As aventuras malucas do Barretão em LA! Te Cuida, Charlie Harper!

Pessoal

Constado às 22:53 em Pessoal | 12 Comentários | 

O ritmo das atividades aqui em Los Angeles é estranho. Tem semana sem absolutamente nada para fazer. É olhar para o teto ou o céu ser feliz. Bom, em termos, pois é chato à beça. Aí tem semana com 5 eventos, duas premières, um festival, amigo visitando e o escambau. Essa instabilidade tem um efeito ruim, pois, de vez em quando, desanima. Mas é a dinâmica desse lugar, impressionante. E isso, infelizmente, se reflete no pique para as postagens também.

A primeira parada pesada foi para arrumar tudo para a Comic-Con, afinal levou um bom tempo para que as entrevistas fossem agendadas. Eu tenho que falar com o Brasil, que fala com as matrizes, que falam com o Brasil e aí alguém me responde. Foi um parto, mas por isso consegui algumas coisas muito boas. Dessa vez, tirando a Fox, todas as distribuidoras trabalharam bem e fizeram a parte delas.

Mas, como nem tudo são flores, a Fox deu com os burros n’água novamente. Depois de simplesmente ignorar diversos correspondentes nos EUA que queriam fazer Arquivo X, a companhia não armou nenhuma entrevista para a imprensa. Nada que tenha sido divulgado, pelo menos. Se alguém conseguiu, foram os amiguinhos. Aliás, nunca vi uma panelinha tão grande, assustadora e hermética quanto essa do cinema. Sou altamente a favor da pluralidade de mercado por diversos fatores e me espanta a idéia de que, usando a linha de pensamento da Fox, principalmente, e da Warner, em vários casos, na hipotética situação de uma revista e um site fechem – improvável, mas não impossível – os “leitores†brasileiros não terão mais acesso a nada em termos de cinema, afinal só eles “importam”. É como eles pensam, só isso. Estranho, mas péssimo para o mercado de qualquer maneira, pois esses dois veículos são necessários – ninguém quer que fechem –, mas monopólio também não está certo.

Enfim, aí veio a Comic-Con. Insanidade total. Cinco dias longe de casa, quase sem um tostão no bolso – fui para lá sem ninguém bancando absolutamente nada, aliás – e realizei a cobertura que vocês acompanharam no Judão e agora foi pra capa da Sci-Fi News. Adorei estar lá, conhecer gente como Frank Miller, Alex Proyas e até mesmo o Chris Evans, que é um sujeito bastante simpático.

Voltei da Comic-Con literalmente morto. Mas o que acontece no dia seguinte, aquele em que eu pretendia dormir até as 5 da tarde? Terremoto! Surtei com o tremor. Foi curtinho, só 20 segundos, mas pareceu um minuto inteiro. Eu estava dormindo e acordei com a casa tremendo. PELOAMORDEYODA! Não queriam passar por isso, amiguinhos. É horrível!

E parece que estou cansado e mentalmente ocupado desde então. Falta de tempo? Não. Até que tenho tido bastante tempo, mas estou tirando o atraso de filmes que perdi no cinema. Então já assisti Uma Noite no Museu (nota 9), Doomsday (-15), Leatherheads (7,7), The Happening (1, Shyamalan me decepcionou pela primeira vez) e fui conferir Meet Dave, que estréia esse fim de semana no Brasil. Eddie Murphy não dá uma dentro, é impressionante. Nota 4,5 pelo esforço.

Mas o que eu quero dizer com tudo isso? Bem, o pique aqui está confuso. LA tem coisa acontecendo o tempo todo, mas o aspecto psicológico de estar aqui sozinho tem efeitos ruins e hoje eu entendo os motivos que levavam muitos dos caras que tentavam a sorte nos EUA nas últimas décadas, antes do advento da internet. É quase um exílio – não é momento emo, tá Bó?! =D – pois não existem muitas referências e nem apoio.

Não existe família, leva-se um tempo para fazer amizades aqui e, por mais moderninho que você seja, a adaptação ao ritmo e aos detalhes que a gente tira de letra no Brasil é muito grande. Quer um exemplo? Tente ir ao banco para pagar sua conta de telefone! Banco aqui NÃO SERVE para pagar contas. Para pagar sua conta, você deve enviar um CHEQUE pelo correio! E eles dizem que é super seguro! Meeedo! Ah sim, e eles nunca ouviram falar em transferência entre contas ou DOC entre bancos. Tudo é cheque.

Enfim, essas coisas levam tempo e às vezes tiram a gente do sério. No meu caso, causa esse esgotamento mental. E, claro, com isso vem aquela sensação de que tudo que eu fizer – seja aqui para o blog ou para o meu livro – não está legal. Porém, muita coisa vai melhorar e vou mostrar outro aspecto de Hollywood para vocês: o maravilhoso mundo das atividades infantis!

Sim! Finalmente, a família está a caminho. Minha esposa e minha filha chegam a Los Angeles na semana que vem depois de 7 meses longe de mim. Isso está motivando um bocado e só o fato de não precisar ficar grudado na tela do computador praticamente o dia todo vai mudar bastante o dia a dia aqui. E, espero, tudo isso reflita positivamente no trabalho que faço aqui no SOS Hollywood. YAY! Família unida! ASSAZ!

No meio disso tudo eu consegui coordenar um projeto bastante interessante que já mostrei para alguns leitores que acabaram se tornando amigos pelo MSN e pelo Orkut. Vou manter o suspense aqui, mas digo que o fato de já estarmos operando com o endereço www.soshollywood.com é um sinal de que coisa nova vem por aí. E quando eu digo nova, eu quero dizer nova. E, não, não é um novo portal. Judão Rules e daqui a gente só sai com proposta indecente AND se o Bó deixar! OIBÓ! o/

Acho que, no fundo no fundo, só queria agradecer aos leitores pela força e pelas visitas que tem transformado o SOS Hollywood num grande sucesso. São mais de 2000 visitas diárias e para um blog que começou outro dia, é uma grande conquista. Espero que meu trabalho corresponda ao que vocês procuram e gostem de ler, ouvir e etc. Que sejam 5000 no aniversário de um ano! =D

E tenho dito! Abraço a todos! E obrigado!

Constado às 16:38 em Pessoal | 16 Comentários | 

Acabei de perder a virgindade de terremotos!

Um tremor de magnitude 5.8 chacoalhou o Leste de Los Angeles hoje por volta das 11h. Como eu estava hibernando depois da maratona na Comic-Con, se o prédio caísse eu teria ido para o saco rapidinho, pois não deu tempo de fazer nada. De acordo com a CNN, o terremoto durou 20 segundos e chegou até mesmo a Las Vegas.

Eu achei que a casa ia cair, literamente, mas os americanos estão sossegados e alguns dizem que esse foi o mais sossegado que a cidade já enfrentou. Mais sossegado?!!? Onde eu fui amarrar meu bode!!!!

Bom, o apartamento parece estar em boas condições, nada quebrou e a vida continua. Agora, que deu muito medo, ah deu!

Constado às 23:59 em Animação, Cinema, Comportamento, Entrevistas, Pessoal, TV | 4 Comentários | 

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Sábado foi um dia marcante. Obviamente, o fato de ter entrevistado Frank Miller entrou para minha história pessoal, porém, o lado ruim do penúltimo dia de Comic-Con foi bastante inesquecível. Tudo por conta do gigantismo do evento e, claro, do aumento absurdo de visitantes, afinal de contas, quem trabalha durante a semana também poderia participar. E foi um pandemônio.

Para ajudar, foi no sábado que começou a programação pesada de TV e, se alguém ainda tinha dúvidas, ficou claro de que esse tipo de conteúdo é o verdadeiro responsável pelo sucesso absoluto da San Diego Comic-Con. A maior parte das atenções estaria voltada para o Hall H, em seu último dia de atividade, que fecharia a programação com chave de ouro: Heroes – e o primeiro episódio da nova temporada -, seguido por Lost, com um Q&A apresentado pelos produtores.

E tudo foi caótico. Muito mais procurado que os painéis de cinema ou quadrinhos. Missão quase impossível.

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Constado às 23:59 em Animação, Cinema, Cobertura, Entrevistas, Exclusivo, Pessoal, Star Wars | 4 Comentários | 

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Duas coisas pontuariam a sexta-feira na Comic-Con: Watchmen e Star Wars. Ok, The Spirit roubaria um pouco da atenção por ser Frank Miller, mas os dois primeiros eram os mais fortes. Confesso que foi complicado acordar no horário, especialmente depois de ter trabalhado até as 4h no dia anterior, fazendo o resumão e lutando para não escrever bobagem por conta do sono.

O que chamou a atenção logo de cara foi o fato de não haver sol. Depois de dias insanamente quentes e ensolarados, o tempo mudou e ficou tudo nublado. Ainda quente, porém, mas com um ventinho que foi providencial para evitar muito cansaço. E, acreditem, isso faz diferença quando você precisa andar uns 8 quarteirões carregando uma mochila pesadona.

Descobri da pior maneira possível que a lotação da Comic-Con aumenta progressivamente conforme o fim de semana se aproxima. Ok, óbvio, mas a ficha só cai quando as filas aparecem para mostrar que a “vida não é fácil”. Mas lá estava eu, pronto para a guerra.

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Constado às 19:16 em Cobertura, Pessoal | 01 Comentário | 

Post rapidinho para avisar que dentro de 1 hora, embarco num Amtrak com destino a San Diego.
Amanhã começa a Comic-Con, mas, para mim, a jornada acabou de começar!

O dia de amanhã promete não só pelo início do evento, mas pelo anúncio de várias novidades importantíssimas para o SOS e o Judão!

E seja lá o que São Yoda quiser!

YAY!

Constado às 16:22 em Pessoal | 5 Comentários | 

Para começar bem, que tal boas risadas?

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Vai dizer que você não conhece nenhum? Ou melhor, que não é autobiográfico? =D

*tradução: Retardados. Todo mundo conhece um*

Constado às 09:41 em Artigos, Cinema, Literatura, Pessoal | 23 Comentários | 

Vou falar de Tolkien e Lewis por causa de um comentário curioso, mas antes tenho algo a esclarecer. Este blog não é um daqueles fenômenos de internet que atraem gente de todo canto e entope os comentários com um monte de “adorei seu blog, parabéns, ou blabláâ€. O pessoal que chega aqui chega por uma razão, quer saber e falar sobre cinema hollywoodiano – que é onde eu moro, então falar do que não é feito ou lançado por aqui é secundário, embora eu goste de filmes de outros lugares, especialmente da Inglaterra – ou é amigo, membro da família, coisas assim. O que acontece é que sempre tem gente conhecida e, quando alguém novo surge, algumas explicações podem, ou não, ser necessárias, afinal, leva um tempo para conhecer alguém e algumas “opiniões†podem não transmitir aquilo que realmente penso, especialmente pelo fato de eu tirar barato de muitas situações aqui. Afinal, estamos no Judão, certo?
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Constado às 14:15 em Pessoal, Star Wars, Viagem | 12 Comentários | 

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[Momento família nerd on]
Quando recebi essa foto, lembrei imediatamente de um quadrinho de Star Wars que integra minha coleção. Hoje resolvi pegar a bendita capa e fiz a pequena comparação. Impressionante como os desígnios da Força são absurdamente inexoráveis e, por que não, poéticos!
[Momento família nerd off]

Constado às 10:56 em Astros, Cinema, Estrelismo, Pessoal, Viagem | 13 Comentários | 

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Logo que voltei a LA, escrevi esse post. No dia seguinte, porém, trombei com mais uma estrela, desta vez da infância: Henry Thomas, o garotinho do E.T. Gosto dele, não só pelo E.T., mas também de filmes mais recentes em especial o Gangues de Nova York. Onde encontrei o sujeito? No mercado! É impressionante como os fotógrafos desocupados ainda não descobriram o Albertson’s de Los Feliz como nicho de fotos feias de atores sem maquiagem ou realizando o simples ritual de escolher o donnut ou a bandeja de carne.

Acabei nem postando, pois ficaria meio chato tocar no mesmo assunto duas vezes seguida. Guardei como nota mental para o futuro. Só que anteontem mais uma experiência estelar aconteceu no meu cotidiano e tenho que compartilhar com vocês.

Já falei que tem a Mexicana dos tacos aqui na esquina? Então, o nome do lugar é Yucca’s, bem conceituado quiosque de tacos, burritos e outras cossitas mexicanas em Los Feliz. Sabadão parece barraca de pastel, gente saindo pelo ladrão!

Bom, fui ao Yucca’s comer um burrito, pois a fome era grande e a preguiça de cozinhar era maior ainda. Pedi meu delicioso quitute latino e fui até a mesa mais próxima para aguardar a tiazinha gritar “Fabiôôô†ou “Frankâ€! (?!?) É, ela escreve o nome no pratinho onde vai a comida – higiênico até! – e nesse dia ela escreveu Frank! Vai entender. E depois eu, por lavar louça com água fria é que sou anti-higiênico.

Fábio ou Frank, lá estava eu. Aí passa uma anãzinha com cara de poucos amigos. De cara deu aquela impressão de conheço de algum lugar. Aí ela pediu a comida e a voz chamou a atenção novamente. “Opa, mais um famoso para a listinhaâ€, pensei intrepidamente tentando decifrar quem era. Tem vez que é difícil, juro!

Olhei uma, duas, três vezes. Aí veio a resposta: Rachel Bilson, a Summer de The O.C. Mas será?! Não tinha nada do appeal da personagem, o cachecol não ajudava, a Cicatriz gigantesca no lado direito da boca também não. Cicatriz? Nossa, nunca notei. Ou será que eles tiram sempre? Pode ser. E aquela cara de “comi cocô, não gostei e ainda sobrou para a janta†desanimou.

Podia ser um dia ruim, problemas. Sem emprego, talvez? Acontece com todo mundo, não vou julgar por algo que apenas vi e nem interagi. Bom, eu tinha certeza, mas como todas as proporções são outras na vida real – e ela, se muito, batia no meu peito – cheguei a pensar que estava enganado dessa vez.

Enquanto pensava nisso… “Fraaaakâ€. “Fraaaaankâ€, e olhou pra mim. Bom, naquele dia eu era o Frank. Fui até lá rindo e falei “Fábio†e ela “errei de novoâ€. A idade minha senhora, a idade! Mas ela é gente boa e me divirto lá.

Eu, ou melhor, o Frank, comia seu burrito e tentava impedir que os feijões saíssem correndo quando a voz retorna: “Reichêlllllâ€. Bingo, era a moça! Ela deu um risadinha sem graça pra tiazinha e aí deu para confirmar que se tratava da ídala de The O.C. e a namoradinha do Hayden em Jumper.

Só espero que a moça esteja mais feliz e que não seja mais uma para o grupo dos “ai que nojoâ€. Enfim, mais uma para a listinha dos astros avistados pelos globos oculares barretônicos!

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Constado às 13:44 em Entrevistas, Estrelismo, Exclusivo, Pessoal, Star Wars, Viagem | 25 Comentários | 

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Um pouquinho de história barretônica antes de mais nada. No ano de 1999, na primeira Jedicon, eu coloquei uma certa fantasia só para desfilar um pouco. Como organizador nunca para quieto, acabei ficando o resto do dia correndo para lá e para cá vestido de Han Solo. Embora pouca gente se lembre, já que essa nova geração de fãs ainda mijava nas calças em 99, isso aconteceu e muita gente ainda me chama de “presidente Han Soloâ€. Foi muito legal.

Apertando o botão de avançar no tempo para, exatamente, 25 de fevereiro de 2008. Quatro dias antes, recebo um comunicado me escalando para minha primeira entrevista oficial pela revista. O coração já bateu forte pelo lado profissional, mas quando terminei de ler o email eu quase enfartei. Meu primeiro entrevistado seria ninguém menos que Harrison Ford.

E, para meu desespero, em Santa Monica, que é bem longe de onde eu moro. Dá-lhe Busão! Por sorte, porém, na sexta-feira anterior, quando fui entrevistar o elenco de Agente 86, trombei minha coleguinha Donna, uma australiana MUITO GENTE BOA, que também estava escalada para o Ford e me ofereceu carona. Menos mal, SÓ tive que ir até Beverly Hills – um metrô e um busão e 1h30 de investimento –, mas valeu a pena, pois até Santa Monica seriam quase 3 horas e mais um busão.

A entrevista seria no dia 25, mas, o que tinha na noite anterior? Oscar, claro. Enfiei meu rabicozinho num restaurante, curiosamente, brasileiro, pois vi todo mundo olhando para uma parede. Como parede não pode ser tão legal, saquei que era uma plasma. Dito e feito, entrei, comi polenta – oba! – e tomei algumas taças de vinho. Italiano, tinto. Muito bom. Tudo isso enquanto atualizava o Judão no Oscar 2008. Descobri que meu laptop não tem uma bateria muito boa e na metade do prêmio já estava pedindo água!

Claro que, normalmente, você se prepara, faz pesquisa e organiza as idéias para falar com um top star que nem o Ford, mas, no fundo, eu me preparei para essa conversa nos últimos 20 anos da minha vida. Dá arrepio até de lembrar.

Bão, madruguei no dia seguinte para chegar a Beverly Hills no horário combinado. Metrô e busão depois, cheguei ao apê dos australianos, mas não tinha ninguém. Mas o susto durou pouco e eles só tinham ido tomar café. Carona certa, Santa Monica aqui vou eu. O caminho até lá é legal, uma baita avenidona que não termina nunca! Quer dizer, quase.

Quando eu achava que continuaria muito mais, finalmente, vi o mar da Califórnia. Pois é, praia! O hotel ficava ao lado de Venice Beach, um dos points mais badalados do lugar. Ou seja, levou quase 2 meses para eu ver o mar! Mas foi legal. Rolou uma mini emoção. HAHA.

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O clima já começava quando um pôster de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (esse aí da foto) indicava o caminho para a sala de entrevistas. As meninas supersimpáticas da Paramount já me esperavam, a salinha lotada de comida também, e, claro, a vista para o mar! Encontrei com Isabela Boscov, da Veja. Fiquei muito feliz ao, finalmente, me ver num mesmo evento que ela. Depois de lutar tanto como assessor para mandá-la para alguma das minhas junkets, lá estava eu, “concorrente†dela. Mas a mulher é um doce e extremamente profissional. É ótima para conversar e entende como o mundo funciona, ao contrário de outra pessoinha ridícula e mau-caráter, que apareceu depois.

Aí veio a entrevista. A assessora de imprensa entra acompanhando um sujeito de cabelos bem grisalhos, calça jeans, mãos no bolso, e um blazer cinza. O cara vem chegando e ela pede para que cada um se apresente…. “começando pelo Fábioâ€. Eu simplesmente congelei! Por uma fração de segundos, claro, até que vi ele esticando a mão. “Prazer, Harrison Fordâ€. “Fábio Barreto, Brasilâ€. E seguiu cumprimentando os demais.

A entrevista começou, aos poucos, ele foi tirando o blazer, arregaçou as mangas e enfrentava a bateria de perguntas. A maioria boas, mas, claro, sempre algumas besteiras no caminho. Era engraçado notar como, conforme ele falava, dava para identificar um pouco de cada um dos maiores personagens que marcaram minha vida. Eu juro que, enquanto anotava uma resposta, eu achei que o Han Solo estava ali na sala. Bem, estava, mas vocês entenderam.

Entrevista encerrada, era a vez de conversar com Frank Marshall, o produtor. O cara era todo sorrisos, pois tinha acabado de ganhar uma penca de Oscars por Ultimato Bourne, então foi um passeio falar com ele. A melhor coisa foi descobrir que Foz do Iguaçu está no filme. Deu para ter certeza de que é impossível não gostar do próximo Indiana. Deu até arrepio ouvir ele falando dos primeiros filmes e da retomada do trabalho com o novo.

Nesse meio tempo, rolaram umas conversas e uns papos, e acabei conseguindo uma segunda entrevista com Harrison Ford. Não congelei nem nada, mas ampliei os sentidos. Precisava ser melhor que na primeira e quebrar a banca. Afinal de contas, eu estaria lá uma segunda vez.

Retornei à sala, ele retornou e cumprimentou a todos. Quando chegou a minha vez, enquanto apertava minha mão, parou.

- Ei, você voltou?
- Sim.
- Acho que preciso responder direito para você, então, hein?
- Vamos apenas fazer nosso trabalho. Estou duplamente honrado.
- Não duvido.
Sorriu e sentou-se.

Devo dizer que foi triste ouvir, duas vezes, ele dizer que Han Solo não é interessante, meio bobo e que não voltaria a interpretá-lo. “E aquelas calças, meu deusâ€.

Embora não tenhamos visto nenhuma prévia do filme e todo mundo tenha feito segredo além do normal sobre o roteiro, foi possível respirar o mundo de Indiana Jones, naquele delicioso hotel beira-mar, em Santa Monica. Conheci um sujeito que, mesmo não gostando, me fez querer aprender a falar inglês, fundar um fã clube e virar jornalista. Tudo para, um dia, entrevistar alguém como ele, já que, ele, parecia sonho bobo. E foi justamente ele que iniciou um novo período profissional na minha vida. Claro que não disse nada disso ao Harrison Ford e fiz apenas meu trabalho, mas, lá no fundo, meu coração batia num ritmo diferente, ritmo de quem sonhou, lutou, sofreu e conseguiu chegar além de seus maiores sonhos.

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(Santa Mônica, sem óculos de sol e tirando foto sozinho, podia ser pior!)

A matéria sair na capa da revista Época foi a cerejinha que faltava nesse bolo mousse extra cremoso. Só tenho a agradecer a todos que participaram da minha vida, que me levou a esse momento extremamente feliz, alegre e completo. Sabe, eu nem lembrei que era fã, ou que sempre tinha sonhado com um dia ficar frente a frente com ele, mas depois, quando a matéria saiu, caiu a ficha. Eu chorei feito criança e quase levitei, pois sabia que era merecido. Independente do que qualquer pessoa diga ou ache.

Resumo da ópera, entrevistei Harrison Ford, fiz direito, como deve ser feito, me orgulho disso e sei que tem alguém, se é que existe outro plano, muito feliz por mim. Mesmo ela não estando mais entre nós, minha avó tem participação vital nessa coisa toda.

uv