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LOS ANGELES - Não queria gostar de O IncrÃvel Hulk. Não sei o motivo, mas entrei com três pedregulhos prontos para atacar o filme. E os primeiros 15 minutos levaram duas das pedras na cabeça, aliás, bem no meio da testa. Entretanto, escondi a terceira pedra cheio de vergonha e me perguntando como um filme pode mudar tanto com apenas uma cena? Eu não fui o único que mudou de opinião não. Vejamos os porquês. (Alguns spoilers além deste ponto. Pronto, avisei!) Quase todo mundo sabe que o filme começa no Rio de Janeiro, mais especificamente na “Rocinha Favela - Brazil”. Sem problemas, faz todo sentido do mundo Bruce Banner – cuspido e escarrado do seriado de TV – ter ido parar lá, ainda mais no mundo globalizado de hoje. Aliás, uma menção genial e honrosa à série e ao falecido Bill Bixby arranca sorrisos dos saudosistas. Agora, o que não faz sentido NENHUM é o fato de terem filmado uma série de seqüências, entre elas a primeira aparição do Gigante Esmeralda, num estúdio claramente fora do Brasil e colocarem atores gringos para fazer o papel de brasileiros. Resultado: um português que eu mal consegui entender em alguns momentos. Lembram do X-Men 3, aquele cara que o Wolverine corta os braços e ele regenera, levando, depois, um belo chute no saco? Então, ele é um dos “brasileirosâ€. Fake para diabos! Deu vergonha, pois nossa lÃngua parece coisa de retardado mental e com pronúncia afetada. Tudo melhora quando sai do Brasil. Até agora me pergunto como o Hulk saiu correndo da Rocinha e foi parar no paÃs onde o Bruce Banner acorda, mas, fazer o que, ficção é ficção. Até aà era só pedrada e indignação com as presepadas pseudo-brasileiras, porém, a virada estava próxima. E acontece mais ou menos assim. Bruce Banner estava fugindo novamente. Na chuva. Triste e desamparado. Aquela música começa a tocar. A mesma da série. E a cada acorde é como se uma gota de chuva machucasse ainda mais aquele coitado sem perspectivas. Só que diferente da série, quando ele seguia seu caminho a pé, alguém pára. A chuva continua lá, mas importa mais. Parou de machucar. Ele dá meia volta e, inconscientemente, resolve mudar os rumos de sua vida. Eu chorei.
A partir daà outro filme se configurou, por uma série de outros fatores também. Tim Roth arrebenta, como de costume, e foi muito bem escalado. Ele é completamente alucinado e sedento por poder. E nem é aquele perfil “quero dominar o mundo”, mas sim o sujeito que adora uma boa briga e vai até o fim do mundo para uma boa peleja! William Hurt desaponta, especialmente se comparado a Sam Elliott, e Arwen.. quer dizer, Liv Tyler ficou bem com cara de “nerdâ€. A ação também pega pesado daà para a frente. Por mais de uma vez me vi cerrando os punhos e inclinando em direção à tela durante a pancadaria, especialmente quando o Hulk levava porrada. É “fácil†torcer para esse Hulk e inevitável sentir pena dele. As transformações e a atuação de Edward Norton ficaram sob medida não para criar um monstro, como no primeiro filme, mas sim um sujeito desesperado e sem saÃda. O roteiro merece os louros da fama, aliás, pois, quando se trata de mostrar o que é o Hulk, fez isso bem. Arrisco aqui ao dizer que deve gerar menos ódio dos xiitas que o primeiro filme. Aliás, teve outro filme? Com todo respeito ao Ang Lee (cujo longa-metragem eu não detestei), esse sim é um filme sobre o IncrÃvel Hulk, sobre Bruce Banner e Betty Ross, não um tratado sobre a monstruosidade humana. O IncrÃvel Hulk, acima de tudo, é uma tremenda homenagem a um Hulk muito mais conhecido que a versão dos quadrinhos: a versão da série de TV.
Sobra até espaço para piadinhas. Especialmente quando uma calça roxa aparece na mão do Banner. Eric Bana vai sentir vergonha de existir! O IncrÃvel Hulk é um verdadeiro filme de ação, com um herói deveras conhecido e, surpreendentemente, com boas doses de drama bem realizado. Não fosse pelo deslize de localização por conta da participação brasileira, seria um filme com poucos defeitos. E essa conclusão foi tirada a partir da reação de pessoas que, assim como eu, entraram no cinema desanimadas e saÃram com caras felizes e fazendo fila para parabenizar o diretor e os poucos atores que ainda ficaram por lá. Agora, embora não tenha visto a aparição do Capitão América que estão falando, Tony Stark está mesmo no filme e é magistral. Aliás, Homem de Ferro tem tudo para se tornar o herói da nova geração! Muito mais que uma ponta curiosa, o papel de Robert Downey Jr eleva esse Hulk a um outro nÃvel: mais que um filme, é a segunda parte do quebra-cabeças que vai culminar com o inevitável filme dos Vingadores. Afinal, “estamos meio que criando uma equipeâ€, como alguém diz no filme. E tem um sujeito esquentadinho que gostou, e MUITO, da idéia.
Ah, e o Hulk fala.. com voz de ninguém menos que Lou Ferrigno, o verdão da série de TV! Que é homenageado de forma magnânima no filme! LEIA MAIS:
32 comentários sobre "[PRIMEIRA MÃO] HULK ESMAGA!"
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