabóia (José Wilker), dono de uma empreiteira. Célio, ainda criança, fica impressionado com a maquete do empreendimento na Barra da Tijuca, mostrada por seu amigo. Vendo o filho com toda aquela empolgação, Justo (Domingos de Oliveira na primeira fase e Fernando Torres na segunda) decide comprar um apartamento para agradar o menino. Depois de pagarem todas as prestações durante anos, a família de Célio jamais chegou a ocupar o apartamento, porque o Dr. Sabóia, após vender os apartamentos, decretou falência e deixou a obra incompleta. Os operários que trabalharam na construção do edifício e não receberam o salário criaram uma favela ao lado do condomínio, e, passados 15 anos, sem verem a cor do dinheiro, decidem tomar posse dos apartamentos e organizam uma invasão. Com isso o Dr. Sabóia se suicidou e deixou os negócios a cargo do filho. Célio, que virou jornalista, vai cobrir o caso e, depois de anos, reencontra Otávio. Depois de fingir aceitar uma proposta de Otávio para se corromper, Célio tem uma visão e acredita ter recebido uma missão de Deus para fazer com que o ex-amigo se arrependa de seus erros e doe toda sua fortuna aos pobres a quem seu pai ficou devendo.

Deixando de lado a ficção e os efeitos especiais, é interessante observar a acidez do filme, que é muito bem construído e amarrado, de maneira que, com pitadas certeiras de comédia, fazem desse filme uma excelente crítica social, envolvendo uma pessoa de classe média que sofre um golpe que abala financeiramente a vida de sua família. Mas ainda assim, ele também se choca ao perceber que outras pessoas também foram vítimas daquele mesmo golpe e muitos casos ainda são bem piores do que o dele.

Além disso, é sensacional nos depararmos com dois atores que ficaram conhecidos em todo canto por seus emblemáticos personagens Agostinho Carrara e Caco Antíbes, e, em Redentor, eles mostram que têm um talento que vai muito além de nos fazer rir com interpretações cômicas e piadas escrachadas. Provam que são atores capazes de encarar qualquer tipo de personagem que lhes seja proposto.

E pra coroar, os papéis dos coadjuvantes todos são interpretados por atores excelentes como Fernanda Montenegro, Fernanda Torres, Fernando Torres, Camila Pitanga, José Wilker, Babu Santana, Stênio Garcia, Suely Franco, Guta Stresser, Tonico Pereira, Lúcio Mauro, Tony Tornado e Enrique Díaz.

Redentor é um verdadeiro trabalho de família. Dirigido por Cláudio Torres, que também assina o roteiro ao lado de sua irmã, Fernanda Torres (que também atua no longa), João Emanuel Carneiro e Elena Soárez. Além disso, os pais da dupla Fernanda Montenegro e Fernando Torres, fazem parte do elenco do filme.

Uma ótima obra do nosso cinema que merece ser conferido por quem ainda não teve a oportunidade de ver. JUDÃO e CENA BRASILIS RECOMENDA.

Redentor
(Brasil, 2004)
95 minutos

Direção: Cláudio Torres

Roteiro: Elena Soárez, João Emanuel Carneiro, Fernanda Torres e Cláudio Torres

Elenco: Pedro Cardoso, Miguel Falabella, Fernanda Montenegro, Fernanda Torres, Fernando Torres, Camila Pitanga, José Wilker, Babu Santana, Stênio Garcia, Suely Franco, Guta Stresser, Tonico Pereira, Lúcio Mauro, Tony Tornado e Enrique Díaz

Nota do CENA BRASILIS

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