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Depois de Sandra Corveloni ter recebido o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes por sua atuação em Linha de Passe, essa passou a ser uma das estréias mais aguardadas do circuito nacional. Centrando sua história na cidade de São Paulo, que segundo o diretor Walter Salles, é o 6º personagem do filme, a metrópole transparece toda sua grandiosidade e variedade. E dentro desse mundo tão imenso e diferente conhecemos uma famÃlia de uma mãe e quatro filhos homens, sendo, cada um deles, de um pai diferente. Reginaldo (Kaique de Jesus Santos) é o mais novo, no inÃcio da adolescência, é o único dos filhos que não sabe quem é seu pai, o que o faz virar motivo de chacota entre os irmãos, e transformar a busca por esse pai numa verdadeira obsessão (sendo que a única informação que ele tem é que o pai é motorista de ônibus). Dario (VinÃcius de Oliveira) é o craque da casa, e insuflado por todos, alimenta o sonho de se tornar um grande jogador de futebol. Porém, quando chega aos 18 anos, vê a idéia ficar cada vez mais distante. Dinho (José Geraldo Rodrigues), ao lado da mãe, é arrimo de famÃlia. Trabalha como frentista de noite e se dedica a pregação de uma igreja evangélica durante o dia. Dênis (João Baldasserini) é moto-boy, e num descuido com namorada, acaba arrumando um filho, a quem tem dificuldades para sustentar. Os quatro irmãos foram criados apenas pela mãe, Cleuza (Sandra Corveloni), corintiana fanática, trabalha como empregada doméstica e está grávida, pela 5ª vez, de mais um pai desconhecido. Exceto VinÃcius de Oliveira - que ficou famoso em todo Brasil, quando há 10 anos, protagonizou o grande sucesso Central do Brasil (também dirigido por Walter Salles) - todos os outros atores estavam estreando em cinema. Esse tiro no escuro, acabou se revelando uma sábia decisão, uma vez que, sendo estrelado por atores desconhecidos, a expectativa em torno do filme acaba sempre sendo menor, e isso conta a favor, uma vez que fica muito mais difÃcil você decepcionar alguém que já não esperava nada do filme. É legal, porque de fato essa pressão inexistente fez com que o elenco principal estivesse todo muitÃssimo bem em seus papéis, e, mesmo sendo chover no molhado, é necessário ressaltar que o prêmio recebido por Sandra Corveloni é merecidÃssimo, ela está primorosa no papel de mãe suburbana. Mas, apesar de vários pontos contando a favor, como um diretor muito famoso, um prêmio prévio num dos mais respeitados festivais de cinema do mundo, um elenco estreante e um roteiro com muitos conflitos e viradas a serem explorados, o filme não conseguiu ser muito mais do que um filme bom. É isso e ponto. Os prós não se bastam… A edição, que pareceu nas primeiras tomadas, que iria me ganhar, se revelou cansativa e um pouco perdida. Apesar de ter pouco mais de 100 minutos, o ritmo se perde e o filme fica longo e massante. Isso sem falar que o foco não é a história da famÃlia, e sim a história de cada um como indivÃduo - ou seja, são cinco histórias paralelas acontecendo, que, em algum momento se cruzam, aà se separam, e voltam a se cruzar. Mas são 5 tramas. É muita coisa pra acontecer em menos de uma hora, e aà o roteiro dá suas derrapadas e não consegue dar um final satisfatório para cada uma delas. Você sai do cinema com a cabeça cheia de “será que?!”. As tomadas finais de cada personagem, terminam todas, com você cheio de pontos de interrogação na cabeça. Muita coisa fica em aberto e você fica com aquela cara de paisagem e fala: “ué, acabou assim?!”. Me lembrou imediatamente o final dos filmes produzidos aqui no inÃcio da década de 1980. Mas, ainda assim, na falta de programa melhor para o fim de semana, vá conferir. Não vai ser nenhum filme daqueles que você sai do cinema gritando: “iuhu!”. Tampouco será daqueles que você sai torcendo o nariz. É um filme bom que não consegue passar muito disso.
Confira agora o primeiro trailer de Linha de Passe, filme de Walter Salles e Daniela Thomas, com Sandra Corveloni (vencedora do Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes) e VinÃcius de Oliveira (o menino de Central do Brasil). |
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