As aventuras malucas do Barretão em LA! Te Cuida, Charlie Harper!

Arquivo de February/2008

Constado às 20:02 em Astros, Entrevistas, Época | 14 Comentários | 

Primeira Capa NACIONAL!

Chega ao fim a primeira parte da saga de Harrison Ford nas minhas mãos. Está nas bancas a revista ÉPOCA, edição 511, com chamada de capa para a Entrevista de Harrison Ford. Minha primeira matéria e logo na capa. Acabei dividindo o crédito com o Bruno Segadilha, mas tudo bem. O Bruno é gente boa e fico feliz de compartilhar isso com ele. :-D

O link para a entrevista está aqui.
Comentem no site lá, por favor. Ajuda a dar uma moral! :)

Bom, isso foi para TODOS OS NERDS NO BRASIL, até para aqueles que me detestam! :-)
A gente merecia isso! E eu também, especialmente depois desse mês de cão aqui, sozinho, longe da minha família, e comendo sanduíche de presunto todo dia.

A primeira de muitas aventuras em Hollywood!

Constado às 14:35 em Cinema | 5 Comentários | 

É aqui que eles guardam a feijoada?

Calma, calma. Harrison Ford não vai ao Brasil, pelo menos não que eu saiba. Estou falando mesmo é do personagem em Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal Dominado por um Comerciante Chinês Perto do Fim dos Tempos (já que o nome é grande, acho que não há problema em aumentar um pouco, não?).

Como todo mundo já viu o trailer, dá para contar um segredinho agora. Notem que aparecem algumas cachoeiras nas cenas do filme novo. Podem se gabar: aquilo é Foz do Iguaçu! Pois é, é o Brasil-sil-sil entrando na lista de países visitados por Henry Jones Jr. Tudo bem que também entramos para a lista de países “exóticos” para esses malucos que não comem comida normal, tudo é 20% menos alguma coisa (mas isso é história pra outro post). Quem confirmou foi o produtor Frank Marshall, em entrevita a este que vos escreve!

Aproveite para ver o trailer denovo (acho que fui o único blogueiro nerd que ainda não publicou esse vídeo, então):



Constado às 14:19 em Lakers, Viagem | 12 Comentários | 

Staples Center - Lakers 106 x 88 Heat

O mundo dos esportes é feito de paixões. Sou mais que apaixonado pelo grande Corinthians (independente de divisão!), piro com a Canarinho em campo contra qualquer um e tinha os Los Angeles Lakers como sonho de consumo, mas algo distante, já que parecia impossível vir até aqui e, quiça, descolar um ingresso sem comprar season tickets. Bom, ontem de noite tudo isso mudou.

Só para registro, comecei a gostar do Lakers quando a Bandeirantes passava os jogos da NBA, ou seja, a Era Magic Johnson. Embora o Jordan seja Jordan, algo me atraiu mais nos Lakers. Acho que o Magic era mais carismático e o Luciano do Vale puxava mais o saco dele do que do Jordan. Enfim, gostei do cara e do time. Daí para conhecer Wilt Chamberlein, o Dr. J, e o melhor, Kareem Abdul-Jabbar - que estava no jogo ontem - foi um passo. Até lembro da escalação do time naquela época: Ace Green, Magic Johnson, Vlad Divac, Worthy e mais um que eu sempre esqueço. hehe.

*valeu pelo toque Gavião*

Por conta meu amigão Mister M (sim, ele mesmo, o do Cid Moreira), conheci uma apresentadora de TV chamada Ana Ligia Galvão, também conhecida como Primeria Miss Brasil Los Angeles. Nem precisa dizer que a mulher é bonita que só, mas a beleza não chega perto da empolgação, força de vontade e alto astral. Enfim, a doida da Ana resolveu me levar para passear. Primeiramente, conheci o papa da atuação Vincent Chase. Sabem a série Entourage? Então, o personagem principal leva o nome dele. Só! Gente fina pacas, aliás! Velinho, mas com um senso de humor afinado.

Bom, a reta final do passeio foi nada menos que o Staples Center, a arena simplória e diminuta construida para ser a casa dos Los Angeles Lakers. Aquilo é gigantesco, maravilhoso e dá uma inveja danada. Especialmente para um cara que freqüenta campo de futebol como eu. Custava ser um pouco parecido e melhorar a qualidade no Brasil, pô? Enfim, lá estava eu diante estádio do meu time de coração.

De qualquer maneira, conseguimos ingressos com cambistas - só havia 5 ingressos disponíveis na bilheteria e US$ 200 cada um. Os Lakers de Koby “MVP” Bryant enfrentariam o Miami Heat, de Dwayne Wade. Aos Lakers cabia a vitória para marcar mais um ponto na série de 9 consecutivas. Já para o pessoal de Miami, restava resistir à pressão de casa cheia para parar a avalanche da Califórnia.

A torcida não dá tanto show como no Brasil, mas eles tentam aparecer! Inclusive a mina que viu que estava no telão e não teve jeito: levantou a blusa exibindo seus dotes. O câmera sacou que ela ia fazer, mas não conseguiu sair tão rápido quanto gostaria! :)

O jogo:
Primeiro quarto foi um passeio do Lakers, que abriu mais de 10 pontos de vantagem em várias vezes. O placar mais elástico, porém, foi 22 a 6. Mas aí o time da casa vacilou e a diferença caiu para 5 pontos. Kobe jogou bem, mas tinha que resolver sozinho já que, desde o primeiro quarto, Fisher estava armando mal e errando muitos lances de 3 pontos. A pedida parecia clara: Farmar na armação, mas Phil Jackson não concordou comigo (haha) tão rápido.
O Lakers ficou na liderança o tempo todo. Mas podia ter sido melhor, tanto que Kobe Bryant marcou apenas 21 pontos, por conta da péssima partida de Fisher que, quando ficou insuportavelmente inconstante, foi substituido pelo Farmar que fez 24 pontos, graças a uma noite inspirada nas cestas de 3. O Miami esboçou alguma reação, mas nunca chegou mais perto que 5 pontos. O jogo foi bom, a defesa do Lakers anulou Wade e eu vi um dos lances mais bonitos do basquete até hoje.

Esse aqui, com direito a passe de costas do Bryant.

Fim das contas: Lakers 106 + 88 Heat.

Um sonho realizado. E, pelo menos, uma paixão em comum com meus tempos de Brasil, que posso curtir melhor aqui. Fiquei sem voz, mas lá pelo terceiro quarto. Em jogo do Timão a voz some na metade do primeiro tempo! :)

Eu e os Lakers!

Constado às 12:38 em Cinema | 6 Comentários | 

Pra qual lado está o dinheiro?

Voltando a assumir meu adorado papel de Gandalf Stormcrow, ontem fiquei sabendo de um rumor muito forte de que o estúdio New Line Cinema, aquele mesmo de O Senhor dos Anéis e A Bússola de Ouro, pode ser dissolvido em breve. Uma pessoa que participou da divulgação da Bússola no Japão, que só estreou agora, deu a informação de que os erros cometidos com a adaptação de Fronteiras do Universo, responsáveis pelo fiasco nas bilheterias norte-americanas, podem ter sido fatais para o estúdio, que pode ser assimilado pela Warner Bros.

A conversa ainda está muito nos bastidores e ninguém sentiu que é hora de pressionar a New Line para saber, mas não se surpreendam se isso acontecer. Agora, somando um mais um, lembram que o Tolkien Estate está processando a New Line por não pagar nenhum centavo dos royalties pela adaptação dos filmes? Não gosto de teorias conspiratórias, mas faz todo sentido do mundo agora. O buraco pode ser muito mais embaixo. E o próximo grande filme da companhia é nada menos que Sex & the City - O Filme, que já está nas mãos da PlayArte, no Brasil.

E ainda tem Jornada ao Centro da Terra, O Hobbit, InkHeart… é, muitos filmes grandes e, ao que parece, uma empresa com futuro incerto.

Agora, curioso notar que um estrondoso sucesso nas bilheterias do resto do mundo - em todas mesmo - não tirou o gosto amargo da falha nos Estados Unidos. Acontece com todo mundo, teria sido pior que ninguém gostasse em lugar nenhum, certo?. O pensamento da indústria está tão voltado para o próprio umbigo assim? O filme até ganhou um Oscar de Melhores Efeitos Especiais batendo Transformers!!

Aproveitando a frase da campanha no Brasil… a Bússola mostrou o caminho… mas foi para a desgraça, pelo jeito!

====

ATUALIZAÇÃO: A Warner Bros confirmou a informação 10 minutos depois da publicação no SOS Hollywood!!!
http://www.latinoreview.com/news/update-new-line-cinema-bye-bye-confirmed-4031

Constado às 12:36 em In english | 3 Comentários | 

Where do we go now?

LOS ANGELES - A unexpected rumor grows stronger in Hollywood since last week. Close sources to top executives and stars such as Nicole Kidman reports that box office failure in US theaters with Golden Compass was the last drop concerning the future of New Line Cinema. Although the movie grossed fortunes throughout the world and won a Special Effects Oscar, besting favorite Transformers, sounds like that nothing can save the company from being dissolved. The last chapter on this story was written after the publicity stunts for the Golden Compass in Japan, the last major market to premiere the fantasy flick. A person related to Nicole Kidman said that “even worldwide gross won’t be enough to save them”.

If it proves true, New Line line up will probably be taken over by Warner Bros. This year will be big in terms of anticipated movies, especially when it comes to Sex & The City – The Movie, the first big screen feature on the most famous New Yorker quartet, InkHeart and Journey to the Center of the Earth 3D, both featuring Brendan Frasier. Not to mention the announced The Hobbit feature, a guaranteed golden pot at box offices after the smashing success of Lord of the Rings Trilogy. Too many great movies, too much money and too less information to take it for granted, but, still, a strong possibility according to the sources.

Without any intention to generate any conspiracy theory, recent news on a law issue involving New Line Cinema and Tolkien Estate, over the royalty rights for the multimillionaire movie franchise that, according to Tolkien representatives, “haven’t being paid at all “, corroborates to the idea that something is not right within New Line’s ranks. Was the ring’s burden to unbearable?

Let’s wait and see.

===
UPDATE:

February 29, 0h05: I just got news that Warner Bros issued a press release today, few minutes after the posting of this rumor. So it’s now official, New Line Cinema will be assimilated by the Borgs.. oops.. Warner Bros itself.
Check it here for the full press release.

Constado às 11:38 em Astros, Cinema, TV | 5 Comentários | 

Ellen Page e Michael Cera

Depois que o Oscar terminou e os arrogantes irmãos Coen saíram de cena, a ABC exibiu um programa especial da apresentadora Barbara Walters. Quem? Manja a Hebe? Então, sem botóx e o sorriso, mas que entende muuuuuuuuuuuito de cinema.

Barbara entrevistou três pessoas bem diversificadas e, cada uma a seu jeito, interessante. Passaram por lá a Hannah Montana (cujo filme verei no dia 10), Harrison Ford e Ellen Page, a estrelinha do momento. Fica até feio falar o nome delas na mesma sentença que o Ford, mas sucesso é sucesso!

A Hannah Montana foi chata. O Ford eu conto ainda hoje. Mas a Ellen surpreendeu, sabe? Com aquela carinha de menininha e vários sorrisinhos por ficar sem graça com as perguntas, ela disse uma coisa bem interessante de um modo mais interessante ainda. Barbara perguntou: você fez algo de relevante para ser indicada ao Oscar? Resposta: Hell, no! No bom e velho português, Nem a pau!

Gostei de ver, sabe. A guria foi indicada a Melhor Atriz e fala para quem quiser ouvir que acha que não merecia. Minha opinião não interessa assim, mas sim a postura dela, bem diferente de muita gente mais experiente que se empolga e se acha deus por ter o nomezinho dito na cerimônia.

Além de ser bem humilde, Ellen Page também foi “intimada” a cantar, mas disse que só consegue cantar com um violão. Pouco depois surgiu um violão e ela cantou um trecho de Anyone Else But You. Essa música é mnemônica, fica marcada na cabeça. Mais um ponto para esse jovem talento.

Constado às 22:40 em Astros, Entrevistas, Estrelismo | 12 Comentários | 

Amigos, só para não passar em branco, pois agora estou escrevendo a matéria, gostaria de dizer que, profissionalmente, hoje foi um dos dias mais grandiosos da minha vida. Várias razões: entrevistei o Harrison Ford duas vezes, briguei de igual para igual com uma crítica de cinema bem conhecida e, de quebra, ainda mostrei pra um certo sujeito como se entrevista um grande astro. Nada de perguntas bestas. “Fanzineiro é a mãe!”. Sem nomes. :)

Harrison Ford é sensacional. Inteligente. Bem posicionado. Foi gente boa, lembrou quando eu apareci denovo numa mesa de entrevista.. hehe.. eu conto a história depois, e é simplesmente apaixonado pelo Indiana Jones. Enfim, muitos detalhes.

Essa é do bem:
Bó.. eu apertei a mão dele!

Agora essa é do mal, pra nego que fala mais que a boca e se empolga:
Eu falei com ele por uma hora e ainda o cumprimentei DUAS VEZES… DUAS…
Em homenagem ao Morph, CHUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUPA! É! CHUUUUPA!
Eu não prometo.. eu vou lá e faço, entendeu? hahahahah

Pronto, alma lavada.

Foi FANTÁSTICOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO…

INDIANA JONES VEM AÍ… E PREPAREM-SE, TONY STARK VAI TER RALAR MUITO A ARMADURA PRA BATER O INDY!
Se bem que vou entrevistar o elenco de Homem de Ferro tmb, então… saberei muito em breve. Mas que o Indy vai dar uma coça, ah vai!

Amanhã acho que consigo colocar um relato mais legal sobre so acontecidos. Tem cada curiosidade.. heheheeh… Ah, meu editor falou pra não espalhar… ah.. tipo… puuuuuuuuuuuuuuuuuuutz! :-p
“Isso me escapuliu!”

Constado às 15:00 em Cinema, Clássico, DVD, TV | 9 Comentários | 

O Pássaro Azul

Continuando nossa série de filmes clássicos da Sessão da Tarde, que começou aqui, falarei do nome máximo de todos os tempos: O Pássaro Azul, para a geraçào pré-Curtindo a Vida a Doidado, claro!

Acreditem ou não, esse filme é estrelado por Shirley Temple, a eterna estrela-mirim de Hollywood. O longa-metragem dirigido pelo fantástico Walter Lang (do oscarizado O Rei e Eu, com Iul Brynner) e trilha sonora de Alfred Newman (Aeroporto, vencedor do Oscar por O Rei e Eu, entre tantos outros), estreou em 1940 e contava a história dos irmãos Mytyl e Tytyl. Eles moram numa cidade européia perto de uma grande floresta e sofrem por estarem sozinhas, pois seu pai foi recrutado para combater as forças de Napoleão, que assolavam o continente.

Inspirado na peça homônima de Maurice Maeterlinck - bem interessante, aliás -, o filme mostra como Mytyl e Tytyl precisam recuperar O Pássaro Azul, capaz de trazer felicidade e alegria às pessoas. Porém, sua tarefa é difícil, já que precisam viajar no tempo e nas dimensões para encontrar o passarinho. Para ajudá-los, sua gata - totalmente esnobe e indiferente aos problemas que os afetam - e seu cachorro - subserviente, leal e preocupado ao extremo com a segurança das crianças - são transformados em humanos e todos participam da jornada. Entre as passagens, há a memorável visita ao local onde “as crianças ficam antes de nascer”. Ali eles conhecem a genialidade, a fraternidade e, claro, o amor das jovens almas prestes a serem separadas mais uma vez pelo inevitável nascimento.

Shirley Temple usa todo o seu charme e doçu… não, maldade para tentar entender essa viagem “tola” em busca de um pássaro. Foi a primeira vez que ela interpretou um papel não-angelical. O que a personagem não sabe, porém, é que tudo isso não passa de uma alegoria para o próprio drama da personagem que, por um certo egoísmo, deixa de ajudar um amigo doente. A partida do pai também afetou muito a “cabeça” dos pequenos irmãos, que perdem seu referencial de segurança.

O filme foi a resposta da Fox ao sucesso de O Mágico de Oz, da MGM, e, por uma série de fatores, foi um fracasso comercial retumbante. Quem levou a pior, porém, foi Shirley que, pela primeira vez, viu um filme seu não estourar na bilheteria. Duas razões: Segunda Guerra batendo à porta da América e a escalação de Temple num papel “maldoso” não convenceu o público. Tudo culpa do produtor de Shirley, Darryl F. Zanuck, que achou que os filmes de fantasia infantil estavam em alta depois que Dorothy e Totó colocaram o Kansas no mapa. Tomou?

O filme só antecipava algumas das mazelas que crianças norte-americanas passariam nos anos seguintes, ao verem seus pais partirem para combater a ameaça do momento, Hitler. O que justifica um certo retorno financeiro na TV nos anos posteriores, mas aí já era tarde demais. Curiosamente, há outra ligação entre O Pássaro Azul e O Mágico de Oz: a atriz Gale Sondergaard, que interpreta a gata Tylette, havia sido escalada para fazer a Bruxa Má, porém, abriu mão do papel para ficar ao lado de Shirley Temple. Dançou!

O Pássaro Azul é assumidamente infantil, cativou os brasileiros por anos na TV aberta até que foi para a grade do Telecine Classic. Não sei se ainda passa, mas essa versão do YouTube foi retirada de lá. Se você conhece, relembre. Se não conhece, tente travar contato com um tempo em que o cinema servia para contar histórias - tristes, como nesse caso -, mas belíssimas e inesquecíveis. Especialmente por sua simplicidade, até certo ponto ingênua, mas graciosa e marcante. Shirley que o diga. :-)

O longa foi indicado a dois Oscar: Melhor Fotografia Colorida e Melhores Efeitos e Efeitos Especiais, que englobava também edição de som, na cerimônia de 1941.

O DVD de O Pássaro Azul está disponível em área 1 na Amazon.

Ps.: Para quem não sabe, eu trabalhei na PlayArte e entre os filmes que lancei está A Bússola de Ouro. Por força do hábito, e de trabalhar sozinho na divulgação do filme por 4 meses, depois da primeira vez que e escrevi O Pássaro Azul, emplaquei O Pássaro de Ouro em TODAS as demais citações. Ainda bem que percebi antes de publicar. Pô, podia ser O Pássaro Dourado pra lembrar do Jaspion e tals, mas foi ‘de Ouro’ mesmo. Toooooooooma pra mim! o_O

Infelizmente, a parte das crianças do futuro não tem o áudio original, mas o vídeo é esse:

Constado às 09:28 em Críticas | 2 Comentários | 

Eastern Promises

Esse filme é violento, bem feito, surpreendente e tem o Viggo Mortensen! Corram pro cinema!
Mas antes leiam a crítica no Judones ou a versão séria, no Guia! :)

===

A crítica de Juno saiu no Guia da Semana. Aqui.
Confiram! E corram para o cinema e para a loja mais próxima para comprar a trilha sonora! :)

Constado às 00:35 em Pessoal | 11 Comentários | 

Hoje tenho certeza, nasci para escrever. Tentei outras coisas, outras profissões, esportes, paixões. Mas há apenas uma coisa que me faz completo e realizado profissionalmente: escrever. Foi escrevendo que conquistei minhas asas, conheci minha esposa, meus ídolos e homenageei aquelas que amo. E é escrevendo que quero compartilhar uma história recente, triste, mas ainda assim, uma história. Que preciso escrever para assim, da melhor maneira que posso, honrar seus participantes e, em especial, ela.
Ela é minha avó. Elza.

Elza nasceu de família italiana, no coração da Mooca, nos tempos do bondinho, da chegada da Fábrica da União e de quando os galpões de tecelagens e outras indústrias tomavam conta do bairro mais gostoso de São Paulo. Casou cedo com meu avô, André. Tiveram três filhas: Ana Lúcia, Elizabeth e Elenice. Vovô e tia Elenice partiram há muito tempo, mas deixaram grandes saudades em todos da família. Elizabeth é minha mãe querida. Mas aqui falo de minha avó.

Na tarde de uma quinta-feira de janeiro o telefone tocou. Era ela, minha avó. Triste por saber que minha viagem se aproximava e que eu não a veria mais com tanta freqüência, ela ligou para saber se eu viria para Los Angeles mesmo e como estava me sentindo. Sempre preocupada. Sempre carinhosa.

Conversei bastante com ela, mas estava meio triste. Reclamei barbaridade da minha mãe, mas ela me fez ver que era bobeira ficar irritado, ainda mais tão perto da viagem. Faltavam apenas 5 dias para me distanciar de todos que amo.

E continuamos conversando, por uma meia hora. Ela me disse que estava cansada, sentindo um mal estar, mas que descansaria para se recompor. Durante a conversa, eu prometi que não descansaria até fazer a viagem valer a pena e que, em alguns meses, eu voltaria para levá-la para conhecer os Estados Unidos. De uns anos para cá, aprendi que a melhor coisa que pode ser dita àqueles que amamos é: eu te amo. E assim me despedi dela. “Vó, eu te amo, tá? Já estou morrendo de saudades. Te amo”. Meio insegura, como sempre para responder à minha devoção a ela, ela respondeu: Eu também te amo.

Foram as últimas palavras que ouvi da boca da minha avó. No dia seguinte, ela passou mal, foi para o hospital e, dois dias depois, tinha partido. Tive ainda uma última chance de ir vê-la, mas, atendendo a uma última “ordem”, fiquei com meus pais, irmãos, tios e primos no churrasco de despedida. Única demonstração de afeto que tive antes da minha partida, aliás. Nada de bota-fora com amigos. Nada. Apenas minha família. Minha mãe disse que ela deu uma bronca quando ficou sabendo que eu sairia no meio do churrasco para ir visitá-la no domingo.

Segunda pela manhã, enquanto negociava matérias e contatos, preparando as últimas coisas para embarcar, minha esposa entrou chorando no quarto. De algum modo eu já sabia, mas não queria acreditar. Era a notícia. A maldita notícia que temi por tantos anos e que simplesmente me derrubou. Até hoje não sei como não caí de cara no chão, mas a reação foi a da não reação. Ausência de emoção, já que meu ceticismo proíbe qualquer tentativa válida de negação ou algo do tipo para algo tão definitivo. A morte. Ali estava ela. Na minha frente, nua e crua, sem roteiro de cinema, sem trilha sonora. Ela apenas é. E a gente sem poder fazer nada.

Ainda não chorei o suficiente. Aliás, ainda não chorei direito por ela. Iniciei essa viagem maluca para salvar minha família, minha dignidade e reencontrar o Fábio lutador, que saiu do subúrbio da Zona Leste de São Paulo para disputar espaço na grande imprensa do Brasil, que hoje mora em Los Angeles, mas vai dormir todos os dias lembrando de tudo que já passou e por quem faz todo esse esforço.

Aqui estou construindo uma nova vida e vivendo um sonho, mas triste por não ter fugido do churrasco e falado com ela uma vez mais. Abraçado uma vez mais. Dado um último beijo delicado em seus lábios. E ter dito, sem ser pelo telefone, uma vez mais, “Te amo, vovó”.

Tenho visto pessoas preocupadas com picuinhas, intrigas, gente desmoralizando meu trabalho, duvidando da minha dignidade, desacreditando na minha promessa e nada disso faz sentido. Trocaria cada momento aqui, cada notícia apurada, cada entrevista feita por um reles minuto ao lado da minha avó. Um minuto. Uma frase. Um simples carinho.

A vida ganha mais valor quando algo assim acontece. Gostaria muito que a gente percebesse isso antes de acontecer que, assim como eu, as pessoas aprendessem a dizer “te amo” e não se preocupar com quem não merece seu amor. Mas cada um tem seu momento de aprendizado. Felizmente, o meu chegou antes e hoje seguro a barra de ficar longe da minha esposa amada e da minha filha, pois sei que vai valer a pena e que elas voltarão a viver comigo muito em breve. Felizes, numa nova realidade, numa nova chance que o Brasil me nega, infelizmente.

Carreguei o caixão de minha avó em seu último passeio. Fiquei junto dela o quanto pude até que a tristeza e o sono me afastaram do duro velório. Olhei para ela e, mesmo triste, pude me sentir orgulhoso por saber que a última coisa que dissemos um para o outro foi “Eu te amo”.

Já faz um mês que tudo isso aconteceu. E ainda não chorei. Mas o amor permanece. Uma parte da promessa eu não posso cumprir, a outra, eu não abro mão. Mesmo com as lágrimas lavando o rosto e tentando apagar a dor, que ainda é latente e imensurável.

vo-e-ariel.jpg

Obrigado por tudo!

uv