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LOS ANGELES - A briga pela liderança qualitativa da animação se desenrola pesadamente há anos. Pixar batendo de um lado, DreamWorks respondendo do outro, e, vez ou outra, uma terceira aventureira pinta na área e acerta um hit. A franca vantagem da Pixar, porém, é latente e fica a cargo das demais companhias correrem atrás do prejuÃzo. Shrek tinha sido, até agora, a maior afronta à hegemonia, porém, Kung Fu Panda define um novo padrão na briga pelo segundo lugar. Com bom-humor e excelência técnica, a nova animação que chega aos cinemas brasileiros amanhã já arrepiou nas bilheterias norte-americanas e deve repetir a dose no Brasil! Vou falar de Tolkien e Lewis por causa de um comentário curioso, mas antes tenho algo a esclarecer. Este blog não é um daqueles fenômenos de internet que atraem gente de todo canto e entope os comentários com um monte de “adorei seu blog, parabéns, ou blabláâ€. O pessoal que chega aqui chega por uma razão, quer saber e falar sobre cinema hollywoodiano – que é onde eu moro, então falar do que não é feito ou lançado por aqui é secundário, embora eu goste de filmes de outros lugares, especialmente da Inglaterra – ou é amigo, membro da famÃlia, coisas assim. O que acontece é que sempre tem gente conhecida e, quando alguém novo surge, algumas explicações podem, ou não, ser necessárias, afinal, leva um tempo para conhecer alguém e algumas “opiniões†podem não transmitir aquilo que realmente penso, especialmente pelo fato de eu tirar barato de muitas situações aqui. Afinal, estamos no Judão, certo?
PrÃncipe Caspian estreou hoje no Brasil. Assisti ao filme na semana passada, no dia da estréia aqui (leiam a matéria do Guia da Semana a respeito), e, diferente do que se pode imaginar, tive que pagar o ingresso. Caro, aliás: US$ 25. É, a Disney não gosta de mim e não me chama para os filmes deles. Só vi a Hannah Montana por que era para a revistona lá, quando não é para eles, acho que nem posso passar perto da central lá em Burbank. Enfim, como trabalho é trabalho e eu levo a sério e não fico com palhaçada, fui lá conferir o segundo filme. Eu gostei do primeiro. Foi uma boa adaptação, tinha tudo que o primeiro livro precisava contar, não forçaram a barra com o cristianismo, então achei legal. Me diverti, curti o Aslan e gostei da ambientação daquele mundo, que poderia ter parecido muito mais infantil. Detalhe, eu tinha assistido a toda a série que a BBC produziu e a Focus Filmes lançou no Brasil. Aliás, confiram, é bem interessante, box bem feito – embora gordo e ocupa um belo espaço na prateleira – e conta a história inteira. Ah, abusem do botão avançar no Dawn Trader, as cenas no mar são sacais! Bem, voltando a PrÃncipe Caspian. Como a molecada cresceu, nada melhor do que colocar um pouco mais de momentos sombrios na história toda, não? O clima é totalmente diferente. Nárnia não é mais um lugar lindo, cheio de encantos, animais simpatiquinhos que falam serelepes e blabla. Nárnia se tornou um lugar ordinário, sem nada de encantador. Muito por conta dos Telmarinos, uma raça que chegou ao antigo reino dos Reis de Nárnia, derrotaram os narniamos e mostraram que “com ferro fere não perde a briga!â€. É justamente desses telmarinos que Caspian é o prÃncipe e, como eles mandam em Nárnia, ele é o novo regente por direito. Porém, a bendita corneta (1) é soada e lá vão os irmãos Pevensie de volta ao maravilhoso e lindo reino … que está todo destruÃdo e, de quebra, passaram-se alguns séculos. Esse detalhe é fundamental para demonstrar a Peter, Edmund, Lucy e Susan que tudo ali mudou e que precisam fazer jus ao tÃtulo de “Reis de Outroraâ€.
Peter (William Moseley) não me convenceu no primeiro filme e ganhou meu ódio eterno com o segundo. Ele é ruim. Ponto. Edmund já mostra mais talento e agora tem o galãzinho Ben Barnes como Caspian. Pelo menos pose de herói ele sabe fazer. E agora a batata quente está nas mãos dele, já que os próximos dois filmes são essencialmente protagonizados por Caspian. A boa novidade do elenco é mesmo o Ripichipe. Eita ratinho arretado, sô! Na versão da BBC, foi o anão mais famoso do cinema Warwick Davies (Wicket, Willow… humm, mais algum personagem com W?) quem viveu esse espadachim rato com alto senso de humor e imbatÃvel na hora da porrada. Queria ver o Hulk tentando pegar ele! Hahaha! Imagine que, no meio de uma batalha, você é derrubado e quando vai ser rapidamente abatido percebe que, na sua frente, tem um RATO! Esse tipo de situação vale várias piadas, muito boas, aliás! O filme propõe uma luta pelo retorno da inocência e da magia, que foi perdida com a invasão dos Telmarinos. Entretanto, o roteiro é sincero o bastante para avisar que não se trata de uma reprise e de que, assim como a vida, nada acontece do mesmo modo duas vezes. No final das contas, a história acabe sendo focada nessa transição que os dois mundos vivem. Nárnia reencontra sua antiga essência, enquanto, em Londres, a molecada ainda vive aquele clima de medo provocado pela guerra, que já não assusta tanto, mas ainda é presente. Desta vez, porém, eles podem lutar contra o tirano da fantasia de modo mais próximo como foi a Segunda Guerra Mundial. A Feiticeira Branca era algo muito ideal, a vilã que vence pela enganação e pela sutileza e, quando em batalha, é, literalmente, fria como o gelo. Miraz, o vilão do segundo filme, é um homem de carne e osso. Traiçoeiro, covarde e, por que não, falÃvel. Ele comanda um exército sem identidade, uma verdadeira máquina de guerra que não liga a mÃnima para a beleza e maravilha com a qual luta. Todos os soldados usam máscaras, todos são um e esse um é representado por Miraz - forte em conjunto, inseguro individualmente. Curioso que, diferente das histórias básicas, não é o herói quem salva o dia ou resolve a peleja. Não fosse por um retorno triunfante de Aslan e árvores raivosas ajudando na batalha (2) o dia não teria terminado bem para os narnianos, que levaram uma bela sova. Vontade não falta, mas catapultas falam mais alto. O grande lance quando se fala em adaptações é que o produto final precisa ter uma identidade, precisar “fazer sentidoâ€, como os gringos gostam de usar. E Nárnia faz. A Bússola de Ouro, por exemplo, não fez e foi aquele fiasco. Um megavideoclipe cheio de cenas que não davam liga. Em PrÃncipe Caspian vemos tudo que precisa ser visto num filme e, aliado ao poder da Disney – a empresa muquirana e cheia das politicagens –, os bilhões na bilheteria são mera questão de tempo. Porém, a coisa não deu tão certo assim e o filme faturou “só†US$ 55 milhões. Custou US$ 200 milhões, ou seja, ainda tem chão para se pagar, mas isso não é problema, uma vez que o filme ainda pegou uma barra pesada com Indiana Jones abrindo dois dias depois. O primeiro filme abriu com US$ 65 milhões contra um orçamento de US$ 180 milhões, ou seja, teve melhor desempenho.
Eita Ratinho Bom de Briga!
(1) Corneta para pedir ajuda… humm, Boromir com aquela buzina de Scania em A Sociedade do Anel! Sempre achei que Lewis e Tolkien compartilhavam as idéias. Mas essa é tão cara de pau! Agora, quem copiou de quem? (2) Ãrvores despertas seguindo para a batalha… humm, Fangorn e os huórns fechando o cergo no Abismo de Helm. PELOAMORDEERUILUVATAR.. quem copiou de quem?!?! Hein?! Hein!? (3 que nao está no texto) isso sem contar o EspÃrito da Ãgua que aparece, tem feição humana e quebra a banca! SantoULMO salvê-nos dessas difamações! :-p |
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