As aventuras malucas do Barretão em LA! Te Cuida, Charlie Harper!

Comportamento

Constado às 09:56 em Artigos, Astros, Cinema, Comportamento, Exclusivo | 4 Comentários | 

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Até mesmo pessoas inteligentes têm seus momentos “Magdaâ€. Sharon Stone falou bobagem da China e levou uma invertida poderosa e financeira. Entretanto, esse caso nem se compara ao cala-boca que Spike Lee levou do Clint Eastwood outro dia. Bom, o sujeito também foi mexer com o Clint? Putz, com Dirty Harry não se brinca, filhote! Mas ele foi pregar aquela palhaçada racial dele (direitos são uma coisa, usar como arma política ou de publicidade é outra totalmente diferente, e foi isso que ele fez) e se esqueceu de pensar se seu argumento era válido ou não.

Vou explicar por que Spike Lee se demonstrou um tapado, nesse caso. Gosto dele, mas perdeu vários pontos depois dessa. Vamos aos fatos:

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“Clint Eastwood fez dois filmes sobre Iwo Jima que duram mais de quatro horas no total e nos quais não aparece nenhum ator negro. Caso vocês, repórteres, tivessem coragem, perguntariam por que agi desta forma”, declarou Spike Lee, em Cannes.

E eles perguntaram.

“O que quer que eu faça? Uma campanha em defesa da igualdade de oportunidades, por exemplo? Minha missão não é esta, mas faço uma leitura histórica. Quando faço um filme baseado em uma história na qual 90% das pessoas envolvidas eram negras, como ‘Birdie’ - sobre o músico Charlie Parker -, uso 90% de atores negros”, devolveu Clint Eastwood.

Com os dois lados expostos, vou amarrar essa coisa toda. Como alguns de vocês sabem, eu escrevo contos e, no momento, estou trabalhando no meu primeiro livro. Mês passado, porém, escrevi um roteiro em inglês da minha primeira tentativa de curta-metragem. O assunto: Segunda Guerra Mundial. Curiosamente, eu queria escalar um ator negro para o papel, mais especificamente John Adams (Dead Zone), colega meu aqui , gente boa pacas e que arranha no português.

Diferente do Spike Lee, eu pesquisei a presença e a participação de soldados negros no conflito, especialmente no Teatro de Operações Europeu. Como fã e estudioso do tema, achei estranho também, assim como o Lee, que não houvesse negros em produções como Band of Brothers, O Resgate do Soldado Ryan, Além da Linha Vermelha, e por aí vai. Demorou um pouco para chegar ao resultado, mas o próprio John me colocou em contato com um veterano que, além de indicar um material distribuído na comunidade negra aqui, deu a resposta: não haviam negros na linha de frente norte-americana no início da guerra, especialmente no Dia-D.

O Teatro do Pacífico, porém, apresentou a utilização de combatentes negros bem mais rápido e, realmente, havia um contingente afro-americano na invasão às ilhas japonesas como Iwo Jima, mas um número ínfimo se comparado aos caucasianos. O comentário de Lee soa fora de contexto, uma vez que os filmes de Eastwood tem por objetivo retratar a história dos soldados que levantaram a bandeira, em A Conquista da Honra, e dos japoneses, em Cartas de Iwo Jima. Spike Lee vem tocando nesse tema há um tempo, diz que é provocação de Eastwood e promete fazer seu próprio filme de guerra para “corrigir†esses erros. Ótimo, mas que o faça num intervalo histórico onde a participação negra foi verídica. É realmente necessário mostrar esse aspecto da guerra.

Os Estados Unidos ainda viviam um sistema social segregado durante Segunda Guerra Mundial, que continuou a ter seus efeitos inclusive durante o Vietnã – aí sim uma guerra onde os negros foram enviados ao front sem pensar duas vezes. Quem assistiu a Fomos Heróis pode notar a integração entre os soldados, mas o detalhe da segregação surge quando uma das esposas recém-chegadas fica surpresa com a lavanderia “withes only†(ela pensou que só podia lavar roupa branca, mas, na verdade era que só “gente†branca poderia entrar no estabelecimento).

Não havia nenhum pára-quedista negro no ataque aéreo e tampouco dentro das barcaças de desembarque. O primeiro negro a colocar os pés na Normandia foi um motorista de caminhão, que levava suprimentos para os combatentes. As unidades do Exército formadas por negros eram não-combatentes, no início da guerra, mas isso foi mudando ao longo do conflito. O personagem de Cuba Godding Jr. em Pearl Harbor, por exemplo, deixa claro que “lugar de negro era na cozinha”, sob a ótica das Forças Armadas, pelo menos até a briga começar e as estúpidas barreiras raciais começaram a esmorecer, afinal, muito branquelo foi salvo pela coragem e bravura dos soldados negros.

Voltando a Spike Lee. Como membro ativo da comunidade negra e, sem dúvida, em contato com todo esse material que um recém-chegado como eu conseguiu, soa apenas como jogada de marketing criticar Clint abertamente. A resposta de Eastwood foi perfeita e dentro da realidade do conflito. Para que escalar negros num lugar onde não haviam negros lutando? Seria o mesmo que George Lucas escalar atores brancos para estrelar Red Tails, que vai contar a história do melhor esquadrão de caça da WWII e que era totalmente formado por pilotos negros. Se o Lucas estragar esse, eu juro que ele perde meu respeito!

O “ataque†de Lee tem uma razão, porém. O próximo projeto de Clint Eastwood envolve a história de Nelson Mandela, o primeiro presidente negro da Ãfrica do Sul. Entendo a postura do cineasta desafiante como um aviso: “estamos de olho no que você fazâ€. Mas o golpe não funcionou, e o detentor do título devolveu com um nocaute: “Não vou transformar Nelson Mandela em um brancoâ€, disse sorrindo.

Portanto, Spike, meu caro: calaaaaaaaaaaaaaaada!

Constado às 08:02 em Astros, Cinema, Comportamento, Pessoal, Viagem | 8 Comentários | 

ChacotayTem duas coisas que me lembram que não estou mais no Kansas.. oops.. em São Paulo: motoristas que respeitam o pedestre e astros de cinema e TV agindo como gente normal. Explico: enquanto meu corpo ainda se acostumava com o clima e tentava se convencer de que eu não estava acordado há quase 22 horas, fui ao mercado comprar pasta de dentes e pão. Qual minha surpresa quando aparece um sujeito meio conhecido empurrando um carrinho? Levou menos de um segundo para me tocar de que ali estava Chacotay, ou melhor, Robert Beltran, um ator de origem meio-índio e meio-mexicano, que já trabalhou com Chuck Norris (KIAIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII) e ajudou o elenco de Star Trek: Voyager a resolver a cagada que a capitã Janeway fez ao perder a nave.

Bati um papo com ele, que se mostrou bem receptivo e só não tirei foto por que, convenhamos, quem leva máquina fotográfica quando vai comprar pasta de dentes? Bem, da próxima vez eu levo!

Bem, aí vem a segunda parte. Hoje cedo, antes de iniciar a jornada do post anterior, fui pegar um café e quem estava papeando com duas gatas, vestindo um boné meio brega e com cara de intelectual? Zachary Quinto, ou melhor, Sylar, o chupa-cérebro de Heroes e, claro, o novo Spock, do novo filme de Jornada nas Estrelas. Seria algum complô Roddenberiano contra minha sanidade? Tentativa de corromper ao lado tricorder da força?

AimeusantoAsimov!

Fato é, os dois já entraram para o hall de celebridades que cruzaram meu caminho nessa longa e absurda jornada em Los Angeles, audaciosamente indo aonde nenhum outro Madrigal Barreto jamais esteve. Numa viagem de cinco anos, explorando a Califórnia, criando a filha e tentando fazer algo decente para a esposa. Nem para isso precise ficar um pouco longinho de todo mundo.

Piriri. Enterprise, um para subir!

Constado às 20:57 em Artigos, Comportamento, Pessoal | 20 Comentários | 

A bíblia relata as mais celebres história dos linchamentos públicos da religiosidade cristã, porém, os últimos casos de destruição pública de imagem que presenciamos não chegam nem aos pés do apedrejamento de Maria Madalena ou do antigo costume de “queimar o judasâ€. Embora não goste de falar a respeito, é impossível deixar o chamado “caso Isabella†de lado. Mas, leia e entenda um lado curioso, e diferente, dessa coisa toda.

Estava fora do país quando a menina morreu, não recebi o impacto inicial da notícia. Aliás, essa tragédia aconteceu bem perto do anúncio de um vídeo no qual uma colegial era espancada por “amigas†só por ter falado mal delas no MySpace. A garota ficou desfigurada. Fiquei sabendo pouco depois da morte da garotinha em São Paulo. Sou pai, portanto, esse tipo de coisa revolta um pouco mais. A partir daí fiquei alguns dias sem ouvir no assunto. Até que cheguei ao Brasil.

Época trazia a matéria na capa: Até quando?. Veja julgou e condenou: Foram Eles! Os jornais diários dedicavam páginas e mais páginas todos os dias às novas “descobertas†e, claro, os canais de televisão surtavam com a mais nova oportunidade de conseguir audiência. É assim que eles vêem, não se enganem. Apresentadores podem ficar indignados, podem se emocionar, mas tudo isso faz parte do trabalho deles e do interesse da emissora/veículo: vender mais. E ponto.

Por que digo isso? Conseguir meu pedaço na polêmica? Antes fosse, é que fiquei mais indignado como que vi do que com o caso em si. Sem dúvida a morte da garota foi trágica e não pode passar impune, porém, o circo que a imprensa montou e a quantidade de pessoas desocupadas que resolveram cobrar por “justiça†em delegacias, cemitérios e plantões das emissoras de TV chegou a ser assustador.

Claro que, em maior parte, tudo isso aconteceu por culpa única e exclusiva da imprensa. Qual o papel dos jornalistas e meios de comunicação num caso como esse? Difícil resposta, mas não consigo concordar com minha classe quando os jornalistas decidem brincar de investigadores ou detetives. O público é volúvel – em qualquer parte do mundo – e em sua ânsia por altos índices de audiência, especialmente a TV, define o que é certo e o que é errado, culpado e inocente.

Não quero opinar sobre o papel do pai e da madrasta nisso tudo. Não fui convocado para o júri popular – que acontecerá, de acordo com o sistema judiciário brasileiro, e terá um grupo de pessoas que assistiu ao mesmo exagero que todo o resto da população – e entendo que a função da minha profissão seja a de reportar as informações disponíveis. Por intermédio das fontes oficiais, de preferência.

Comecei a escrever esse artigo antes de ver, no último domingo, o Fantástico crivar sua opinião sobre o assunto, em dois blocos, e abriu espaço para uma entrevista “exclusiva†do casal indiciado. Curioso, não? Os sujeitos são as pessoas mais odiadas do momento no país e concedem “exclusividade†à Rede Globo. Meu amigo Igor comentou isso muito bem aqui, portanto, deixo isso com ele. Mas esse episódio só reforça o que estou pensando, porém, tecnicamente falando, a Globo acabou fazendo a única coisa “ética†no meio desse bombardeio de teorias e “novidades†sobre o caso durante todo o dia. No dia seguinte, porém, o Jornal Nacional arrepiou a entrevista ao esmiuçar o comportamento do casal durante o depoimento em rede nacional. Dar a mão e depois descer o facão no braço? Bela tática!

O distanciamento jornalístico simplesmente não existe. Excetuando-se um ou outro repórter de veículo impresso, os novos “âncoras de TV†transformaram-se em verdadeiros especialistas em direito, investigação forense e em psicologia. Seria cômico, não fosse pela absurda realidade que isso significa. A Rede Record tem um sujeito que surgiu das fileiras da Igreja Universal e é daqueles tipos que compra a briga indignada da população, mas não passa de um papagaio de pirata transformando tudo em notícia exagerada. Os programas de fofoca da tarde só falam em Isabella, mostrando N especialistas analisando descobertas, perfis psicológicos, mas, de efetivo, só fazem repetir ininterruptamente as imagens de arquivo do edifício onde morava a garota e das cenas da delegacia.

A população, por sua vez, responde da forma mais inadequada possível: pessoas fazendo plantão na frente da delegacia, gente cantando parabéns, visitando o túmulo da menina, e por aí vai. Entendo que mobilização popular seja um caminho para exigir justiça, mas o espetáculo grotesco que assisti não é justificável. Aquelas pessoas já tinham um veredicto claro em suas mentes, assim como a maioria da população.

Foi um festival do bizarro e do exagero. Para sorte da Rede Globo, o show anual da inutilidade brasileira havia acabado. Acho que nem mesmo os índices do Ibope para o Big Brother resistiriam à avalanche Isabella. Ninguém reclamou, porém, do latente aumento em nos números de todos os canais. Todo mundo soube aproveitar, até demais, da situação. Nem mesmo o Terremoto em São Paulo foi capaz de amenizar esse ímpeto. O tremor dividiu a cobertura por cerca de 3 dias e, logo depois, voltaram à carga com Isabella. Voltar à cobertura é obrigação, porém, as “investigações†paralelas voltaram juntos. A Band News chegou a cúmulo de mostrar as “fotos exclusivas das comparações feitas reconstituiçãoâ€. Uma delas era de um par de chinelos e a âncora dizia com voz séria: essas são as sandálias idênticas às que Alexandre Nardoni usou no dia da morte de Isabella. Realmente, informação que mudou a vida de muita gente!

Ficar reclamando da vida e dizer que “estamos indo para o buraco†é muito fácil, mas inevitável. Mais gritante que isso é meu medo em relação aos rumos que o jornalismo tem tomado. Não guinamos para o investigativo modelo norte-americano e nem descambamos abertamente para os tablóides ingleses, pois estamos num meio termo perigoso. Seguimos com a maré, porém, o ritmo das ondas muda repentinamente e, quando menos esperarmos, podemos ser sugados por elas e nunca mais encontrarmos o caminho de casa. Sempre me pergunto: pode haver justiça caso, por alguma virada repentina na situação, o casal acusado apresente um álibi ou algo do gênero? Eles já estão julgados e condenados. Pela imprensa e pelo povo. Não há mais volta. Culpados ou não, essas duas pessoas são piores que Hitler ou o Bandido da Luz Vermelha sob a ótica da população brasileira, famosa por sua memória curta e carente pelo assunto da vez para discutir na festinha de família, no buteco ou na mesa de jantar. Ótimo tópico, aliás, para quem tem filhos. Já vi crianças com medo de janelas. Será que algum desses grandes “jornalistas investigativos†pensa nesse efeito do que eles têm feito?

Só o futuro vai dizer. Uma coisa pode ser dita com certeza. Os Judas modernos não queimam em postes numa brincadeira de criança, eles são linchados publicamente, por qualquer um que escute uma história ou “descubra” algo novo. Na Escola de Base todo mundo descobriu algo novo também. E era tudo mentira.

Constado às 15:30 em Comportamento, Pessoal | 14 Comentários | 

Mico

Além do mico que precisamos passar para conseguir o visto de entrada nos EUA, precisamos aturar o povo que quer impressionar os cônsules. É hilário de tão ridículo!

Hoje foi o último dia da maratona que começou na semana passada com a viagem para o Brasil e esse pequeno período de “fériasâ€. Mas embora tenha encerrado o ciclo, não quer dizer que foi fácil. Mas, sem dúvida, foi altamente divertido, afinal, foi minha segunda visita ao Consulado dos Estados Unidos em São Paulo em menos de 5 meses, o que mantém a memória bem viva sobre algumas características daquele lugar e de como nossos coleguinhas se comportam para conseguir o visto. Tem brasileiro que faz cada presepada.

Tudo começou às 5 da madruga. Minha entrevista estava marcada para as 7h40, ou seja, precisava estar lá às 6h. Felizmente, Sampa foi boa comigo e não encontrei transito na Marginal Pinheiros e cheguei bem rápido. Claro, ter feito o caminho no dia anterior e decorar ajudou E MUITO (como eu sempre digo, quem é amigo do Master, é amigo do Master! Valeu, Nando!).

Bom, cheguei no horário e passei logo pela pequena fila formada na parte de fora, mas é ali que a graça começa. Vem gente de todo canto de São Paulo, muita gente de Minas Gerais e, agora com dificuldades de agendamento no Rio, vários cariocas se infiltram nas fileiras. O primeiro aspecto que pode ser notado é a falta de informação sobre os procedimentos e como as coisas funcionam lá dentro, na temida entrevista com a equipe consular.

O mais engraçado são as pessoas, ou melhor, os pavões que vão tirar o visto. Grupos reviram formulários e discutem as “melhores respostas†para garantir a aprovação. Todo mundo tem uma teoria, uma história que alguém contou ou que leram na internet. Aí os primeiros pavões aparecem. Quem são esses pavões? Normalmente famílias, cujas mulheres se perfazem facilmente com a idéia de viajar “pros Statesâ€. Enquanto o maridão fica meio que preocupado com a eventual negação do visto, a patroa comporta-se como se já estivesse DENTRO de um shopping na Florida. O filho(a) sempre é o must: só faltam as orelhas do Mickey! A camiseta com a bandeira americana, a jaqueta importada e o boné de algum time ou mesmo da Disney completam o figurino.

Esse povo é deslumbradão. Acha que demonstrar “proximidade†com o país vai gerar alguma facilidade lá na frente, mas não é bem por aí. Hoje vi um gordinho que eu podia jurar ser a encarnação de Eric Cartman na terra, se ele abrisse a boca sairia alguma frase do desenho. Aposto! O moleque tinha tanto logotipo e coisas Disney que parecia uma árvore de natal na manha nublada em Sampa. Será que o pessoal acha que tem loja do Mickey lá dentro? Algum tutorial sobre NBA? Lavagem cerebral? Humm, pensando bem, lavagem cerebral não precisa para quem entra no clima.

A mãe do coitado ficava explicando como ele deveria responder as perguntas de acordo com a “estratégia†da família e etc. Detalhe: quando famílias fazem a entrevista, apenas um dos pais responde as perguntas e pronto. A cada nova explicação da mãe, o gordinho suava e tentava disfarçar, mas as perninhas tremendo mostravam que o “terrorismo†materno estava funcionando. O moleque não olhava para o lado de medo das câmeras e dos microfones que escutavam tudo que a gente falava. Hilário de tão absurdo!

Aliás, se você já foi, precebeu que muita gente não conversa enquanto está ali dentro? Ficam ali, compenetrados, pensando na entrevista. Com medo de terem o pedido rejeitado. E não conversam, afinal de contas, “se aquele cara tiver o pedido negado, não quero ser visto falando com eleâ€. Rola um medo coletivo no lugar, o que faz pouco sentido se pararmos para pensar na principal razão das pessoas ali: tirar férias. Tudo começa com estresse? Ali é o de menos se comparado ao risco da entrevista da Imigração, quando você pisa em território gringo. No Consulado você tem documentos, pode conversar e se explicar, na imigração a coisa é muito mais simples e rápida. Sim ou não. Se o cara não gostou da justificativa, mesmo com o visto aprovado, nada feito. E lá o agente não fala português. Enfim, o povo pira nessa história.

Enfim, depois deles, vêm os engravatados fakes. É fácil descobrir se um sujeito trabalha mesmo como executivo ou se está fazendo onda para impressionar. Sabiam que tem gente que viaja de termo para tentar ser mais bem tratado? É um barato! Voltando, o sujeito aparece todo engomado, pasta 007 que só falta ter controle de voz, mas faz tudo errado, tenta botar banca pra cima do pessoal da triagem e já solta aquele inglês macarrônico na hora da entrevista. Detalhe: tem cônsul que faz a entrevista em português, afinal, eles decidem, ou seja, nego já começa errado.

Outro grupo distinto são os “caras do congressoâ€. Das três vezes que fui tirar o visto, encontrei um grupo de pessoas que não faz muita idéia do que está fazendo ali, não tem nada preenchido e é acompanhado por uma funcionária do Consulado. Esses não estressam, eles simplesmente vão fazendo o que pedem e nem percebem quando a coisa toda acaba. Hoje fiquei curioso e perguntei a razão do tratamento especial: são grupos de pessoas com habilitação técnica, mas sem muita noção de línguas ou procedimentos burocrácitos, que grandes empresas envolvem em congressos internacionais para demonstrar equipamentos ou outras técnicas no exterior. Ou seja, o Brasil manda um monte de Hommers apertar botões nos States, enquanto o palestrante mostra as maravilhas do nosso know-how. Biito, né?

Todo esse processo é chato mesmo. Eles não deixam nem I-Pod entrar na área do consulado, metem a faca nos custos burocráticos e ainda ficam com o passaporte – que só vai pelo Sedex, sem chance querer ir retirar. Agora, tentar ser o que não é e inventar história? É por isso que muita gente tem o pedido negado, tenta dar cambau no processo e cai em contradição. Que nem a mãe explicando a estratégia para o filho. Tem estratégia melhor do que entrar lá, contar a razão pura e simples da solicitação de visto e pronto? Se contando a verdade já existe o risco de fecharem a porta, imagine enrolando? E, para isso, ninguém precisa se perfazer de “americanoâ€, engravatado ou ricaço.

E um cara ainda veio me perguntar se eu era doido de ir pedir o visto de calça jeans e camiseta. Bom, eu trabalho assim em LA, para que seria diferente no meu País? Gente doidaaaaaaaaa!

Constado às 16:14 em Artigos, Cinema, Comportamento | 4 Comentários | 

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Por Fábio M. Barreto, correspondente em Los Angeles.

“Pais orgulhosos do sargento (…), em seu segundo período no Iraque 

… diz uma discreta faixa frente de uma casa nas abastadas redondezas do Griffith Park, em Los Angeles. Uma bandeira dos Estados Unidos, mais volumosa e vistosa, completa a cena patriótica, digna de filme, não fosse a inegável realidade que afeta o país: há uma guerra em andamento e jovens como o sargento em questão podem, enquanto escrevo esse artigo, estar sob fogo da resistência iraquiana, feridos ou até mesmo mortos. O estado de guerra, porém, só é sentido por conta desses pequenos detalhes, que passam despercebidos aos sempre apressados moradores da cidade, sempre ocupado demais na direção de seus carros para notar situações como essa.

Diferente de Nova Iorque, que ostenta um posto de recrutamento no meio de Times Square – recém-vitimado por um pequeno atentado a bomba –, Los Angeles é mais discreta. Novos recrutas podem se voluntariar em plena Hollywood Boulevard, mas num prédio menos chamativo, com alguns cartazes de incentivo, mas nada parecido com o espetáculo high tech promovido em Manhattan. E é ali, em frente às estrelas da Calçada da Fama, fica a única lembrança clara e direta de que esse país encontra-se em guerra. Entretanto, os noticiários e o cinema ajudam a população a se lembrar disso.

Os ativistas aqui surgem com roupas politicamente corretas e pedem assinaturas contra a Kleenex, que não usa produtos recicláveis; postulam em favor dos pobres animais; e fazem blitzes para “abrir os olhos†para os males que a exploração do petróleo causam; mas nada de movimento contra a guerra, pelo menos nada organizado ou com o mínimo de vulto social.

Com sua população majoritariamente formada por imigrantes de origem latina – em sua maioria vindos do México –, Los Angeles é celeiro certeiro para soldados hoje em dia. O motivo? Estabilidade financeira, educação e, claro, o green card. Vivo ou morto, diga-se de passagem. Desde os atentados de 11 de setembro, o presidente George W. Bush determinou que pedidos de cidadania feitos por soldados não-americanos fossem acelerados e não passassem por tanta burocracia. Duas razões: aumentar a quantidade de voluntários e assegurar a moral dos já alistados. Por outro lado, Bush também decretou uma espécie de realistamento compulsório para soldados que já cumpriram sua carga obrigatória no exterior, chamado de stop-loss, algo como, evitar perda de contingente.

Estima-se que cerca de 20.500 soldados na ativa atualmente não sejam cidadãos norte-americanos, possuindo apenas green card ou outros laços com o país. Conhecidos como “green card warriorsâ€, esses militares buscam estabilidade social para suas famílias por conta da aceleração do processo legal ou, em último caso, pela fatalidade. Em caso de morte em serviço militar, é praxe que a família do soldado falecido receba a cidadania como reparação pela perda e como forma de reconhecimento do país pelos serviços prestados.

Para não deixar dúvidas: o green card dá direito de residente e uma série de benefícios a seu portador; porém, apenas com a cidadania – processo mais complicado e demorado – é que o indivíduo passa a ter direito ao voto ou elegibilidade, por exemplo.

Por vias legais, desde 2001, cerca de 37 mil pedidos de nacionalidade foram processados e autorizados pelo departamento de Imigração em conjunto com o setor jurídico do gabinete das Forças Armadas. Cerca de 7 mil pedidos são feitos anualmente. Todo o processo leva dez meses para ser concluído. Os números, tanto de recrutas quanto de novos pedidos de cidadania, só aumentam e nem mesmo o crescimento dos ataques no Iraque impede essas cruzadas pessoais.

Vários desses aspectos são tratados no filme Stop-Loss, estrelado por Ryan Phillippe, uma produção da MTV Movies. A trama conta pelo que passam os soldados que lutam atualmente no Iraque e Afeganistão quando retornam para casa e, em muitos casos, são reenviados para a linha de frente mesmo depois do término de seu período obrigatório em serviço para evitar a “perda de contingente†a qual se refere o título. Cerca de 80 mil soldados já foram realistados sob a égide dessa ordem presidencial.

Indignado por essa situação e a perspectiva de retornar e morrer, o personagem principal tenta lutar contra o sistema, mas é barrado pelo desinteresse de políticos e juízes em tratar do assunto que, inegavelmente, contraria uma ordem direta do Comandante Supremo das Forças Armadas, o presidente. Sua única alternativa é deixar a identidade e a vida para trás e fugir para outro país. Por outro lado, o personagem latino da história, Rodriguez, rapaz de origem mexicana, cuja família mora ilegalmente no Texas, fica mutilado e cego ao ser atingido por uma explosão, mas, mesmo assim, diz que pretende voltar ao combate “pois se morrer, a família toda ganha green cardsâ€.

Entretanto, a perspectiva de conquistar a cidadania por vias militares não é exclusividade de mexicanos. Os noticiários estão cheios de matérias e referências a alemães, asiáticos e até mesmo brasileiros servindo no Iraque e entrando com pedidos legais de cidadania. Essa realidade, curiosamente, deixa de ser apenas parte do drama das famílias envolvidas para ganharem as manchetes e também o cinema, dentro da volumosa quantidade de filmes que tratam sobre o assunto.

Diferente de suas outras guerras, os Estados Unidos tem a oportunidade única de avaliar suas ações e repercussões durante o conflito por meio do cinema e da TV, com produções como a série Over There, No Vale das Sombras, O Suspeito e Stop-Loss. A maioria dessas obras traz um conceito em comum: a desumanização sofrida pelos soldados na guerra moderna. Muitos deles filhos de veteranos do Vietnã, os novos GIs – transformados em verdadeiras máquinas de matar – enfrenta cada vez mais problemas quando voltam para casa. A readaptação é difícil, o próprio Exército prepara as famílias para situações que podem acontecer, mas cada indivíduo responde de um jeito. Todos têm algo em comum: a dificuldade de aliviar a mente do constante estado de alerta vivido durante o serviço.

Sem suporte e constantemente acometidos por disfunções de personalidade e acessos de violência, os novos veteranos encontram pouco auxílio por parte do Exército, desconfiança de amigos e parentes e, em muitos casos, o suicídio acaba sendo a solução. Há inúmeros relatos de ex-soldados que tiram a própria vida por não conseguirem se livrar dos pesadelos, do medo e da inabilidade de voltarem ao convívio social depois de vivenciarem a realidade da guerra. O grande número de casos de problemas psicológicos sobrecarrega os hospitais militares e outros locais capazes de tratar tais problemas, o que sujeita os pacientes a uma longa lista de espera. Muitos não esperam pela vaga e perdem totalmente o controle. Casos de suicídio são mais que comuns nas estatísticas que envolvem os veteranos.

Entretanto, mesmo com toda essa análise proposta pela indústria – que não polpa críticas à condução da guerra e seus efeitos – pouco acontece efetivamente. Durante uma exibição de Stop-Loss, quando o personagem de Ryan Phillippe perde o controle e grita um sonoro “f…-se o Presidenteâ€, um início de manifestação de apoio foi sentido, com palmas, assovios e gritos, mas logo o silêncio retornou à sala. É hora de refletir, defendem muitos locais, não de gritar. O argumento faz sentido quando confrontado com a hora de agir: as eleições presidenciais. Os republicanos de John McCain defendem a continuidade e a validade da guerra, enquanto a massa que transforma Barack Obama no candidato natural dos democratas tem uma idéia bem fixa em mente: ele foi contra a guerra desde o início, o único, aliás.

Pelo menos para o povo norte-americano, é hora de escolher um lado. Ou não. As pessoas sabem, mas, mesmo assim, preferem permanecer fechadas em seus carros para não ver os pequenos dramas pessoas que compõem um país constantemente em conflito e fazer de conta que o problema não é delas. E aqui é assim que a coisa funciona. Cartazes de políticos? Nas janelas das casas, colocados internamente, deixa claro que o interesse político é bem delimitado. Propagandas coladas nas ruas amanhecem rasgadas e qualquer outro tipo de manifestação pública é vista com descaso. O número assustadoramente baixo de votantes registrados comprova isso. Mais assustador, porém, é o número oficial de mortos até agora: 4.005 soldados norte-americanos (dados anteriores à nova onda de ataques à chamada Zona de Segurança, em Bagdá, no final de março). Outros 30 mil foram feridos em combate.

E, ao que tudo indica, esse cenário – e suas diversas faces – só muda com uma eventual nomeação e vitória de Barak Obama nas eleições presidenciais. Mesmo assim, muita gente vai fazer vista grossa e só se preocupar com a economia e o preço da gasolina. Nada mal para a “população votante†que decide o destino de vidas e, mesmo sem ligar, do mundo. Por enquanto.

(as opiniões desse artigo são baseadas na mera observação de acontecimentos e situações cotidianas, e na cobertura nacional da ocupação norte-americana no Iraque. Excetuando-se os dados numéricos, nenhuma pesquisa norteia esse texto)

Constado às 22:58 em Artigos, Cinema, Comportamento | 16 Comentários | 

Crusada

Ao tentar transformar grandes lendas em filmes repletos de ação e batalhas, os estúdios de Hollywood deixam de lado antigos mitos para mostrar heróis desprovidos da magia e da espiritualidade de suas épocas.

Em todo o mundo, crianças ouvem suas primeiras histórias sobre grandes heróis, façanhas inacreditáveis e lugares maravilhosos por meio da grande mitologia e espiritualidade existente nas culturas européias e asiáticas nos últimos milênios, porém, nos últimos anos, temos vivenciado um movimento no qual os grandes estúdios decidiram abandonar o lado mítico destas histórias para, por exemplo, transformar o mais poderoso dos semi-deuses em um simples guerreiro.

É o que vemos, por exemplo, em Tróia - que poderia se chamar apenas BRAD, afinal de contas, né?. Sob o comando de Wolfgang Petersen (Air Force One) e roteiro de David Benioff (A Última Noite), uma quantidade enorme de recursos, elenco estelar e um grande esforço de pesquisa foram colocados à disposição para recriar a, até hoje incerta, Guerra de Tróia. Exércitos grandiosos, uma história de amor como motivação, interesses políticos como agentes do conflito, um herói imbatível, etc, etc. Tudo muito bonito e certinho para o público, porém, o que a equipe de Petersen deliberadamente tirou do caminho foi toda a mitologia grega, que regia, por muitas vezes, as vontades de reis, motivava soldados e protegia heróis como Aquiles. Basta lembrar da força do Conselho dos Éforos no recente 300. Se os deuses mandavam, era bom obedecer. Ainda bem que Frank Miller inseriu esses elementos e Zack Snyder manteve tudo no filme.

Numa breve passagem de Tróia, Aquiles fala com sua mãe, que profetiza sua morte caso ele vá à guerra. Entretanto, nada se fala sobre ela ser a ninfa marinha Tétis e sobre o fato de que ela, na tentativa de o tornar invencível, mergulhou-o no rio da Estige segurando-o pelo calcanhar. Como esta única parte não foi banhada pelas águas protetoras criou-se ali seu ponto fraco. O calcanhar de Aquiles. Outro guerreiro com um ponto fraco similar é o nórdico Ziegfrid, que tinha uma pequena falha em formato de folha em sua proteção mítica ao ser banhado pelos deuses. Mesmo sem manjar de mitologia, é só assistir Cavaleiros do Zodíaco e lembrar como um dos cavaleiros de Hilda dança por ter o mesmo ponto fraco de seu predecessor.

Vários fatores míticos são atribuídos a Aquiles: sua armadura foi feita por Hefesto, o ferreiro dos deuses, filho de Zeus e Hera; seu destino havia sido decidido anos antes de seu nascimento pelo próprio Zeus e por Poseidon; e foi descrito como um deus por Homero, na Ilíada. Em várias versões da história, também vemos a intervenção direta de alguns deuses nos combates da Guerra de Tróia. Mas, no filme, tudo é muito humano e apenas o templo da praia - destruído e profanado por Aquiles - lembra de que existiam forças “maiores” naqueles tempos. Saudades do tempo em que filmes como Fúria de Titãs ainda podiam mostrar a interação entre a Humanidade e suas crenças mais antigas. Com direito a Lawrence Olivier interpretando Zeus e efeitos visuais e produção executiva de Ray Harryhausen.

Zeus

Se os deuses do Olímpo puderam ser ignorados em prol da ação e de batalhas grandiosas, o que dizer então da versão crua e puramente militar do lendário Arthur Pendragon?. O filme Rei Arthur, dirigido por Antoine Fuqua (Dia de Treinamento), que muitos esperavam ser uma adaptação da trilogia Rei do Inverno, de Bernard Cornwell, acabou mostrando um Arthur romano, basicamente um líder militar atuando contra os “bárbaros†bretões e apoiado por leais e letais cavaleiros vindos de uma terra distante. Mesmo com a presença do competente autor e estudioso John Matthews - autor de diversos livros sobre religiosidade antiga, em especial, na Grã-Bretanha - como consultor histórico, o diretor e o estúdio preferiram inserir elementos mais “ligados†a sua concepção para o personagem do que se apoiar na história mítica.

Em uma conversa logo após o filme, Matthews disse que a ordem da produção era clara: “nada de magia, é um filme de açãoâ€. Ou seja, logo de cara, o filme perdeu a chance de ser o mais próximo possível do até hoje pesquisado sobre o personagem justamente por ter alguém como Matthews envolvido, porém, relegado ao segundo plano. Com isso, Excalibur transformou-se na espada do pai de Arthur, Merlin tornou-se líder dos “bárbaros†woads (nome dado aos bretões), a existência de Avalon e da Dama do Lago sequer é cogitada, e Arthur apresenta-se apenas como um bom líder militar interpretado por Clive Owen. Um homem comum, muito longe do mito que o mantém na mente das pessoas e é referenciado até hoje. Pobres das crianças que assistem aos desenhos e ouvem à versão da história de um jovem destinado a ser rei retirando a espada mágica da pedra ou a recebendo do espírito da água.

Por mais que a premissa do filme seja “apresentar uma versão desmistificada sobre o personagemâ€, séculos de histórias e crenças envolvendo o Rei Arthur e seus cavaleiros não poderiam ser simplesmente ignorados assim. Não que alguma versão seja mais acurada que a outra, mas o ponto latente nesta discussão é o fato de Hollywood estar rotulando de forma pesada e clara a magia, a espiritualidade não-cristã, e as crenças antigas como elementos para filmes puramente ficcionais como O Senhor dos Anéis, Harry Potter, etc.

A sociedade moderna pode não ter mais espaço para a crença no antigo poder dos druidas, nos feitiços de grandes bruxos, na magia da natureza, porém, desvincular os grandes mitos e heróis da ligação com os deuses e a magia que muitas vezes os auxiliavam acaba por enfraquecer o poder do mito em si. E não vivemos uma era propícia ao surgimento de novos arquétipos sociais, culturais e militares. Cada vez mais, torna-se necessária a existência de modelos a serem seguidos e enfraquecer os elementos clássicos pode não ser o melhor caminho. Quando tiramos as referências clássicas da frente, em quem as futuras gerações vão se inspirar? Sujeitos como Stallone ou Capitão Nascimento? Em heróis meramente fictícios como Aragorn?

Engana-se, entretanto, quem entende este argumento como um estandarte a favor do antigo paganismo ou da existência da magia, uma vez que o próprio cristianismo sofre do mesmo mal. Em Cruzada, cujo título original é Kingdom of Heaven – o Reino dos Céus – a trama que aparentava ser focada no aspecto espiritual da jornada até Jerusalém não passou de um filme de ação, com batalhas eletrizantes, um herói cativante, porém, frustrado com a política envolvendo a crença em Cristo e a própria descrença dos religiosos envolvidos e da ausência real de ideais na manutenção da posse da cidade. Riddley Scott andou apostando em obras críticas como em Falcão Negro em Perigo (provavelmente a razão por ter perdido o Oscar por direção em Gladiador) e não poupou a Igreja Católica em Cruzada.

Especialmente no cerco de Saladino a Jerusalém, a fé dos religiosos é abalada pela iminente derrota e a perspectiva de massacre, sobrando para Balian (Orlando Bloom), que viajou à cidade em busca de redenção – a verdadeira razão de sua cruzada pessoal –, oferecer a esperança outrora ofertada ali mesmo por Jesus séculos atrás. O que deveria ser uma jornada baseada no sagrado e na fé acabou se transformando numa trama política e num jogo de poder. Afinal de contas, o domínio da Terra Santa nada mais era do que uma situação política para os verdadeiros governantes daquele tempo. De qualquer forma, o elemento religioso era, sim, fundamental para a maioria dos homens que lutaram aquela guerra.

É uma pena notar que esta tendência existe na indústria e que sob o argumento de mostrar “a visão real†sobre vários personagens fundamentais na construção do pensamento moderno e dos arquétipos que até hoje guiam os homens e seus sonhos, deixemos de lado a simples crença num mundo em que a fé, literalmente, pode mover montanhas e que uma simples espada antiga pode reunir os homens sob um objetivo comum. Ação pode render boas bilheterias, batalhas podem inspirar diretores a superarem Peter Jackson - até hoje ninguém conseguiu -, mas é de ideais e modelos admiráveis que nossos sonhos são criados e é sobre eles que novas gerações serão ensinadas e baseadas.

Hollywood quer nos vender um mundo sério demais e deixar tudo que pode dar tempero a nossa vida com cara de faz de conta. Hoje, pode ser, mas há muito tempo, no meio de povos muito distantes, a coisa era bem diferente e, quer diretores e roteiristas queriam ou não, eles são nossos ancestrais e seus pensamentos de decisões, de certa forma, definiram o mundo em que vivemos hoje. Que a magia resista à tendência financeira e que a Fênix consiga se reerguer das cinzas dos grandes estúdios e suas fórmulas de sucesso.

Constado às 00:39 em Cinema, Comportamento, Entrevistas, Imprensa, Viagem | 19 Comentários | 

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A função deles é perguntar, articular, explicar e comunicar. Mas espere quase tudo menos isso de jornalistas espalhados pelo mundo. Muitos deles, incluindo alguns editores brasileiros metidos a celebridade, são perigosamente… despreparados e tapados!

Ao longo de 12 anos de profissão, parte deles dedicados a organização de eventos para imprensa e condução de entrevistas, posso dizer com tranqüilidade que o jornalista brasileiro é um dos melhores quando o assunto é perguntar, mas quando é ruim, sai de baixo. Entretanto, nem o piorzinho dos nossos se compara à média de jornalistas norte-americanos e, especialmente, os demais estrangeiros baseados aqui em Los Angeles. É triste, mas, pelo jeito, os fofoqueiros profissionais do mundo estão em baixa e, com isso, o trabalho sério é cada vez menos valorizado, enquanto matérias fúteis e perguntas imbecis reinam soberamas no mundinho da imprensa.

Uma historinha antes: Quando Samuel L. Jackson foi ao Brasil para lançar o filme Conduta de Risco, durante o Festival de Cinema do Rio de Janeiro, eu trabalhava para a Fox Film e controlei a coletiva de imprensa que o ator concedeu em plena praia de Copacabana. Certo momento, o microfone foi parar nas mãos de uma garota que se levantou, sacou um pedaço de papel amassado do bolso e leu algo – teoricamente em inglês – que ninguém entendeu absolutamente nada.

Ignorando o mico que a cidadã pagou, passei os dias seguintes pensando o que a organização do Festival tinha cabeça para credenciar uma pessoa, sem idade para ser formada – claramente – para eventos importantes como aquele. Fácil: sou jornalista, escrevo para o blog tal ou para o jornal da PUC-RJ, qualquer coisa que o valha. Depois eu descobri que um cara levou a menina, pois ela “sabia falar inglês†e seria ótima para fazer a pergunta. Parabéns, sua anta! Tinha tradutor simultâneo, não precisava levar uma interprete inexperiente e nervosa. A menina ficou bamba, claro, na frente de um ator, de pé, com meio mundo olhando. Tadinha, pagou mico e levou a toda a classe junto!

A razão dessa historinha é simplesmente exemplificar que podemos ser imbecis e expor a profissão ao ridículo das mais diversas formas possíveis. Claro, as engraçadas ninguém tenta, sempre tem que ser humilhante e vexatório. Enfim, o que nos trás a Los Angeles, em meio à jornada barretônica em direção aos maiores e melhores astros da atualidade. Ainda não participei de muitas coletivas de imprensa, propriamente ditas – ainda bem, depois você vai entender! –, mas as mesas redondas são constantes, mesmo eu sempre tendo entrevistas individuais com os atores depois.

Nas poucas coletivas, não existe o microfone como no Brasil, cada um disputa no grito a chance de fazer as perguntas. É engraçado ouvir as gravações depois e ver a quantidade de vozes tentando atrair a atenção do ator em questão. Entretanto, na última entrevista, cerca de 40 jornalistas participaram e, no máximo, 8 fizeram perguntas. Eu, claro, fui um deles. Na verdade, depois de ler tudo isso, você vai entender a razão de eu querer perguntar tanto e não deixar espaço para os outros “profissionaisâ€. Chega a ser irritante ver um sujeito que voou 18 horas da Europa para Los Angeles para perguntar algo como “gostou do carro que dirigiu no filmeâ€. E ponto. Viagem da Europa, hotel de primeira classe, três noites, tudo pago, e pergunta isso? Meio infrutífero. E as assessorias parecem não se importar, especialmente as grandes.

Primeiramente, é preciso deixar claro que todo mundo recebe um pressbook – calhamaço que salva a vida de quem não vê o filme, cheio de sinopses, entrevistas, comentários até do cabo bem da segunda unidade que filmou cenas externas do céu -, ou seja, mesmo para os mais tapados, informação não falta. É só pegar alguma coisa dali, mudar a ordem e perguntar.

A regra da democracia é o que vale. Cada um chega com sua pauta, tem algo a conseguir para cumprir a tarefa do editor e exige-se respeito entre os colegas. Tudo perfeito. Começam as perguntas e alguém sempre abre a série achando que está sendo super amigável e simpático. E é, invariavelmente, um desses assuntos:

- Empolgado por ser pai/mãe novamente?
- O que te atraiu ao projeto?
- O que você faz no tempo livre entre filmagens?

Falta aparecer um luminoso na testa do sujeito: De novo isso?

As perguntas começam a rolar e, lá no meio, alguém resolve soltar outra pérola:
- Que músicas você tem no seu Ipod?
- Qual o último museu que você visitou?

PELOAMORDEYODA, quem em sã consciência quer saber disso? Nem as leitoras das revistas de esportes radicais femininos se interessam por isso. Mudaria a sua vida, amigo leitor, se soubesse que, sei lá, Angelina Jolie foi visitar uma exposição obscura de arte africana na Antuérpia? Ou que Hugh Laurie escuta Beatles no Ipod? Isso gera, quando muito, uma informação circunstancial na matéria. E olhe lá.

Chega a ser embaraçoso notar que, por mais específicas que sejam as pautas, as pessoas não ligam muito para o filme em questão e para o que o ator – que vai dedicar os próximos 20 minutos da vida dele a responder às aqueles jornalistas – possa realmente contribuir. Levou pouco tempo para notar que são poucos os correspondentes que efetivamente trabalham com cinema e suas características. A maioria do pessoal é de revista feminina, revista de fofoca internacional e, mesmo as “vacas sagradas†dos grandes jornais europeus se mostram verdadeiras antas se comparados ao tipo de pergunta que os brasileiros fazem. Por isso, tudo parece importante, menos o filme, que acaba servindo como desculpa para explorar a vida pessoal das celebridades e, no processo, arrancar alguma declaração bombástica sobre uma casa nova ou afiliação política.

De maneira alguma estou puxando a sardinha para o meu lado, embora fazer boas perguntas seja obrigatório no meu trabalho e exigido por meus editores. Mas, falando em termos de junkets no Brasil, os atores e diretores sempre são bem explorados, falam sobre diversos assuntos. Tudo reflexo de gente que se prepara e, talvez pela escassez de oportunidades, faça de tudo para aproveitar a chance ao máximo. Ou, simplesmente, pois somos jornalistas melhores mesmo.

A Larissa, com quem trabalhei por anos no Cartoon Network, sempre dizia que os brasileiros davam um baile no resto do povo da América Latina. E vi que isso era verdade quando moderava entrevistas para o Cartoon e para a TNT. Agora, notei que, quando tem brasileiro na mesa, a gente só perde para as folgadas que querem ficar perguntando de vida pessoal, repercussão de coisas que outros famosos falaram sobre aquele famoso ou quando tem alguém “grávidoâ€.

Claro, tudo pode piorar quando a pessoa que é enviada para cobrir o evento arranha no inglês. Para ilustrar o fato quase folclórico, cito uma colega que veio da Espanha por uma revista teen. No carro que nos levou ao cinema – eu continuo pegando até os hotéis e aproveitando a carona da van até o cinema, quando é muito longe – já deu para perceber que a moça faltava assumir que tinha medo de falar inglês. Bom, sem galho, o filme era musical, então não tinha muito o que entender mesmo, era só sacar o refrão da música e tudo bem. Detalhe, ela ficou 4 horas presa na imigração, pois disse que tinha viajado a trabalho, mas tinha visto de turismo, entretanto, ela estava aqui como jornalista. Bela comunicação, não?

Chegou a hora da entrevista, qual a minha surpresa quando notei que a moça ficou o tempo todo calada e, quando resolveu abrir a boca, perguntou (atenção para a pronúncia impecável): is iti impórtanti to bi iórsélufi?

O entrevistado em questão ficou com cara de “Ah?”, notou o pânico na cara da criatura e respondeu qualquer coisa. Pois é, quando se faz uma pergunta só para marcar presença é isso que se consegue. Resposta boba e pronta. Depois, quem leva a fama de que só repete as mesmas coisas são os atores, isso quando não são tratados como “babacasâ€. O Harrison Ford tem essa fama, mas foi fantástico na uma hora que o entrevistei. “Babacas†são esses caras que querem polemizar e perguntar bobagem, aí levam uma resposta atravessada e descem a porrada na pessoal, no filme, no contra-regra, e até a última geração de periquitos amestrados da Islândia do office-boy que levou o roteiro da copiadora até o estúdio!

Para fechar, o exemplo máximo:

Fulano falava sobre um filme ligado ao budismo.

- [Repórter Masoquista #1] Você se tornou budista?
- Não.

-[Repórter Masoquista #2] Quais conceitos do budismo você adotou para a sua vida?
- Acabei de dizer aqui, não sou budista.

- [Repórter Masoquista #1… de novo] Mas o budismo é baseado no bom senso.
- E eu uso o meu bom senso, mas não sou budista. Não ficou claro? [faltou levantar, pegar a cadeira e jogar na cabeça dos imbecis].

Será tão difícil assim aceitar um “não†como resposta? Pelo jeito é.

Como já diz o ditado, perguntas idiotas, respostas cretinas. Enquanto isso, eu já sei dos gostos pessoais de um bando de gente famosa. Nossa, minha vida mudou!

Constado às 14:21 em Comportamento | 4 Comentários | 

Enquanto vocês vão para a praia e se divertem no Brasil, eu vou entrevistar Keanu Reeves e Forest Whitaker amanhã. Tooooma!

Mas, para não perder a piada e deixar minha mãe mais desesperada que o normal, já que amanhã EU VOU comer carne, dois coelhinhos serão o meu símbolo dessa Páscoa.

Não tem porque não assumir, peguei a piada pronta no Monkey News de hoje. O Simão é bão pacas, mas o Morph dá de 10 a zero nele!

Bom, chega de enrolar, aí vai a piada. Que sirva de lição para todas as criancinhas que devoram coelhos de chocolate na feliz data!

Pascoa (c) Monkey News - UOL

Crédito: Monkey News - UOL

Constado às 15:49 em Cinema, Comportamento, Entrevistas, Estrelismo | 5 Comentários | 

No caminho, um sinal.. haha

Para ninguém, nunca mais, dizer que jornalista só se dá bem na vida.

Cliquem aqui e entendam como existe um lado negro que ninguém conta, pois assumir que o resultado de uma entrevista foi esse, poucos veículos do mundo publicariam. Politicagem, sabe. Mas eu sou sincero demais até, enfim.

A matéria foi publicada na Sci-Fi News, edição de março já nas bancas, mas como a parceria com o Judão ajuda a trazer esse material para a internet, divirtam-se também online! :)

Constado às 11:36 em Comportamento, Sci-Fi, Star Wars | 7 Comentários | 

Eu não vou falar nada.

Cliquem aqui, visitem e decidam por conta própria.

uv