As aventuras malucas do Barretão em LA! Te Cuida, Charlie Harper!
Constado dia 29/04/08 às 20h57 em Artigos, Comportamento, Pessoal | 
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A bíblia relata as mais celebres história dos linchamentos públicos da religiosidade cristã, porém, os últimos casos de destruição pública de imagem que presenciamos não chegam nem aos pés do apedrejamento de Maria Madalena ou do antigo costume de “queimar o judasâ€. Embora não goste de falar a respeito, é impossível deixar o chamado “caso Isabella†de lado. Mas, leia e entenda um lado curioso, e diferente, dessa coisa toda.

Estava fora do país quando a menina morreu, não recebi o impacto inicial da notícia. Aliás, essa tragédia aconteceu bem perto do anúncio de um vídeo no qual uma colegial era espancada por “amigas†só por ter falado mal delas no MySpace. A garota ficou desfigurada. Fiquei sabendo pouco depois da morte da garotinha em São Paulo. Sou pai, portanto, esse tipo de coisa revolta um pouco mais. A partir daí fiquei alguns dias sem ouvir no assunto. Até que cheguei ao Brasil.

Época trazia a matéria na capa: Até quando?. Veja julgou e condenou: Foram Eles! Os jornais diários dedicavam páginas e mais páginas todos os dias às novas “descobertas†e, claro, os canais de televisão surtavam com a mais nova oportunidade de conseguir audiência. É assim que eles vêem, não se enganem. Apresentadores podem ficar indignados, podem se emocionar, mas tudo isso faz parte do trabalho deles e do interesse da emissora/veículo: vender mais. E ponto.

Por que digo isso? Conseguir meu pedaço na polêmica? Antes fosse, é que fiquei mais indignado como que vi do que com o caso em si. Sem dúvida a morte da garota foi trágica e não pode passar impune, porém, o circo que a imprensa montou e a quantidade de pessoas desocupadas que resolveram cobrar por “justiça†em delegacias, cemitérios e plantões das emissoras de TV chegou a ser assustador.

Claro que, em maior parte, tudo isso aconteceu por culpa única e exclusiva da imprensa. Qual o papel dos jornalistas e meios de comunicação num caso como esse? Difícil resposta, mas não consigo concordar com minha classe quando os jornalistas decidem brincar de investigadores ou detetives. O público é volúvel – em qualquer parte do mundo – e em sua ânsia por altos índices de audiência, especialmente a TV, define o que é certo e o que é errado, culpado e inocente.

Não quero opinar sobre o papel do pai e da madrasta nisso tudo. Não fui convocado para o júri popular – que acontecerá, de acordo com o sistema judiciário brasileiro, e terá um grupo de pessoas que assistiu ao mesmo exagero que todo o resto da população – e entendo que a função da minha profissão seja a de reportar as informações disponíveis. Por intermédio das fontes oficiais, de preferência.

Comecei a escrever esse artigo antes de ver, no último domingo, o Fantástico crivar sua opinião sobre o assunto, em dois blocos, e abriu espaço para uma entrevista “exclusiva†do casal indiciado. Curioso, não? Os sujeitos são as pessoas mais odiadas do momento no país e concedem “exclusividade†à Rede Globo. Meu amigo Igor comentou isso muito bem aqui, portanto, deixo isso com ele. Mas esse episódio só reforça o que estou pensando, porém, tecnicamente falando, a Globo acabou fazendo a única coisa “ética†no meio desse bombardeio de teorias e “novidades†sobre o caso durante todo o dia. No dia seguinte, porém, o Jornal Nacional arrepiou a entrevista ao esmiuçar o comportamento do casal durante o depoimento em rede nacional. Dar a mão e depois descer o facão no braço? Bela tática!

O distanciamento jornalístico simplesmente não existe. Excetuando-se um ou outro repórter de veículo impresso, os novos “âncoras de TV†transformaram-se em verdadeiros especialistas em direito, investigação forense e em psicologia. Seria cômico, não fosse pela absurda realidade que isso significa. A Rede Record tem um sujeito que surgiu das fileiras da Igreja Universal e é daqueles tipos que compra a briga indignada da população, mas não passa de um papagaio de pirata transformando tudo em notícia exagerada. Os programas de fofoca da tarde só falam em Isabella, mostrando N especialistas analisando descobertas, perfis psicológicos, mas, de efetivo, só fazem repetir ininterruptamente as imagens de arquivo do edifício onde morava a garota e das cenas da delegacia.

A população, por sua vez, responde da forma mais inadequada possível: pessoas fazendo plantão na frente da delegacia, gente cantando parabéns, visitando o túmulo da menina, e por aí vai. Entendo que mobilização popular seja um caminho para exigir justiça, mas o espetáculo grotesco que assisti não é justificável. Aquelas pessoas já tinham um veredicto claro em suas mentes, assim como a maioria da população.

Foi um festival do bizarro e do exagero. Para sorte da Rede Globo, o show anual da inutilidade brasileira havia acabado. Acho que nem mesmo os índices do Ibope para o Big Brother resistiriam à avalanche Isabella. Ninguém reclamou, porém, do latente aumento em nos números de todos os canais. Todo mundo soube aproveitar, até demais, da situação. Nem mesmo o Terremoto em São Paulo foi capaz de amenizar esse ímpeto. O tremor dividiu a cobertura por cerca de 3 dias e, logo depois, voltaram à carga com Isabella. Voltar à cobertura é obrigação, porém, as “investigações†paralelas voltaram juntos. A Band News chegou a cúmulo de mostrar as “fotos exclusivas das comparações feitas reconstituiçãoâ€. Uma delas era de um par de chinelos e a âncora dizia com voz séria: essas são as sandálias idênticas às que Alexandre Nardoni usou no dia da morte de Isabella. Realmente, informação que mudou a vida de muita gente!

Ficar reclamando da vida e dizer que “estamos indo para o buraco†é muito fácil, mas inevitável. Mais gritante que isso é meu medo em relação aos rumos que o jornalismo tem tomado. Não guinamos para o investigativo modelo norte-americano e nem descambamos abertamente para os tablóides ingleses, pois estamos num meio termo perigoso. Seguimos com a maré, porém, o ritmo das ondas muda repentinamente e, quando menos esperarmos, podemos ser sugados por elas e nunca mais encontrarmos o caminho de casa. Sempre me pergunto: pode haver justiça caso, por alguma virada repentina na situação, o casal acusado apresente um álibi ou algo do gênero? Eles já estão julgados e condenados. Pela imprensa e pelo povo. Não há mais volta. Culpados ou não, essas duas pessoas são piores que Hitler ou o Bandido da Luz Vermelha sob a ótica da população brasileira, famosa por sua memória curta e carente pelo assunto da vez para discutir na festinha de família, no buteco ou na mesa de jantar. Ótimo tópico, aliás, para quem tem filhos. Já vi crianças com medo de janelas. Será que algum desses grandes “jornalistas investigativos†pensa nesse efeito do que eles têm feito?

Só o futuro vai dizer. Uma coisa pode ser dita com certeza. Os Judas modernos não queimam em postes numa brincadeira de criança, eles são linchados publicamente, por qualquer um que escute uma história ou “descubra” algo novo. Na Escola de Base todo mundo descobriu algo novo também. E era tudo mentira.

22 comentários sobre "Linchamento Público: os Judas modernos!"

Luiza

30 de April de 2008
4h15

No domingo, a Record transmitiu quase que todo o tempo a reconstituição do crime. Eu “tive a sorte” de ligar a tv no momento em q estavam na janela, como se fossem jogar o boneco no chão. O cara não tinha nada pra falar e ficava repetindo “foi assim que a menina foi jogada”, “essas são imagens fortes” e etc…Eu fico muito chateada em ver o modo como esse crime está sendo coberto pela imprensa e chega a desanimar. Além disso, as emissoras fazem “reportagens paralelas” sobre a reação do público em relação a isso, plantões intermináveis na frente da casa dos acusados, delegacia. Isso tem uma consequência tão séria que a mãe da menina praticamente já é uma celebridade. Parece que já tem gente pedindo pra tirar foto com ela!

Carlos Eduardo

30 de April de 2008
6h32

Concordo absolutamente.
Ontem tive a infelicidade de ouvir no rádio um advogado (PASMEM!)dizer que o pai e a madrasta da menina tinham q estar presos, pegando pelo crime que cometeram, e não livres!
Porra, pra todos os efeitos os caras não são culpados AINDA. Por mais bizarra que seja a versão deles, ainda têm que ser julgados e condenados.
Mas esse espetaculo que vem acontecendo já julgou e condenou os dois de antemão.

Pra mim, grande parte da imprensa vem prestando um grande deserviçol, além, obviamente de sugar até o bagaço da laranja… vergonhoso!

Carlos Eduardo

30 de April de 2008
6h33

Corrigindo: deserviço (sem L no final) hehehe

Wagner

30 de April de 2008
8h27

Foi um dos melhores texto que já li sobre isso. Quase todos que conheço já cansaram sobre esse caso.

O pior de tudo é que várias noticias, muito mais importantes para o país, foram jogadas em segundo plano. Política, economia, mundo… tudo besteira! Mais interessante é saber o que realmente aconteceu com essa menina.

Carla Carniel

30 de April de 2008
8h33

Também sou jornalista e, nessas horas, fico angustiada com o que vejo na imprensa. Claro que é preciso fazer a cobertura do caso, mas tudo tem limite. Saber qual foi o café da manhã do Nardoni quando ele estava preso não se encaixa no tal “interesse público” (e creio eu que nem no “interesse do público”). Enquanto os holofotes continuam sobre o caso Isabella - quando ela poderá descansar em paz? - dezenas, centenas de outros crimes tão brutais são cometidos, mas e aí? Ninguém vai falar das crianças assassinadas na favela.

E o mais estranho é que, apesar dos abusos da imprensa, até agora não vi nenhum jornalista concordar com o circo que está sendo montado. Nenhum concorda, todos condenam, mas nada muda. É bem o que vc disse, tudo pelo lucro.

Mas claro que a imprensa não pode levar toda a parcela de culpa. É só um pedaço dessa pizza que traz junto as autoridades e, é claro, o público, que também pode ser chamado de “nós”.

Poderoso Porco

30 de April de 2008
8h43

Talvez Ronalducho e seus Travecos seja uma notícia capaz de mudar o foco da sociedade/mídia.
Eu duvido, mas é a que tem mais chances…

Netto careca (Master)

30 de April de 2008
8h50

Eu ja me casei disso.

Não procuro a noticia, (mas infelizmente a noticia se joga no colo das pessoas).
Eu não estou acompanhando, e na verdade até evito saber sobre isso. Mas pelo fato da morte tragica, e da midia “Urubu” neste caso, não temos como não saber o que está se passando sobre isto.

Mas infelizmente, assim como um “BBB”, é a unica coisa na boca do povo, afinal, acabou o BBB, e o que o “povo” vai comentar? Politica externa? Corrupção? Inflação? O filme legal da semana?… Não, pois da muito trabalho “pensar”.

Voltando ao assunto: do fundo do coração eu gostaria que os 2 fossem inocentados. Não inocentados de um crime cometido, mas sim que fossem realmente inocentes. Primeiro porque eu não consigo conceber o fato de um pai “MATAR” a propria filha. Segundo porque isso calaria a boca de muita gente.

Entretanto, mesmo se fossem inocentados, a vida deles JÃ acabou, por varios motivos. Mesmo inocentes, eles perderam:
- a filha.
- a vida social; pois aos olhos da “Massa” eles serão sempre culpados.
- e a propria vida. pois a midia já os taxou como culpados antes mesmo de qualquer relato mais consistente, e com isto, já foram FORMADOS grupos “vingadores”. Antes fosse algo de quadrinhos, mas é real, pois vi fotos de pessoas acampadas na delegacia com faixas escritas: “Que a justiça seja feita. Se nao for aí, será aqui” (claramente dizendo que haverá linxamento independente do veredicto).

Isto porque o que “vende”, é o sensacionalismo, e mais especificamenet da classe media. Afinal, que ibobe teria um “pobre” morto? Que repercussão teria algo relativo a esta morte, se fosse alguem “Podre de Rico”? Ja que estes mesmos poderiam “comprar” o caso e abafá-lo.
Ninguem se lembra por exemplo do caso do cara que morreu no trote da faculdade? Os “culpados” hoje estão formados e exercendo a profissão. Ou dos “playboys” que queimavam mendigos… e hoje estão aí como se nada tivesse acontecido!

Agora penso… se essas mesmas pessoas que ACAMPAM na frente de delegacias, acompanham TODOS os jornais pra saber do caso, e que querem JUSTIÇA, e usam TODAS AS FORÇAS pra isso…
Porque estas mesmas pessoas não canalisam esta forçca de vontade em algo útil? Como cobrar dos politicos o que tanto prometeram em epoca de eleição.

Com certeza o “Brazil” seria um lugar melhor, e MENOS corrupto.

Monsieur Green

30 de April de 2008
19h36

Grande texto, meu caro Barretão. Eu já estou de saco cheio dessa história. Não é que eu não sinta pena da menininha não, estou farto desse circo que estão armando não pra informar a população, mas sim pra arrumar audiência. E tem gente que cai nesse circo, fica toda histérica e quer ir lá linchar os pais da menina, esquecendo que quem cuida disso é a Justiça.
E tem quem acredite na “seriedade inabalável” da imprensa brasileira. Pffff, que grande piada. Bom feriado pra você e pra sua família, Barretão.

Monsieur Green

30 de April de 2008
19h39

Errata do post acima: por “cuidar disso”, entendam julgar e, se for o caso, determinar a punição. E bom feriado pra todos nós, que ninguém é de ferro. Fora o Tony Stark, é claro =D.

Igor Oliveira

30 de April de 2008
20h11

Fabão, olha que síntese sensacional da situação. E nem foi escrita por jornalista, mas pela psicanalista Maria Rita Kehl, no Estado de São Paulo do domingo passado, 27/09. O artigo é de meia página, mas esse parágrafo que escolhi achei excepcional:

“… a família de Isabella pertence à mesma classe média dos consumidores de jornais e revistas, público alvo dos anunciantes da televisão. No dia 20 de abril, um menino negro de 11 anos foi morto com um tiro na cabeça na Favela da Vila União, em São Paulo. Até agora, não vi a imprensa acompanhar a apuração do assassinato do pequeno Jefferson Alves, considerado desinteressante pela sociedade.”

Maria das Dores

1 de May de 2008
6h18

ESPETACULAR, BARRETÃO.ISSO É PENSAR NO SER HUMANO. EIS UM PRIMOR DE TEXTO QUE, SEM DÚVIDA, DEVE SER CONSENSO NO SEIO DA MAIORIA MAIS ESCLARECIDA DO POVO BRASILEIRO. PRA FRENTE!

Leandro B Machado

1 de May de 2008
14h27

@Maria das Dores
Já assiti palestras da Maria Rita Kehl,ela realmente é muto boa, te aconselho a ler os livros dela, pois vale a pena! Depois, se gostar, tente o Contardo Caligaris, que um grande psicanalista, mas escreve de uma forma bem acessivel aos leigos!

Ti@go

1 de May de 2008
17h54

Bom texto Barretão. =D

Sabe, uns dias atrás eu comentei em casa que durante uns 4 dias, as únicas noticias que lembrava de ter visto no Jornal Nacional era sobre cartões coorporativos e ” Caso Isabela”.

Eu ainda não entendo todo essa alarde por conta desse crime.

Sinceramente, eu não achei tããããõ chocante assim. É o que eu acho.

Alias, vi uma matéria boa no Jornal Nacional que fala sobre o dia da restituição do crime. Um monte de gente que aproveitava a situação. Um cara distribuindo panfletos de uma eleição e m cara que tava amordaçado e estava ‘amarrado’ numa cruz. Ele disse que tinha viajado 800 Km. 800 km.
Tomatecru.

Uma outra pessoa disse que tava lá só porque ” Domingo de manhã, sem naba pra fazer”.

Como disse o Fabião Morróida.

QUE DIABOS UM MONTE DE VAGABUNDO TAVA FAZENDO AO INVÉS DE TRABALHAR?

Diego Cardoso

1 de May de 2008
23h21

Parabéns Barretão! Texto fenomenal! Pela primeira vez li uma notícia referente a este caso com a clareza e a lucidez necessária, e que certamente vem faltando a grande maioria dos seus colegas de profissão.

A forma como a mídia vem tratando o “caso Isabela” é massante e, principalmente, IRRITANTE! Sequer assisto mais telejornal (nem nacional e nem regional, pois aqui no Rio a única notícia que se fala no RJ TV é DENGUE!), pois todos os dias surgem “novidades” no caso e recomeça aquela ladainha!

Na boa, sou advogado e sinceramente, não fico perdendo meu tempo discutindo e analisando a culpabilidade do casal acusado, tendo em vista que, diferentemente dos milhares de brasileiros assalariados desocupados que ultimamente vem acampando frete a delegacia, cemitério e casas das famílias dos acusados, eu REALMENTE tenho o que fazer, afinal, dinheiro não cai do céu e nem mesmo é trazido pelo “anjinho Isabela” (o que de fato, deve ocorrer para os desocupados supra citados!). Mas na minha opinião, se não fosse o juri popular, o casal sairia tranquilamente inocentado. De fato, o casal tem tudo contra (pelo menos é o que aponta as multiplas “provas” mostradas pela imprensa), mas nada que efetivamente possa apontar a culpabilidade deles. Ninguém viu qualquer dos dois atirando a menina pela janela, não existe prova em vídeo da menina sendo atirada por ninguém. Então, ora bolas, que prova se tem contra eles? Uma pegada de chinelo em cima da cama? O cara poderia ter pisado na cama a qualquer hora ou dia e a madrasta pode simplesmente ser uma mulher relaxada que não trocou o lençol da cama da criança!

Se o juri for formado por pessoas REALMENTE esclarecidas, pessoas com o mínimo de QI, ao observar a defesa do casal (que certamente será muito boa, afinal, estão sendo muito bem pagos e, se de fato conseguirem a inocência dos dois, poderão cobrar fortunas por seus honorários a qualquer otá… digo, cliente que quiser contratar seus serviços, já que estão no momento BBB deles né?), certamente irá inocentá-los por ausência de provas. Entretanto, devido a grade pressão popular e da mídia, se o juri acabar sendo formado por pessoas com baixa instrução e sem o mínimo de QI necessário pra discernir, certamente irão condená-los sem sequer se preocupar com as alegações e provas apresentadas pela defesa.

Enfim, veremos os próximos capítulos desta novela mexicana que se desenrola em todos os canais de tv brasileiros. A diferença, neste caso, é que nas novelas mexicanas, o objeto central das atenções, sofrimentos, julgamentos e loucuras é sempre a protagonista pobre, favelada e desgraçada, enquanto que aqui, a protagonista é a filhinha assassinada de um casal com família rica, e por isso está na mídia, pois o filhinho do pobre, favelado, desempregado e desgraçado, quando morre, seja baleado, seja atiradado de um prédio, ganha uma pequena nota na penúltima página do jornal de grande circulação ou no máximo, é capa do jornal carnificina-carioca O POVO.

PS: Thi@go, a resposta para a sua pergunta é a seguinte: o bando de vagabundos simplesmente está esperando aparecer a próxima câmera para poder aparecer na TV e chegar em casa ou no trabalho (se é que tem algum) e poder dizer: “dei entrevista na tv, vc viu?” Quem sabe alugum deles consegue um trabalhinho como figurante do Zorra Total ou de Malhação, certo?

Rodrigo

2 de May de 2008
21h46

Olha, eu concordo com o senhor advogado aí em cima. Tanto é que a polícia inventou a história do vômito e do sangue ser da isabela por causa para arrancar uma confissão do casal, pois pelas provas não estão aparentando que são culpados.
e a marca de chinelo… putz, qquer um para ver o que ocorreu poderia sem perceber pisar no colchão, ainda mais na hora do desespero.
se forem inocentados, acho que depois somente de algum tempo que terão suas vidas normalizadas, mas se eu fosse eles, me mudava de país, para pelo menos um que as pessoas não julguém sem antes ter provas.

Leandro B Machado

3 de May de 2008
12h16

@Diego Cardoso
E que tipo de prova voce queria? videos, fotos do momento do crime? Então 99% dos crimes jamais serão exclarecidos! Eles NUNCA vão confessar. Brasileiro tem memória curta, e nossa legislação penal é extremamente benevolente com os criminosos. Graças a bom comportamento, progressão de regime e juízes garantistas, em uns 4 anos eles estão nas ruas. Daí quase ninguém vai lembrar quem eles são ou o que fizeram. LURA LEX SED LEX (a lei é dura, mas é a lei) Para os ricos no Brasil: DURA LEX, SED LATEX (a lei é dura mas estica.

Igor Mendes

4 de May de 2008
3h46

Barretão, sem palavras. Estive indignado com a cobertura da imprensa também. Eu trabalho com alguns projetos em favelas aqui em Belo Horizonte, projetos de prevenção a criminalidade entre eles um de proteção a crianças ameaçadas de morte. Os números são incrivelmente altos, mas como apontou meu xará, quem se importa com favelados de classe baixa. Todos os dias há crianças sendo espancadas, esquecidas no meio da rua, mas nenhuma delas é branca, bonitinha e de classe superior. A única revista que observei se abster do caso nessas semanas foi a Carta Capital.Nem comento as capas da Veja.

Luiz Gilberto

4 de May de 2008
5h00

Infelizmente esta é a sociedade em que vivemos, quem tem função de julgar é o juri ao lado do juiz que vão analisar as provas e decidir se são culpados ou não. Agora com este bombardeio da impressa na prática eles não tem nenhuma chance. Reproduzindo um trecho de um artigo que eu li na Folha de um jornalista falando de um comentário dado por uma menina: “espero que eles sejam culpados pois se forem inocentes tudo isto terá sido uma coisa terrível”

Apesar de achar que eles são culpados, as coisas nem sempre são o que parecem. Para quem tem dúvida disso veja o caso dos irmãos Naves.

Leandro B Machado

4 de May de 2008
13h45

@Luiz Gilberto
No caso dos irmão Naves não existia perícia, nem investigação ciêntifica. Houve exagero mídia? SIM. mas e agora? só por isso devem dizer p/os criminosos: Olha a mídia foi malvada e cruel com vcs. então vcs estão livres por que já sofreram bastante.

Regina

25 de June de 2008
13h53

O porteiro fofoqueiro, é o culpado por toda essa injustiça para com o casal nardoni.São culpados:o porteiro>o morador do 1o andar>os bombeiros> policia e finalmente, a mídia que adora fofocar. O caso Isabella é uma invenção da mídia!!!!

noemi

9 de July de 2008
15h24

eu acho que policiais, delegados e promotor deveriam perder o cargo bem pago e responder criminalmente por tamanha esposisão nociva a todos

S.Bernardelli

23 de September de 2008
2h12

Parbéns pelo seu texto,gostei muito,mas muito mesmo.

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