As aventuras malucas do Barretão em LA! Te Cuida, Charlie Harper!
Constado às 19:51 em Animação, Cinema | 10 Comentários | 

Primeiro longa-metragem animado da saga aposta no militarismo e no ritmo acelerado para dar início à série de TV.

A retomada de George Lucas da sua maior criação depois do final da Trilogia Clássica foi marcado por um problema: a ausência de “guerra†em Episódio I. O título de Guerra nas Estrelas sempre pressupôs a presença marcante de batalhas, conflitos e uma boa dose de explosões nos filmes anteriores, sendo um dos fatores que causaram frustração e prejudicaram a bilheteria do filme. Lição vivida, lição aprendida. Com isso, ação e ritmo militar não faltam ao novo Star Wars: The Clone Wars, primeiro filme animado ambientado nesse universo. Entretanto a tarefa não é simples, uma vez que seu objetivo é definir um novo ritmo, que será seguido na série de TV que estréia no final do ano. E tudo isso é extremamente arriscado para personagens e equipe de produção, afinal, tudo é novidade, e novidades sempre são incertas.
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Constado às 13:32 em Animação, Artigos, Cinema, Críticas, Disney, Exclusivo | 52 Comentários | 

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Novo longa de animação fruto da parceria entre Disney e Pixar é genial! E é Oscar garantido, pode apostar!

LOS ANGELES – Os trailers fizeram o trabalho duro e poucos consumidores de cinema não foram afetados pelo carisma e personalidade atrapalhada do robozinho Wall-E. E tanta expectativa é superada pelo resultado final do longa-metragem, que, novamente, força as barreiras do que é, ou não, capaz a animação. Com pouco diálogo, muita expressão – especialmente quando dois robôs que não falam são personagens principais – e maestria na direção, Wall-E estréia como clássico instantâneo, mundialmente, na próxima sexta-feira. Há tempos que a Disney não emplacava um personagem infantil tão cativante e poderoso como esse. (Spoilers a partir deste ponto)

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Constado às 09:56 em Artigos, Astros, Cinema, Comportamento, Exclusivo | 4 Comentários | 

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Até mesmo pessoas inteligentes têm seus momentos “Magdaâ€. Sharon Stone falou bobagem da China e levou uma invertida poderosa e financeira. Entretanto, esse caso nem se compara ao cala-boca que Spike Lee levou do Clint Eastwood outro dia. Bom, o sujeito também foi mexer com o Clint? Putz, com Dirty Harry não se brinca, filhote! Mas ele foi pregar aquela palhaçada racial dele (direitos são uma coisa, usar como arma política ou de publicidade é outra totalmente diferente, e foi isso que ele fez) e se esqueceu de pensar se seu argumento era válido ou não.

Vou explicar por que Spike Lee se demonstrou um tapado, nesse caso. Gosto dele, mas perdeu vários pontos depois dessa. Vamos aos fatos:

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“Clint Eastwood fez dois filmes sobre Iwo Jima que duram mais de quatro horas no total e nos quais não aparece nenhum ator negro. Caso vocês, repórteres, tivessem coragem, perguntariam por que agi desta forma”, declarou Spike Lee, em Cannes.

E eles perguntaram.

“O que quer que eu faça? Uma campanha em defesa da igualdade de oportunidades, por exemplo? Minha missão não é esta, mas faço uma leitura histórica. Quando faço um filme baseado em uma história na qual 90% das pessoas envolvidas eram negras, como ‘Birdie’ - sobre o músico Charlie Parker -, uso 90% de atores negros”, devolveu Clint Eastwood.

Com os dois lados expostos, vou amarrar essa coisa toda. Como alguns de vocês sabem, eu escrevo contos e, no momento, estou trabalhando no meu primeiro livro. Mês passado, porém, escrevi um roteiro em inglês da minha primeira tentativa de curta-metragem. O assunto: Segunda Guerra Mundial. Curiosamente, eu queria escalar um ator negro para o papel, mais especificamente John Adams (Dead Zone), colega meu aqui , gente boa pacas e que arranha no português.

Diferente do Spike Lee, eu pesquisei a presença e a participação de soldados negros no conflito, especialmente no Teatro de Operações Europeu. Como fã e estudioso do tema, achei estranho também, assim como o Lee, que não houvesse negros em produções como Band of Brothers, O Resgate do Soldado Ryan, Além da Linha Vermelha, e por aí vai. Demorou um pouco para chegar ao resultado, mas o próprio John me colocou em contato com um veterano que, além de indicar um material distribuído na comunidade negra aqui, deu a resposta: não haviam negros na linha de frente norte-americana no início da guerra, especialmente no Dia-D.

O Teatro do Pacífico, porém, apresentou a utilização de combatentes negros bem mais rápido e, realmente, havia um contingente afro-americano na invasão às ilhas japonesas como Iwo Jima, mas um número ínfimo se comparado aos caucasianos. O comentário de Lee soa fora de contexto, uma vez que os filmes de Eastwood tem por objetivo retratar a história dos soldados que levantaram a bandeira, em A Conquista da Honra, e dos japoneses, em Cartas de Iwo Jima. Spike Lee vem tocando nesse tema há um tempo, diz que é provocação de Eastwood e promete fazer seu próprio filme de guerra para “corrigir†esses erros. Ótimo, mas que o faça num intervalo histórico onde a participação negra foi verídica. É realmente necessário mostrar esse aspecto da guerra.

Os Estados Unidos ainda viviam um sistema social segregado durante Segunda Guerra Mundial, que continuou a ter seus efeitos inclusive durante o Vietnã – aí sim uma guerra onde os negros foram enviados ao front sem pensar duas vezes. Quem assistiu a Fomos Heróis pode notar a integração entre os soldados, mas o detalhe da segregação surge quando uma das esposas recém-chegadas fica surpresa com a lavanderia “withes only†(ela pensou que só podia lavar roupa branca, mas, na verdade era que só “gente†branca poderia entrar no estabelecimento).

Não havia nenhum pára-quedista negro no ataque aéreo e tampouco dentro das barcaças de desembarque. O primeiro negro a colocar os pés na Normandia foi um motorista de caminhão, que levava suprimentos para os combatentes. As unidades do Exército formadas por negros eram não-combatentes, no início da guerra, mas isso foi mudando ao longo do conflito. O personagem de Cuba Godding Jr. em Pearl Harbor, por exemplo, deixa claro que “lugar de negro era na cozinha”, sob a ótica das Forças Armadas, pelo menos até a briga começar e as estúpidas barreiras raciais começaram a esmorecer, afinal, muito branquelo foi salvo pela coragem e bravura dos soldados negros.

Voltando a Spike Lee. Como membro ativo da comunidade negra e, sem dúvida, em contato com todo esse material que um recém-chegado como eu conseguiu, soa apenas como jogada de marketing criticar Clint abertamente. A resposta de Eastwood foi perfeita e dentro da realidade do conflito. Para que escalar negros num lugar onde não haviam negros lutando? Seria o mesmo que George Lucas escalar atores brancos para estrelar Red Tails, que vai contar a história do melhor esquadrão de caça da WWII e que era totalmente formado por pilotos negros. Se o Lucas estragar esse, eu juro que ele perde meu respeito!

O “ataque†de Lee tem uma razão, porém. O próximo projeto de Clint Eastwood envolve a história de Nelson Mandela, o primeiro presidente negro da Ãfrica do Sul. Entendo a postura do cineasta desafiante como um aviso: “estamos de olho no que você fazâ€. Mas o golpe não funcionou, e o detentor do título devolveu com um nocaute: “Não vou transformar Nelson Mandela em um brancoâ€, disse sorrindo.

Portanto, Spike, meu caro: calaaaaaaaaaaaaaaada!

Constado às 16:50 em Cinema, Críticas, Exclusivo | 27 Comentários | 

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Filme entrega exatamente o que os fãs do personagem gostam: ação, perseguições e, claro, mistérios além do comum. Mas a pergunta é: quem vai falar mais alto, fãs de longa data ou a garotada que alimenta a indústria do cinema ultimamente?

A indústria do cinema é cruel. Hoje em dia, o fato de um filme ser bom não o salva do eventual fiasco e, ao contrário, sucessos incontestáveis de bilheteria não implicam que o filme seja necessariamente bom. É exatamente sobre esse aspecto que, provavelmente, a maioria das críticas de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal vão abordar. O Festival de Cannes já sinalizou “pouco interesse†e vi um pouco disso na exibição de imprensa que acabou de acontecer em Los Angeles, dentro dos estúdios Paramount. Seja por excesso de expectativa exagerada ou por eventuais falhas de roteiro – afinal de contas, George Lucas está na parada – não houve ovação, porém, também não vi ninguém odiando o filme. De qualquer forma, digo a vocês, O FILME É INDIANA JONES PURO, DO COMEÇO AO FIM!

[Prometo que não vou contar nenhum detalhe, afinal, concordo com Spielberg quando ele aposta no segredo para manter a magia do cinema.]

O que se esperava do novo Indiana Jones? Aventura, claro. E isso, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal tem de monte. Aliás, o ritmo é bastante puxado e poucas são as cenas sem algum elemento físico ou um pouco de ação. Boas piadas pontuam o filme. A melhor expressão para definir o que é esse longa-metragem deve ser a predileta dos atores: it’s a lot of fun! É divertido para caramba!

E, sendo assim, é um ótimo filme. Não há muito mais que se esperar de um quarto filme, sobre um mesmo personagem e suas aventuras impossíveis. Uma crítica do Washington Post diz que é vazio e sem sentido. Bom, convenhamos qual a utilidade e o sentido dos filmes anteriores? Puramente divertir e entreter. Porém, o que faz a diferença entre o tipo de diversão entregue por Indiana Jones em relação a seus “concorrentes†como A Múmia, National Treasure e similares é que nenhum deles bate Indy em carisma. E isso, inegavelmente, Harrison Ford tem de sobra. É impossível não torcer por ele a cada salto, tiro ou enigma que precisa decifrar para solucionar o dilema do cabeção de cristal.

Mutt Williams (Shia LaBeouf) foi boa aquisição ao elenco. Seu visual totalmente chupado de Marlon Brando em The Wild One define todo seu estado de espírito sem dizer muito, mas ele é um dos que mais muda ao longo da trama. Já Marion Ravenwood (Karen Allen, quando a idade chega, a idade chega…) retorna, mas não convence muito e, a exemplo de Susan Sarandon em Speed Racer, vê sua personagem ser mera coadjuvante estética na maior parte da história. De qualquer forma, não é para ver os dois que o público vai pagar o ingresso, mas sim para acompanhar o retorno de Harrison Ford ao papel de Indiana Jones.

Ele faz o que tem de melhor: corre, pula, tira sarro da cara dos bandidos e, claro, tem seus momentos mais exagerados do que gostaríamos de ver, mas, tratando-se de Indiana Jones, vale tudo! O bom trabalho de câmera e efeitos não deixa o espectador pensar no fato de que ali está um homem de 65 anos. A idade do personagem, aliás, acaba servindo com motivo de boas cenas cômicas.

Esse filme não é e nem vai ser uma unanimidade. Quem quiser achar defeitos vai ter um banquete à disposição, assim como quem resolver defender ou enaltecer as cenas bacanas. Talvez por isso muitos críticos tenham resolvido queimar o filme logo de cara, assim não ficam com remorso caso a opinião pública o condene. De qualquer forma, cada um faz seu juízo. Gostei, vi muita coisa boa, ri bastante ao longo de todo filme e a não gostei de algumas decisões tomadas pela equipe no desfecho, mas aí é coisa bem pessoal. No geral, é como se tivesse voltado no tempo e entrado num cinema cerca de dois anos depois da estréia de A Última Cruzada.

Porém, pode estar aí o calcanhar de Aquiles do filme. Todo mundo tem insistido que foi feito para os fãs, entretanto, Spielberg pode ter pensado tanto nos fãs que não se deu conta de que essas pessoas cresceram e amadureceram. Quem pedia por um novo filme empolgado com A Última Cruzada não tem mais aquela mentalidade. Indiana Jones tem. Embora o tempo possa ter passado e ele, a partir de certo ponto, se torne um sujeito “sério e responsávelâ€, o espírito da “trilogia†original foi mantido. Seus conceitos, seus ideais, sua identidade visual. É como se tudo tivesse parado no tempo. Um tempo bom, diga-se de passagem. Mas a dúvida é: o público de hoje está preparado para essa viagem no tempo? Faz sentido para eles – jovens ou não – falar em russos, caça às bruxas, comunismo? Saberemos em breve. Faltam apenas 4 dias para a estréia.

Os veteranos tem em Ford a certeza de que o personagem continua imbatível e exatamente como nos lembramos. E como estandarte da nova geração surge Shia LaBeouf, que já arregimentou a garotada em Transformers e surge como novo elemento constante em eventuais filmes do personagem. Ele acaba sendo o catalisador dramático e cômico do filme todo, e faz o trabalho direito. Especialmente na parte cômica. Não há como deixar de lado a idéia de que Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal é um filme engraçado, com objetivo de divertir e tentar fazer isso da melhor maneira que o trio de ferro permite. A cena de abertura, aliás, dá o tom para todo o resto do rolo.

Não há nenhum objetivo político – os russos já perderam e a Guerra Fria acabou –, as tribos do Peru não devem dar muita bola para a existência, ou não, de um crânio de cristal cheio de superpoderes e o personagem nunca foi de passar por aventuras verídicas ou cotidianas. Tudo ali é faz de conta, com muita qualidade diga-se de passagem, mas, ainda assim, uma história cuja função é servir de palco para que Indy faça seu show, Harrison Ford retorne ao topo e, quem sabe, Shia LeBouf se transforme no porta-voz do bom cinema para essa nova geração em cujas mãos está o destino ($$) e o julgamento da validade, ou não, de Indiana Jones para o novo século. Será um arqueólogo e professor meio período capaz de competir com os cenários supercomputadorizados dos Wachowski ou a tecnologia dos filmes de superheróis?

A única certeza que tiro disso tudo é que realizei mais um sonho, vi Indiana Jones no cinema. E uma conclusão: George Lucas tem que ser proibido de escrever roteiros pelos próximos 10 anos, ainda de castigo por Episódio I e por algumas escorregadas com o Indy! E viva as marmotas!

Constado às 12:07 em Cinema, Entrevistas, Exclusivo, Sci-Fi, Star Wars | 16 Comentários | 

The Iron Man!

A exposição de Guerra nas Estrelas, que acontece no Porão das Artes, em São Paulo, tem ninguém menos que Anthony Daniels (o andróide C-3PO), como seu porta-voz oficial. Entre uma viagem e outra, conversei por uma hora com o simpático ator inglês, fonte de inesgotáveis histórias sobre a maior saga do cinema e, claro, seu dróide mais medroso. Essa foi a segunda entrevista que fiz com Daniels, que se mostra ser um sujeito bastante ponderado e ciente do papel que exerce nessa mediação entre ficção e realidade, que acontece quando Guerra nas Estrelas deixa as telas e invade a vida real. Paulo Gustavo Pereira, diretor de redação da Sci-Fi News, esteve comigo nesse bate-papo. Confira as melhores partes.

Todo mundo pira quando você aparece. Como é isso? São os seis filmes ou tem algo mais?
É engraçado, pois quando estou numa exposição em Londres o pessoal pira. No Brasil, o pessoal pirou. Sempre penso: “nossa, isso é importanteâ€. Para essas pessoas é algo muito especial, mas para mim, devo confessar, acaba sendo corriqueiro, afinal de contas, esse é o meu trabalho. Ele é o meu trabalho e meu amigo. Vivo com ele todo dia.

E a exposição?
Vi e aprovei o projeto da exposição. Está maravilhoso. O espaço onde tudo será montado tem toda a condição de dar a impressão de estar num outro mundo mesmo. Serão centenas de peças dos filmes. Tudo genuíno. Não há réplicas oficiais ou coisa do tipo. Tudo foi usado no filme, claro, algumas peças existiam em certo número nos filmes. Tudo é original dos seis filmes. [a entrevista foi realizada antes da inauguração da mostra, para mais informações visite o site oficial, que você ficou sabendo primeiro aqui].

Incluindo a sua fantasia?
Sim, eu tinha 6 modelos no primeiro filme. Todos fazem parte das exposições. Uma estará aqui no Brasil. O Destróier Imperial [Avenger] do início do filme também estará presente. E vocês vão ver o tamanho original dele e também como fizeram parecer tão grande.

Que pena que demorou tanto para chegar aqui.
Não pense assim. É ótimo que tenha demorado tanto. Exatamente por isso, essa é uma das exposições mais completas já realizadas, pois tem muito mais coisa disponível para ser exposta. Os três novos filmes, novas entrevistas, conceitos, desenhos originais. Tudo.

Todo o trabalho de Ralph McQuarrie e Doug Chiang ou só um deles?

Ambos e vários outros artistas que participaram dos filmes. E devo dizer, estou aqui, estou nesses filmes, tudo por culpa de um desses dois…

… Ralph McQuarrie.
Sim, tudo isso é culpa de uma pintura. Não queria ser um robô, mas quando vi o desenho de Ralph McQuarie na parede, olhei nos olhos do robô e me encantei com 3PO e aí aceitei fazer o filme.

Quando o primeiro filme foi lançado, você falou com a imprensa sobre as dificuldades de atuar com a fantasia. E aposto que todo mundo pergunta isso, não é?
É, e foi mesmo. Sabe, não gosto de atores que dão entrevistas e começam a falar: “é aquilo foi muito difícil, havia tantos desafios para criar o personagem, me superei como ator, blablaâ€. Eles são pagos para atuar e quando fazem isso na vida real fica horrível. Mas, para falar a verdade, foi difícil mesmo (risos). E sim, muita gente pergunta, mas é por isso que gosto de falar com gente como vocês, que não fica só falando da fantasia e querendo saber todos detalhes sobre ela. Existe mais do que a roupa. Eu, por exemplo! (mais risos). Tive cortes e escoriações em lugares que não ouso dizer. Em algumas horas eu parava para pensar porque estava fazendo aquilo comigo mesmo. E eu também odeio areia. Nem vou mais à praia. Eu não gosto da Tunísia e o 3PO também não gosta de Tatooine, então, areia não é com a gente. E também foi difícil trabalhar com a armadura. Eu tinha poucas ferramentas, pois o rosto era fixo. As mãos e os braços acabavam sendo o principal jeito. E foi por isso que eu pude fazer o papel, pois sei usar muito bem o corpo. E é assim que 3PO se expressa. (gesticulando com os braços de maneira rígida igual ao dróide).

O modo de filmar a nova trilogia mudou muito em relação à primeira?
É preciso ter em mente que assim como atuar em um filme, filma e criar um filme também é profissional. Então, um câmera man ou o cara que constrói os efeitos, está ali como um técnico especialista no que está fazendo. Isso, basicamente não mudou com o tempo. Mas não existe muito entusiasmo vindo da equipe de filmagem. Pode ser a cena mais alucinante do mundo, e eles ficam lá: “humm, ok, cortaâ€. Normalmente, esse tipo de entusiasmo vem dos diretores.

E você sentiu isso de George Lucas?
Não, definitivamente.

Ele é famoso por isso.
Não acho que ele percebe o quanto a gente sente falta disso. Atores precisam ser elogiados. Mas sem exagero, pois, se feito desse jeito, a gente sabe que está indo no caminho certo. Aquele pessoal que rasga seda indiscriminadamente é falso e não leva a lugar algum. Odeio esse tipo de reação. Ajuda muito mais quando alguém diz: está bom, faz mais disso ou daquilo, acerta um pouco aqui que melhora ainda mais. É possível ser técnico e elogiar ao mesmo tempo. Sinceridade é tudo.

Threepio e Lucas

Você falou muito sobre a evolução digital. Do ponto de vista do ator, mudou? Vocês tinham novos elementos de referência como ver algum vídeo de efeito antes de entrar numa cena, por exemplo?
Não, não muito. A grande coisa é que na primeira é que a maioria dos elementos estava lá. O Dewback, por exemplo, estava lá. Ele não se mexia, era apenas uma criatura no cenário, mas estava lá. Era de plástico, mas dava para ver. Mas, como meu primeiro trabalho foi na rádio BBC, onde eu fazia rádio novelas, só existia o microfone e a alma para explicar para o público o que eu acreditava estar vivenciando. Então sempre foi algo mental. Mas na primeira trilogia, tudo estava lá. A Estrela da Morte, os Taun-Tauns, e etc. Era legal ver aquelas coisas. A Falcon era feita de madeira.

Mas eram autênticos.
E estavam lá! Hoje em dia tudo é impressionante, ficamos abismados com tudo que vemos, mas é de mentira. Literalmente. Há uma cena em Episódio III, há uma cena em que eu e Natalie Portman temos que voar na nave dela, mas só tínhamos duas cadeiras, joystick com barras de metal presas em sacos de areia e o resto era tela verde. Pode ter parecido bonito, mas não havia nada ali. Isso sem falar quando George não vinha com a idéia de transformar R2-D2 em algo digital, e tínhamos que fazer ele mudar de idéia.

Não tem como evitar. Star Wars Holiday Special (muitas risadas com a menção ao nome). Por que Lucas tem tanto medo dele?

Porque ele deve ter um pouco mais de noção da besteira que fez. Aquilo foi muito ruim. De verdade. Quando vi aquele roteiro gigantesco e com musical, não acreditei, mas todos acabamos participando. Foi constrangedor. Lembro que quando terminei de filmar, comecei a rir no taxi e o motorista perguntou o motivo. Eu disse: porque acabou e foi muito ruim!!!! Foi constrangedor ver a cena descrita como: ewoks entram carregando seus globos brilhantes e aí vem Carrie Fisher e começa a cantar à capela. Gostei dela cantando, mas aquele filme foi um erro, exceto pelo desenho, que se salva.

Mostramos o filme na primeira JediCon, em São Paulo, e muita gente ou dormiu ou foi embora, mas quando tentamos tirar, teve reclamação.
Sério? Alguém sobreviveu ao ver aquilo?

Bom, eu vi 6 vezes.
Você é insano!

Era o que passada na TV naquela época.
Aquilo pode transformar seu cérebro em mingau. Não faz bem, definitivamente (risadas alucinadas).

Por falar em Carrie, era bom trabalhar com ela?
Não! E ela sabe, pois amadureceu e evoluiu. Agora é uma pessoa de quem se pode gostar e eu disse isso a ela. Fiquei muito feliz com essa mudança.

E na nova trilogia, vários atores novos, novas estrelas, e você constante lá.
Não consegui entender bem, pois estava tão empolgado em trabalhar com Ewan McGregor e Samuel L. Jackson, mas aí, de repente, eles disseram: “Nossa, Anthony Daniels! Que fantástico!â€. Às vezes eu esqueço que essas pessoas cresceram me vendo no cinema e que sou importante para eles. Foi difícil convencê-los de que são importantes para mim também.

A nova trilogia veio na época dos spoilers, todo mundo sabendo de tudo. Antigamente, era mais difícil, mas mesmo assim Lucas criou a idéia de Blue Harvest para esconder Jedi.
É, ele pensou nisso.

E o pessoal acreditou…
O quê? Não. As pessoas me diziam: “você está fazendo Blue Harvest, ok. Mas o que o 3PO está fazendo lá? É outro Guerra nas Estrelas, só pode!†Não colou, mas ainda tenho camisetas e outros materiais da época bem guardados. Se você for à minha casa em Londres, não vai nem imaginar que sou um ator e que fiz esses filmes. Não tem nada exposto lá, é um lugar agradável para se viver.

daniels no Brasil

Agora é a minha vez de perguntar a vocês.
Claro.

Qual o outro personagem que faço em Uma Nova Esperança?
Tinha mais um? [Fico imaginando minha cara de desespero por ser surpreendido].

Sim, é uma ponta, mas eu faço.
Sei da sua ponta em Episódio II, mas em Uma Nova Esperança

Essa foi legal, mas a primeira é mais difícil. Poxa, pensei que estava falando com especialistas aqui. (risos).
Desisto.

Então visite meu site www.anthonydaniels.com

Eu visitei e descobri a resposta, Anthony Daniels veste a roupa de outro droide nas ruas de Tatooine, na cena em que Luke vende seu veículo. O personagem foi batizado como CZ-3.

3po e R2D2


* por Fábio M. Barreto

Constado às 12:47 em Animação, Cinema, Disney, Star Wars | 6 Comentários | 

Convenção de estúdios e donos de cinema mostrou os próximos grandes lançamentos do ano.

Embora o Oscar seja todo badalado e tudo mais, os negócios do cinema realmente “acontecem†numa feira anual realizada em Las Vegas. A ShoWest, que reúne estúdios e donos de cinemas, aconteceu nessa semana e foi uma porrada atrás da outra. De Kung Fu Panda a Star Wars: The Clone Wars.

O objetivo da feira é fechar negócios sobre tendências, mostrar quais os filmes que devem ser exibidos – assim os donos de cinema escolhem suas programações com certa antecedência – e fazer muito barulho em torno de filmes esperados.

George LucasNessa brincadeira, a imprensa mundial já viu Kung Fu Panda e Speed Racer, trechos de Thunder Tropic e, claro, Star Wars: The Clone Wars, que contou com a presença de George Lucas, sem camisa flanelada dessa vez, mas gordo a beça e aparentando seus 63 aninhos de idade.

“Essa nova fase vai ser como Band of Brothers no espaço e com Jedi por todos os ladosâ€, disse Lucas, em entrevista coletiva. “Dá para contar um bocado de histórias a partir disso. Novas coisas surgem o tempo todo.â€

É de tirar o fôlego, ah é! Mais detalhes depois. De acordo com Lucas, “fazer TV funciona meio que no esquema antigo, dois caras chegam com uma idéia, sentam, tomam café enquanto explicam a idéia e, se eu gosto, a gente faz. No fim do dia, toda a estrutura já está trabalhando e dá para fazer coisas interessantes assimâ€. Quem pode pode, né mesmo?

O elenco de Speed Racer – Emile Hirsh e Cristina Ricci, para ser mais específico – pintou por lá. Em breve, vocês conferem as entrevistas exclusivésimas! E, dessa vez, no Judão e na Sci-Fi! O filme arrebenta com o coração e coloca a adrenalina lá no céu. Wow!

Kung Fu Panda, como eu disse aqui (mesmo sem algumas pessoas gostarem), é muito legal, causa muitas risadas e deve ser um grande sucesso nos cinemas. O elenco ficou acertadinho para as vozes e Po é um sujeito altamente ‘gostável’. E, claro, AWESOME! Fico pensando como isso será traduzido no Brasil.

Uma das coisas mais impressionantes, porém, foi notar a força de Hannah Montana. Que eu entrevistei no começo da semana e tirei fotinha! Foi-se o tempo que ícones infantis se limitavam a inspirar apenas seus fãs. Miley Cyrus, de apenas 15 anos, influenciou até mesmo a poderosa indústria de Hollywood com o sucesso de seu filme Hannah Montana & Miley Cyrus: O Melhor dos Dois Mundos, que estréia no Brasil, em 25 de abril, em quatro salas com tecnologia 3D. O filme foi exibido em apenas seiscentas e oitenta e três salas nos Estados Unidos e faturou, só no fim de semana de estréia, US$ 31,5 milhões, mais que o dobro do faturamento dos filmes tradicionais exibidos em quase três mil salas. Esse sucesso todo provocou um acordo milionário para ampliar para dez mil o número de salas 3D nos Estados Unidos e Canadá, nos próximos anos. Aproximadamente US$ 700 milhões serão gastos nesse projeto. Tudo isso por causa de um programa da Disney. Impressionante, hein?

Quem não participou da ShoWest foi Homem de Ferro, MAS, Robert Downey Jr. veio a Los Angeles para entrevistas hoje! Depois eu conto tudoooooooooooo! ïŠ (me sentindo o colunista de fofoca agora). E, claro, com entrevista! Uhu!! Barretão Wins!

uv