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Por Fábio M. Barreto, de Los Angeles Dias antes da eleição que pode mudar os rumos da Casa Branca, Barack Obama pediu a seus eleitores que evitem o sentimento de vitória antecipada e enfrenta ataques pessoais que tentam ligá-lo a terroristas, anti-semitas e outros grupos considerados ofensivos pelos norte-americanos. Entretanto o calcanhar de Aquiles do senador de Illinois é algo que já vitimou John Kerry em 2004 e que pode ser a grande arma de John McCain: a postura militar de uma nação. No último debate presidencial de 2004, John Kerry perdeu a chance de se posicionar sobre a ocupação do Iraque, optou pelo discurso paliativo e neutro, deixando de confrontar George W. Bush em sua principal decisão militar. Obama nunca teve dúvidas e, desde o inÃcio de sua campanha, defendeu a retirada das tropas e o reposicionamento dos Estados Unidos no mundo. Sua mensagem é clara e direta: mudar o modo como os demais paÃses encaram a nação norte-americana.
Trovão Tropical faz rir. Ponto. Por ser uma comédia, não precisaria ir além disso, mas, sob a batuta de Ben Stiller – que estrela e dirige o longa-metragem –, acaba criticando a classe artÃstica de Hollywood e sobra para todo mundo. Stiller se destaca como o sem-noção que tenta salvar a carreira, enquanto Robert Downey Jr., atuando como “negãoâ€, força tanto na gÃria e no perfil “downtown LA” (acho que ele é parente do LeBrown, sei não), que nem mesmo o resto do elenco entende o que ele diz. Jack Black é o ponto fraco. Totalmente descartável e sem estilo, ele só ocupa espaço do que poderiam ter sido boas piadas. Adoro o Jack, mas ele começou a me deixar com a pulga atrás da orelha. Será que ele sempre foi tão repetitivo assim e só agora estou me tocando? Humm. Cercado de polêmica – negros e grupos ligados a deficientes mentais protestando contra os exageros –, o filme é lotado de referências a clássicos de guerra, com direito a remake de cenas de Platoon, e mostra como a quÃmica entre o alucinado Downey Jr. e Ben Stiller, em mais um bom momento, funcionou muito bem. Além de tudo isso, Tom Cruise – mais doido que o normal – pinta e borda como um executivo de estúdio sem o menor escrúpulo. É um dos mais engraçados da temporada e não dá a mÃnima para a opinião dos crÃticos. Bastante efetivo nas bilheterias, Trovão Tropical depende exclusivamente de seu elenco, que se auto-avacalha sem o menor problema. Entretanto sua melhor arma é Ben Stiller, que se mostra competente no comando e, diferentemente de seus companheiros, consegue separar as piadas das respostas conceituais quando fala de seu mais querido filho. O lançamento em Los Angeles foi uma zona por culpa do trio de estrelas, que não para de falar besteira e não deixou Ben Stiller em paz, mas, mesmo assim, alguma coisa se salvou no meio da bagunça! Contém spoilers
Até mesmo pessoas inteligentes têm seus momentos “Magdaâ€. Sharon Stone falou bobagem da China e levou uma invertida poderosa e financeira. Entretanto, esse caso nem se compara ao cala-boca que Spike Lee levou do Clint Eastwood outro dia. Bom, o sujeito também foi mexer com o Clint? Putz, com Dirty Harry não se brinca, filhote! Mas ele foi pregar aquela palhaçada racial dele (direitos são uma coisa, usar como arma polÃtica ou de publicidade é outra totalmente diferente, e foi isso que ele fez) e se esqueceu de pensar se seu argumento era válido ou não. Vou explicar por que Spike Lee se demonstrou um tapado, nesse caso. Gosto dele, mas perdeu vários pontos depois dessa. Vamos aos fatos:
E eles perguntaram.
Com os dois lados expostos, vou amarrar essa coisa toda. Como alguns de vocês sabem, eu escrevo contos e, no momento, estou trabalhando no meu primeiro livro. Mês passado, porém, escrevi um roteiro em inglês da minha primeira tentativa de curta-metragem. O assunto: Segunda Guerra Mundial. Curiosamente, eu queria escalar um ator negro para o papel, mais especificamente John Adams (Dead Zone), colega meu aqui , gente boa pacas e que arranha no português. Diferente do Spike Lee, eu pesquisei a presença e a participação de soldados negros no conflito, especialmente no Teatro de Operações Europeu. Como fã e estudioso do tema, achei estranho também, assim como o Lee, que não houvesse negros em produções como Band of Brothers, O Resgate do Soldado Ryan, Além da Linha Vermelha, e por aà vai. Demorou um pouco para chegar ao resultado, mas o próprio John me colocou em contato com um veterano que, além de indicar um material distribuÃdo na comunidade negra aqui, deu a resposta: não haviam negros na linha de frente norte-americana no inÃcio da guerra, especialmente no Dia-D. O Teatro do PacÃfico, porém, apresentou a utilização de combatentes negros bem mais rápido e, realmente, havia um contingente afro-americano na invasão à s ilhas japonesas como Iwo Jima, mas um número Ãnfimo se comparado aos caucasianos. O comentário de Lee soa fora de contexto, uma vez que os filmes de Eastwood tem por objetivo retratar a história dos soldados que levantaram a bandeira, em A Conquista da Honra, e dos japoneses, em Cartas de Iwo Jima. Spike Lee vem tocando nesse tema há um tempo, diz que é provocação de Eastwood e promete fazer seu próprio filme de guerra para “corrigir†esses erros. Ótimo, mas que o faça num intervalo histórico onde a participação negra foi verÃdica. É realmente necessário mostrar esse aspecto da guerra. Os Estados Unidos ainda viviam um sistema social segregado durante Segunda Guerra Mundial, que continuou a ter seus efeitos inclusive durante o Vietnã – aà sim uma guerra onde os negros foram enviados ao front sem pensar duas vezes. Quem assistiu a Fomos Heróis pode notar a integração entre os soldados, mas o detalhe da segregação surge quando uma das esposas recém-chegadas fica surpresa com a lavanderia “withes only†(ela pensou que só podia lavar roupa branca, mas, na verdade era que só “gente†branca poderia entrar no estabelecimento). Não havia nenhum pára-quedista negro no ataque aéreo e tampouco dentro das barcaças de desembarque. O primeiro negro a colocar os pés na Normandia foi um motorista de caminhão, que levava suprimentos para os combatentes. As unidades do Exército formadas por negros eram não-combatentes, no inÃcio da guerra, mas isso foi mudando ao longo do conflito. O personagem de Cuba Godding Jr. em Pearl Harbor, por exemplo, deixa claro que “lugar de negro era na cozinha”, sob a ótica das Forças Armadas, pelo menos até a briga começar e as estúpidas barreiras raciais começaram a esmorecer, afinal, muito branquelo foi salvo pela coragem e bravura dos soldados negros. Voltando a Spike Lee. Como membro ativo da comunidade negra e, sem dúvida, em contato com todo esse material que um recém-chegado como eu conseguiu, soa apenas como jogada de marketing criticar Clint abertamente. A resposta de Eastwood foi perfeita e dentro da realidade do conflito. Para que escalar negros num lugar onde não haviam negros lutando? Seria o mesmo que George Lucas escalar atores brancos para estrelar Red Tails, que vai contar a história do melhor esquadrão de caça da WWII e que era totalmente formado por pilotos negros. Se o Lucas estragar esse, eu juro que ele perde meu respeito! O “ataque†de Lee tem uma razão, porém. O próximo projeto de Clint Eastwood envolve a história de Nelson Mandela, o primeiro presidente negro da Ãfrica do Sul. Entendo a postura do cineasta desafiante como um aviso: “estamos de olho no que você fazâ€. Mas o golpe não funcionou, e o detentor do tÃtulo devolveu com um nocaute: “Não vou transformar Nelson Mandela em um brancoâ€, disse sorrindo. Portanto, Spike, meu caro: calaaaaaaaaaaaaaaada! |
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