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Eis aqui mais uma boa pedida do Cinema Nacional, que ainda que não seja um mega primor da produção brasileira, merece seus louros por estar trilhando o caminho de uma vertente diferente das temáticas dos filmes brasileiros. Com uma temática totalmente diferente do “pobreza-favelas-problemas sociais-ditadura militar- nordeste”, Sem Controle, apesar de tratar de internos em um instituto psiquiátrico, não se parece em nada com Bicho de Sete Cabeças, que tem um ar de denúncia, de protesto contra o sistema manicomial brasileiro. Sem Controle é um filme que não é leve, mas é intrigante e interessante. O longa conta a história de Danilo (Du Moskovis), um diretor de teatro, que está em depressão por conta de seu enorme fracasso com a peça a qual se dedicou durante anos, sobre Mota Coqueiro (o caso que foi responsável pelo fim da pena de morte no Brasil - já passou até um Linha Direta Justiça sobre ele, pra quem não lembra de ter aprendido na história) e acaba surtando. Pra ajudá-lo a sair dessa inércia, sua amiga Márcia (Vanessa Gerbelli), que é diretora de um instituto de psiquiatria, o interna apenas para poder ficar de olho nele. Márcia e Danilo conversam muito sobre ele, e ela ressalta o fato de que Danilo é um homem obcecado pela injustiça e luta contra isso com todas as armas que tem (por isso a peça sobre Mota Coqueiro, que consumiu anos e anos de sua vida na parte da pesquisa). Segundo ela, tudo isso se deve à história de vida dele e da injustiça cometida contra seu pai (que fica no ar o filme todo). No instituto ele conhece uma menina linda, Aline (Milena Toscano), que está sempre lendo algum livro interessante e acompanhada de um amigo, Felipe (Pablo Sanábio)que está em tratamento e a quem ela chama de Doidinho/Maluquinho. Após muitas conversas literárias, de descobrirem gostos e interesses parecidos Danilo e Aline acabam se envolvendo. Depois de um tempo, Márcia convida Danilo para fazer uma Oficina de Teatro para os internos, e ele acaba se animando com a idéia. Quando a oficina começa, cheia de interessados, surge também Aline, que confessa que é uma paciente e que já está em tratamento há três anos. Chocado e revoltado, ele diz a ela que não podem continuar se envolvendo porque não seria ético e blá-blá-blá. E aà que surge o grande conflito do filme: quão normal é Aline e como ela pode reagir a esse rompimento? O filme é tenso e intrigante, te deixa o tempo todo apreensivo e é, sem dúvida alguma, o papel da vida de Milena Toscano, que embora tenha ganhado um papel de destaque em Eterna Magia, tenha feito Amazônia no comecinho do ano passado, e tenha estreado como atriz num pequeno papel no aclamado Olga, não deixa de ser uma modelo, recém-saÃda das páginas da Capricho para o mundo da interpretação - sem nenhuma intenção de ofensa e preconceito, estou apenas constatando o fato, para aumentar ainda mais seu mérito diante do papel de Aline. Não posso deixar de tirar meu chapéu para ela, que além de ter desempenhando muito bem seu papel em Eterna Magia, num misto de mocinha com quedas genéticas para a vilania, em Sem Controle está simplesmente soberba. A personagem muda de personalidade muitas vezes, ela é meiga, delicada, dissimulada, cÃnica, sedutora, agressiva, manipuladora, de acordo com o que manda seu momento no filme e ela manipula o mundo a seu redor, como se todos fossem seus marionetes. Uma personagem extremamente complexa, que precisava de uma senhora atriz para dar conta do recado, e Milena Toscano o fez. Du Moskovis e Vanessa Gerbelli também estão ótimos no filme, mas por conta de seus personagens terem uma personalidade mais simples, mais padrão, com certeza, os holofotes desse filme se voltarão totalmente para Milena Toscano. É mais um filme daqueles que me fazem ficar muito feliz com os rumos que o nosso cinema está tomando, fazendo com que possa servir apenas como entretenimento (mas não no estilo ultra-digestivo dos Sexo, Amor e Traição da vida), sem precisarmos sair da sala ruminando sobre um assunto. Que venham muitos outros filmes como Sem Controle. Premiações e Indicações- Prêmio de Melhor Direção no Festival de Cinema Brasileiro de Los Angeles de 2008
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