As aventuras malucas do Barretão em LA! Te Cuida, Charlie Harper!

Literatura

Constado às 09:41 em Artigos, Cinema, Literatura, Pessoal | 23 Comentários | 

Vou falar de Tolkien e Lewis por causa de um comentário curioso, mas antes tenho algo a esclarecer. Este blog não é um daqueles fenômenos de internet que atraem gente de todo canto e entope os comentários com um monte de “adorei seu blog, parabéns, ou blablá”. O pessoal que chega aqui chega por uma razão, quer saber e falar sobre cinema hollywoodiano – que é onde eu moro, então falar do que não é feito ou lançado por aqui é secundário, embora eu goste de filmes de outros lugares, especialmente da Inglaterra – ou é amigo, membro da família, coisas assim. O que acontece é que sempre tem gente conhecida e, quando alguém novo surge, algumas explicações podem, ou não, ser necessárias, afinal, leva um tempo para conhecer alguém e algumas “opiniões” podem não transmitir aquilo que realmente penso, especialmente pelo fato de eu tirar barato de muitas situações aqui. Afinal, estamos no Judão, certo?
 Continue lendo! 

Constado às 18:16 em Literatura, Pessoal, Viagem | 4 Comentários | 

A batalha estava próxima,
Mas ela ainda não sabia.
Os rumores da guerra tomaram a vila.
Calmo ele permanecia.

A primavera chegara.
E com ela a guerra.
Senhores e servos.
Pobres e ricos.

Não haveriam rosas brancas,
Aos pés daqueles que morreriam.
Não eram bolos de viagem,
Nas mãos daqueles que não regressariam.

Seu espírito clamou.
E ela atendeu.
Para seu amado, nada de frivolidade.
Ela não queria piedade.

Para vê-lo retornar,
Oferenda melhor não havia.
E, no fundo, ele sabia,
Que precisaria lutar.

No dia da partida houve comoção.
Mulheres choravam com emoção.
Guerreiros partiam já saudosos.
Seus filhos olhavam curiosos.

Esperança e temor eram sua bagagem.
Debaixo das armaduras antigas.
E do couro surrado.
Levavam amuletos e forragem.

Um deles parecia não temer.
Sua partida parecia encantada.
Os passos de seu cavalo faziam o chão tremer.
Em sua bainha, estava a espada de sua amada.

Lu

*Esse foi um dos mais belos que já escrevi para você! Lembre-se!*

Constado às 10:27 em Literatura, Pessoal | 5 Comentários | 

Há muito tempo o filho havia partido.
Seus caminhos o afastaram de sua família.
Dos ensinamentos dos pais e da companhia dos irmãos.
Da vizinhança dos amigos.
E do doce sorriso da avó.

Depois de muito viver, o filho retornou
E ao chegar à porta da casa da família encontrou o pai, sorridente, a recebê-lo.

- Que bom revê-lo, meu filho.

- Não esperava tanta alegria, já que o abandonei há tanto.

- Será que o tempo fez com que este velho feliz seja um considerado um tolo ao reconhecer seu próprio filho e alegrar-se por isso?

- Ao contrário. Esperava que fosse necessário me apresentar depois de tanto tempo.

- O tempo realmente o mudou, meu filho, mas ainda sei distinguir aquele que preparei dos demais que batem à minha porta.

- Bem, cá estou para te pedir desculpas por ter te abandonado daquele jeito e não ter escrito uma vez sequer. Mais uma vez a história do filho pródigo se repete.

- Pródigo? E desde quando uma parábola da qual tu não acreditas serve para exemplificar teu caso? Mesmo que acreditasses, o caso é outro e de pródigo não tens nada, meu filho.

- Como?

- Pouco a pouco fui descobrindo tuas façanhas, idéias, amigos, inimigos, vitórias e derrotas e o fazia quando meu coração pedia, mas a maioria das notícias chegava a mim por meio de amigos e pessoas impressionadas com o meu filho, mesmo sem saberem de nossa relação.

- Histórias do povo tendem a serem exageradas.

- Mas não essas, não senhor, pois a cada descrição que ouvia eu identificava ali o modo como meu primogênito se comportava e pensava. Em alguns casos até o desfecho eu já imaginava e lá estava sua assinatura, com grande estilo, devo acrescentar. Realmente, não era muito difícil.

- Não é possível, já que os anos me mudaram e também ao meu modo de agir.

- Tua base, porém, foi criada aqui neste lugar, com este ar e esta paisagem. Isso faz parte de ti, meu filho. Por isto voltastes.

- Não sei o que dizer.

- Não diga, entre e seja bem-vindo. Tua família o aguarda e o cheiro de bolo de chocolate está delicioso.

- Pai?

- Sim.

- Obrigado por ter feito isso por mim.

- Não agradeça. Eu não fiz muito, só te mostrei uma direção. Você mudou várias vezes e melhorou a cada mudança, acertando ou errando. Quem és hoje é fruto de teu próprio suor.

- Mas o senhor foi minha base e meu exemplo. Sem ti meus passos teriam sido em vão, assim como meu retorno.

- O bolo está esfriando, disse o pai com um sorriso no rosto ao abraçar seu filho.

Eles entraram e aquele foi um dia de muitas histórias e alegria.

Constado às 14:24 em Literatura, Sci-Fi | 2 Comentários | 

Arthur Clarke Hoje é um dia triste para a ficção científica e a literatura mundial. Arthur C. Clarke, autor de 2001: Uma Odisséia no Espaço, morreu aos 90 anos, em seu retiro no Sri Lanka.

Uma das maiores lendas da FC, Clarke nasceu em Somerset, na Inglaterra, foi operador de radar para a RAF durante a Segunda Guerra Mundial e começou a escrever profissionalmente na década de 40. Entre seus maiores legados, além do icônico 2001, novelização do roteiro escrito a quatro mãos por ele e Stanley Kubrick, em 1968, Clarke assinou livros como 2010, Encontro com Rama, O Martelo de Deus, A Cidade e as Estrelas e O Fim da Infância.

Há décadas, o autor adotou o Sri Lanka como residência e lá morreu, na noite de hoje. A causa da morte foi um ataque cárdio-respiratório, de acordo com Rohan de Silva (será que o pai dele se chama Eorlingas de Silva?), secretário pessoal do escritor, na quarta-feira (1h30, horário local), em Colombo, capital do Sri Lanka. Hoje a FC mundial dorme em luto.

“When a distinguished but elderly scientist states that something is possible, he is almost certainly right. When he states that something is impossible, he is very probably wrong.” - Clarke’s First Law.

(Quando um distinto e experiente cientista afirma que algo é possível, ele está quase totalmente certo. Quando ele diz que algo é impossível, está provavelmente muito errado. – A primeira lei de Clarke.)

E como tudo é descontração hoje em dia, por que não rir em vez de chorar pela morte de Clarke?

Constado às 17:44 em Literatura | 2 Comentários | 

Harry Potter ™

Escrevi esse conto há alguns anos ao lado da minha querida Silvia Penhalbel, além de cunhada, uma grande amiga. Como o próximo Harry Potter se aproxima, e também para não deixar vocês sem novidade para ler, tornar esse material público para valer parace uma boa idéia. Antes só estava disponível no meu blog de poesias e contos. Espero que encontre mais apreciadores por aqui.

Com vocês, Acerto de Contas, um conto ambientado no Universo de Harry Potter.

Constado às 19:37 em Literatura | Nenhum comentário | 

Na Janela (desconheço o fotógrafo, recebi por e-mail)

O céu era chumbo e opaco.
Visto da pequena janela.
Olhos claros e cabelos brancos.
Nos rosto castigado.

Bondes por ali passavam.
Agora carros barulhentos.
E seus donos rabugentos.
As crianças já não mais passeavam.

Assim corria do dia.
Calmo e sorrateiro.
Como a garoa que caia leve.
E embalava a vida.

Lá estava ela.
Com seus cabelos brancos.
Mero detalhe.
Quase um entalhe.

Perdida e concentrada.
Dedicada a apenas olhar.
Como que para registrar.
Mais um dia de nossa caminhada.

Sem sair de sua janela envidraçada.
Pensamentos perdidos nas brumas do passado.
Sempre presentes como um eterno recado estampado.
Um leve olhar, uma alma iluminada.
Quase encantada!

Ali, apenas olhando,
Na janela.
Pela eternidade…

Constado às 15:24 em Literatura | Nenhum comentário | 

Pessoal, como o Barretão também é cultura, aí vai um continho curto para quem gosta de ler.

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A Verdadeira Luta

O dia mal terminou e já perdi a conta de quantas vidas tirei.

O negrume da noite começa a ocupar todos os espaços ao meu redor e a adrenalina dá os primeiros sinais de enfraquecimento em meu corpo. Nunca imaginei que esse dia chegaria, especialmente depois de tanta matança, mas aqui estou. E, finalmente, algo de estranho bate á minha porta. Não é medo.

Antes fosse.

Mesmo que pudesse fugir, lugar nenhum afastaria meus pensamentos. E o cansaço é muito grande. Sento e olho para o horizonte. Aos poucos, os resquícios de luz desaparecem, algumas estrelas ganham força e a lua reina soberana. Uma noite sem nuvens.

Sem vento.

Estranho.

Descansar é a única opção. A dica para que mente assumir o controle com suas ligações sinápticas velozes, impossíveis de serem traduzidas ou transmitidas, tão rápidas que fica difícil diferenciar pergunta de resposta, referência de imaginação, passado do futuro, real do sonho.

Quem lê Lovecraft sabe do que estou falando. Aliás, é a referência mais próxima que pode explicar toda essa loucura. Informação demais. Demais.

Quando percebo, estou olhando fixamente para algum povo distante e os pensamentos aumentam o volume. Meu corpo só fica quieto, relaxando, recuperando as forças. Os olhos ardem um pouco. A única parte em movimento é o do braço que leva o copo d’água aos lábios. Ele também enche o copo vazio. Os dez livros do galão devem ser suficientes. Foi o único pensamento material no meio de tudo aquilo.

Morte. Onde tudo começou.

Foi inevitável não pensar em Cervantes e seu Dom Quixote vagando pela vastidão da Espanha. Sol na cabeça. Armadura pesada. Algum dinheiro e um escudeiro gordo. Dava para sentir o calor e o cansaço no lombo do cavalo. O que ele pensava quando não praguejava algo para Sancho Pança ou quando o tédio tomava conta dos viajantes?

Duvido que tenha sido a idade que o tenha feito enfrentar os moinhos gigantescos. O Sol talvez. Mas os caminhos da mente o levaram àquele embate histórico antes mesmo dele acontecer. Ele deve ter imaginado dezenas de perigos que ele enfrentaria, incontáveis donzelas que precisariam de resgate e tantas situações que requisitassem seus dons cavalheirescos. E a reação para cada um desses cenários era previamente ensaiada, revisada, imaginada, vislumbrada à exaustão. Até mesmo sonhos, quem sabe.

Na primeira chance. Boom! Gigantes! Carga, Sancho! Infelizmente, nunca saberemos que outros desafios poderiam ter surgido à frente do intrépido e galante guerreiro espanhol. Eternamente guardados em seus sonhos.

Mente inquieta.

Sonhos. Devaneios. Mensagens dos deuses. Provações. Ulisses e sua jornada.

Muito além do homem contra os deuses, existia o homem contra ele mesmo. O medo da morte em meio à tempestade. Desconhecido. Surpreendente. Algo assustador como um gigantesco Caliban pronto para abocanhar os temerários.
Em meio a isso, havia o homem que deveria guiar e encontrar soluções. Ele as buscava na solidão dos pensamentos. Confusos. Impróprios. Incertos. Algo precisava fazer sentido. Uma nuvem com formato familiar, o som das ondas, o ruído do vento.

Um verdadeiro campo de batalha interior. Mental. Era preciso encontrar armas. E lutar.

Eles lutaram.

Eu lutei. E luto. Agora sem nenhum inimigo à espreita.

Assim espero.

Alguns minutos se passam e relembro de pessoas. Lugares. Reações. Feições.

E dos julgamentos. Hipocrisia. Ostentação. Falsidade.

Espelhos? Medos? Um pouco de tudo?

A mente usa sua principal arma e sou inundado por mentiras. De todos os tipos.

Contei algumas. Ouvi outras. Ainda ouço o eco das piores. Imagino o que vem por ai. Algumas se tornam realidade. Tem acontecido ao longo dos anos. Deixam de ser mentiras possíveis, se transformam em realidades terríveis. Muita dor.

Um rosto conhecido. Deveria trazer afeto. Conforto.

Abre a porta para o Mal. Ódio. Ressentimento. Decepção.

Os sonhos voltam como uma montagem de flashback de um filme dos anos 80. Com direito a trilha sonora brega e atuações canastronas. Nem meu sonho teve orçamento suficiente para contratar o Harrison Ford para interpretar o papel principal. Esse sempre sou eu.

Continuo a contemplar a noite. Agora um pouco fria.

O foco agora está no que eu fiz. Nem lembrar dos heróis antigos ajuda. Surgem apenas nomes. Batalhas grandiosas. Tudo parece não ter ligação. Conexão. Desconexão. Internet. Maravilhas modernas. Horrores de hoje e de amanhã.

Volto ao campo de batalha de pouco tempo atrás. Os sons retornam com força total. Surround imaginário. Home Theater mental com dublagem em inglês, português e élfico. Busco o conselho do velho cinzento, mas o imagino sentado num canto, balbuciando sozinho. Meio ranzinza. Preocupado.

Sinto os lábios secos. A boca fica um pouco tensa. Mais um belo gole. Água. Nada de cerveja ou hidromel. Nada de hobbits dançantes. Nada de magia ou solução sobrenatural para o problema. Aquelas mortes foram culpa minha, não adianta pedir ajuda.

Não desse tipo.

Penso em sangue. O olhar desvia para minhas mãos.

Limpas. Bem cuidadas. Ágeis.

As roupas também estão intactas.

O sangue mancha a sensibilidade. Sensibilidade insensível.

Matei sem pensar duas vezes. Parei para pensar em como fazer. Analisei cada passo. Tudo uma questão de escolha.

Algumas vezes apenas reagi instintivamente. Ação. Reação. Morte no final.

Quem está certo é o médico palhaço. Melhorar a vida é a meta. Salvar a Humanidade. Mas é preciso salvar a si mesmo antes. Tarefa difícil com tantas mentiras. Bem-vindo à caça às bruxas. Preconceitos. Nem laços de família conseguem te salvar do círculo de maldades e egoísmo.

A mente procura razões para a guerra. Motivos surgem. Nenhum é aceito. Nada parece plausível. Começo a lembrar das mortes. Silenciosas. Barulhentas. De todos os tipos. Meu arco descansa ao meu lado. Um lembrete. Foco pode ser a solução.
Procuro pela solução. Não pelo problema. Mas ele continua a surgir, cada vez mais incômodo. E a sensação estranha aumenta.

O relógio apita. Uma hora passou.

A noite continua sem vento. A escuridão reina suprema.

Pela janela vejo a uma luz. Não quero olhar. Preciso encontrar a saída antes da nova batalha. Ou melhor, não quero mais lutar aquela guerra. Exército de um homem só. Engenheiros. Beatles. Nada mais faz sentido.

Começo a imaginar que a resposta está em outro lugar. Talvez encontrar algum aliado? Aquele personagem fundamental de uma partida de RPG que você ainda não encontrou, então não pode avançar?

Pode ser. Continuo a enfrentar tudo de peito aberto. Coragem não falta. Assim como o sangue frio não me impede de matar sem remorso.

A luz da janela pisca e chama minha atenção.

O galão de água está praticamente seco.

A sensação ruim volta com força absurda. A decepção se torna completa.

Ficar sem ação é o que me resta. Todo o esforço se esvai. Só uma razão resta para não desistir. E ter esperança.

Enquanto isso, não resisto. O corpo se levanta e vai em direção da luz.

A tela do computador brilha irresistível.

Os soldados estão prontos. Os adversários o aguardam. Continuar?
Yes.

Pelo menos, por enquanto.

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Mais textos disponíveis em Poemas e Devaneios, meu blog de contos e poesias.

uv