As aventuras malucas do Barretão em LA! Te Cuida, Charlie Harper!

Viagem

Constado às 14:15 em Pessoal, Star Wars, Viagem | 12 Comentários | 

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[Momento família nerd on]
Quando recebi essa foto, lembrei imediatamente de um quadrinho de Star Wars que integra minha coleção. Hoje resolvi pegar a bendita capa e fiz a pequena comparação. Impressionante como os desígnios da Força são absurdamente inexoráveis e, por que não, poéticos!
[Momento família nerd off]

Constado às 10:56 em Astros, Cinema, Estrelismo, Pessoal, Viagem | 13 Comentários | 

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Logo que voltei a LA, escrevi esse post. No dia seguinte, porém, trombei com mais uma estrela, desta vez da infância: Henry Thomas, o garotinho do E.T. Gosto dele, não só pelo E.T., mas também de filmes mais recentes em especial o Gangues de Nova York. Onde encontrei o sujeito? No mercado! É impressionante como os fotógrafos desocupados ainda não descobriram o Albertson’s de Los Feliz como nicho de fotos feias de atores sem maquiagem ou realizando o simples ritual de escolher o donnut ou a bandeja de carne.

Acabei nem postando, pois ficaria meio chato tocar no mesmo assunto duas vezes seguida. Guardei como nota mental para o futuro. Só que anteontem mais uma experiência estelar aconteceu no meu cotidiano e tenho que compartilhar com vocês.

Já falei que tem a Mexicana dos tacos aqui na esquina? Então, o nome do lugar é Yucca’s, bem conceituado quiosque de tacos, burritos e outras cossitas mexicanas em Los Feliz. Sabadão parece barraca de pastel, gente saindo pelo ladrão!

Bom, fui ao Yucca’s comer um burrito, pois a fome era grande e a preguiça de cozinhar era maior ainda. Pedi meu delicioso quitute latino e fui até a mesa mais próxima para aguardar a tiazinha gritar “Fabiôôô” ou “Frank”! (?!?) É, ela escreve o nome no pratinho onde vai a comida – higiênico até! – e nesse dia ela escreveu Frank! Vai entender. E depois eu, por lavar louça com água fria é que sou anti-higiênico.

Fábio ou Frank, lá estava eu. Aí passa uma anãzinha com cara de poucos amigos. De cara deu aquela impressão de conheço de algum lugar. Aí ela pediu a comida e a voz chamou a atenção novamente. “Opa, mais um famoso para a listinha”, pensei intrepidamente tentando decifrar quem era. Tem vez que é difícil, juro!

Olhei uma, duas, três vezes. Aí veio a resposta: Rachel Bilson, a Summer de The O.C. Mas será?! Não tinha nada do appeal da personagem, o cachecol não ajudava, a Cicatriz gigantesca no lado direito da boca também não. Cicatriz? Nossa, nunca notei. Ou será que eles tiram sempre? Pode ser. E aquela cara de “comi cocô, não gostei e ainda sobrou para a janta” desanimou.

Podia ser um dia ruim, problemas. Sem emprego, talvez? Acontece com todo mundo, não vou julgar por algo que apenas vi e nem interagi. Bom, eu tinha certeza, mas como todas as proporções são outras na vida real – e ela, se muito, batia no meu peito – cheguei a pensar que estava enganado dessa vez.

Enquanto pensava nisso… “Fraaaak”. “Fraaaaank”, e olhou pra mim. Bom, naquele dia eu era o Frank. Fui até lá rindo e falei “Fábio” e ela “errei de novo”. A idade minha senhora, a idade! Mas ela é gente boa e me divirto lá.

Eu, ou melhor, o Frank, comia seu burrito e tentava impedir que os feijões saíssem correndo quando a voz retorna: “Reichêlllll”. Bingo, era a moça! Ela deu um risadinha sem graça pra tiazinha e aí deu para confirmar que se tratava da ídala de The O.C. e a namoradinha do Hayden em Jumper.

Só espero que a moça esteja mais feliz e que não seja mais uma para o grupo dos “ai que nojo”. Enfim, mais uma para a listinha dos astros avistados pelos globos oculares barretônicos!

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Constado às 13:44 em Entrevistas, Estrelismo, Exclusivo, Pessoal, Star Wars, Viagem | 25 Comentários | 

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Um pouquinho de história barretônica antes de mais nada. No ano de 1999, na primeira Jedicon, eu coloquei uma certa fantasia só para desfilar um pouco. Como organizador nunca para quieto, acabei ficando o resto do dia correndo para lá e para cá vestido de Han Solo. Embora pouca gente se lembre, já que essa nova geração de fãs ainda mijava nas calças em 99, isso aconteceu e muita gente ainda me chama de “presidente Han Solo”. Foi muito legal.

Apertando o botão de avançar no tempo para, exatamente, 25 de fevereiro de 2008. Quatro dias antes, recebo um comunicado me escalando para minha primeira entrevista oficial pela revista. O coração já bateu forte pelo lado profissional, mas quando terminei de ler o email eu quase enfartei. Meu primeiro entrevistado seria ninguém menos que Harrison Ford.

E, para meu desespero, em Santa Monica, que é bem longe de onde eu moro. Dá-lhe Busão! Por sorte, porém, na sexta-feira anterior, quando fui entrevistar o elenco de Agente 86, trombei minha coleguinha Donna, uma australiana MUITO GENTE BOA, que também estava escalada para o Ford e me ofereceu carona. Menos mal, SÓ tive que ir até Beverly Hills – um metrô e um busão e 1h30 de investimento –, mas valeu a pena, pois até Santa Monica seriam quase 3 horas e mais um busão.

A entrevista seria no dia 25, mas, o que tinha na noite anterior? Oscar, claro. Enfiei meu rabicozinho num restaurante, curiosamente, brasileiro, pois vi todo mundo olhando para uma parede. Como parede não pode ser tão legal, saquei que era uma plasma. Dito e feito, entrei, comi polenta – oba! – e tomei algumas taças de vinho. Italiano, tinto. Muito bom. Tudo isso enquanto atualizava o Judão no Oscar 2008. Descobri que meu laptop não tem uma bateria muito boa e na metade do prêmio já estava pedindo água!

Claro que, normalmente, você se prepara, faz pesquisa e organiza as idéias para falar com um top star que nem o Ford, mas, no fundo, eu me preparei para essa conversa nos últimos 20 anos da minha vida. Dá arrepio até de lembrar.

Bão, madruguei no dia seguinte para chegar a Beverly Hills no horário combinado. Metrô e busão depois, cheguei ao apê dos australianos, mas não tinha ninguém. Mas o susto durou pouco e eles só tinham ido tomar café. Carona certa, Santa Monica aqui vou eu. O caminho até lá é legal, uma baita avenidona que não termina nunca! Quer dizer, quase.

Quando eu achava que continuaria muito mais, finalmente, vi o mar da Califórnia. Pois é, praia! O hotel ficava ao lado de Venice Beach, um dos points mais badalados do lugar. Ou seja, levou quase 2 meses para eu ver o mar! Mas foi legal. Rolou uma mini emoção. HAHA.

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O clima já começava quando um pôster de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (esse aí da foto) indicava o caminho para a sala de entrevistas. As meninas supersimpáticas da Paramount já me esperavam, a salinha lotada de comida também, e, claro, a vista para o mar! Encontrei com Isabela Boscov, da Veja. Fiquei muito feliz ao, finalmente, me ver num mesmo evento que ela. Depois de lutar tanto como assessor para mandá-la para alguma das minhas junkets, lá estava eu, “concorrente” dela. Mas a mulher é um doce e extremamente profissional. É ótima para conversar e entende como o mundo funciona, ao contrário de outra pessoinha ridícula e mau-caráter, que apareceu depois.

Aí veio a entrevista. A assessora de imprensa entra acompanhando um sujeito de cabelos bem grisalhos, calça jeans, mãos no bolso, e um blazer cinza. O cara vem chegando e ela pede para que cada um se apresente…. “começando pelo Fábio”. Eu simplesmente congelei! Por uma fração de segundos, claro, até que vi ele esticando a mão. “Prazer, Harrison Ford”. “Fábio Barreto, Brasil”. E seguiu cumprimentando os demais.

A entrevista começou, aos poucos, ele foi tirando o blazer, arregaçou as mangas e enfrentava a bateria de perguntas. A maioria boas, mas, claro, sempre algumas besteiras no caminho. Era engraçado notar como, conforme ele falava, dava para identificar um pouco de cada um dos maiores personagens que marcaram minha vida. Eu juro que, enquanto anotava uma resposta, eu achei que o Han Solo estava ali na sala. Bem, estava, mas vocês entenderam.

Entrevista encerrada, era a vez de conversar com Frank Marshall, o produtor. O cara era todo sorrisos, pois tinha acabado de ganhar uma penca de Oscars por Ultimato Bourne, então foi um passeio falar com ele. A melhor coisa foi descobrir que Foz do Iguaçu está no filme. Deu para ter certeza de que é impossível não gostar do próximo Indiana. Deu até arrepio ouvir ele falando dos primeiros filmes e da retomada do trabalho com o novo.

Nesse meio tempo, rolaram umas conversas e uns papos, e acabei conseguindo uma segunda entrevista com Harrison Ford. Não congelei nem nada, mas ampliei os sentidos. Precisava ser melhor que na primeira e quebrar a banca. Afinal de contas, eu estaria lá uma segunda vez.

Retornei à sala, ele retornou e cumprimentou a todos. Quando chegou a minha vez, enquanto apertava minha mão, parou.

- Ei, você voltou?
- Sim.
- Acho que preciso responder direito para você, então, hein?
- Vamos apenas fazer nosso trabalho. Estou duplamente honrado.
- Não duvido.
Sorriu e sentou-se.

Devo dizer que foi triste ouvir, duas vezes, ele dizer que Han Solo não é interessante, meio bobo e que não voltaria a interpretá-lo. “E aquelas calças, meu deus”.

Embora não tenhamos visto nenhuma prévia do filme e todo mundo tenha feito segredo além do normal sobre o roteiro, foi possível respirar o mundo de Indiana Jones, naquele delicioso hotel beira-mar, em Santa Monica. Conheci um sujeito que, mesmo não gostando, me fez querer aprender a falar inglês, fundar um fã clube e virar jornalista. Tudo para, um dia, entrevistar alguém como ele, já que, ele, parecia sonho bobo. E foi justamente ele que iniciou um novo período profissional na minha vida. Claro que não disse nada disso ao Harrison Ford e fiz apenas meu trabalho, mas, lá no fundo, meu coração batia num ritmo diferente, ritmo de quem sonhou, lutou, sofreu e conseguiu chegar além de seus maiores sonhos.

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(Santa Mônica, sem óculos de sol e tirando foto sozinho, podia ser pior!)

A matéria sair na capa da revista Época foi a cerejinha que faltava nesse bolo mousse extra cremoso. Só tenho a agradecer a todos que participaram da minha vida, que me levou a esse momento extremamente feliz, alegre e completo. Sabe, eu nem lembrei que era fã, ou que sempre tinha sonhado com um dia ficar frente a frente com ele, mas depois, quando a matéria saiu, caiu a ficha. Eu chorei feito criança e quase levitei, pois sabia que era merecido. Independente do que qualquer pessoa diga ou ache.

Resumo da ópera, entrevistei Harrison Ford, fiz direito, como deve ser feito, me orgulho disso e sei que tem alguém, se é que existe outro plano, muito feliz por mim. Mesmo ela não estando mais entre nós, minha avó tem participação vital nessa coisa toda.

Constado às 09:21 em Cinema, Pessoal, Viagem | 6 Comentários | 

A primeira de muitas aventuras em Hollywood!

Hoje é o grande dia! Dentro de pouco tempo estarei dentro do Paramount Theatre para assistir a uma das primeiras exibições de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, que é apresentado hoje pela primeira vez em Cannes e segue com sessões em LA e NY. Amanhã é a vez do Brasil!

Por isso, morram de inveja!!! HAHAHA! Bom, passado o surto, não vejo a hora de assistir a uma aventura de Henry Jones Jr. no cinema. Depois de ter assistido tanto aos filmes na TV, em VHS e depois em DVD, só falta ver na telona, com THX e tudo que tenho direito! Posso não ter ficado sabendo, mas acho que nunca houve uma reestréia de Indiana Jones nos cinemas aí no Brasil (Blade Runner teve, por exemplo, e eu assisti).

A imprensa daqui (até mesmo a CNN) tem falado muito em o fato de existir tanto sigilo pode ser tentativa de evitar reação ruim dos jornalistas e chegaram a comparar a situação com o fiasco Código Da Vinci, que abriu em Cannes sob as risadas descaradas dos críticos que, obviamente, chacinaram o filme um dia antes de sua abertura mundial.

Embora seja uma decisão do trio de ferro, Indy IV é mais um filme sem exibição prévia para o histórico da Paramount, que já apanhou em Guerra dos Mundos, por exemplo. Faltam apenas 4 dias para a estréia mundial. O sucesso comercial é algo que ninguém questiona, uma vez que o retorno de Indy é incontestável como o maior evento do ano. Não importam os resultados de Homem de Ferro ou Speed Racer, ou se o próximo Shyamalan será bom ou não, o fato mais aguardado é mesmo o retorno do maior aventureiro do cinema.

Minha camiseta do filme (brigado, Fabi!!!) já está a postos e lá vou eu! Faltam apenas 2 horas!

E que venham os russos e os tais crânios de cristal! Acaba com eles, Indy!

Indy Convite

Constado às 18:16 em Literatura, Pessoal, Viagem | 4 Comentários | 

A batalha estava próxima,
Mas ela ainda não sabia.
Os rumores da guerra tomaram a vila.
Calmo ele permanecia.

A primavera chegara.
E com ela a guerra.
Senhores e servos.
Pobres e ricos.

Não haveriam rosas brancas,
Aos pés daqueles que morreriam.
Não eram bolos de viagem,
Nas mãos daqueles que não regressariam.

Seu espírito clamou.
E ela atendeu.
Para seu amado, nada de frivolidade.
Ela não queria piedade.

Para vê-lo retornar,
Oferenda melhor não havia.
E, no fundo, ele sabia,
Que precisaria lutar.

No dia da partida houve comoção.
Mulheres choravam com emoção.
Guerreiros partiam já saudosos.
Seus filhos olhavam curiosos.

Esperança e temor eram sua bagagem.
Debaixo das armaduras antigas.
E do couro surrado.
Levavam amuletos e forragem.

Um deles parecia não temer.
Sua partida parecia encantada.
Os passos de seu cavalo faziam o chão tremer.
Em sua bainha, estava a espada de sua amada.

Lu

*Esse foi um dos mais belos que já escrevi para você! Lembre-se!*

Constado às 08:02 em Astros, Cinema, Comportamento, Pessoal, Viagem | 8 Comentários | 

ChacotayTem duas coisas que me lembram que não estou mais no Kansas.. oops.. em São Paulo: motoristas que respeitam o pedestre e astros de cinema e TV agindo como gente normal. Explico: enquanto meu corpo ainda se acostumava com o clima e tentava se convencer de que eu não estava acordado há quase 22 horas, fui ao mercado comprar pasta de dentes e pão. Qual minha surpresa quando aparece um sujeito meio conhecido empurrando um carrinho? Levou menos de um segundo para me tocar de que ali estava Chacotay, ou melhor, Robert Beltran, um ator de origem meio-índio e meio-mexicano, que já trabalhou com Chuck Norris (KIAIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII) e ajudou o elenco de Star Trek: Voyager a resolver a cagada que a capitã Janeway fez ao perder a nave.

Bati um papo com ele, que se mostrou bem receptivo e só não tirei foto por que, convenhamos, quem leva máquina fotográfica quando vai comprar pasta de dentes? Bem, da próxima vez eu levo!

Bem, aí vem a segunda parte. Hoje cedo, antes de iniciar a jornada do post anterior, fui pegar um café e quem estava papeando com duas gatas, vestindo um boné meio brega e com cara de intelectual? Zachary Quinto, ou melhor, Sylar, o chupa-cérebro de Heroes e, claro, o novo Spock, do novo filme de Jornada nas Estrelas. Seria algum complô Roddenberiano contra minha sanidade? Tentativa de corromper ao lado tricorder da força?

AimeusantoAsimov!

Fato é, os dois já entraram para o hall de celebridades que cruzaram meu caminho nessa longa e absurda jornada em Los Angeles, audaciosamente indo aonde nenhum outro Madrigal Barreto jamais esteve. Numa viagem de cinco anos, explorando a Califórnia, criando a filha e tentando fazer algo decente para a esposa. Nem para isso precise ficar um pouco longinho de todo mundo.

Piriri. Enterprise, um para subir!

Constado às 15:06 em Pessoal, Viagem | 4 Comentários | 

LA aqui estou! Hoje retornam as atualizações do noticiário! E vamo que vamo!

Indiana Jones a caminho! Speed Racer bombando e a temporada de screenings das séries de TV está para começar! Ô loucura!

Constado às 00:39 em Cinema, Comportamento, Entrevistas, Imprensa, Viagem | 19 Comentários | 

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A função deles é perguntar, articular, explicar e comunicar. Mas espere quase tudo menos isso de jornalistas espalhados pelo mundo. Muitos deles, incluindo alguns editores brasileiros metidos a celebridade, são perigosamente… despreparados e tapados!

Ao longo de 12 anos de profissão, parte deles dedicados a organização de eventos para imprensa e condução de entrevistas, posso dizer com tranqüilidade que o jornalista brasileiro é um dos melhores quando o assunto é perguntar, mas quando é ruim, sai de baixo. Entretanto, nem o piorzinho dos nossos se compara à média de jornalistas norte-americanos e, especialmente, os demais estrangeiros baseados aqui em Los Angeles. É triste, mas, pelo jeito, os fofoqueiros profissionais do mundo estão em baixa e, com isso, o trabalho sério é cada vez menos valorizado, enquanto matérias fúteis e perguntas imbecis reinam soberamas no mundinho da imprensa.

Uma historinha antes: Quando Samuel L. Jackson foi ao Brasil para lançar o filme Conduta de Risco, durante o Festival de Cinema do Rio de Janeiro, eu trabalhava para a Fox Film e controlei a coletiva de imprensa que o ator concedeu em plena praia de Copacabana. Certo momento, o microfone foi parar nas mãos de uma garota que se levantou, sacou um pedaço de papel amassado do bolso e leu algo – teoricamente em inglês – que ninguém entendeu absolutamente nada.

Ignorando o mico que a cidadã pagou, passei os dias seguintes pensando o que a organização do Festival tinha cabeça para credenciar uma pessoa, sem idade para ser formada – claramente – para eventos importantes como aquele. Fácil: sou jornalista, escrevo para o blog tal ou para o jornal da PUC-RJ, qualquer coisa que o valha. Depois eu descobri que um cara levou a menina, pois ela “sabia falar inglês” e seria ótima para fazer a pergunta. Parabéns, sua anta! Tinha tradutor simultâneo, não precisava levar uma interprete inexperiente e nervosa. A menina ficou bamba, claro, na frente de um ator, de pé, com meio mundo olhando. Tadinha, pagou mico e levou a toda a classe junto!

A razão dessa historinha é simplesmente exemplificar que podemos ser imbecis e expor a profissão ao ridículo das mais diversas formas possíveis. Claro, as engraçadas ninguém tenta, sempre tem que ser humilhante e vexatório. Enfim, o que nos trás a Los Angeles, em meio à jornada barretônica em direção aos maiores e melhores astros da atualidade. Ainda não participei de muitas coletivas de imprensa, propriamente ditas – ainda bem, depois você vai entender! –, mas as mesas redondas são constantes, mesmo eu sempre tendo entrevistas individuais com os atores depois.

Nas poucas coletivas, não existe o microfone como no Brasil, cada um disputa no grito a chance de fazer as perguntas. É engraçado ouvir as gravações depois e ver a quantidade de vozes tentando atrair a atenção do ator em questão. Entretanto, na última entrevista, cerca de 40 jornalistas participaram e, no máximo, 8 fizeram perguntas. Eu, claro, fui um deles. Na verdade, depois de ler tudo isso, você vai entender a razão de eu querer perguntar tanto e não deixar espaço para os outros “profissionais”. Chega a ser irritante ver um sujeito que voou 18 horas da Europa para Los Angeles para perguntar algo como “gostou do carro que dirigiu no filme”. E ponto. Viagem da Europa, hotel de primeira classe, três noites, tudo pago, e pergunta isso? Meio infrutífero. E as assessorias parecem não se importar, especialmente as grandes.

Primeiramente, é preciso deixar claro que todo mundo recebe um pressbook – calhamaço que salva a vida de quem não vê o filme, cheio de sinopses, entrevistas, comentários até do cabo bem da segunda unidade que filmou cenas externas do céu -, ou seja, mesmo para os mais tapados, informação não falta. É só pegar alguma coisa dali, mudar a ordem e perguntar.

A regra da democracia é o que vale. Cada um chega com sua pauta, tem algo a conseguir para cumprir a tarefa do editor e exige-se respeito entre os colegas. Tudo perfeito. Começam as perguntas e alguém sempre abre a série achando que está sendo super amigável e simpático. E é, invariavelmente, um desses assuntos:

- Empolgado por ser pai/mãe novamente?
- O que te atraiu ao projeto?
- O que você faz no tempo livre entre filmagens?

Falta aparecer um luminoso na testa do sujeito: De novo isso?

As perguntas começam a rolar e, lá no meio, alguém resolve soltar outra pérola:
- Que músicas você tem no seu Ipod?
- Qual o último museu que você visitou?

PELOAMORDEYODA, quem em sã consciência quer saber disso? Nem as leitoras das revistas de esportes radicais femininos se interessam por isso. Mudaria a sua vida, amigo leitor, se soubesse que, sei lá, Angelina Jolie foi visitar uma exposição obscura de arte africana na Antuérpia? Ou que Hugh Laurie escuta Beatles no Ipod? Isso gera, quando muito, uma informação circunstancial na matéria. E olhe lá.

Chega a ser embaraçoso notar que, por mais específicas que sejam as pautas, as pessoas não ligam muito para o filme em questão e para o que o ator – que vai dedicar os próximos 20 minutos da vida dele a responder às aqueles jornalistas – possa realmente contribuir. Levou pouco tempo para notar que são poucos os correspondentes que efetivamente trabalham com cinema e suas características. A maioria do pessoal é de revista feminina, revista de fofoca internacional e, mesmo as “vacas sagradas” dos grandes jornais europeus se mostram verdadeiras antas se comparados ao tipo de pergunta que os brasileiros fazem. Por isso, tudo parece importante, menos o filme, que acaba servindo como desculpa para explorar a vida pessoal das celebridades e, no processo, arrancar alguma declaração bombástica sobre uma casa nova ou afiliação política.

De maneira alguma estou puxando a sardinha para o meu lado, embora fazer boas perguntas seja obrigatório no meu trabalho e exigido por meus editores. Mas, falando em termos de junkets no Brasil, os atores e diretores sempre são bem explorados, falam sobre diversos assuntos. Tudo reflexo de gente que se prepara e, talvez pela escassez de oportunidades, faça de tudo para aproveitar a chance ao máximo. Ou, simplesmente, pois somos jornalistas melhores mesmo.

A Larissa, com quem trabalhei por anos no Cartoon Network, sempre dizia que os brasileiros davam um baile no resto do povo da América Latina. E vi que isso era verdade quando moderava entrevistas para o Cartoon e para a TNT. Agora, notei que, quando tem brasileiro na mesa, a gente só perde para as folgadas que querem ficar perguntando de vida pessoal, repercussão de coisas que outros famosos falaram sobre aquele famoso ou quando tem alguém “grávido”.

Claro, tudo pode piorar quando a pessoa que é enviada para cobrir o evento arranha no inglês. Para ilustrar o fato quase folclórico, cito uma colega que veio da Espanha por uma revista teen. No carro que nos levou ao cinema – eu continuo pegando até os hotéis e aproveitando a carona da van até o cinema, quando é muito longe – já deu para perceber que a moça faltava assumir que tinha medo de falar inglês. Bom, sem galho, o filme era musical, então não tinha muito o que entender mesmo, era só sacar o refrão da música e tudo bem. Detalhe, ela ficou 4 horas presa na imigração, pois disse que tinha viajado a trabalho, mas tinha visto de turismo, entretanto, ela estava aqui como jornalista. Bela comunicação, não?

Chegou a hora da entrevista, qual a minha surpresa quando notei que a moça ficou o tempo todo calada e, quando resolveu abrir a boca, perguntou (atenção para a pronúncia impecável): is iti impórtanti to bi iórsélufi?

O entrevistado em questão ficou com cara de “Ah?”, notou o pânico na cara da criatura e respondeu qualquer coisa. Pois é, quando se faz uma pergunta só para marcar presença é isso que se consegue. Resposta boba e pronta. Depois, quem leva a fama de que só repete as mesmas coisas são os atores, isso quando não são tratados como “babacas”. O Harrison Ford tem essa fama, mas foi fantástico na uma hora que o entrevistei. “Babacas” são esses caras que querem polemizar e perguntar bobagem, aí levam uma resposta atravessada e descem a porrada na pessoal, no filme, no contra-regra, e até a última geração de periquitos amestrados da Islândia do office-boy que levou o roteiro da copiadora até o estúdio!

Para fechar, o exemplo máximo:

Fulano falava sobre um filme ligado ao budismo.

- [Repórter Masoquista #1] Você se tornou budista?
- Não.

-[Repórter Masoquista #2] Quais conceitos do budismo você adotou para a sua vida?
- Acabei de dizer aqui, não sou budista.

- [Repórter Masoquista #1… de novo] Mas o budismo é baseado no bom senso.
- E eu uso o meu bom senso, mas não sou budista. Não ficou claro? [faltou levantar, pegar a cadeira e jogar na cabeça dos imbecis].

Será tão difícil assim aceitar um “não” como resposta? Pelo jeito é.

Como já diz o ditado, perguntas idiotas, respostas cretinas. Enquanto isso, eu já sei dos gostos pessoais de um bando de gente famosa. Nossa, minha vida mudou!

Constado às 22:06 em Cinema, Entrevistas, Guia da Semana, Viagem | 2 Comentários | 

Freddie Highmore em Spiderwick

Logo no início do blog, ou seja, da viagem, escrevi aqui que havia gostado muito de As Crônicas de Spiderwick. Pois é, continuo gostando e agora o filme estreou e posso falar um pouco mais dele. Escrevi dois textos que pode ser lidos aqui e aqui (nesse, por favor, muitos cliques, comentem lá também, pois ajuda a dar resultado pro pessoal que paga meu salário e, com isso, eu continuo aqui entrevistando a galera!).

Sei que muita gente pode encarar como filme infantil, dizer que conto de fadas é bobagem e tal. Como estudioso informal do assunto, digo que existe muito mais em torno desse assunto do que conteúdo infantil. Aliás, a origem dos contos de fadas é algo muito mais tenebroso do que se imagina. Curiosamente, Spiderwick toca nesse ponto de certa maneira, ao mostrar que, embora aparentemente infantilizadas, as criaturas desse mundo imaginário podem ser mais perigosas do que parecem. Assim são seus conceitos, infantis superficialmente, mas carregados de medos e terror por parte das culturas que os criaram.

É um assunto fascinante e escrevo um post mais complexo depois. Estou morrendo de cansaço por causa da junket de Street Kings, que fiz hoje. E ainda tenho mais duas na semana que vem. Todas em Beverly Hills, ou seja, 4 horas por dia jogadas fora com ônibus. Alguém me descola um carro? A Soccer Mom até tentou, mas a coitada tá meio fudida que nem eu, então já viu. Nós é pobre, mais nóis ri muito, fala ae, Verônica?! HAHA!

Cliquem nas matérias e vamos conversar a respeito.

Bom fim de semana!

Constado às 21:17 em Cinema, Estrelismo, Viagem | 12 Comentários | 

Pouco depois que o SOS Hollywood começou suas aventuras, postei duas notícias sobre o salta de bungee jump de Jim Carrey para o filme Yes Man. Beleza, fiz o making of, publiquei a entrevista aqui e agora é só esperar a estréia do filme.

Qual minha surpresa quando hoje a Warner Bros. mandou o vídeo de making of do filme para começar a divulgação e EU apareci nele? Não acreditei quando me contaram. Achei que era sacanagem, mas era verdade. o_O

É uma participação rápida, mas pelo cache que me pagaram tá mais que bom. Confiram aqui:

Versão brasileira Dublasom, Guanabara! :-p

uv