Brasil, mostra a sua cara…
Constado às 04:09 em Sem Categoria | 9 Comentários | 

Depois de Sandra Corveloni ter recebido o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes por sua atuação em Linha de Passe, essa passou a ser uma das estréias mais aguardadas do circuito nacional.

Centrando sua história na cidade de São Paulo, que segundo o diretor Walter Salles, é o 6º personagem do filme, a metrópole transparece toda sua grandiosidade e variedade. E dentro desse mundo tão imenso e diferente conhecemos uma família de uma mãe e quatro filhos homens, sendo, cada um deles, de um pai diferente. Reginaldo (Kaique de Jesus Santos) é o mais novo, no início da adolescência, é o único dos filhos que não sabe quem é seu pai, o que o faz virar motivo de chacota entre os irmãos, e transformar a busca por esse pai numa verdadeira obsessão (sendo que a única informação que ele tem é que o pai é motorista de ônibus). Dario (Vinícius de Oliveira) é o craque da casa, e insuflado por todos, alimenta o sonho de se tornar um grande jogador de futebol. Porém, quando chega aos 18 anos, vê a idéia ficar cada vez mais distante. Dinho (José Geraldo Rodrigues), ao lado da mãe, é arrimo de família. Trabalha como frentista de noite e se dedica a pregação de uma igreja evangélica durante o dia. Dênis (João Baldasserini) é moto-boy, e num descuido com namorada, acaba arrumando um filho, a quem tem dificuldades para sustentar. Os quatro irmãos foram criados apenas pela mãe, Cleuza (Sandra Corveloni), corintiana fanática, trabalha como empregada doméstica e está grávida, pela 5ª vez, de mais um pai desconhecido.

Exceto Vinícius de Oliveira - que ficou famoso em todo Brasil, quando há 10 anos, protagonizou o grande sucesso Central do Brasil (também dirigido por Walter Salles) - todos os outros atores estavam estreando em cinema. Esse tiro no escuro, acabou se revelando uma sábia decisão, uma vez que, sendo estrelado por atores desconhecidos, a expectativa em torno do filme acaba sempre sendo menor, e isso conta a favor, uma vez que fica muito mais difícil você decepcionar alguém que já não esperava nada do filme. É legal, porque de fato essa pressão inexistente fez com que o elenco principal estivesse todo muitíssimo bem em seus papéis, e, mesmo sendo chover no molhado, é necessário ressaltar que o prêmio recebido por Sandra Corveloni é merecidíssimo, ela está primorosa no papel de mãe suburbana.

Mas, apesar de vários pontos contando a favor, como um diretor muito famoso, um prêmio prévio num dos mais respeitados festivais de cinema do mundo, um elenco estreante e um roteiro com muitos conflitos e viradas a serem explorados, o filme não conseguiu ser muito mais do que um filme bom. É isso e ponto. Os prós não se bastam…

A edição, que pareceu nas primeiras tomadas, que iria me ganhar, se revelou cansativa e um pouco perdida. Apesar de ter pouco mais de 100 minutos, o ritmo se perde e o filme fica longo e massante.

Isso sem falar que o foco não é a história da família, e sim a história de cada um como indivíduo - ou seja, são cinco histórias paralelas acontecendo, que, em algum momento se cruzam, aí se separam, e voltam a se cruzar. Mas são 5 tramas. É muita coisa pra acontecer em menos de uma hora, e aí o roteiro dá suas derrapadas e não consegue dar um final satisfatório para cada uma delas. Você sai do cinema com a cabeça cheia de “será que?!”. As tomadas finais de cada personagem, terminam todas, com você cheio de pontos de interrogação na cabeça. Muita coisa fica em aberto e você fica com aquela cara de paisagem e fala: “ué, acabou assim?!”. Me lembrou imediatamente o final dos filmes produzidos aqui no início da década de 1980.

Mas, ainda assim, na falta de programa melhor para o fim de semana, vá conferir. Não vai ser nenhum filme daqueles que você sai do cinema gritando: “iuhu!”. Tampouco será daqueles que você sai torcendo o nariz. É um filme bom que não consegue passar muito disso.

Linha de Passe
(Brasil, 2008)
108 minutos

Direção: Walter Salles e Daniela Thomas

Roteiro: George Moura e Daniela Thomas, com colaboração de Bráulio Mantovani

Elenco: João Baldasserini, Vinícius de Oliveira, José Geraldo Rodrigues, Kaique de Jesus Santos, Sandra Corveloni, Ana Carolina Dias

Nota do CENA BRASILIS

Constado às 15:49 em Notícias | Nenhum comentário | 

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Confira agora o primeiro trailer de Linha de Passe, filme de Walter Salles e Daniela Thomas, com Sandra Corveloni (vencedora do Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes) e Vinícius de Oliveira (o menino de Central do Brasil).




Com estréia prevista para 5 de setembro, Linha de Passe conta a história de uma família pobre de São Paulo em que a mãe (vivida por Sandra Corveloni) se vira para dar conta de sustentar os quatro filhos.

Constado às 16:36 em Festival, Notícias | 3 Comentários | 

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Daniela Thomas e Walter Salles recebem o Prêmio de Melhor Atriz, em nome de Sandra Corveloni, por sua atuação em Linha de Passe

Acabou hoje o 61º Festival de Cannes e ainda que não tenhamos levado a Palma de Ouro, não saimos de lá com as mãos abanando. Sandra Corveloni levou o Prêmio de Melhor Atriz por seu trabalho em Linha de Passe, de Walter Salles, onde interpreta Cleuza, uma mulher sofrida, forte, que tem quatro filhos de diferentes pais, é empregada doméstica e está grávida do quinto pimpolho. Ela é a segunda brasileira a ganhar o prêmio em Cannes (a primeira foi Fernanda Torres, em 1987, por Eu Sei Que Vou Te Amar, do chatolino Arnaldo Jabor).

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Sandra Corveloni

O francês Entre les Murs (Entre as Paredes), de Laurent Cantet, recebeu a Palma de Ouro, confirmando seu favoritismo, uma vez que trata da rotina de um professor de cólegio que tem alunos das mais diversas origens e etnias, numa França que vive sob a constante ameaça de expulsão dos imigrantes do país. E o presidente do júri, o ator e diretor Sean Penn,, anunciou na coletiva de imprensa inicial que os prêmios desse ano iria contemplar filmes com temática política.

Antes do início da premiação, Sean Penn disse que na escolha dos vencedores, houveram duas unanimidades, uma foi o vencedor da Palma de Ouro, Entre les Murs, que é o prêmio mais importante do festival, e outra o vencedor do prêmio de melhor ator (Benicio Del Toro, por sua interpretação em Che, de Steve Soderbergh) foram as únicas unanimidades entre os prêmios concedidos pelo júri.

Além dos prêmios habituais, o Festival também entregou dois prêmios honorários pela conjunto da obra, um para a atriz Catherine Deneuve, que estava no Festival no filme Um Conto de Noel e ao diretor Clint Eastwood, que concorria à Palma de Ouro com The Exchange.
O prêmio Câmera de Ouro, que premia trabalhos de novos cineastas, foi para Hunger, de Steve McQueen.

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Cena de Linha de Passe, de Walter Salles, que acabou trazendo o Prêmio de Melhor Atriz para Sandra Corveloni

Segue abaixo a lista completa dos vencedores:

Melhor Filme: Entre les murs, de Laurent Cantet
Melhor Diretor: Nouri Bilge Ceylan, por Três macacos
Melhor Roteiro: Le silence de Lorna, por Jean-Pierre e Luc Dardenne
Melhor Ator: Benicio del Toro, por Che
Melhor Atriz: Sandra Corveloni, por Linha de Passe
Prêmio do Júri: Il Divo, de Paolo Sorrentino
Grande Prêmio do Júri: Gomorra, de Matteo Garrone
Prêmio Especial: Catherine Deneuve e Clint Eastwood
Prêmio Câmera de Ouro: Hunger, de Steve McQueen
Melhor Curta-metragem: Megatron, de Marian Crisan

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