Brasil, mostra a sua cara…
Constado às 09:43 em Festival, Notícias | 8 Comentários | 

Um dos mais antigos e consagrados festivais de cinema do Brasil teve sua noite de premiação ontem. O 36º Festival de Cinema de Gramado surpreende dando o grande prêmio para Nome Próprio, estrelado por Leandra Leal, e que é quase uma unanimidade entre o público como um filme desnecessário (isso para ser simpática em minha crítica). Estreando como diretor, Matheus Nachtergaele, com seu A festa da menina morta, recebeu o prêmio especial do júri. Ainda por esse filme, Daniel de Oliveira, recebeu o prêmio de melhor ator, além dos Kikitos de melhor fotografia e melhor música, além de ser eleito como o melhor do festival pelo júri popular e pela crítica.

Confira a lista compelta dos vencedores:

# CATEGORIA LONGA-METRAGEM BRASILEIRO:
Melhor filme : Nome próprio, de Murilo Salles
Melhor diretor: Domingos Oliveira, pelo filme Juventude
Melhor ator: Daniel de Oliveira, pelo filme A festa da menina morta
Melhor atriz: Leandra Leal, pelo filme Nome próprio
Melhor roteiro: Domingos Oliveira, pelo filme Juventude
Melhor fotografia: Lula Carvalho, pelo filme A festa da menina morta
Melhor diretor de arte: Pedro Paulo de Souza, pelo filme Nome próprio
Melhor música: Matheus Nachtergale, pelo filme A festa da menina morta
Melhor montagem: Natara Ney, pelo filme Juventude
Prêmio especial do júri: A festa da menina morta, de Matheus Nachtergaele
Prêmio de qualidade artística: para os Atores Aderbal Freire Filho,
Domingos Oliveira e Paulo José, pelo filme Juventude
Prêmio da crítica: A festa da menina morta, de Matheus Nachtergale
Melhor filme do júri popular: A festa da menina morta, de Matheus Nachtergale

# LONGA-METRAGEM ESTRANGEIRO
Melhor filme: Cochochi, de Israel Cardenas e Laura Guzman
Melhor diretor: Carlos Moreno, pelo filme Perro come perro
Melhor ator: Marlon Moreno e Oscar Borda pelo filme Perro come perro
Melhor atriz: Ana Carabajal pelo filme Por sus propios ojos
Melhor roteiro: Liliana Paolinelli pelo filme Por sus propios ojos
Melhor fotografia: Juan Carlos Gil pelo filme Perro come perro
Prêmio especial do júri: para Por sus propios ojos
Prêmio de qualidade artística: para Cochochi
Excelência de linguagem técnica: Cochochi, de Israel Cardenas e Laura Guzman
Prêmio da crítica: Perro come perro, de Carlos Moreno
Melhor filme do júri popular: Por sus propios ojos, de Liliana Paolinelli

#CURTA-METRAGEM
Melhor filme: Areia, de Caetano Gotardo
Melhor diretor: Jaime Lerner, pelo filme Subsolo
Melhor ator: Augusto Madeira, pelos filmes Blackout e Noite de domingo
Melhor atriz: Malu Galli, pelo filme Areia
Melhor roteiro: César Cabral e Leandro Maciel, por Dossiê Rê Bordosa
Melhor fotografia: Heloisa Passos, por Areia
Prêmio especial do júri: Booker Pittman, de Rodrigo Grota
Melhor diretor de arte: José de Aguiar, pelo filme Booker Pittman
Melhor música: Booker Pittman, pelo filme Booker Pittman
Melhor montagem: César Cabral e Leandro Maciel, pelo filme Dossiê Rê Bordosa
Prêmio da crítica: Booker Pittman, de Rodrigo Grota

#MOSTRA GAÚCHA
Melhor filme: Um dia como hoje, de Eduardo Wannmacher
Melhor direção: Diego Muller, por Cortejo negro
Melhor ator: Júlio Andrade, por Um dia como hoje
Melhor atriz: Carolina Sudat, por Um dia como hoje
Melhor roteiro: Eduardo Wannmacher, por Um dia como hoje
Melhor fotografia: Fernando Vanelli, por Cortejo negro
Melhor direção de arte: Rita Faustini, por Os sete trouxas
Melhor música: Fausto Prado, por Subsolo
Melhor montagem: Fábio Lobanowsky, por Um dia como hoje
Melhor edição de som: Cristiano Scherer, por Rosário dos navegantes
Melhor produtor/ produtor executivo: Pablo Muller, por Cortejo negro

Constado às 10:42 em Resenhas | 3 Comentários | 

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Taí um filme que deve deixar os adoradores do cinema nacional felizes. Não é sempre que se consegue reunir essa quantidade de atores tão bons numa só produção (apesar de que isso nem sempre salva…). Porém, com Árido Movie, o resultado foi muito bom. Afinal de contas, a meu ver, um filme que tem em seu elenco Giulia Gam, Selton Mello, Matheus Nachtergaele, José Dumont, Guilherme Weber, José Celso Martinez, Mariana Lima, Luis Carlos Vasconcelos, Renata Sorrah, Paulo César Pereio entre tantos outros, só podia dar em boa coisa, né?!

A primeira vez que vi o filme, saí do cinema com um sorriso no rosto, extremamente satisfeita. É algo diferente de tudo que eu já foi feito por aqui, com uma linguagem que não se parece com nada. A maneira como o roteiro é conduzido, a metalinguagem… Muito legal! =D

Basicamente, o filme conta a história de Jonas (Guilherme Weber), um jornalista que apresenta a meteorologia na TV (em rede nacional) em São Paulo. Ele recebe a notícia de que seu pai foi assassinado em Vale do Rocha, cidade onde nasceu, no interior de Pernambuco. A volta de Jonas a Rocha irá lembrar-lhe muito de quem ele é, ou poderia ter sido, embora não tivesse voltado à região desde a infância.

Árido Movie apesar de ter uma temática que à primeira vista parece bem batida, não tem nada a ver com os filmes que costumamos ver sobre nordeste brasileiro. O longa se propõe mostrar a realidade do sertão nordestino. Vale do Rocha é uma cidadezinha que sofre com a seca e tem todos os elementos que poderemos encontrar nesse ambiente, como coronelismo, índios que se queixam de serem os verdadeiros e primeiros donos daquela terra, plantadores de maconha, políticos conservadores, líderes espirituais (que no fim das contas, se mostram apenas manipuladores ligados à política) e coisas que são muito comuns na realidade brasileira, até mesmo fora do sertão.

Como nada é perfeito, o longa tem dois defeitos, que não há como não citá-los. O primeiro é o sotaque: pra um filme que se passa 95% do tempo em Pernambuco, o sotaque dos atores está muito ruim. Os figurantes, por serem nativos, estão excelentes, porém os personagens principais não convencem. O Guilherme Weber pra começar, nem na China tem cara de pernambucano (por mais que eu parta de um estereótipo, se eu o trombasse na rua, nunca diria que era pernambucano). E pra quem morou no Recife até o fim da faculdade e depois se mudou pra São Paulo, é humanamente impossível que ele não tivesse pelo menos um tiquinho de sotaque. A Renata Sorrah idem… Eu acho que eles deveriam ter tido um pouquinho mais de cuidado nesse quesito. Tem horas que surgem umas tiradas ótimas, mas com um puta sotaque de paulista ou carioca. O segundo ponto é o final “aéreo”. Não é conclusivo (ainda que seja… Se é que vocês me entendem!), é mais um daqueles filmes que você sai na base do “acho que foi isso que aconteceu”. Mas tudo bem, todo o resto compensa muito.

Uma coisa que me chamou muito a atenção é que este é um filme de drama, porém, com várias piadinhas colocadas sutilmente no roteiro. É impossível não rir com o pregador que toma o ônibus junto com o Jonas, ou com a índia falando “xalxicha”, o morto fedendo e várias outras tiradas. Isso sem falar no trio de maconheiros formado por Selton Mello, Mariana Lima e Gustavo Falcão. Teve umas duas cenas que eles se cascam de rir, e que, com certeza, não tava no roteiro, foi uma gargalha espontânea, deliciosa e convidativa. Eles fazendo Tai Chi Chuan na plantação de maconha é soberbo. E é desnecessário falar que o Selton Mello rouba a cena.

[PAUSA] Só pra constar, eu sempre tive tara por homem magrelo (e continuo tendo). Magrelo e bem alto é o que há. Até que fui casar com o Borbs, o gordo mais lindo desse mundo (momento ÓUN!). O Selton Mello, nesse filme, que sempre teve uma froxidão única, teve de engordar muuuuito pra fazer esse personagem (ou será que foi uma fase hormonalmente não muito privilegiada?!). Ele tá uma bolinha, a cara gorda, uma pança digna de deixar o Borbs com inveja. Mas não é que ele ficou ainda mais froxo do que ele já era?! Ele tá delicioso… E eu estou descobrindo que gordinhos, além do Borbs, também são assazes (oi, Froio!). =D
[/PAUSA]

Têm tantas coisas que eu achei foda… São coisas sutis, mas que fazem o filme ser genial. O personagem Zé Elétrico (José Dumont) é o típico exemplo de sabedoria popular, um homem que quase não teve estudo, mas que é inteligente e observador, e tem uma percepção de mundo sensacional.

O filme é ótimo, sensível e ao mesmo tempo muito profundo e direto. Mostra todo o choque cultural de um homem que nasceu no interiorzão de Pernambuco, mudou-se pequeno pra capital e lá fica até concluir a faculdade, mudando-se depois pra São Paulo. E como ele se torna um estranho dentro do universo ao qual sua família e sua história pertencem, o quanto aquilo é e não é parte da sua história. E é legal porque isso faz parte da realidade de muita gente, já que não são poucos os nordestinos que mudam pra São Paulo ou pro Rio, pra se arranjar na vida, trazendo filhos pequenos que, quando voltam para aquele mundo, não têm nada a ver com nada daquilo. Nem mesmo fazem parte dele.

Em resumo, o filme é uma excelente pedida e é claro que Cena Brasilis RECOMENDA. Alugue, compre o DVD, fique de olho na programação do Canal Brasil, mas não deixe de conferir.

Árido Movie
(Brasil, 2004)
115 minutos

Direção: Lírio Ferreira

Roteiro: Lírio Ferreira, Hilton Lacerda, Sérgio Oliveira e Eduardo Nunes

Elenco: Giulia Gam, Guilherme Weber, Selton Melo, Gustavo Falcão, Matheus Nachtergaele, Mariana Lima, José Dumont, Paulo César Peréio, Luiz Carlos Vasconcelos, Renata Sorrah, José Celso Martinez, Aramis Trindade, Suyane Moreira

Nota do CENA BRASILIS

Constado às 12:29 em Notícias | 4 Comentários | 

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Depois de ter feito muito sucesso nos cinemas, o filme Ó Paí, Ó, de Monique Gardenberg, estrelado por Lázaro Ramos, Dira Paes, Stênio Garcia e Wagner Moura, entre outros, vai parar nas telas da Globo. E não é em exibição na Tela Quente ou no Supercine, o longa será adaptado e vai virar uma série (aos moldes do que aconteceu com Carandiru e Antônia - que embora a série tenha sido exibida antes do filme, foi produzida depois).

As cenas já começaram a ser gravadas e Lázaro Ramos, Stênio Garcia, Matheus Nachtergaele, Virgínia Cavendish e Daniel Boaventura já estão confirmados como parte do elenco da adaptação. Agora só nos resta aguardar para conferir o resultado.

uv