Brasil, mostra a sua cara…
Constado às 10:58 em Resenhas | 4 Comentários | 

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Produzido inicialmente para o público infantil, Pequenas Histórias é um filme que acabou encantando todos os adultos que tiveram o prazer de assistir essa obra-prima de Helvécio Ratton. Eu que tive o ptivilégio de ver o filme em setembro do ano passado no Festival do Rio, digo que o maior problema desse filme é que demorou muito pra ser lançado em circuito nacional. Isso sem falar que as nossas crianças vão ter a oportunidade de conferir um filme nacional feito para elas, de extrema qualidade e, para sorte delas mesmas, sem Xuxa ou Didi no elenco.
=D

O filme é todo narrado por Marieta Severo, que em alguma fazenda, de algum interior do Brasil, leva uma vida simples enquanto borda seus retalhos e com eles monta uma trama, aproveitando para ir nos contando histórias. São quatro enredos diferentes, que mesclam fatos do dia-a-dia, intercalando problemas sociais e tradições, com personagens e contos do nosso folclore. O elenco das histórias conta com nomes como Patrícia Pillar, Paulo José, Gero Camillo, Maria Gladys entre outros excelentes atores. A primeira história é sobre um pescador (Maurício Tizumba) que se casa com a Iara (Patrícia Pillar), depois de esta realizar um milagre que acaba “salvando a vida” do pescador. E que vivem muito felizes, até… Um conto que nada mais é do que uma parábola/uma metáfora para ilustrar o casamento (todo e qualquer um! =D). Outra história é de um menino, Vevé (Constantin de Tugny), que é coroinha e que morre de medo da “Procissão dos Mortos”, lenda que diz que toda última sexta-feira do mês, os mortos saem às ruas em procissão apavorando os vivos que cruzarem seu caminho. Depois acompanhamos a história de um homem paupérrimo (Paulo José), que pra ganhar uns trocados no fim do ano, se fantasia de Papai Noel numa loja de brinquedos, que não se conforma com a frieza do ser humano, mesmo diante de datas que “amolecem o coração”, como é o caso do Natal. E a última, numa antológica atuação de Gero Camilo, conta a história de Zé Burraldo (interpretado por Gero), que é um homem bondoso, mas extremamente ingênuo e crédulo, e que por conta disso, acaba sendo feito de bobo pelos outros.

O diretor Helvécio Ratton, acertou em cheio e conseguiu fazer um filme leve e lindo, que não tem idade, e pode ser visto por crianças, adultos, idosos e todos vão sair da sala com ar de satisfação - cada um com uma visão diferente do filme, mas todos muito felizes. Para quem gosta da cultura brasileira, gosta de ouvir histórias que sua vó contava e se interessa pelo nosso folclore, seguramente vai se encantar com esse longa. Quem não se interessa tanto assim por esses temas, ainda acredito que vale a pena conferir, pois acho difícil sair da sala sem gostar desse filme (pra você ter uma idéia a sessão que eu assisti lá no Festival tava super cheia, porque muita gente foi pra assistir a Planeta Terror, que tava com ingressos esgotados e, pra não perder a viagem, acabaram optando por ver o filme nacional. E mesmo esses fãs de Robert Rodriguez, saíram felizes da sala depois de assistir à nova obra de Ratton.

Por isso, mesmo você sendo aquele leitor clássico do Judão, que só quer saber dos master-pipocas, acho que vai acabar gostando desse filme. É uma produção que merece ser valorizada, para que as crianças de hoje em dia tenham oportunidade de desfrutar de outras obras tão sensíveis quanto essa.

Pequenas Histórias
(Brasil, 2007)
83 minutos

Direção: Helvécio Ratton

Roteiro: Helvécio Ratton

Elenco: Marieta Severo, Patrícia Pillar, Paulo José, Gero Camilo, Maria Gladys, Constantin de Tugny, Maurício Tizumba, Miguel de Oliveira, Edyr Duqui, Rodolfo Vaz, Maria Olívia, Marcos Augusto França, Ivens Goés, Lia Lombardi, Ivan Reis, Neise Neves, Marilda Cabral, Dan Costa, Rita Clemente, Jefferson da Fonseca, Benjamin Abras, Manoelita Lustosa, Edgar Quintanilha, Mario Cesar Camargo, Maria Olívia, Léo Quintão, Breno Fonseca, Adilson Maghá, Aruana Zambi, Zeca Santos, Evandro Nunes, Divino João, Rita Efigênia, Glicério Rosário, Antônio Naddeo, Alfredo Vianna, Cunha do Amaral,Marcio Bruno, Amanda Vargas, Gianfranco Fiorini, Bernadete Fiorini, Carlos Magno Ribeiro, José Luiz, Branca Jataí, Benito Grassi, Yara Cardoso, Gleides Barbosa, Dingas, João de Oliveira

Site Oficial: PequenasHistórias.com.br

Nota do CENA BRASILIS

Constado às 22:56 em Resenhas | 7 Comentários | 

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Ese filme do Menino Maluquinho, vai ficar na história do Cinema Brasileiro como o primeiro poema cinematográfico do Cinema Brasileiro

A frase acima foi dita por Ziraldo, e olha que o filme é uma adaptação de seu maravilhoso livro homônimo (e que, por sinal, é a sua obra-prima - e olha que sou enorme fã de tudo que o Ziraldo põe a mão, e se bobear, um dos melhore livros infantis já produzidos - com certeza, aqui no Brasil, é o mais lido e reeditado! =D), Menino Maluquinho - O Filme, é bem fiel ao seu orginal e traz para a telona muito do que os leitores de Ziraldo decoraram após folhear tantas vezes esse delicioso livro, e é claro que, pra dar mais ritmo e até mesmo para dinamizar a história, também tem coisa no filme que não faz parte do livro e vice-versa. Maluquinho (Samuel Costa) é um menino sapeca (ai, que gay! =D), inteligente e, acima de tudo, feliz. Vemos uma criança que vive no fina dos anos 60, e aproveita a vida no meio de suas brincadeiras, competições e muitas aventuras ao lado de sua turma da escola e da rua. A vida deles resume-se a corridas de rolimã, pega-pega, pau de melado, campeonatos de pum, revistas de mulheres peladas e todas travessuras comuns de qualquer criança que teve uma infância muito saudável. Ao seu lado estão sempre o melhor-amigo Bocão (João Romeu Filho), a mãe (Patrícia Pillar), o pai (Roberto Bomtempo) e toda a sua turminha. Apesar do universo de felicidade que o rodeia, Maluquinho sofre muito quando os pais se separam. Mas há um santo remédio pra tristeza de criança, passar as férias na fazenda do Vovô Passarinho (Luiz Carlos Arutin) , onde, ao lado dos amigos, ele vive novas aventuras e alguns percalços.

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O filme é simplesmente delicioso, transmitindo um ar saudável (e, porque não, saudoso) de infância dos tipos que não existe mais nos dias de hoje e acho que a última geração que teve uma infância mais próxima disso (com brincadeiras na rua, em grupo) foi a geração dos anos 80. Um dos melhores infantis já produzidos na história do Cinema Nacional.

Com uma trilha sonora lindíssima, composta especialmete para o filme, que tem a direção do filho de Ziraldo, Antônio Pinto e que tem a canção tema com a assinatura de Fernando Brant e Milton Nascimento, é muito difícil não se emocionar. Além disso, as atuações são maravilhosas - tanto do elenco adulto, que conta com grandes feras, quanto as crianças, que estão ótimas (dá pra perceber que atuar nesse filme pra elas foi uma coisa leve, deliciosa, divertida) - todos muito convincentes. Samuel Costa é mesmo o Menino Maluquinho perfeito, mas da equipe-mirim, o destaque, pra mim, vai para João Romeu Filho, porque o Bocão é impagável, e me faz dar as gargalhadas mais gostosas desse filme.

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Como já disse antes, a fidelidade do filme com o livro é grande, e para as crianças dos anos 80, que brincaram na rua, passaram férias na fazenda, dá uma saudade apertadinha no peito. É um lindo filme, uma verdadeira obra poética de Helvécio Ratton, com toda a poesia e lirismo que lhe são peculiares. É claro que Cena Brasilis Recomenda. E o DVD tem um acabamento lindo, com um ar de livro - mesclando fotos do filme e desenhos de Ziraldo e trás o clipe da música-tema, com Milton Nascimento e as crianças do Coral Curumim, além da versão em MP4 do filme, making of (com o teste de Samuel Rosa e depoimentos do elenco principal, além de Helvécio Ratton e do próprio Ziraldo). Se tiver interessado em comprar, é só clickar aqui.

Menino Maluquinho - O Filme
(Brasil, 1995)
82 minutos

Direção: Helvécio Ratton

Roteiro: Maria Gessy, Alcione Araújo, Helvécio Ratton e Ziraldo, baseado em livro de Ziraldo

Elenco: Samuel Costa, Luiz Carlos Arutin, Levildo Barbosa Júnior, Othon Bastos, Roberto Bomtempo, Patrícia Pillar, Tonico Pereira, Hilda Rebello, João Romeu Filho, Vera Holtz

Nota do CENA BRASILIS

Constado às 08:08 em Resenhas | 2 Comentários | 

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Com uma fórmula mais do que batida nas produções hollywoodianas, Se Eu Fosse Você, faz com que sejamos remetidos a filmes como Quero Ser Grande, e já faz com que não haja tanto entusiasmo do espectador diante da trama. Ainda assim, mesmo com a sensação de “já vi isso antes”, o filme consegue ser bem divertido e acabou virando um incrível sucesso de bilheteria - e boa parte disso se deve ao talento do casal principal e da excelente química entre eles, que já estão mais do que cansados de interpretar pares românticos (haja visto as duas últimas novelas que fizeram Belíssima e Paraíso Tropical, onde em ambas os dois formavam um casal). Além disso, Patrícia Pillar também faz uma ressurreição de sua personagem-doutora do seriado Mulher - não é a mesma, mas tá muito similar… =D

O filme começa deixando no ar aquela máxima de que homens são de Marte e mulheres são de Vênus. E quando esses planetas se alinham, só Deus pode imaginar no que vai dar. Além do que, no final, eles reforçam ainda mais as diferenças que regem o masculino marciano (vindo do Planeta do Deus da Guerra) e o feminino venusiano (natural do Planeta da Deusa do Amor).

Cláudio (Tony Ramos) é um publicitário bem sucedido, dono de sua própria agência e casado com Helena (Glória Pires), uma professora de música, responsável por um coral infantil. Acostumados com a rotina do dia-a-dia e do casamento de tantos anos, eles, volta e meia, têm uma discussão. Um dia acabam tendo uma briga mais séria que o normal, e fiquem repetindo as mesmas frases (ao mesmo tempo) um pro outro, e de madrugada, enquanto dormem, algo inesperado e inexplicável acontece: eles acabam trocando de corpos. Apavorados, eles tentam encarar o fato com normalidade até que consigam revertar a situação, e pra isso é preciso que assumam a vida do outro.

Com dois atores extremamente competentes e talentosos, até essa fórmula batida fica boa. Tanto Tony Ramos, quanto Glória Pires conseguem deixar claro para o espectador quando eles interpretam Cláudio e quando interpretam Helena. A “mudança de sexo” é nítida, eles conseguiram encarar esse papel-duplo numa boa, com muita naturalidade e isso é muito positivo pro público. Tanto que Se Eu Fosse Você foi a maior bilheteria de filme brasileiro em 2006, levando mais de 3 milhões e meio de pessoas aos cinemas.

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“Oh, Beethoven. Oh, Ludwig, oh, Ludwig! Uh, uh! Uh, uh!”. A participação do coral d’As Jovens Princesas de Petrópolis no filme, é assaz. Elas interpretando a versão hip-hop da 9ª Sinfonia de Bethoven é fantástico.

O filme poderia ser ainda melhor se não ficasse no ar aquela liçãozinha de moral: “não dê palpite na vida alheia, porque você não sabe como é estar no lugar do outro, e com certeza, é muito mais difícil do que você pode imaginar”.

Premiações e Indicações


- Recebeu 6 indicações ao Grande Prêmio Cinema Brasil, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz (Glória Pires), Melhor Roteiro Original, Melhor Direção de Arte e Melhor Edição.

Se Eu Fosse Você
(Brasil, 2006)
95 minutos

Direção: Daniel Filho

Roteiro: Adriana Falcão, Daniel Filho, Renê Belmonte e Carlos Gregório

Elenco: Tony Ramos, Glória Pires, Thiago Lacerda, Danielle Winits, Lavínia Vlasak, Maria Ceiça, Maria Gladys, Lara Rodrigues, Patrícia Pillar, Dênis Carvalho, Ary Fontoura, Glória Menezes, Jorge Fernando

Site Oficial: SeEuFosseVoce.com.br

Nota do CENA BRASILIS

Obs: a nota real seria mais pra 5,5, mas como tem que ser nota inteira, achei que merecia mais pra nota 6 do que pra 5, e isso graças ao desempenho do elenco. =D

uv