As aventuras malucas do Barretão em LA! Te Cuida, Charlie Harper!
Constado às 00:50 em Cinema | 44 Comentários | 

Meu amigo Otavio Almeida, velho companheiro de batalhas na assessoria de imprensa, e sujeito que respira cinema (além do cinismo de Robert Altman), lançou um desafio em seu blog – Hollywoodiano – e cá estou respondendo ao chamado. O objetivo, lançado a vários blogueiros, é fazer uma lista de 5 filmes subestimados por público, crítica ou ambos. Muito bem, vamos aos eleitos diretamente de Los Angeles. Só que tem uma coisa, Otavio, no Judão, tem que ter 8, senão não tem graça!

andy


O Mundo de Andy
(Milos Forman, 1999)
Subestimado por quem? Primeiramente, pela crítica, que insiste em ignorar os bons trabalhos dramáticos de Jim Carrey (Truman Show é outro que entraria fácil na brincadeira). Depois pelo público brasileiro que, sem ter a ligação com o comediante Andy Kaufman, que inspirou o filme, não deu a devida importância a uma cinebiografia.

Está aqui por que… mistura uma grande trilha (R.E.M), uma interpretação memorável de Jim Carrey e ainda coloca grandes doses de comédia numa história essencialmente triste. Tirando a Courtney Love, o filme tem grandes atores e atuações – Denny DeVito, Paul Giamatti, aliás, foi nesse filme que conheci o sujeito e curti seu trabalho de bate pronto. É emocionante e muito bem dirigido. Um tal de Milos Forman comandou o filme. Precisa dizer mais? Tinha certeza que entraria na briga por algum Oscar, mas nada(mesma história que o Truman Show).

dark city

Cidade das Sombras (Alex Proyas, 1998)
Subestimado por quem? Exceto pelos nerds tarja preta, ninguém gostou do filme. Ficou em cartaz em São Paulo por uns 3 dias. E eu dei sorte de conseguir ver, numa sessão no meio da tarde, durante a semana. Público médio achou ridículo, bilheterias foram quase nulas e a crítica falou só um pouquinho

Está aqui por que… é um baita filme! Sombrio, bem dosado e o Alex Proyas chutou o pau da barraca ao fazer esse filme. Tudo (e nada) faz sentido naquele simulacro na realidade criado por extraterrestres doidões que ficavam trocando a memória das pessoas. O filme é marcante e defende bem seu ponto: quem diabos sabe da verdade? Embora depois só tenha feito papel de vilão nojento, o Rufus Sewell estava perfeito, William Hurt faz uma boa ponta e o Kiefer Sutherland é simplesmente insano, se bem que seria um papel sob medida para o Philip Seymour-Hoffman. De quebra, ainda tem a Jennifer Connely para deixar aquele lugar mais bonito. De qualquer forma, o roteiro de FC hard e toda a mitologia que envolve Os Estranhos me cativou.

mandando bala

Mandando Bala (Michael Davis, 2007)
Subestimado por quem? Público. Crítica. Você escolhe. Falhou nas bilheterias (embora deva estourar em DVD, acredito) e ninguém deu muita bola. Quem deu, falou a mesma coisa: violência deslavada sem nenhum roteiro (aliás, a crítica brasileira parece disco riscado, o povo se acha diferenciado e mais esperto, mas, no fim das contas, pensam a mesma coisa).


Está aqui por que…
é divertido para caramba! Não tem roteiro mesmo, tem uma “desculpa†para se fazer um filme. Mas é aí que ele tem seu charme, por ser uma seqüência de ação atrás da outra, sem muito que pensar, sem subtramas exageradas ou intelectuais. Você entra no cinema, vê aquele videoclipe gigantesco com Clive Owen e Monica Bellucci, ri a doidado, come pipoca, sai e já pensa no próximo filme que vai ver. Isso sim é diversão! E o personagem principal consegue comer cenoura, matar com uma cenoura, matar fazendo sexo e fazer um bebê rir (em cena real) ao mostrar como uma arma funciona. Que que há velhinho?

fountain

A Fonte da Vida (Darren Aronofsky, 2006)
Subestimado por quem? Outro geral, a meu ver. Não lembro de ter lido grandes matérias a respeito, muito “crítico intelectual†não sacou a história, falou pouco. O público deve ter entendido menos ainda e perdeu um dos melhores filmes dos últimos anos. Teve algumas nomeações, entre elas o Globo de Ouro de melhor trilha, e ao diretor no Festival de Veneza.

Está aqui por que… Darren Aronofsky criou uma obra-prima! O filme é inspirador e poético do começo ao fim. É lindo visualmente. Tem Hugh Jackman (ou será Jack Hughman?! Haha) num trabalho fabuloso – mil vezes melhor que o já inesquecível Wolverine – e Rachel Weisz quase transcendendo em plena tela. Os arcos de histórias apresentados pelo filme fazem pensar muito além do que estamos acostumados, são capazes de mudar formas de pensamento e funcionam muito mais do que toda essa bobagem quântica e multidimensional que muita gente “séria†defende. Pode até ser, mas nesse filme, há muita coisa além do que meras teorias. O único “defeito†– se bem que 100% correto de acordo com o roteiro – foi um dos finais ser ruim, pois o personagem do Jackman, que não era nada criativo, o escreve. É apaixonante e deslumbrante.

existenz

eXistenZ (David Cronenberg, 1999)
Subestimado por quem? Olha o público aí novamente. Não conheço uma pessoa não-cinéfila que tenha sequer ouvido falar nesse filme.

Está aqui por que… Cronenberg é arrasador quando o assunto é não-convencional! Em 1999, quando o mundo falava em Matrix e outras realidades virtuais, Cronenberg trouxe seu eXistenZ à baila e deu uma bela porrada no modo de vida que vivemos hoje. Gente fissurada por jogos e ambientes virtuais, fanáticos dentro e fora desses mundos, relação de agressividade entre jogadores e a indústria. Tudo isso sem mencionar nenhuma marca ou jogo real, por assim dizer. Contou ainda Jude Law em franca ascensão e um time de efeitos que, sem exagerar, conseguiu criar um mundo bizarro, mas, estranhamente plausível. Esse filme merecia um prêmio por ter antecipado tanta coisa, é altamente atual e deveria ser obrigatório em cursos de comunicação e programação.

13andar

13º Andar (Josef Rusnak, 1999)
Subestimado por quem? Passou batido por um mundo anestesiado pelo primeiro Matrix. Poucos foram os que conseguiram ver esse filme sem encará-lo como uma “cópiaâ€. E não foi, tendo em vista que começou a ser feito antes e deu azar na data de estréia.

Está aqui por que… é fundamental no estudo de simulacros, mundos virtuais e nos questionamentos sociais que sempre fazemos! A famosa teoria da boneca, dentro da boneca, que está dentro da boneca (ou quadro, se você preferir) está em jogo aqui. Até onde conhecemos os limites e realidades do mundo em que vivemos? Aliás, 1998-1999 foi o ano da “simulação e questionamento do mundo†no cinema – Truman Show, Matrix, eXistenZ, 13º Andar, Cidade das Sombras. A diferença, porém, é que, aqui, estamos falando de mundos inteiros sendo gerados dentro de computadores sem, necessariamente, vínculo com escravidão como no caso de Matrix ou exploração do indivíduo como em Truman. Tudo aqui é de mentira, menos para “programas†que habitam esse lugar. A cena em que o personagem principal descobre sua realidade é assustadoramente incômoda. Merece ser visto.

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Cruzada (Ridley Scott, 2005)
Subestimado por quem? Principalmente a crítica. Procurar motivo para chutar o Ridley Scott parece esporte nacional. Claro, depois que você enjoa de criticar o Shyamalan, que foi de herói a vilão numa velocidade incrível. Por pura imbecilidade dos demais críticos, aliás.

Está aqui por que… embora seja fantasioso sobre a versão verídica, sobrou até para a Igreja e suas “prioridades†na hora do desespero! A ação é impressionante, mas não sobrepujou atuações interessantes de Liam Neeson e Orlando Bloom. Gosto muito de Cruzada (apesar do título nacional) por não ser óbvio. Balian tem um comportamento muito diferente daquele arquétipo de cavaleiro que todo mundo imagina, embora defenda a honra e outras causas nobres, a balança dele funciona diferente dos demais e o torna um sujeito bem normal, aliás. Gostei do cerco a Jerusalém e da organização do roteiro. Realmente não entendo as razões que levaram muita gente a detonar o filme.

darko

Donnie Darko (Richard Kelly, 2001)
Subestimado por quem? Ah, escolhe aí. Qualquer público vale. Só nerd tarja preta gostou. Inteligente demais para os “civisâ€. Ninguém foi ver no cinema, não virou filme de Tela Quente e se passar na Páscoa (vai saber, tem coelho) vai assustar a mulher do Seu Silvio!

Está aqui por que… é uma das melhores coisas já feitas quando o assunto é viagem temporal e outras dimensões! O filme é repleto de sacadas boas e interessantes que preciso de um artigo inteiro para falar sobre ele (aliás, dessa lista toda), mas me conquistou por apostar basicamente no roteiro para contar algo complicado, pouco explorado (daquela forma) no cinema e TEM O MALDITO COELHO! Deu medo daquele cara vestido de coelho! Muito medo! É daquele tipo que precisa ser revisto N vezes para ser totalmente compreendido, porém, a compreensão leva à certeza de que é impossível compreender totalmente (wow!). A produção é da Drew Barrymore, que está no filme como uma professora mente aberta. Descobri esse filme há coisa de um mês e fiquei indignado como li tão pouco a respeito. Se você ainda não viu, corra e consiga um DVD! Vale a pena!

Bom, lista finalizada, devo intimar outros blogs a fazer o mesmo. Vamos a eles: Rob Gordon (Championship Vinyl, o rei das listas de Top 5); Tayra, do Cena Brasilis; Igor Oliveira (your Day breaks, your mind aches); Thiago “El Cid†Cardim (Observatório Nerd); e o Franco (Alguma Coisa de Cinema). Mandem suas listas!

uv