As aventuras malucas do Barretão em LA! Te Cuida, Charlie Harper!
Constado às 19:38 em Cinema, Críticas | 33 Comentários | 

Queime Depois de Ler recebeu muitos elogios da crítica, mas será que merece tudo isso ou é mais um daqueles casos de filmes que ninguém tem coragem de assumir que não gostou?

O talento dos irmãos Ethan e Joel Coen é inegável. Filmes como Fargo, O Grande Lebowski e o oscarizado Onde os Fracos Não Têm Vez demonstram a capacidade da dupla, que agora escracha com o gênero de filmes de espionagem e a imbecilidade das pessoas em Queime Depois de Ler. Sob a égide do humor negro e de não se levar a sério, o longa-metragem trilha um caminho perigoso entre os extremos da comédia, que pode passar de hilária a desconexa com grande facilidade, especialmente quando se trata de uma obra que vai atrair diversos públicos graças a seu elenco para lá de estelar com Brad Pitt, George Clooney, Frances McDormand, John Malkovich e Tilda Swinton.

A história é maluca, tão maluca que soa um pouco como os surrealismos de Charlie Kaufman. Um analista da CIA (Malkovich) é demitido, resolve escrever um livro, mas nem imagina que a esposa (Tilda Swinton) tem um amante (George Clooney). Decidida a pedir o divórcio, pois acha que o marido vai passar a viver à suas custas, ela rouba todos os dados do computador dele. Entretanto, por acidente, uma cópia do material vai parar nas mãos de dois imbecis: Brad Pitt e Frances McDormand; ele é um daqueles professores acéfalos de academia de ginástica, ela trabalha no mesmo lugar, mas colocou na cabeça que precisa de quatro cirurgias plásticas para se “reinventar” fisicamente.

O grande barato foi misturar esse monte de gente num rolo de proporções homéricas no qual ninguém sabe de nada e todo mundo tem a ver com todo mundo. No meio disso tudo está a chefia da CIA, mais perdida que cego em tiroteio. É uma sátira a quem se leva a sério, seja no meio da espionagem seja no meio cinematográfico. Entretanto tudo é feito com tamanha “normalidade” que a comédia custa a acontecer. Três personagens têm real potencial cômico – Pitt, Clooney e J.K.Simmons, como o chefe da CIA – e até cumprem sua função, mas não o suficiente para justificar tamanha carga de diversão atribuída a esse longa-metragem.

Por mais que soe como heresia para muita gente, a motivação por trás da trama é semelhante à do besteirol assumido Tenacious D – Uma Dupla Infernal, de Jack Black. Os músicos querem apenas pagar o aluguel e para isso peitam o Diabo em pessoa. O mesmo acontece em Queime Depois de Ler, com a personagem de Frances disposta até mesmo a vender “informações secretas” para os russos, tudo para conseguir pagar por suas operações plásticas. É a quintessência da imbecilidade moderna. A mulher arma um circo maluco, causa a morte de uma penca de gente só para conseguir fazer lipoaspiração? PeloamordeYoda…

Não há como negar, porém, que o resultado seja cáustico ao extremo e carregado de crítica social, incluindo boas sacadas sobre os sites de namoro, a falta de noção do sujeito moderno e também das instituições que “comandam” a sociedade. Tudo ali é extremo e não há meio termo. Se um personagem se considera inteligente, ele acha que é o melhor do mundo; quando é imbecil, o faz com louvor.

Tecnicamente é impecável, com grande trabalho de elenco e de enquadramentos, sempre bem feitos pelos Coen. É justamente a excelência técnica que prejudica Queime Depois de Ler, pois tudo é normal demais. O desenvolvimento dos personagens é próximo demais da vida real, faltando a eles o viés fantástico ou surreal capaz de destacar sua trama o suficiente para ser inesquecível. É um filme burocrático e pretensioso demais, a não ser para aqueles dispostos a encontrar genialidade onde ela não existe e comédia onde não há graça.

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Constado às 16:48 em Cinema | 3 Comentários | 

er.jpgDiferente de séries cultuadinhas do momento, Plantão Médico marcou época muito por conta da exibição na Globo, o que é o diferencial entre o sucesso extremo e o esquecimento no Brasil, infelizmente. Claro que a escalação inicial com George Clooney, Juliana Marguiles, Anthony Edwards, Eric LaSale, Sherry Stringfield e Noah Wyle ajudaram muito a cativar o público e aproximar todo mundo da natureza do mundo médico, pelo menos como deveria ser.

Quando trabalhava no Estadão fui fazer uma matéria para o TeleJornal com os médicos da Santa Casa de São Paulo. Um grupo de médicos lá dentro adorava a série e meio que se reunia para assistir aos novos episódios. Foi o “fã clube” mais informal que já conheci, na verdade chamar de fã clube seria o mais acertado para aquelas pessoas, afinal, elas só se encontravam para assistir, bater-papo e viviam a vida. Nada de exageros como vemos acontecer hoje em dia por aí. Curioso notar que um mesmo programa conseguia agradar os próprios médicos e ter uma boa audiência geral, aí está um dos elementos que mais diferenciava ER. Chicago Hope foi a aposta da Record no seguimento, mas não evoluiu muito. Eu gostava também, e olha que aqueles eram os tempos do sucesso de Arquivo X, então, estar na Record não era necessariamente um problema.

De qualquer forma, 14 anos depois, ER tem data marcada para acabar e vai ficar a cargo do Dr. Luka Kovac fechar a porta e apagar a luz da sala de emergência mais famosa do mundo. O pessoal por aqui tem falado em final de uma Era da TV. Pode até ser, mas acho que vem em péssima hora. Se olharmos para os programas que ficam como “legado” dessa Era é difícil achar algo bom ou com perspectiva de ser tão duradouro quanto Plantão Médico. Até existem boas séries, mas os cancelamentos não deixam ninguém em paz por muito tempo. E eu já estou triste pelo fim de Battlestar Galactica, então precisa aparecer algo muito bom para animar os ares televisivos por aqui!

Alguém aí conhece um bom analista? Acho que muita gente vai precisar!

uv