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Que o Collor foi uma desgraça nacional, disso ninguém tem dúvida, mas até hoje, nós, amantes do Cinema Nacional, sentimos na pele o mal que ele causou ao paÃs. Um assunto recorrente aqui no Cena Brasilis é a mesmice da temática da produção nacional, e muito disso devemos a esse nosso ilustre presidente, que colocou uma pá de cal no nosso cinema, deixando-o inerte e quase morto por meia década. Desde então é uma luta conseguir convencer as pessoas de que há muita coisa boa sendo produzida nesse paÃs, e isso, se reflete claramente nas bilheterias. Filmes de grande sucesso precisam ter a Xuxa ou o Didi no tÃtulo, ou um global de sucesso, ou, na terceira e última opção ser super-mega-thunder polêmico (casos de Cidade de Deus, Carandiru e Tropa de Elite). Nas décadas de 30 e 40, cidades como Rio de Janeiro e São Paulo começaram a ver surgir cinemas de enormes proporções como o Cine Odeon e Palácio, na Cinelândia e o Cine Olido, na região central da capital paulista, entre tantos outro. Eram salas imensas, com capacidades para mais de 500 espectadores (à s vezes, para mais de mil) e que, com isso, permitiam que o preço do ingresso fosse mais baixo, e, conseqüentemente, que tivesse um público mais assÃduo. Por conta disso, os brasileiros iam muito mais ao cinema, porque era muito mais acessÃvel. E isso, obviamente, se refletia na bilheteria, o que fazia com que houvesse uma produção maior de filmes nacionais, e que esses fossem verdadeiros sucessos. Tanto que o maior público do nosso cinema continua sendo Dona Flor e Seus Dois Maridos, de 1976, dirigido por Bruno Barreto e estrelado por Sônia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça, que atraiu quase 11 milhões de espectadores aos cinemas, número que não chegou nem perto de ser batido nesses últimos 30 anos. Nos anos 80 a coisa até foi caminhando, apesar de uma queda de qualidade em comparação à quantidade, mas ainda assim, produzimos excelentes filmes como Pixote - A Lei do Mais Fraco, O Homem que Virou Suco, A Hora da Estrela, entre tantas outras obras que viraram referência do nosso cinema. Mas, eis que chegamos a março de 1990 e o nosso presidente de nariz avantajado, e praticante de esportes radicais decide acabar com a Embrafilme, e então vimos o Cinema Brasileiro definhar. Até que em 1994, o governo de Itamar Franco salvou a lavoura aprovando a Lei do Audiovisual, que possibilitou que o nosso cinema voltasse a produzir obras de excelente qualidade. O grande marco desse perÃodo, que ficou conhecido como Retomada do Cinema Nacional é o longa de Carla Camurati, Carlota Joaquina - Princesa do Brasil, que levou quase 1 milhão e meio de pessoas aos cinemas. Mas ainda é difÃcil para um filme nacional conseguir levar seu público à s salas, e nem sempre o dinheiro investido na produção do longa acaba retornando aos bolsos de seus investidores e membros da equipe. Nem mesmo Xuxa e Didi conseguem fazer tantos “baixinhos” e “psitis” pagarem pra ver seus filmes e o número de espectadores vai caindo ano a ano, basta ver que o último filme da loira estreou em dezembro e está me cartaz até agora - pra ver se reverte um pouco mais de grana aos cofres da já milionária apresentadora. E esse é o cenário do nosso cinema hoje, que dependendo de verba da Ancine e da Petrobras, fica com as mãos atadas e acaba chovendo no molhado pra conseguir captar um pouco mais de dinheiro e foca nossa produção em cima, sempre, do mais do mesmo. Recentemente vimos um verdadeiro blockbuster nacional surgir, contando a história de vida da dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano, e produzido pelo próprio Luciano. Dois Filhos de Francisco foi um enorme sucesso de crÃtica e público (até mesmo para aqueles que abominavam a dupla) e depois de muito tempo conseguiu fazer com que um filme nacional ultrapassasse a barreira dos 5 milhões de espectadores. Já o badalado Tropa de Elite, não fez nem cosquinha pra figurar entre os mais-mais, levando aos cinemas 2 milhões e meio de pessoas, porém, podemos bem multiplicar esse número por 5, levando-se em conta a quantidade de pessoas que viram à cópia-pirata do longa de José Padilha. Mas como o que conta é a bilhereria dos cinemas e grana no bolso, apesar de todo o furor gerado em torno do filme, ele não trouxe dindim para as nossa estatÃsticas e por conta disso, nem é citado. =D Dos pop-pop, também ficaram de fora da lista Central do Brasil e Cidade de Deus. Confira agora as maiores bilheterias nacionais de todos os tempos - mostrados apenas os filmes que conseguiram levar mais de 4 milhões para o cinema. ^^ OBS: Vejam bem quantos filmes d’Os Trapalhões está nessa lista. Só pra constar: Mussum rulez! =D1º Dona Flor e seus Dois Maridos (1976), Bruno Barreto - 10.735.305 de espectadores 2º O Ébrio (1946), Gilda de Abreu - 8.964.117 de espectadores 3º Casinha Pequenina (1963), Glauco Mirko Laurelli - 8.315.003 de espectadores 4º Jeca Tatu (1960), Milton Amaral - 8.017.988 de espectadores 5º A Dama do Lotação (1978), Neville de Almeida - 6.508.182 de espectadores 6º O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão (1977), J.B. Tanko - 5.785.816 de espectadores 7º Lúcio Flavio, o Passageiro da Agonia (1977), Hector Babenco - 5.401.325 de espectadores 8º Dois Filhos de Francisco (2005), Breno Silveira - 5.319.677 de espectadores 9º Os Saltimbancos Trapalhões (1981), J.B. Tanko - 5.218.574 de espectadores 10º Os Trapalhões na Guerra dos Planetas (1982), Adriano Stuart - 5.089.869 de espectadores 11º Os Trapalhões na Serra Pelada (1982), J.B. Tanko - 5.051.963 de espectadores 12º Cinderelo Trapalhão (1979), Adriano Stuart - 5.027.043 de espectadores 13º O Casamento dos Trapalhões (1988), Adriano Stuart - 4.779.027 de espectadores 14º Carandiru (2003), Hector Babenco - 4.693.853 de espectadores 15º Os Vagabundos Trapalhões (1982), J.B. Tanko - 4.632.428 de espectadores 16º Os Trapalhões no Planalto dos Macacos (1976), J.B. Tanko - 4.566.796 de espectadores 17º Coisas Eróticas (1982), Rafaelli Rossi - 4.525.401 de espectadores 18º Simbad, o Marujo Trapalhão (1976), J.B. Tanko - 4.407.719 de espectadores 19º A Princesa Xuxa e os Trapalhões (1989), José Alvarenga Jr. - 4.310.085 de espectadores 20º O Rei e os Trapalhões (1979), Adriano Stuart - 4.240.591 de espectadores 21º Os Três Mosquiteiros Trapalhões (1980), Adriano Stuart - 4.221.222 de espectadores 22º O IncrÃvel Monstro Trapalhão (1980), Adriano Stuart - 4.213.258 de espectadores 23º Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (1968), Roberto Farias - 4.118.013 de espectadores 24º O Cangaceiro (1953), Lima Barreto - 4.071.697 de espectadores 25º Lua de Cristal (1990), Tizuka Yamasaki - 4.012.442 de espectadores PS: Posso dizer que fui uma dessas milhões de pessoas nas salas de cinema no caso dos 13º, 14º, 19º e 25º - e atire a primeira pedra quem também não esteve lá. =D |
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