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Produzido inicialmente para o público infantil, Pequenas Histórias é um filme que acabou encantando todos os adultos que tiveram o prazer de assistir essa obra-prima de Helvécio Ratton. Eu que tive o ptivilégio de ver o filme em setembro do ano passado no Festival do Rio, digo que o maior problema desse filme é que demorou muito pra ser lançado em circuito nacional. Isso sem falar que as nossas crianças vão ter a oportunidade de conferir um filme nacional feito para elas, de extrema qualidade e, para sorte delas mesmas, sem Xuxa ou Didi no elenco. O filme é todo narrado por Marieta Severo, que em alguma fazenda, de algum interior do Brasil, leva uma vida simples enquanto borda seus retalhos e com eles monta uma trama, aproveitando para ir nos contando histórias. São quatro enredos diferentes, que mesclam fatos do dia-a-dia, intercalando problemas sociais e tradições, com personagens e contos do nosso folclore. O elenco das histórias conta com nomes como PatrÃcia Pillar, Paulo José, Gero Camillo, Maria Gladys entre outros excelentes atores. A primeira história é sobre um pescador (MaurÃcio Tizumba) que se casa com a Iara (PatrÃcia Pillar), depois de esta realizar um milagre que acaba “salvando a vida” do pescador. E que vivem muito felizes, até… Um conto que nada mais é do que uma parábola/uma metáfora para ilustrar o casamento (todo e qualquer um! =D). Outra história é de um menino, Vevé (Constantin de Tugny), que é coroinha e que morre de medo da “Procissão dos Mortos”, lenda que diz que toda última sexta-feira do mês, os mortos saem à s ruas em procissão apavorando os vivos que cruzarem seu caminho. Depois acompanhamos a história de um homem paupérrimo (Paulo José), que pra ganhar uns trocados no fim do ano, se fantasia de Papai Noel numa loja de brinquedos, que não se conforma com a frieza do ser humano, mesmo diante de datas que “amolecem o coração”, como é o caso do Natal. E a última, numa antológica atuação de Gero Camilo, conta a história de Zé Burraldo (interpretado por Gero), que é um homem bondoso, mas extremamente ingênuo e crédulo, e que por conta disso, acaba sendo feito de bobo pelos outros. O diretor Helvécio Ratton, acertou em cheio e conseguiu fazer um filme leve e lindo, que não tem idade, e pode ser visto por crianças, adultos, idosos e todos vão sair da sala com ar de satisfação - cada um com uma visão diferente do filme, mas todos muito felizes. Para quem gosta da cultura brasileira, gosta de ouvir histórias que sua vó contava e se interessa pelo nosso folclore, seguramente vai se encantar com esse longa. Quem não se interessa tanto assim por esses temas, ainda acredito que vale a pena conferir, pois acho difÃcil sair da sala sem gostar desse filme (pra você ter uma idéia a sessão que eu assisti lá no Festival tava super cheia, porque muita gente foi pra assistir a Planeta Terror, que tava com ingressos esgotados e, pra não perder a viagem, acabaram optando por ver o filme nacional. E mesmo esses fãs de Robert Rodriguez, saÃram felizes da sala depois de assistir à nova obra de Ratton. Por isso, mesmo você sendo aquele leitor clássico do Judão, que só quer saber dos master-pipocas, acho que vai acabar gostando desse filme. É uma produção que merece ser valorizada, para que as crianças de hoje em dia tenham oportunidade de desfrutar de outras obras tão sensÃveis quanto essa.
Se desconsiderarmos a péssima qualidade da imagem (até porque o filme é de 1991) e nos deixarmos levar pela trama, que é muito legal, não há como não se divertir com O Corpo, baseado no conto “A Via Crúcis do Corpo” de Clarice Lispector. A começar que o filme é protagonizado por três excelentes atores: Antônio Fagundes, Marieta Severo e Cláudia Jimenez. O filme, que apesar de ser de 1991, foi uma das últimas obras da Embrafilme (sumariamente assassinada pelo nosso queridÃssimo presidente Collor) - uma vez que o roteiro é de 1986 e a captação, contratação de elenco etc. levaram cerca de três anos. Até que, entre junho e julho de 1989, o filme, enfim, foi rodado. Mais um ano e meio para montagem, edição e afins, fez com que o filme fosse lançado pós assassinato de sua “mamãe”. O filme é uma comédia, com um fundo rodriguiano (apesar de baseado em obra de Clarice Lispector), que satiriza a vida amorosa de um farmacêutico, metido a latin lover e de suas duas “esposas”. Xavier (Antônio Fagundes) vive feliz, tocando seu negócio e ao lado de duas mulheres, Bia (Cláudia Jimenez) e Carmen (Marieta Severo). Os três se amam, se tratam a pão-de-ló e seguem a vida num clima de perfeita harmonia. Esse “casamento” é um verdadeiro escândalo para o pessoal das redondezas, e incomoda, principalmente a mulher do delegado (Sérgio Mamberti), vivida pela ótima Maria Alice Vergueiro, também conhecida como Tapa na Pantera. =D
Sem dar muita importância para a opinião alheia, as coisas vão caminhando muito bem, até que um dia Xavier se atrasa para o jantar e as duas começam a ficar desconfiadas. Num deslize lugar-comum, as duas encontram uma marca de batom, eles descobrem que, além das duas, ele também tem um caso com a prostituta Monique (Carla Camurati). É aà que, num rompante, as duas enlouquecidas de ciúme, transformam o latin lover no referido personagem tÃtulo. Apesar de ser um filme anos 80, a direção foi impecável e soube encaixar as cenas de sexo (sem trocadilho infame… =D) muito adequadamente, sem nenhuma apelação, utilizando-as de maneira discreta, correta, apenas nos momentos em que são necessários na trama. Eu já assisti ao filme algumas vezes - acho que desde os meus 14 anos, sempre que passa nas madrugadas globais, até que, enfim, consegui comprar o DVD e sempre que me dá vontade, é só correr pro abraço. =D Se formos assistir ao filme com os olhos de hoje, vamos achar vários defeitos, mas se dermos um desconto e levarmos em conta que o filme tem quase 20 anos, dá pra se divertir muito e conferir uma das melhores atuações da carreira de Cláudia Jimenez. Ah, e só pra constar, eu como fui uma “bolorzinho de televisão” como diria a minha mãe, sempre acompanhei as novelas globais da minha infância, e isso inclui o trabalho de Carla Camurati, mas depois de rever a O Corpo mais recentemente, louvo aos céus que ela tenha abandonado a carreira de atriz para atuar apenas atrás das câmeras - papel esse que tem desempenhado bem (apesar de alguns deslizes como Irma Vap - O Retorno… =D). A atuação dela nesse filme é horrenda - isso pra dizer o mÃnimo. Ainda assim o filme vale muito a pena, e é claro que Cena Brasilis RECOMENDA. Se tiver dificuldade pra encontrar pra alugar, pode esperar um dia inspirado, porque volta e meia passa na Globo ou no Canal Brasil, mas, se você for daqueles que não têm muita paciência, é mais fácil clickar aqui e comprar o seu. Prêmios e Indicações- Candango de Melhor Filme, no Festival de BrasÃlia de 1991 - Divisão do Candango de Melhor Atriz entre Marieta Severo e Claudia Jimenez, no Festival de BrasÃlia de 1991 - Prêmio de Melhor Roteiro, no Festival de BrasÃlia de 1991 - Prêmio de Melhor Trilha Sonora, no Festival de BrasÃlia de 1991 - Prêmio de Melhor Montagem, no Festival de BrasÃlia de 1991 - Prêmio de Melhor Cenografia, no Festival de BrasÃlia de 1991 - Prêmio de Melhor Filme, no Festival Internacional de Cartagena de 1992 - Prêmio de Melhor Roteiro, no Festival Internacional de Cartagena de 1992 - Prêmio de Melhor Ator para Antônio Fagundes, no Festival Internacional de Cartagena de 1992
A história de A Grande FamÃlia - O Filme carrega para as telonas todos os elementos que quem assiste ao seriado já deve estar careca de conhecer. Porém, eles conseguiram passear por algo mais profundo de uma maneira bem interessante. E isso foi feito destrinchando a história em três partes, que na verdade são três histórias diferentes, mas todas com um mesmo pano de fundo. O filme todo gira basicamente em torno de Lineu (Marco Nanini), que começa a entrar em parafuso depois de ir ao enterro de um colega de repartição. Ao se sentindo mal, por influência de Mendonça (Tonico Pereira) ele resolve ir a um médico, e é aà que começa toda a piração.
O médico suspeita que ele possa ter uma doença grave e pede que ele faça alguns exames para confirmar a situação. Com o resultado em mãos, Lineu decide que prefere ficar na dúvida e resolve não abrir o envelope e como não sabe muito bem lidar com essa suposta doença, num dado momento ele começa a imaginar como seria a vida de sua famÃlia sem ele. Aà ele surta ao constatar que ele é o verdadeiro arrimo de todos, pois a filha é casada com um malandro, o filho é um vagabundo e a mulher é dona-de-casa. Não dá pra dar uma sinopse muito detalhada porque senão eu conto o filme, que é costurado através da morte do Lineu, e de como seria a vida dele(s) se ele tivesse um caráter totalmente diferente.
As três histórias têm esse mesmo ponto de partida, o que para alguns pode até parecer repetitivo num determinado momento, mas eu achei que se encaixava bem. A maneira de “rebobina tudo e começa de novo” de contar o filme pede essa repetição, além do que, é legal ver como os atores se desempenharam bem ao fazer diálogos quase iguais para uma situação totalmente diferente e que, à s vezes, até pedia uma emoção muito distinta da utilizada anteriormente. Elementos já conhecidos de quem acompanha o seriado, como o rolo entre Tuco (Lúcio Mauro Filho) e Marilda (Andréa Beltrão), as pilantragens de Agostinho (Pedro Cardoso), a paranóia da Bebel (Guta Stresser) em engravidar, as armações de Mendonça e por aà vai, também estão no filme. E dois personagens novos aparecem, dando um toque extra de cenas cômicas ao filme: Carlinhos (Paulo Betti), que é um ex-quase-namorado de Nenê (Marieta Severo) e Marina (Dira Paes), suposta amante de Lineu. E vemos também como tudo começou entre Lineu e Nenê, num bailinho em 1967. Lembrando que o personagem de Paulo Betti já apareceu no seriado também, mas tinha um outro nome.
Não há como se decepcionar com a atuação, nem com a direção, uma vez que todos trabalham juntos há quase sete anos, e tá mais do que provado que essa parceria dá super certo. O meu medo, que acabou se concretizando, era como eles conseguiriam produzir o filme em cima de algo que é tão conhecido do público, de uma maneira que não soasse repetitiva. Porque é muito complicado lidar com personagens tão conhecidos por todos e ainda assim trazer algo novo. A história é diferente, alguns temas conseguiram ser mais aprofundados (algo impossÃvel num programa semanal de meia-hora), mas ainda assim muitos conflitos existentes ali já estão batidos. Mas não é isso que faz desse um filme ruim, é apenas uma constatação. Enfim, Cena Brasilis até que RECOMENDA! sim, seja você um autêntico fã do seriado ou se apenas quiser dar algumas boas risadas. Pode passar em algum cinema, que não vai ter decepção não.
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