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LOS ANGELES - Não queria gostar de O IncrÃvel Hulk. Não sei o motivo, mas entrei com três pedregulhos prontos para atacar o filme. E os primeiros 15 minutos levaram duas das pedras na cabeça, aliás, bem no meio da testa. Entretanto, escondi a terceira pedra cheio de vergonha e me perguntando como um filme pode mudar tanto com apenas uma cena? Eu não fui o único que mudou de opinião não. Vejamos os porquês. (Alguns spoilers além deste ponto. Pronto, avisei!)
Hoje foi dia de trabalho burocrático em Los Angeles. SOS Barretão! Meu reino por um despachante! Fui solicitar meu SSN (famoso social security number, o equivalente gringo ao nosso CPF) e descobrir como consigo minha habilitação da Califórnia. Com as coisas são longes e, por enquanto, ainda não existe automóvel na minha vida, lá fui eu de ônibus. Mas foi tranqüilo e, contrariando minha expectativa, a repartição pública que cuida do SSN estava vazia. Em menos de 15 minutos eu fui atendido e tudo certo. Agora é só aguardar a confirmação. Acho que esse serviço é uma exceção, já que o povo daqui reclama para caramba de filas e tudo mais. Mais tarde descobri por que. O Detran local é meio cheinho e rola uma filinha para os atendimentos, ainda bem que eu só fui pegar meu livrinho de leis de trânsito, ver preços e saber como o processo funciona. Minha vez ainda vai chegar. Haha. O mais legal foi receber o livrinho e ver que, na primeira página, há uma carta toda simpaticona do Governator sobre segurança no trânsito e uma foto dele. Pô, o cara que destrói tudo nos filmes dizendo para dirigir devagar? Sacanagem! No meio de tudo isso, porém, mandei ver um almoço gorduroso no KFC (depois de anos sem me entupir com aquele frango) e fui tentar pegar um cineminha. Qual minha surpresa quando, depois de ver que não tem nada de bom passando – dos que eu quero ver só Redbelt estava em cartaz, mas só duas horas depois, então desencanei - , eu descubro dois itens mais que alucinantes dentro do Arclight Cinema, em Sunset? Dei de cara com a armadura original de Tony Stark em Homem de Ferro. A original usada em cena. A mesma armadura que Robert Downey Jr me disse ter pirado em vestir. Embora a cor não seja tão chamativa quanto a que vemos no filme, especialmente por conta dos filtros das lentes e do tratamento por computador, é impressionante. Curioso notar que a roupa tem o tamanho de um homem normal, o que empresta um tom de credibilidade à idéia de um sujeito voando por aà num super traje megatecnológico. A razão da armadura estar justamente nesse cinema é o próprio filme. Na cena em que Tony Stark descobre quem é seu verdadeiro rival na história, o personagem de Robert Downey Jr vai a um evento que acontece no Arclight, logo… Mas eu falei em dois itens, não? Pois é. Conhecem aquela idéia de que o melhor jeito de esconder algo gigante e verde é simplesmente deixar onde ninguém espera? Então, havia algo gigante e verde perto do Homem de Ferro. Uma réplica do Hulk em tamanho natural estava ali. Confesso que não gostei muito do gigante esmeralda com cara de Edward Norton, mas só o filme vai dizer se ficou bom, ou não. Claro que no budget de miserável do SOS Hollywood, só deu para tirar seis fotos, pois eu ainda não tenho chip de memória para a porcaria da máquina fotográfica. Então, aà vão as danadas!
Tenho um porrilhão de DVDs que colecionei ao longo dos anos. Todos estão devidamente encaixotados, afinal, não tenho mais casa no Brasil e ainda não consegui um jeito de enviar os disquinhos para LA, mas, mesmo assim, novas aquisições continuam acontecendo. Ontem comprei O Ilusionista, com Edward Norton, a que assisti anteontem com a Lu na HBO – acho. Não tinha visto o filme e gostei demais da conta da história. E comigo é assim: gostei, comprei! Virei fã do Eisenheim! Entretanto, devo dizer que não sou de assistir muito a extras dos “filmes†que compro. Tirando boxes ou sonhos de consumo – Guerra nas Estrelas ou Band of Brothers, por exemplo –, costumo ver o filme, zapear os extras, mas nunca assisto. Esse caso me surpreendeu! Começa pela caixa bem-feita e com a idéia – que embora eu não goste, mas funciona – de envolver o ilusionista máximo do Brasil, o japa Issao Imamura nos extras. O mais surpreendente, porém, é o fato de um disco tão legal ser produção da “pequenina†Focus e não de alguma das companhias poderosas que não criam nada no Brasil (por obrigação de apenas traduzir e dublar, quando muito, os discos importados). O Ilusionista vai além do básico “comentários do diretor e elenco†numa faixa de áudio que acompanha o filme, e aposta em seu elenco e várias opiniões sobre o assunto. A grande sacada aqui foi inserir as entrevistas do lançamento para a imprensa – exatamente aquelas que eu faço em Los Angeles – e mesclar com material de bastidores para ter uma bela seleção de bate-papos com atores, consultores e realizadores. O elenco principal está lá - Jessica Biel dando uma de inteligente e Paul Giamatti meio assustador e com cara de quem acordou na marra - assim como um bando de “zés-ninguémâ€, quando se fala em gente famosa, mas todos ajudam a entender melhor todo aquele mundo dos mágicos. E sem precisar da ajuda do Mister M ou do David Copperfield! Para ninguém reclamar, o disco vem em versões Full e Widescreen e os extras estão divididos entre os dois lados do DVD, o que é um pouco incômodo, mas não é um grande problema tendo em vista ser um disco mais “democráticoâ€, digamos. Outra caracterÃstica do DVD é a produção local. O El Cid faz a produção de vários extras para fãs nos animês da PlayArte e aqui a Focus resolveu tirar o escorpião do bolso e chamar o Issao. Ele comenta o filme, fala de sua carreira e de alguns truques realizados no filme. Aliás, sabiam que TODOS os truques vistos no filme foram efetivamente realizados em cena? Justamente para dar a idéia de realismo a um show de ilusionismo e não apenas um monte de efeitos especiais. Entretanto, talvez seja nesse trecho o único “problema†desse disco. Durante a entrevista, ele fica o tempo todo olhando para o entrevistador – ou seria o teleprompter com o texto dele? Sei não… – em vez de olhar para a câmera. O objetivo pode ter sido passar uma idéia de observador onipresente, mas, quando um espectador assiste a uma entrevista desse tipo, quer é ver o sujeito olhando diretamente para ele. Gostei da autoração e dos menus internos. A navegação é bem simples, mas a legenda dá umas escorregadas gritantes. Renatinha, “countrymen†é compatriota, não camponês! |
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